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Vote em quem luta e defende os direitos dos trabalhadores e da juventu

No próximo dia 3 de outubro, acontecerão as eleições gerais no Brasil. Trata-se de uma disputa eleitoral profundamente desigual: enquanto os candidatos dos ricos gastam rios de dinheiro em campanhas milionárias, os trabalhadores e seus candidatos vão às ruas, fábricas, escolas, universidades...

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A importância, para a revolução, da luta contra o individualismo

Enviado para Especial | Enviado em 17-08-2010

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Diante do retumbante fracasso do sistema capitalista e de sua promessa de uma economia globalizada sem crises econômicas, muitos companheiros perguntam por que, sendo o socialismo muito superior ao capitalismo e a nossa causa tão justa, não fazemos logo a revolução para acabar com esse odioso sistema econômico e político?

Para obter uma resposta precisa e correta para essa questão, é preciso, antes de mais nada,  analisarmos quais foram as principais condições que determinaram a vitória das revoluções socialistas que ocorreram no mundo.

“Quem debilita,  por pouco que seja, a disciplina férrea do partido do proletariado ajuda, de fato, a burguesia contra o proletariado.”   (V.I. Lênin)

Comecemos pela primeira e mais importante: a grande revolução socialista soviética de 1917. V. I. Lênin, líder e organizador do Partido Comunista Bolchevique da URSS, ao analisar uma das condições fundamentais para o êxito dos bolcheviques, escreveu:

“Seguramente agora quase todos vêem que os bolcheviques não teriam se mantido no poder, não digo dois anos e meio, mas nem sequer dois meses e meio, sem a disciplina rigorosíssima, verdadeiramente férrea, no nosso partido, sem o apoio mais completo e abnegado a ele por toda a massa da classe operária, isto é, por tudo o que ela possui de consciente, honrado, influente, capaz de atrair as camadas atrasadas. (…) Mas como se mantém essa disciplina no partido revolucionário do proletariado? Primeiro, pela consciência da vanguarda proletária e pela sua dedicação à revolução, pela sua firmeza, pelo seu espírito de sacrifício, pelo seu heroísmo.” (Lênin, O esquerdismo, doença infantil do comunismo).

Ho Chi-MinPortanto, sem uma disciplina rigorosíssima do partido e sem o apoio incondicional de toda a massa, não é possível a vitória da revolução.

Um dos obstáculos para alcançar essa disciplina férrea no partido é, sem dúvida, o individualismo. Afinal, o Partido Comunista precisa ser construído no interior de uma sociedade  burguesa cujo princípio moral é “Primeiro cuida de ti, para depois pensar nos outros”.

Com efeito, como o capitalismo é um sistema econômico baseado na exploração do homem pelo homem, não é possível nele a melhoria da vida de todas as pessoas. Assim, para manter a ilusão nesse regime econômico, a burguesia procura convencer a maioria explorada de que o segredo do sucesso é “não se importar em pisar nas outras pessoas nem com o sofrimento de ninguém”.

Variadas são as formas, tais como filmes, novelas, canções, revistas e jornais, escolas e universidades, que a burguesia utiliza para propagandear essa sua moral. Por isso, é comum vermos reportagens na TV destacando pessoas que colocaram seus projetos pessoais acima de qualquer coisa e que “venceram na vida e hoje vivem felizes”. Não importa quantos ficaram infelizes para que isso acontecesse ou quantos trabalhadores ficaram desempregados, o que interessa é que aquela pessoa conseguiu seu objetivo: ficou rica! Ser feliz é sinônimo de ter muito dinheiro e de poder comprar o que quiser, inclusive, o amor.

Um exemplo sempre citado pelos meios de comunicação burgueses é o do bilionário norte-americano Bill Gates, dono da Microsoft, empresa proprietária do programa Windows.  Entretanto, nunca é dito que a Microsoft cresceu graças aos financiamentos recebidos do governo norte-americano, ao acesso que teve às pesquisas tecnológicas da NASA e do Pentágono e à proteção de seu monopólio. Sem esse “empurrãozinho”, Bill Gates em vez de ganhar fortuna e fama, teria sucumbido à concorrência internacional.

O culto ao individualismo

Também, para melhor cooptar para sua ideologia, a burguesia e seus porta-vozes promovem a exaltação do individualismo com afirmações como “o projeto pessoal é a coisa mais importante da vida de uma pessoa” e “os desejos e a vontade individual são sempre mais importantes que qualquer anseio coletivo”.

Mas seria possível alguém existir no mundo, se a sociedade não existisse? Como seria a vida desse ser humano se a humanidade não tivesse trabalhado coletivamente e milhões e milhões de pessoas não tivessem lutado e muitas doado suas vidas para que esse “eu”, ou seja, essa pessoa,  continuasse existindo?

Que tipo de felicidade é possível quando se sabe que a cada três segundos uma criança morre de fome no mundo, bilhões  de indivíduos  vivem privados de água e de trabalho e os “donos do mundo” diariamente promovem  guerras  e assassinam centenas de pessoas?

A essas perguntas, a burguesia responde com os versos da canção Epitáfio de Sérgio Brito, gravada pela banda Titãs:
“Queria ter aceitado / A vida como ela é/  A cada um cabe alegrias/ E a tristeza que vier… O acaso vai me proteger/ Enquanto eu andar distraído/ O acaso vai me proteger/ Enquanto eu andar…”.

Em outras palavras, as tristezas virão de todo jeito, não importa se o homem luta ou não. Então, posso só pensar em mim, ser egoísta, e dormir tranqüilo.

Infelizmente, em virtude das dificuldades da luta revolucionária e das privações que os revolucionários são obrigados a viver numa sociedade capitalista, alguns militantes terminam sendo atraídos por essa moral burguesa – e sua filha dileta, a ideologia pequeno-burguesa – e abandonam seus camaradas, o partido e a causa que juraram defender.

Para aliviarem sua consciência, ou a falta dela, dizem que “no partido comunista não se tem liberdade; um pequeno grupo decide tudo e não se pode ser como se realmente é.”

Levantam, assim, a bandeira da “liberdade”, mas não a da liberdade dos explorados, e sim a liberdade dos ricos explorarem os pobres e dos poderosos massacrarem os trabalhadores.

