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A importância da organização das mulheres

Enviado para Especial, Marxismo | Enviado em 01-03-2010

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“De nossas concepções ideológicas se desprendem como conseqüência medidas de organização. Nada de organizações especiais de mulheres comunistas! A comunista é tão militante do Partido como é o comunista, com as mesmas obrigações e direitos. Nisto não pode haver nenhuma divergência. Entretanto não devemos fechar os olhos perante os fatos. O Partido deve contar com os órgãos – grupos de trabalho, comissões, seções, ou como se decida denominá-los – cuja tarefa principal consista em despertar as amplas massas femininas, vinculadas ao Partido, sobre a sua influência. Para isto é necessário, sem dúvida, que desenvolvamos plenamente, um trabalho sistemático entre essas massas femininas. Devemos educar as mulheres que tenhamos conseguido tirar da passividade, devemos recrutá-las e armá-las para a luta de classes proletária sob a direção do Partido Comunista. Não só me refiro às proletárias que trabalham na fábrica ou se afanam no lar, como também às camponesas e às mulheres das distintas camadas da pequena-burguesia. Elas também são vítimas do capitalismo e desde a guerra são mais que nunca. Psicologia apolítica, não social, atrasada dessas massas femininas; estreiteza de seu campo de atividade, todo seu modo de vida: estes são os fatos. Não prestar atenção a isto seria inconcebível, completamente inconcebível. Necessitamos de métodos especiais de agitação e formas especiais de organização. Não se trata de uma defesa burguesa dos “direitos da mulher”, e sim, dos interesses práticos da revolução”. (Lênin)

Disse a Lênin que suas reflexões constituíam para mim um apoio valioso. Muitos camaradas, muitos bons camaradas se opunham de maneira mais decidida a que o Partido criasse órgãos especiais para um trabalho metódico entre as amplas massas femininas. Chamavam a isto retorno às tradições social-democratas, à célebre “emancipação da mulher”. Tratavam de demonstrar que os partidos comunistas, ao reconhecerem por princípio e plenamente a igualdade de direitos da mulher, devem desenvolver seu trabalho entre as massas de trabalhadores sem diferença de qualquer espécie. A maneira de trabalhar entre as mulheres deve ser a mesma que entre os homens. Todo intento de considerar na agitação e na organização as circunstâncias indicadas por Lênin é considerada pelos defensores da opinião oposta: oportunismo, traição e uma renúncia aos princípios.

Clara lutou por uma sociedade sem classes e sem machismo

-“Isto não é novo nem serve de modo algum como prova- replicou Lênin- não se deixe confundir. Por que em nenhuma nação, nem na Rússia Soviética, militam no Partido tantas mulheres quantos são os homens? Por que o número de mulheres operárias organizadas nos sindicatos é tão pequeno? Estes fatos nos obrigam a refletir. Negar a necessidade de órgãos especiais para nosso trabalho entre as extensas massas femininas é uma das manifestações muito de princípio e muito radical de nossos “queridos amigos” do Partido Operário Comunista. Segundo eles, deve existir uma só forma de organização: a união operária. Já sei. Muitas cabeças de mentalidade revolucionaria, porém embaralhadas, se remetem aos princípios e não vêem a realidade, isto é quando a inteligência se nega a apreciar os fatos concretos aos quais se deve prestar atenção. Como fazem frente, estes mantenedores da “pureza de princípios”, às necessidades que nos impõe o desenvolvimento histórico em nossa política revolucionária? Todas essas defesas vêm abaixo ante uma necessidade inexorável: sem  milhões de mulheres não podemos levar a cabo a construção comunista. Devemos encontrar o caminho que nos conduz até elas, devemos estudar muitos métodos para encontrá-lo”.

“Por isto é totalmente justo que apresentemos reivindicações em favor da mulher. Isto não é um programa mínimo, não é um programa de reformas no espírito social-democrata, no espírito da II Internacional. Isto não é o reconhecimento de que acreditamos na eternidade ou ao menos na existência prolongada da burguesia e de seu Estado. Tampouco é nossa intenção apaziguar as massas femininas com reformas e desviá-las da luta revolucionária. Isto nada tem em comum com as superstições reformistas. Nossas reivindicações existem na prática, pela tremenda miséria e pelas vergonhosas humilhações que sofre a mulher, débil e desamparada em um regime burguês. Com isto testemunhamos que conhecemos essas necessidades, que compreendemos a opressão da mulher, que compreendemos a situação privilegiada do homem e odiamos. – Sim, odiamos e queremos eliminar tudo que oprime e atormenta a operária, a mulher do operário, a camponesa, a mulher do homem simples e inclusive, e em muitos aspectos, a mulher acomodada. Os direitos e as medidas sociais que exigimos da sociedade burguesa para a mulher, são uma prova de que compreendemos a situação e os interesses da mulher e de que na ditadura proletária a teremos em conta. Desde logo, não com adormecedoras medidas de tutela; não, claro que não, sim como revolucionários que chamam a mulher a trabalhar em pé de igualdade pela transformação da economia e da superestrutura ideológica.”