A nova moral

Outra importante revolução socialista vitoriosa foi a revolução vietnamita, dirigida por Ho Chi Minh  e pelo Partido Comunista do Vietnam.

A revolução vietnamita derrotou primeiro o império japonês, depois, em 1945, o imperialismo francês e, na década de 70, impôs a mais profunda derrota já sofrida pelas poderosas Forças Armadas dos Estados Unidos da América.

Tio Ho, como era carinhosamente chamado pelo povo vietnamita, morreu no dia 3 de setembro de 1969, portanto, há quarenta anos, mas deixou vários artigos escritos sobre a necessidade de se imprimir um duro combate ao individualismo para o triunfo da revolução. Vejamos o que Ho Chi Minh escreveu em seu artigo A Nova Moralidade:

“Tendo nascido na sociedade antiga, cada um de nós conserva em si mais ou menos seqüelas dessa sociedade do ponto de vista da ideologia, dos costumes etc. O aspecto mais negativo e mais perigoso é o individualismo. O individualismo é o oposto da moral revolucionária. Por menos que reste ainda na pessoa, o individualismo espera a ocasião propícia para desenvolver-se e eclipsar a moral revolucionária, para impedir-nos a inteira devoção à luta da causa revolucionária.

O individualismo é uma coisa astuta e pérfida: atrai insidiosamente o homem (e a mulher) para uma descida fatal. Sabemos que descer a ladeira é mais fácil que subi-la novamente, por isso o individualismo é ainda mais perigoso.”  (A Nova Moralidade)

Não é raro vermos companheiros dominados por esse individualismo. De repente, passam a se considerar tão bons que teorizam que o mais importante não é o partido, mas eles próprios. Quando criticados, lançam um ultimatum ao partido ou ao coletivo de que participam. Não importa se cometeram erros graves ou não, têm a certeza de que qualquer outro erraria mais, assim, merecem elogios.

Vaidosos, querem ser aplaudidos a todo instante e são contaminados por uma preguiça que os impede de estudar e de se perguntar o que podem aprender com os demais companheiros.
Muitas vezes se apresentam maravilhados de si mesmo e superiores a todos os camaradas. Uma vez ou outra dizem que ainda têm muito que aprender, mas o que pensam mesmo é que sabem mais que todos os membros do partido juntos.

Alguns desses camaradas chegam ao ponto de recusarem ir às reuniões, pois sabem que o coletivo irá discutir seus erros e criticar suas atitudes. Querem logo passar uma borracha e seguir adiante como se nada tivesse acontecido. Dizem para si próprios que na hora que quiserem não errarão mais, portanto, não é com eles que o coletivo deve-se ocupar.

É claro que, pouco a pouco, esse comportamento vai afastando esses companheiros do partido, uma vez que eles não se sentem mais obrigados a cumprir as decisões do coletivo e crêem que sozinhos podem encontrar soluções melhores que as adotadas coletivamente.
Esse comportamento individualista trabalha silenciosamente para debilitar a unidade do partido e é incompatível com a moral revolucionária.

De fato, uma condição para a vitória da revolução é exatamente a existência de uma profunda unidade de pensamento e de ação dos militantes.  Quanto mais coesão tem um partido, mais e melhor lutará esse partido.  A moral comunista está assentada na propriedade comum dos meios de produção, na força do trabalho coletivo e de que seus frutos beneficiem a todos e não apenas uma minoria. A humanidade chegou até aqui graças ao trabalho coletivo. Se dependesse somente de um homem e de seus interesses mesquinhos, a sociedade teria sucumbido há muito tempo.
Além do mais, a fome, a pobreza, a exploração, as guerras e a infelicidade existentes hoje no mundo são resultados de um sistema econômico baseado na propriedade individual dos meios de produção e numa moral que tem como máxima a filosofia do “ou saqueia teu próximo ou este saqueia a ti; ou trabalhas para alguém ou esse alguém trabalha para ti; ou és dono de escravos ou és escravo” (Lênin).

Na verdade, a luta contra o individualismo é uma das principais lutas ideológicas que o partido necessita travar no seu interior. Nesse embate, ele se desenvolve, aprofunda sua coesão e avança sua consciência revolucionária. Por isso mesmo, o partido não pode abrir mão de exigir dos seus membros a disciplina, a honestidade e a dedicação sem vacilação à causa revolucionária.

Porém, como adverte Ho Chi Minh, vivendo numa sociedade burguesa ninguém tem completa imunidade e “o individualismo espera a ocasião propícia para desenvolver-se”; logo, é indispensável que todos os militantes se mantenham vigilantes e dispostos a combater em si e em qualquer companheiro, o individualismo. Pois, só trilhando esse caminho revolucionário, construiremos um partido capaz de derrotar a ideologia burguesa e seus fundamentos econômicos e  construir uma sociedade fraterna e verdadeiramente feliz. Dito de outro modo, sem vencer o individualismo e a moral burguesa, o partido não é capaz de comandar o projeto coletivo de transformação social, isto é, realizar a revolução socialista.

Lula Falcão, membro do comitê central do Partido Comunista Revolucionário
Publicado em A Verdade nº 110

Uma história de luta, sangue e suor

Enviado para Especial | Enviado em 28-04-2010

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A violência é inerente ao capitalismo. O fato de uma minoria ser proprietária dos meios de produção e apropriar-se do trabalho de milhões de seres humanos, remunerando-os apenas pelo mínimo necessário para continuarem trabalhando, já uma violência. Lançar outros milhões de seres na miséria, em nome da “modernização produtiva” e da redução de custos, para garantir o lucro máximo, é ignomínia. Mas não é esse o limite. A burguesia conta com o Estado (destacamento de homens armados, no dizer de Engels) para castigar, por meio de agressões, prisões e assassinatos, os operários que aprendem a dizer não e se levantam contra o regime de escravidão assalariada.

Brasil – a classe operária nasce lutando

Quando o Congresso Socialista de Paris propôs a realização no dia 1° de Maio de 1890, de uma jornada mundial de luta pelas oito horas, o Brasil acabava de sair do regime de trabalho escravo e a industrialização dava seus primeiros passos.

Na Colônia, Portugal proibia qualquer atividade fabril, que começou a dar seus primeiros passos no Império em cujo final havia 600 indústrias no país e cresceu nos primeiros anos da República (De 1890 a 1895, instalaram-se 425 novas fábricas). Mas a indústria nascente pouco aproveitou da mão-de-obra escrava, condenando os negros liberados ao subemprego, ao biscate, à marginalidade. A exclusão social produziu a sobrevida nas favelas, nos mocambos e cortiços dos grandes centros urbanos. Uma violência das classes dominantes, que gerou a violência que hoje tanto preocupa a burguesia e os setores médios.

Em 1900, 90% dos operários da indústria eram estrangeiros, predomínio que durou até o fim da 1ª Guerra Mundial (1918).  Os salários e as condições de trabalho, péssimos. Jornada  de trabalho de onze horas ininterruptas, fábricas instaladas em velhos galpões sem luz, sem ventilação, sem instalação sanitária. A maioria dos trabalhadores contraía doenças infecto-contagiosas, como a tuberculose. Muita exploração do trabalho infantil e maus-tratos contra as crianças: “Muitas mostram-nos equimoses nos braços e nas costas. Algumas apresentam ferimentos produzidos com uma manivela. Há uma com as orelhas feridas por continuados e violentos puxões (….). Trata-se de crianças de 12,13,14 anos”. (jornal O Combate ).

Começa a luta

As reuniões operárias eram proibidas, o 1º de Maio comemorado clandestinamente. No ano de 1907 a Federação Operária de São Paulo enfrentou a repressão,  marcou uma manifestação na Praça da Sé, no Dia Internacional dos Trabalhadores. O governo ocupou a praça e os metalúrgicos entraram numa greve que se estendeu a Itu, Campinas, São Bernardo do Campo e Santos. A repressão agiu com prisões, espancamentos e expulsão de operários estrangeiros.

Mas as lutas continuaram, a organização operária cresceu, fundou-se a primeira central sindical, a Confederação Operária Brasileira (COB). Em 1917 uma greve geral parou São Paulo e se estendeu a algumas categorias de outros Estados (Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Pernambuco).

Das greves das duas primeiras décadas do século XX resultaram algumas conquistas: melhorias salariais e de condições de trabalho. As categorias mais organizadas conquistaram a jornada de oito horas, fortaleceram-se e se ampliaram os sindicatos, então organizações livres. Mas  já no final de 1917 foi decretado o Estado de sítio, com fechamento de sindicatos e proibição de qualquer reunião pública, prisões e expulsões contínuas. Em 1920, as organizações operárias encontram-se praticamente destruídas.

Na clandestinidade, fundou-se em 1922 o Partido Comunista do Brasil (PCB). Sob o efeito da Revolução bolchevique de 1917, na Rússia, líderes operários aderiram ao marxismo-leninismo, superando as idéias anarquistas, até aí predominantes no movimento operário brasileiro.

Nos anos 20  os brasileiros passaram a ser maioria na classe operária, a organização de classe foi mantida na ilegalidade e começa a surgir uma legislação social (proteção ao trabalho do menor, proteção contra acidentes de trabalho, a primeira lei de férias)

“Revolução de 30”: Uma briga de burgueses

O movimento operário organizado não participou da “revolução” de 30. O Partido Comunista considerava que era uma luta entre dois grupos burgueses, não devendo a classe operária interferir. Na verdade, a burguesia industrial tomou a direção do aparelho de Estado, mas não rompeu com o latifúndio nem com o capital estrangeiro.

O governo de Getúlio Vargas (1930-1945), de caráter nacional-populista, aplicou uma estratégia para conter a classe operária, de um lado atendendo a reivindicações histórias da massa ( extensão da jornada de oito horas a todos os trabalhadores, lei de férias, previdência social, contrato de trabalho-CTPS, até chegar na famosa CLT); de outro lado, enquadrou a organização operária, colocando os sindicatos sob o controle do Ministério do Trabalho, perseguiu, prendeu, torturou e matou lideranças autênticas, com o estabelecimento de uma ditadura feroz denominada Estado Novo (1937).

Redemocratização e domínio do capital estrangeiro

Com a derrubada de Vargas, o capital monopolista estrangeiro retomou o controle da economia brasileira e restabeleceu a democracia burguesa. O movimento operário respirou e realizou em 1946 o segundo congresso sindical nacional, quando fundou a Central Geral dos Trabalhadores Brasileiros (CGTB). Mas já em 1947 o governo Dutra pôs na ilegalidade o PCB e perseguiu as organizações dos trabalhadores.

Com o retorno de Vargas, desta vez eleito em 1950, retomaram-se as mobilizações, tanto de caráter nacionalista (campanha O Petróleo é Nosso, vitoriosa com a criação da Petrobrás), como de caráter operário e popular. Houve entre outras a greve de 300 mil trabalhadores de diversas categorias em São Paulo (1953) e em 1954 as greves movimentaram um milhão de trabalhadores em todo o país, conquistando vários aumentos salariais e outras reivindicações específicas. Criou-se o Comando Geral dos Trabalhadores – CGT.

O golpe civil-militar de 1964 pôs fim ao projeto nacional-populista, enterrando a possibilidade de implantação de um modelo de capitalismo autônomo. Ficou claro que a expansão do capital não permitiria mais a autonomia de nenhum país periférico. Ao apelo do CGT por uma greve geral de resistência ao golpe , só responderam positivamente os operários da Mina de Morro Velho (MG). 350 sindicatos, 22 federações e seis confederações sofreram intervenção. Houve prisão, exílio e morte de líderes operários.

Luta operária sob a ditadura militar

A Ditadura militar  não calou os operários. Nunca deixaram de existir manifestações de insatisfação, com o boicote da produção (operações tartarugas) e em 1968, irromperam três greves: a dos trabalhadores canavieiros do Cabo (PE) e metalúrgicos de João Monlevade (MG) e Osasco (SP).  Em Osasco a repressão bateu forte. Houve prisões em massa, Dois líderes dessa greve foram posteriormente, um exilado (José Ibrahim) e outro, assassinado (José Campos Barreto, o Zequinha) em companhia de Lamarca (V. nesta edição, o herói do povo brasileiro).