Assegurei a Lênin que compartilhava de seu ponto de vista, porém, que este ponto de vista encontraria, indubitavelmente, resistência. Mentes inseguras e medrosas o rechaçariam como “oportunismo perigoso”. Tampouco podemos negar que nossas reivindicações para as mulheres podem compreender-se e interpretar-se equivocadamente.

-“Que vamos fazer! – Lênin exclamou, algo irritado. Este perigo se estende a tudo que digamos e façamos. Se por temor a ele nos abstivermos de atos convenientes e necessários, poderemos converter-os em índios místicos contemplativos. Nada de mover-se, nada de mover-se, senão caímos da altura de nossos princípios! Em nosso caso, não se trata simplesmente de que exijamos isto e sim de como fazemos isto. Eu acredito que sublinhei com bastante clareza, isto. Como é lógico, em nossa propaganda não devemos ficar na posição de rezar um rosário de nossas reivindicações para as mulheres. Não, dependendo das condições existentes, devemos lutar ou por uma das reivindicações ou por outra, lutar de verdade, sempre em relação aos interesses gerais do proletariado”.

“Como é lógico, cada combate nos põe em contradição com a honorável camarilha burguesa e seus não menos honoráveis lacaios reformistas. Isto obriga estes últimos a lutar ao nosso lado, sob nossa direção – coisa que não querem – ou a tirar a máscara. Portanto, a luta faz com que nos destaquemos e mostra claramente nosso perfil comunista. A luta provoca a confiança das amplas massas femininas, que se sentem exploradas, escravizadas, esgotadas pelo domínio do homem, pelo poder dos patrões e por toda sociedade burguesa em seu conjunto. As trabalhadoras, traídas e abandonadas por todos, começam a entender que devem lutar junto conosco. Devemos ainda persuadir-nos uns aos outros que a luta pelos direitos da mulher tem de vincular-se com o objetivo fundamental: com a conquista do Poder e a instauração da ditadura do proletariado. Isto é para nós, nos momentos atuais e nos que se seguirão, o alfa e o ômega. Isto é evidente, completamente evidente. Porém as amplas massas femininas, trabalhadoras, não sentirão desejo irresistível de compartilhar conosco a luta pelo Poder do Estado, se sempre apregoamos somente esta reivindicação, ainda que seja com as trombetas de Jericó! Não, não! Também devemos vincular politicamente, na consciência das massas femininas, no chamamento, com os sofrimentos, as necessidades e os desejos das trabalhadoras. Estas devem saber que a ditadura proletária significa a plena igualdade de direitos com o homem, tanto perante a lei, como na prática, na família, no Estado e na sociedade, assim como também a derrubada do poder da burguesia.”

- A Rússia Soviética está demonstrando isto, exclamei! E nos servirá de grande exemplo!

Lênin prosseguiu:

-“A Rússia Soviética levanta nossas reivindicações para as mulheres sob um novo aspecto. Na ditadura do proletariado, estas reivindicações já não são objeto de luta entre o proletariado e a burguesia, e sim, são tijolos para a construção da sociedade comunista. Isto mostra às mulheres estrangeiras a importância decisiva da conquista do Poder pelo proletariado. A diferença entre sua situação aqui e lá, deve ser estabelecida com precisão, para que vocês possam contar com as massas femininas na luta revolucionária de classes do proletariado. Saber mobilizá-las com uma clara compreensão dos princípios e sob uma firme base organizativa, é uma questão da qual dependem a vida e a vitória do Partido Comunista. Porém, não devemos enganar-nos. Em nossas seções nacionais não existe ainda uma compreensão cabal deste problema. Nossas seções nacionais mantêm uma atitude passiva e expectante perante a tarefa de criar, sob a direção comunista, um movimento de massas das trabalhadoras. Não compreendem que liberar esse movimento de massas e dirigi-lo constitui uma parte importante de toda a atividade do partido, inclusive a metade do trabalho geral no Partido. Às vezes, o reconhecimento da necessidade e do valor de um potente movimento feminino comunista, que tenha diante de si um objetivo claro, é um reconhecimento platônico da palavra e não uma preocupação e um dever constante do Partido.”

A agitação e a propaganda entre as mulheres

“Nossas seções nacionais recebem o trabalho de agitação e propaganda entre as massas femininas, seu despertar e sua radicalização revolucionária, como algo secundário como uma tarefa que só afeta as mulheres comunistas. Às comunistas incomoda que este trabalho não avance com a devida rapidez e energia. Isto é injusto, totalmente injusto! É uma verdadeira igualdade de direitos ao avesso, “á la rebours”, como dizem os franceses. Em que se baseia esta posição errada de nossas seções nacionais? Não falo da Rússia Soviética. Definitivamente, isto é somente uma subestimação da mulher e de seu trabalho. Precisamente isto. Desgraçadamente ainda se pode dizer de muitos de nossos camaradas: “Escave um comunista e encontrará um filisteu”. Como é natural devemos escavar em um ponto sensível: em sua psicologia em relação à mulher. Existe prova mais consistente que os homens assistam com calma como a mulher se desgasta no trabalho doméstico, um trabalho miúdo, monótono, esgotante, que lhe absorve o tempo e as energias; como estreitam seus horizontes, se nubla sua inteligência, se debilita o bater de seus corações e decai a vontade? Não estou aludindo, naturalmente às damas burguesas que encomendam todos os seus afazeres domésticos, incluindo o cuidado dos filhos, a pessoas assalariadas. Tudo o que digo se refere à imensa maioria das mulheres, entre elas as mulheres dos operários, ainda que passem todo o dia na fábrica e ganhem seu salário”.

“São muitos poucos os maridos, inclusive entre os proletários que pensam no muito que poderiam aliviar o peso e as preocupações da mulher e até suprimi-los por completo, se quisessem ajudar no “ trabalho da mulher”. Não fazem por considerar isto em contradição com o “direito e a dignidade do marido”. Este exige descanso e comodidade. A vida continua substituindo de maneira encoberta. Sua escrava vinga-se dele objetivamente, por esta situação e também de maneira velada: o atraso da mulher, sua incompreensão dos ideais revolucionários do marido, debilitam o entusiasmo deste e sua decisão de luta. Estes são os pequeninos vermes que corroem e minam as energias de modo imperceptíveis e lento, porém seguro. Conheço a vida dos operários não somente pelos livros. Nosso trabalho comunista entre as massas femininas precisa ser compreendido por uma parte cada vez mais considerável dos homens. Devemos extirpar, até as últimas e mais ínfimas raízes, o velho ponto de vista próprio dos tempos da escravidão. Devemos fazê-lo tanto no Partido como entre as massas. Isto se relaciona tanto com nossas tarefas políticas como à imperiosa necessidade de formar um núcleo de camaradas – homens e mulheres – que conte com uma séria preparação, teórica e prática para realizar e impulsionar o trabalho do Partido entre as trabalhadoras.”, concluiu Lênin.

(Fonte: livro Recordações de Lênin, de Clara Zetzin))

O Poder soviético e a situação da mulher

Enviado para Marxismo | Enviado em 08-02-2010

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O segundo aniversário do poder soviético nos dita o dever de passar em revista tudo o que foi realizado e de refletir sobre o seu significado e as metas da transformação atual.

A burguesia e seus adeptos acusam-nos de ter violado a democracia. Nós declaramos que a revolução soviética deu à democracia um impulso sem precedentes tanto em extensão como em profundidade; este impulso foi dado precisamente à democracia das massas trabalhadoras e exploradas pelo capitalismo, isto é, a democracia para a imensa maioria do povo, a democracia socialista (dos trabalhadores) que é preciso distinguir da democracia  burguesa (dos exploradores, dos capitalistas e dos ricos).

Quem tem razão?

Nadeja Krupskaia, comunista do PCUS

Refletir bem sobre esta questão e aprofundá-la, quer dizer, verificar a experiência destes dois anos é preparar melhor o desenvolvimento ulterior.

A condição da mulher mostra a diferença entre a democracia burguesa e a socialista e dá uma resposta singularmente clara à questão que acabamos de expor.

Em nenhuma República burguesa (ou seja, onde existe a propriedade privada da terra, das fábricas, das usinas, das ações, etc.), por mais democrática, em nenhuma parte do mundo, nem sequer nos países mais adiantados a mulher goza de plena igualdade de direitos em relação ao homem. E isto depois de um século e um quarto haverem decorrido a seguir à grande revolução francesa (burguesa e democrática).