A edição do Ato Institucional nº 5 (AI-5), o golpe dentro do golpe, levou à prisão, à tortura, ao exílio e á morte, dezenas de lideranças estudantis, operárias e populares.

A Retomada

A retomada das greves de massa deu-se em 1978, no ABC paulista, especialmente em São Bernardo do Campo, onde se concentrou a indústria automobilística. Tudo começou com a bandeira de reposição salarial de 34%, como combate ao arrocho salarial estabelecido pela ditadura em favor do grande capital .

Em 1979, o governo interveio nos sindicatos do ABC  e deteve lideranças, mas a luta continuou e realizou-se nesse ano a maior concentração de 1º de maio na história do país.Perante um número calculado entre 150 e 200 mil pessoas, no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo, O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos Luiz Inácio da Silva, o Lula, declarou: “Pensaram que iam acabar com o movimento sindical do ABC, intervindo nos sindicatos e se esqueceram que o sindicato não é o prédio, mas o sindicato são os trabalhadores dentro das fábricas, organizados”.

As lutas da década de 80 e o caso de Volta Redonda

A década de 80 teve grandes mobilizações de trabalhadores em todo o país, especialmente entre os metalúrgicos, canavieiros e bancários. Criaram-se a CUT, resultante dessa retomada lutas  e outras centrais sindicais, lideradas por dirigentes sindicais mais conciliadores e burocráticos.

Em 1985, termina a ditadura, começa a chamada Nova República. Para os trabalhadores, a mudança apenas significou a troca da roupa (a farda pelo terno), pois na prática teve continuidade a mesma política de arrocho salarial, bem como a repressão.

Sintomática dessa fase foi a greve dos operários da Companhia Siderúrgica Nacional, em Volta Redonda (RJ), em 1988, ano em que foi promulgada a nova Constituição. O Exército invadiu a usina, metralhando os operários. Feriu 46 e matou dois: William Fernandes Leite, 22 anos e Valmir Freitas Monteiro, 27 anos. Apesar dessa violência, a greve continuou e os operários conquistaram a jornada de seis horas.

No dia 1º de maio de 1989 foi inaugurado um memorial projetado pelo famoso arquiteto Oscar Niemeyer em homenagem aos dois operários assassinados. No dia seguinte, um Comando do Exército explodiu o monumento, depois reconstruído pelos trabalhadores com suas próprias mãos, pois nenhuma empresa quis fazer o serviço, com medo das ameaças.

A década de 80 foi marcada também por um crescente número de assassinatos de dirigentes e delegados sindicais na zona canavieira de Pernambuco. ( Sobre a violência no campo, V. A Verdade, nº 24)

O recuo e a conciliação do sindicalismo

Desde a década de noventa vem ocorrendo uma mudança de rumo no movimento sindical brasileiro, caracterizado por um recuo das lideranças, inclusive de setores da própria CUT, diante da expansão mundial do capital (globalização), com seus tentáculos demolidores: informatização e robotização nas indústrias, levando a demissões em massa  e crescimento do capital especulativo, que gera riquezas sem passar pelo investimento na produção, sem utilizar, pois, a força de trabalho humana.

Diante disso, em vez de intensificar a mobilização e a organização dos trabalhadores, estimulando e articulando a luta dos que estão na ativa com a dos excluídos, os sindicatos, salvo exceções,  estão na defensiva e em alguns casos, se transformando em sócios do capital, ajudando a gerir a crise do sistema (câmaras setoriais, comissões de conciliação, círculos de controle de qualidade, etc.). Se antes, a estratégia era mobilizar para poder negociar em posição de força, agora a tática se inverte: negociar até a exaustão e só mobilizar em última instância, se mobilizar…

A violência continua

Mesmo assim, a violência não pára. Basta o menor sinal de retomada das lutas, para o braço armado da burguesia agir. Bastou a CUT convocar a greve nacional do dia 21 de março, em defesa da CLT,  para a sede da Central ser invadida por dez homens armados que levaram documentos, computadores e bagunçaram tudo. Nas manifestações do 21 de março a repressão esteve presente e em Camaçari (BA), policiais espancaram e prenderam 15 dirigentes sindicais.

Só haverá paz sem exploração do homem pelo homem

Assim tem sido a História da classe operária no Brasil (e no mundo), uma história de luta de classes, marcada por muito, sangue e suor. E continuará sendo, apesar do avanço do capital, dos equívocos e traições de dirigentes. Até o dia em que não mais existir a exploração do homem pelo homem, a propriedade for social, coletiva,  as riquezas produzidas servirem para cada um segundo as suas necessidades e as relações forem de solidariedade e cooperação. Só então a humanidade terá paz.

Retirado de A Verdade, nº 28

ENVER HODJA: Ardor Revolucionário em Defesa do Marxismo-Leninismo

Enviado para Especial, Marxismo | Enviado em 28-04-2010

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Enver Hodja nasceu na cidade de Arguirokastro, em 16 de Outubro de 1908. Filho de uma família mulçumana, freqüentou a escola primária da cidade natal, que foi um dos  mais antigos centros das aspirações nacionais albanesas, e aí aprendeu, além das primeiras letras, um sentimento patriótico muito elevado, de total identificação com os interesses populares.

No período da revolta democrática de 1924, conduzida pelo bispo ortodoxo e poeta Fan Noli, revolta inconseqüente que iria levar ao regime tirânico de Ahmet Pacha, apoiado por sérvios e italianos, Enver Hodja, então estudante em Kortcha, organizou a primeira manifestação de estudantes contra a opressão. Conhece, nesta altura, pela primeira e última vez na sua vida, o cárcere, aos 16 anos de idade, com muitos colegas do liceu.

Definição como comunista

Como brilhante aluno do liceu francês de Kortcha, Enver Hodja recebe, em 1930, uma bolsa do governo albanês a fim de fazer os estudos superiores na França, para onde parte no fim desse mesmo ano.

Na França, inscreve-se na faculdade de ciências Montpellier, no final de 1931, com 23 anos, e, dentro em breve, entra nas fileiras do Partido Comunista Francês (PCF).

O regime de Zogu segue a sua evolução ideológica, e faz com que lhe seja suprimida a bolsa de estudos, em feve-reiro de 1934. Enver Hodja é então obrigado a ir para Paris à procura de trabalho, e, na capital, começa a escrever, como colaborador, para o jornal do PCF  L´Humanité onde denuncia a ditadura de Zogu, que conduz a Albânia para o fascismo mais descarado, para a entrega total à Itália de Mussolini. Em seus artigos contra o fascismo, Enver Hodja chega mesmo a prever a ocupação da Albânia pelas tropas italianas, o que veio a suceder em 07 de abril de 1939.

Em Paris, Enver Hodja esteve em ligação direta com os imigrantes albane-ses, sobretudo com o grupo de comunistas que tenta criar uma “frente democrática” contra o regime Zogu, na linha das frentes populares proposta pelo Komintern como única forma de luta eficaz contra o fascismo.

Enquanto muitos outros jovens, individualmente ou aconselhados pelo grupo de Paris, partem para as brigadas internacionais, que se vão bater na guerra-civil da Espanha, Enver Hodja regressa à Albânia

Depois de um período de vários meses sem trabalho, Enver Hodja ensina, durante quatro meses, no liceu de Tirana. Em seguida, por causa do domínio da língua francesa, foi enviado para o liceu de Kortcha, onde utiliza as aulas para difundir as idéias marxistas, sob a capa democrática e antimonárquica, para assim passar mais despercebido à repressão, que o conhece bem.

Ao mesmo tempo, dedica-se à atividade política clandestina, como membro do grupo comunista de Kortcha, do qual é um dos militantes mais ativos, sobretudo no movimento sindical, ajudando os operários das oficinas artesanais e das pequenas fábricas, da cidade e dos arredores, a organizarem-se no seio das associações profissionais.

Destituído do seu posto do liceu, em 1939, sob o pretexto de não ter querido filiar-se no partido fascista, mas de fato, por ter sido um dos organizadores da grande manifestação antifascista de Kortcha, do mesmo ano, Enver Hodja passa a só poder atuar na clandestinidade.

A esta altura, ainda reina grande confusão nos grupos comunistas albaneses, separados por profundas divergências internas. Só o grupo comunista de Kortcha defendia, na prática, a criação de um verdadeiro partido comunista e o lançamento da frente anti-fascista. Foi como representante do grupo de Kortcha e com a missão de impor, pelo debate e persuasão, estas posições de princípio, que Enver Hodja foi enviado a Tirana, nos princípios de 1940.

Frente a esta situação política bastante complexa e confusa, que oscilava entre o mais descarado oportunismo de direita e o sectarismo cego, o trabalho de Enver Hodja foi prolongado e difícil, até à afirmação prática, mobilizadora, de uma linha com o completo apoio das massas populares, de luta declarada contra o fascismo.

Partido do Trabalho nasce no fogo da luta

O início da guerrilha popular, no fim de 1940, com o total apoio do grupo de Kortcha, e o deslocamento de Enver Hodja para a montanha, em contato direto com a guerrilha, em junho de 1941, deu uma contribuição decisiva  para a unidade política de princípios com os outros grupos, proporcionando o reconhecimento prático da vanguarda proletária na sua atuação concreta.

Enver Hodja consegue convocar, em 3 de novembro de 1941, uma reunião de todos os grupos comunistas, na qual luta para convencer todos os oportunistas de direita e os esquerdistas de que é possível a construção do Partido num país de classe operária reduzida. Mostra na ocasião que o partido unificado será a condição básica da vitória, a única forma de a Albânia não cair sob a hegemonia de vizinhos poderosos.

A 8 de Novembro de 1941, nasce o Partido do Trabalho da Albânia. Enver Hodja é nomeado, no ato da fundação, primeiro secretário do comitê central e passa a viver nas zonas montanhosas libertadas, onde as nove guerrilhas populares albanesas passam a formar o corpo central de combate do Exército Popular de Libertação. O jornal Zeri i populit (Voz do Povo), criado em agosto de 1942, sob a direção do primeiro secretário do PTA, surge como o elemento unificador de todo o partido, como transmissor a todos os seus membros, da teoria marxista-leninista, da linha única política, ideológica, organizativa e de ação do proletariado revolucionário.

Construindo o socialismo

Em 28 de Novembro de 1944, depois de três anos de luta vitoriosa à Frente do PTA, condutor do Exército Popular de Libertação e da Frente Popular de Libertação, Enver Hodja entra em Tirana e é eleito chefe do governo democrático da Albânia, que se estrutura sob a forma política de ditadura do proletariado vitorioso. É o início da construção do socialismo na Albânia, mas é igualmente o alvorecer de novas lutas.

É também nesta altura que Enver Hodja casa com uma professora e militante do PTA, Nedjmie Djolini, filha de uma família mulçumana da cidade de Dibra, integrante do Partido desde a fundação e responsável pela Juventude Comunista, que sempre teve uma intensa atividade política, com um papel muito ativo no movimento de emancipação da mulher albanesa.

Em 14 de Julho de 1947, Enver Hodja faz uma viagem a Moscou, a convite do secretário-geral do PCUS  Stálin. Desse encontro, derivam os primeiros acordos comerciais e culturais entre os dois países socialistas, bem como o auxílio técnico soviético, num momento em que a Albânia está no auge do esforço da industrialização e de preparação dos terrenos pantanosos do litoral para a agricultura.

Desde 1947, o presidente da Iugoslávia, Josip Broz Tito, deixa claro o desejo de anexar a Albânia, o que não passa de uma política burguesa mascarada de marxismo, que procura transformar a Albânia na sétima república da Federação Iugoslava. Mas, se encontra adeptos dentro do próprio PTA, a idéia suscita, no geral, uma oposição firme na maior parte do Comitê Central e uma total repugnância nas massas populares.