Em palavras, a democracia burguesa promete a igualdade e a liberdade. Em fatos, nenhuma República burguesa, nem as mais progressivas, nenhuma deu à metade feminina do gênero humano a plena igualdade jurídica em face do homem, nem a libertou da tutela da opressão deste último.

A democracia burguesa é uma democracia de frases pomposas, de promessas grandiloquentes, de  sonoras palavras de ordem (liberdade e igualdade), mas na realidade, ela dissimula a escravidão e desigualdade da mulher, a escravidão a desigualdade dos trabalhadores e dos explorados.

A democracia soviética ou socialista rejeita o verbalismo pomposo e messiânico, declara uma guerra sem tréguas à hipocrisia dos “democratas”, dos proprietários da terra, dos capitalistas ou dos camponeses abastados que enriquecem vendendo a preços exorbitantes seus excedentes de trigo aos operários famintos.

Abaixo essa mensagem hedionda! Não pode haver, não há nem haverá “igualdade” entre oprimidos e opressores, explorados e exploradores. Não pode haver, não há, nem haverá “liberdade” verdadeira, enquanto a mulher não for libertada dos privilégios que a lei sanciona em favor do homem, enquanto o operário não for libertado do jugo do Capital, enquanto o camponês trabalhador não for libertado do jugo do capitalista, do proprietário da terra, do comerciante.

Que os mentirosos e os hipócritas, os imbecis e os cegos, os burgueses e os seus adeptos ludibriem o povo tagarelando-lhes sobre liberdade, igualdade e democracia em geral!

Nós dizemos aos operários e aos camponeses: arrancai a máscara desses mentirosos, abri os olhos aos cegos. Perguntai-lhes:

Igualdade de qual sexo para o outro sexo?

De qual nação para outra nação?

De que classe para outra classe?

Livres de que jugo, ou melhor, do jugo de que classe? Liberdade de classe?

Quem falar de política, de democracia, de liberdade, de igualdade, de socialismo,sem pôr estas questões, sem as colocar em primeiro plano, sem lutar contra as tentativas de esconder, de fingir ou sufocar estas questões, é o pior inimigo dos trabalhadores, o lobo revestido de pele de cordeiro, o pior adversário dos operários e dos camponeses, um lacaio dos proprietários da terra, dos tzares, dos capitalistas.

No espaço de dois anos, o poder soviético fez mais pela libertação da mulher, pela sua igualdade com o sexo “forte”, num dos países mais atrasados da Europa, do que todas as Repúblicas adiantadas, esclarecidas, “democráticas” do mundo inteiro no curso de 130 anos.

Luzes, cultura, civilização, liberdade, em todas as Repúblicas capitalistas e burguesas do mundo, todas estas palavras ocas andam a par com leis infinitamente abjetas, de uma vilania amarga, de uma grosseria bestial, consagrando a desigualdade da mulher no casamento e no divórcio, estabelecendo a desigualdade entre os filhos naturais e “legítimos”. Criando privilégios para os homens, enquanto eles humilham e ultrajam as mulheres.

O jugo do Capital, a opressão da “propriedade privada sagrada”, o despotismo da estupidez burguesa, o egoísmo do pequeno proprietário, eis o que impediram as Repúblicas mais democráticas da burguesia de acabar com essas leis vis e abjetas.

A República dos Sovietes, a República dos operários e dos camponeses destruiu essas leis de um só golpe e não deixou nenhum vestígio de tudo o que edificaram a maldade e a hipocrisia burguesas.

Abaixo essa maldade! Abaixo os mentirosos que falam de liberdade e igualdade para todos, enquanto existe um sexo oprimido, existem classes do opressores, existe a propriedade privada do Capital e das ações, existem pessoas com excedentes de trigo que põem sob o seu jugo os famintos. Não a liberdade para todos, não a igualdade para todos, mas a luta contra os opressores e os exploradores, o esmagamento da possibilidade de oprimir e explorar. Eis a nossa palavra de ordem!

Liberdade e igualdade para o sexo oprimido!

Liberdade e igualdade para o operário, para o camponês trabalhador!

Luta contra os opressores, luta contra os capitalistas, luta contra o especulador kulak!

É este o nosso grito de guerra, esta a nossa verdade proletária, verdade da luta contra Capital, verdade que lançamos à face do mundo do Capital com suas frases melífluas, hipócritas, pomposas sobre a liberdade em geral, sobre a liberdade para todos!

(Lênin: “O poder soviético e a situação da mulher”)

(1)  Para designar a Assembléia Constituinte, Lênin empregava o diminutivo pejorativo Utchredilka.

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