Além da independência política, da afirmação do direito de “cada povo dispor de si próprio”, segundo os princípios básicos de Lênin e de Stálin, a luta contra a tentativa de ingerência iugoslava é, também, a luta entre duas linhas: a linha proletária, o caminhar sobre as suas próprias forças, e a linha capitalista de dar predominância à técnica afastada das massas populares, seus meros executantes. É caminhando com as forças do povo que o PTA realiza a reforma agrária, pratica a diversificação da indústria e da agricultura, precavendo o abastecimento interno, para evitar qualquer gênero de dependência, qualquer tipo de chantagem econômica, como a URSS tentou fazer em 1960, ao cortar o fornecimento de trigo e de carvão, na sua tentativa infrutífera de dominar os albaneses.

O 20.º Congresso do PUCS, em 1956, no qual se juntam os representantes dos interesses da nova burguesia soviética, instalada no aparelho do PUCS e do Estado, nos seus ataques a Stálin abre o combate declarado contra a ditadura do proletariado, mas levanta uma onda de protestos na Albânia contra a defesa de posições burguesas reacionárias.

Seis meses depois do 20.º Congresso do PUCS, Enver Hodja vai a Pequim, à frente da delegação do PTA convidada a assistir ao 8.º Congresso do Partido Comunista da China (PCC), de setembro de 1956. As relações com a República Popular da China, que se tinham incrementado a partir de 1956, com grandes fornecimentos de arroz à Albânia, estreitam-se ainda mais.

Em 1960, em Bucareste, no Congresso dos 81 Partidos Comunistas e Operários, Enver Hodja é o primeiro dirigente a fazer a denúncia pública do revisionismo moderno da própria tribuna do Congresso. Em 1961, o PTA, com Enver Hodja, abandona o Pacto de Varsóvia, denunciando-o como força agressiva contra os povos do mundo, como tentativa de domínio, por parte da URSS, dos países da Europa Oriental e das massas populares

Sob o controle das massas

Em 1967, inicia-se, com toda força e prestígio do PTA, a Revolução Cultural, conduzida pessoalmente por Enver Hodja, processo de extinção das classes e de crescimento ideológico, levado a efeito sob a ditadura do proletariado. A Revolução Cultural incidiu em todos os setores da produção e da vida social. Enver Hodja, que dirige e participa ativamente de todo o processo da Revolução Cultural, apresenta, citando Stálin, a forma correta da sua condução: “ Organizar o controle pela base, organizar a crítica de milhões de homens da classe operária contra o espírito burocrático das nossas instituições, contra os seus defeitos, contra os  seus erros… Só deslocando o centro de gravidade para a crítica da base podemos esperar o sucesso na nossa luta e o burocratismo será extirpado”.

O informe político de Enver Hoda ao 6.º Congresso do PTA contém a essência política e ideológica de todo o movimento da Revolução Cultural, da luta contra o revisionismo, das bases para a continuação da construção do socialismo e  é também o reconhecimento de que é um caminho longo e difícil, um caminho de constante apuramento político e ideológico, perante o cerco do imperialismo e do social-imperialismo soviético, de continuação da luta da classe operária, de participação dos comunistas em todos os trabalhos de vanguarda, sobretudo nos mais perigosos, que exigem maior esforço e dedicação, do seu exemplo no seio do povo, do seu trabalho ao serviço do povo – como afirma Enver Hodja no Discurso histórico de 2 de Fevereiro de 1973 – de total abdicação de si próprio, sem vantagens econômicas ou regalias particulares, mas pela obrigação do seu elevado grau de consciência política, de construtores do mundo novo.

(Manuel Quirós (1939-1975), professor português, ficou preso durante quatro anos (1965-1969) nos porões da PIDE, a temida polícia política da ditadura salazarista.
Foi solto em decorrência do seu estado de saúde, debilitado em razão das torturas sofridas no cárcere. Mas a doença não o acomodou.
Dedicou-se à reconstrução do Partido Comunista Marxista-Leninista de Portugal até o último instante de sua vida.)

Nota da redação O artigo de Manuel Quirós sobre Enver Hodja foi escrito em 1974. Em 1978, a Albânia rompe com a China por discordar de sua aproximação com os EUA, com quem restabeleceu relações diplomáticas e comerciais. Sob a direção de Hodja, o PTA permanece fiel ao marxismo-leninismo, recusando-se a fazer concessões aos países capitalistas. Mas, com a morte de Enver Hodja, em abril de 1985, seu sucessor Ramiz Alia inicia um processo de reformas capitalistas que levam à destruição das conquistas da revolução. As aves de rapina do imperialismo passam a saquear a Albânia, que, hoje se encontra com seu parque industrial aniquilado, o mesmo ocorrendo na agricultura; 70% da alimentação consumida chegam de outros países; o povo vive na miséria, a corrupção e o crime organizado imperam.

Retirado do Jornal A Verdade, nº 93

140 anos de nascimento de lênin

Enviado para Comunicados, Especial | Enviado em 26-04-2010

“Lênin viveu, Lênin está vivo, Lênin viverá”
Maiakovski

Mentiras relativas à história da União Soviética

Enviado para Especial, Marxismo | Enviado em 13-04-2010

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A mentirosa história dos milhões de pessoas que, supostamente, foram encarceradas e morreram nos campos de trabalhos forçados da União Soviética e como resultado da fome durante os tempos de Stálin.

Neste mundo em que vivemos, quem não ouve as terríveis histórias de possíveis mortes e assassinatos nos campos de trabalhos forçados do “gulag” da União Soviética?  Quem não ouve histórias dos milhões que morreram de fome e dos milhões de oposicionistas executados na União Soviética na época de Stálin?  No mundo capitalista, essas histórias são repetidas inúmeras vezes nos livros, jornais, no rádio e na televisão, e nos filmes, e os números míticos dos milhões de vítimas do socialismo aumentaram, aos saltos, nos últimos 50 anos.

Mas, na realidade, de onde vêm essas histórias e essas cifras?  Quem está por trás de tudo isso?

Uma outra pergunta:  o que há de verdade nessas histórias?  E que informações se encontram nos arquivos da União Soviética, anteriormente secretos, mas abertos à pesquisa histórica por Gorbachov em 1989?  Os autores dos mitos sempre disseram que todas as suas histórias dos milhões que morreram na União Soviética de Stálin seriam confirmadas no dia em que os arquivos fossem abertos.  E foi isso que aconteceu?  Elas foram confirmadas de fato?

O seguinte artigo nos mostra de onde se originaram essas histórias de milhões de mortes pela fome e nos campos de trabalhos forçados e quem está por trás delas.

O presente autor, após ter estudado os relatórios da pesquisa feita nos arquivos da União Soviética, pode dar informações, na forma de dados concretos, sobre o número real de prisioneiros, os anos que passaram na prisão e o número verdadeiro daqueles que morreram e daqueles que foram condenados à morte na União Soviética de Stálin.  A verdade é bem diferente do mito.

Existe um elo histórico direto ligando Hitler a Hearst, a Conquest, a Soljenitsin.  Em 1933, ocorreu uma mudança política na Alemanha que iria deixar sua marca na história do mundo por décadas a fora.  Em 30 de janeiro de 1933, Hitler tornou-se primeiro-ministro e uma nova forma de governo, envolvendo violência e desrespeito para com a lei, começou a tomar forma.  A fim de consolidar o seu controle sobre o poder, os nazistas convocaram novas eleições para 5 de março, empregando todos os meios de propaganda ao seu alcance para garantir sua vitória.   Uma semana antes das eleições, em 27 de fevereiro, os nazistas incendiaram o parlamento e acusaram os comunistas de serem os responsáveis.  Nas eleições que se seguiram, os nazistas obtiveram 17,3 milhões de votos e 288 deputados, cerca de 48% do eleitorado (em novembro, eles haviam recebido 11,7 milhões de votos e 196 deputados).  Banido o Partido Comunista, os nazistas começaram a perseguir os social-democratas e o movimento sindicalista, e os primeiros campos de concentração começaram a se encher com todos os homens e mulheres esquerdistas.   Entrementes, o poder de Hitler no parlamento continuou a crescer, com a ajuda da ala de direita.  Em 24 de março, Hitler conseguiu que o parlamento aprovasse uma lei que lhe concedia poder absoluto para governar o país por quatro anos sem consultar o parlamento.  A partir de então, começou a perseguição aberta aos judeus, os primeiros dos quais começaram a ser enviados para os campos de concentração,  onde os comunistas e social-democratas já se encontravam detidos.  Hitler continuou a pressionar no sentido de obter o poder absoluto, denunciando os acordos internacionais de 1918, que haviam imposto restrições ao armamento e militarização da Alemanha.  O rearmamento da Alemanha foi realizado a uma grande velocidade.  Esta era a situação na arena política internacional quando começaram a ser montados os mitos relativos àqueles que morreram na União Soviética.

Leia o texto aqui.

Como a CIA matou Che Guevara

Enviado para Especial | Enviado em 05-04-2010

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“…Deixo-lhe um olhar que sempre traz (como passarinho ferido) ternura e a memória indelével (sempre latente e profunda) das crianças, que um dia você e eu concebemos, e o pedaço de vida que resta em mim, isso eu dou (convicto e feliz) à revolução…” (De Che para Aleida, escrito às vésperas de sua morte).

Quando decidiu partir de Cuba, renunciando a todos os cargos e à convivência com seus “entes mais queridos” (mulher, filhos, amigos), Che Guevara sabia que poderia não voltar mais. Na carta a Fidel, afirmou: “…Se minha hora final me encontrar debaixo de outros céus, meu último pensamento será para o povo, especialmente para você…” . Para seus pais “queridos viejos”:  “…Muitos me chamam de aventureiro, e o sou, mas de um tipo diferente, sou daqueles que colocam a vida em jogo para demonstrar as suas verdades. É possível que esta seja a definitiva. Se tiver que ser, então este é meu último abraço…”. Para Aleida March, sua última esposa, deixou uma fita em que recita  poemas de amor, vários de Pablo Neruda, seu poeta favorito.  Para os filhos, uma carta: “…Seu pai foi um homem que agiu de acordo com suas próprias crenças e sem dúvida foi fiel às suas convicções….Cresçam como bons revolucionários. Estudem muito…Acima de tudo, procurem sentir profundamente qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo…..Até sempre, filhinhos. Ainda espero vê-los de novo. Um beijo grande de verdade e um abraço apertado do seu papa…”


As primeiras batalhas

As primeiras batalhas sob outros céus se deram no Congo, África, no ano de 1965. Não deu certo. Então voltou para nuestra América Latina e escolheu a Bolívia como ponto de partida para a libertação do Continente. Chegou a Nancahuazú, interior boliviano, no final do ano de 1966. Em março de 1967, a guerra começou.

A Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos, a famigerada CIA, acompanhava os passos de Che. Ela participou direta ou indiretamente de todos os golpes de Estado ocorridos na América Latina, para garantir a continuidade do domínio imperialista dos EUA.

Mas a CIA não é onipresente. Seus dirigentes acreditavam que Che tinha morrido no Congo. Eles só desconfiaram que o comandante Ramon era o Che, com a prisão de dois desertores da guerrilha, fato que ocorreu logo após as primeiras escaramuças. E tiveram a confirmação com a captura de Régis Debray, escritor francês, e Ciro Bustos, enviado por Che para abrir uma frente guerrilheira na Argentina. Debray não suportou a tortura e revelou que “Ramon” era, na verdade, Ernesto Guevara, el Che.

Desde então, o governo dos EUA agiu rápido, pois não acreditava na capacidade das Forças Armadas Bolivianas, que, aliás, até o momento sofrera apenas derrotas. É o que afirma o principal agente enviado pela CIA para orientar e acompanhar a operação, Félix Rodriguez Lopez, o capitão Ramos. Ele era cubano de origem, se naturalizara norte-americano e combatia a Revolução desde o início. Afirma Lopez: “…O Exército boliviano estava totalmente despreparado para enfrentar uma guerrilha. A maior parte dos soldados trabalhava na construção de estradas e provavelmente jamais dera um tiro de fuzil. Nos primeiros embates, os guerrilheiros aprisionavam os soldados, tiravam suas roupas e os soltavam..”.

A Intervenção da CIA

Imediatamente, um grupo de “boinas verdes”, tropa especializada no combate a insurreições foi enviada para treinar o Exército da Bolívia, tendo formado o corpo de RANGERS, que recebeu a missão de desbaratar o grupo guerrilheiro e caçar o Che. Félix Rodriguez chegou à Bolívia no dia 1º de agosto.

Sem o apoio do Partido Comunista Boliviano, que fez exigências impossíveis de serem aceitas por Che, como a de ficar com o controle total da guerrilha (Che concordava em ceder apenas o comando político, ficando com o militar), sem o apoio dos camponeses, uma vez que na área escolhida não havia nenhum trabalho político prévio, o grupo ficou isolado.

Che dividira sua pequena tropa em duas colunas, uma comandada por ele e a outra por Juan Joaquin Vitalio Acuna. Joaquin participou da coluna de Che durante todo o período da guerra revolucionária em Cuba, assumindo função de comando nos últimos dias antes da tomada do poder. Era o mais velho do grupo, com 41 anos.

Em agosto, os dois grupos tinham perdido o contato e estavam à procura um do outro. A coluna de Joaquin, entretanto, traída por Honorato Rojas, o único camponês da região que estava apoiando a guerrilha, sofreu uma emboscada. Todos foram exterminados, inclusive a lendária Tania, a militante comunista alemã Tamara Bunke.

No início de outubro, foram cercados os vinte homens que restavam.  Apenas cinco combatentes escaparam: três cubanos (Harry Pombo Villegas, Dariel Alarcón Ramirez –Benigno e Leonardo Urbano Tamayo) e dois bolivianos (Inti Peredo e David Adriazola –Dario).

Che atirava por trás de um rochedo, quando um tiro inimigo inutilizou sua carabina M-2.  Sem a arma e ferido por uma bala na perna esquerda, o Comandante foi capturado e aprisionado numa escola do povoado de La Higuera. Era 8 de outubro de 1967.

Assassinato a sangue frio!

No dia seguinte, o grande revolucionário foi assassinado friamente. O executor foi o sargento Mario Terán, que pediu para fazê-lo porque queria se vingar de três colegas mortos no combate do dia anterior.

E quem deu a ordem de execução? Segundo Félix Rodriguez, foram as autoridades bolivianas, pois a CIA queria que Che fosse levado para a base militar estadunidense no Panamá, onde seria interrogado. A ordem teria partido do próprio presidente, o ditador-general Renê Barrientos.  Mas Félix Rodriguez reconhece que poderia desobedecer Zenteno Anaya, chefe militar que recebera as ordens de matar Che, retirá-lo dali e levá-lo para o Panamá, pois havia aviões norte-americanos esperando para transportá-lo, mas preferiu não fazê-lo.  E ainda colaborou com a farsa de que Che havia sido morto em combate, ao orientar o sargento Terán a atirar do pescoço para baixo, para passar a impressão de que não houvera a execução de um prisioneiro sem o devido processo legal, contrariando as regras internacionais de tratamento dos presos em combate. Não apenas Che, mas todos os outros prisioneiros foram assassinados friamente.

Félix Rodrigues acompanhou o corpo de Che no helicóptero que o conduziu para a cidade de Vallegrande, onde ficou exposto ao público e depois foi sepultado clandestinamente, com as mãos decepadas. Os restos mortais só viriam a ser encontrados 30 anos depois, graças às revelações do general Vargas Salinas e do major Andrès Selich, que comandaram a operação de execução e ocultação do cadáver.

Che vive, já os seus algozes….

Quase todos os que participaram do assassinato de Che Guevara tiveram fim trágico e estão lançados na lata de lixo da história. Alguns exemplos:

  • General René Barrientos Antuño, presidente da Bolívia na época e um dos que decidiram pela execução de Guevara: morreu carbonizado num acidente de helicóptero em abril de 1969. As circunstâncias do ocorrido nunca foram completamente esclarecidas
  • Major Andrés Selich, chefe dos rangers que capturaram Che e um dos últimos a falar com ele em La Higuera: morreu sob tortura em 1973, durante a ditadura do general boliviano Carlos Hugo Bánzer
  • General Juan José Torres, chefe do Estado-Maior do Exército e um dos que decidiram a morte de Che: foi assassinado na Argentina em fevereiro de 1976, durante a “guerra suja”
  • Coronel Joaquín Zenteno Anaya, comandante da zona militar onde ocorreu o assassinato de Che: morreu vítima de um atentado fatal em Paris. Quem assumiu o assassinato foi a desconhecida “Brigada Internacional Che Guevara”
  • Coronel Toto Quintanilla, um dos principais chefes da polícia política na Bolívia durante o governo Barrientos: após a execução de Guevara, preocupado com possíveis atentados, pediu para ir para a Alemanha, onde trabalhou como cônsul em Hamburgo. Foi assassinado em novembro de 1970, num atentado assumido pelo Exército de Libertação Nacional (ELN), grupo peruano revolucionário criado e dirigido por Hector Bejar e Juan Pablo Chang, este morto com Che na guerrilha
  • General Gary Prado, prendeu Che Guevara: em 1981, foi baleado numa reunião de militares e ficou paraplégico.
  • Honorato Rojas, o agricultor que havia delatado o grupo de Joaquin e preparado a emboscada em 31 de agosto (que acabou com a morte de nove guerrilheiros): foi encontrado e executado em 14 de julho de 1969, pelo ELN.

Já o Che, continua mais vivo do que nunca nas mentes e nos corações de milhões de pessoas em todo o mundo. Desde o povoado de La Higuera, onde foi morto, até as selvas mexicanas (zapatistas), os movimentos populares latino-americanos,  Europa, Ásia, África e o próprio coração do Imperialismo, os EUA.  Para o povo de La Higuera, ele é um santo a quem recorrem em suas necessidades; para os demais, é exemplo do Homem Novo, coerente, íntegro, pleno de profundo sentimento de amor, capaz de renunciar a tudo e doar a vida pela causa da libertação dos oprimidos. Assim falava, assim o fez. Hasta La Victoria, Siempre, Comandante!”

Nota: por proposta do presidente Fidel Castro, a celebração a Che Guevara ocorre mundialmente no dia 8 de outubro, data do seu último combate, e não no dia de sua morte.

Retirado do Jornal A Verdade, nº 110

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