A imprensa como organizador coletivo

No seu artigo Até a raiz (v. o nº 98 da Pravda), Ingúlov tratou da importante questão do significado da imprensa para o Estado e o Partido. Parece que, para reforçar a sua tese, valeu-se do Informe de Organização do Comitê Central, onde se afirma que a imprensa “estabelece vínculos de importância incalculável entre o Partido e a classe operária, veículos que pela sua força equivalem a qualquer aparelho de transmissão que possua caráter de massas, que a imprensa é o instrumento mais poderoso pelo qual o Partido, cotidianamente, de hora em hora, fala com a classe operária”.

Mas, na sua tentativa para resolver a questão, Ingúlov cometeu dois erros: em primeiro lugar, tergiversou o sentido do trecho citado do Informe do Comitê Central; em segundo lugar, perdeu de vista o papel importantíssimo de organizador da imprensa. Creio que, dada a importância da questão, conviria dizer algumas palavras sobre estes erros.

  1. Do informe não se deduz o fato de que a função do Partido se deveria limitar a tarefa de falar com a classe operária, mas, ao contrário, o Partido deveria conversar e não apenas falar com a classe operária. A contraposição da fórmula “falar” à fórmula “conversar” não passa de equilibrismo insensato. Na prática, uma ou outra coisa constituem um todo indivisível, que se exprime na constante ação recíproca entre o leitor e o escritor, entre o Partido e a classe operária, entre o Estado e as massas trabalhadoras. Esse fenômeno se tem verificado desde o começo da existência do Partido proletário de massas, desde os tempos da velha Iskra. Ingúlov errou ao pensar que essa influência recíproca só teve início alguns anos depois da tomada do Poder pela classe operária na Rússia. O sentido da passagem citada, extraída do Informe do Comitê Central, não se encerra na palavra “falar”, mas no fato de que a imprensa “estabelece vínculos entre o Partido e a classe operária”, vínculos “que, pela sua força, equivalem aos de qualquer aparelho de transmissão que tenha caráter de massas”. O sentido da citação reside na importância da imprensa no terreno da organização. Justamente por isso a imprensa foi incluída no Informe de organização do comitê central como uma das correias de transmissão entre o Partido e a classe operária. Ingúlov não compreendeu a citação e involuntariamente lhe tergiversou o sentido.
  2. Ingúlov sublinha o papel da imprensa como instrumento de agitação e denúncia, acreditando que aí termina a tarefa da imprensa periódica. Alude a uma série de absurdos cometidos no nosso país, afirmando que o trabalho de denúncia da imprensa, a agitação através da imprensa, constituem a “raiz” do problema. Ora, é claro que, não obstante toda a importância do papel de agitação da imprensa, o aspecto mais imediato do nosso trabalho de edificação consiste, hoje, na função organizadora da imprensa. Não basta que os jornais agitem e denunciem mas é preciso que tenha uma ampla rede de ativistas, de agentes e de correspondentes em todo país, em todos os centros industriais e agrícolas, em todos os distritos e subdistritos, para que o fio passe do Partido, através do jornal, a todas as zonas operárias e camponesas, sem exceção; para que a ação recíproca entre o Partido e o Estado, por um lado, e as zonas industriais e camponesas, por outro, seja completa. Se um jornal tão popular como, por exemplo, o Biednotá*, convocasse de quando em quando uma conferência dos seus principais agentes, em diversos centros do país, para uma troca de ideias e um balanço das experiências, e cada um desses agentes convocasse por sua vez uma reunião dos seus correspondentes nas próprias zonas, nos vários centros e distritos, com o mesmo fim, dar-se-ia desse modo o primeiro passo, não somente para estabelecer vínculos orgânicos entre o Partido e a classe operária, entre o estado e os mais distantes rincões do nosso país, mas também para melhorar e reanimar a própria imprensa, para melhorar e reanimar todos os colaboradores da nossa imprensa periódica. Essas conferências e reuniões tem, a meu ver, uma importância muito mais concreta do que os congressos de jornalistas “de toda a Rússia” e de outro gênero. O jornal, como organizador coletivo nas mãos do Partido e do Poder Soviético, o jornal como meio para estabelecer a ligação com as massas trabalhadoras do nosso país e para reagrupá-las em torno do Partido e do Poder Soviético: esta é, agora, a tarefa imediata da imprensa.

Não será supérfluo recordar ao leitor algumas linhas do artigo do camarada Lenin Por Onde Começar “escrito em 1901”, a propósito da função organizadora da imprensa periódica na vida do nosso Partido:

“A função do jornal não se limita, todavia, a difundir ideias, e educar politicamente e a conquistar aliados políticos. O jornal não é apenas um propagandista e um agitador coletivo, mas também um organizador coletivo. Desse ponto de vista, pode-se compará-lo aos andaimes que se erguem em torno de um edifício em construção, aos quais definem os seus contornos, facilitam as comunicações entre os construtores, ajudam-nos a subdividir o trabalho e a observar os resultados gerais alcançados pelo trabalho organizado. Por intermédio do jornal e graças a própria existência do jornal, se formará de modo espontâneo uma organização permanente, que se ocupará não só do trabalho local, mas também do trabalho sistemático geral, que habituará os seus componentes ao estudo atento dos acontecimentos políticos, a avaliar-lhes a importância e a influência sobre as diferentes camadas da população, a elaborar os métodos oportunos para exercer sobre estes acontecimentos a influência do Partido revolucionário. Por si mesma a tarefa técnica de assegurar ao jornal um fornecimento regular de matérias e uma distribuição normal obriga também a criar uma rede de agentes locais que pertençam a um único Partido e mantenham contato imediato entre si, conheçam o quadro geral dos acontecimentos, habituem-se a cumprir regularmente a parte que lhes cabe do trabalho a realizar em toda Rússia e experimentem as suas forças na organização de determinadas ações revolucionárias. Esta rede de funcionários constituirá também o esqueleto da organização de que precisamos: suficientemente grande para abarcar todo país; suficientemente vasta e multíplice para estabelecer uma rigorosa e pormenorizada divisão do trabalho; suficientemente firme para saber desenvolver ininterruptamente o seu trabalho em todas as circunstâncias em face de todas as “reviravoltas” e situações inesperadas; suficientemente flexível para saber, por um lado, evitar a batalha em campo aberto contra um inimigo de forças superiores, que tenha concentrado as suas forças num só ponto, e, por outro lado, aproveitar a incapacidade de manobra do inimigo para precipitar-se sobre ele no lugar e no momento em que menos o espere”.

O camarada Lenin falava então do jornal como de um instrumento que servia para edificar o nosso Partido. Mas não há razão para duvidar de que tudo o que disse o camarada Lenin seja inteiramente aplicável a situação em que, hoje, edificamos o Partido e o Estado.

Ingúlov deixou de levar em consideração, no seu artigo, essa importante função organizadora da imprensa periódica. Este é o seu erro principal.

Como pode ocorrer que um dos quadros principais da nossa imprensa tenha perdido de vista esta importante tarefa? Ontem, dizia-me um camarada que provavelmente Ingúlov, além da tarefa de resolver o problema da imprensa, também se propôs outra, secundária: a de “censurar uns e lisonjear outros”. Não posso afirmar isso e estou longe de negar a quem quer que seja o direito de se atribuir tarefas secundárias, além das principais. Mas não é admissível que as tarefas secundárias possam ofuscar mesmo que por um instante a tarefa principal, que é a de esclarecer o papel de organização na imprensa na nossa edificação do Partido e do Estado.

 

*Biednotá (“Os Pobres”), diário, órgão do C. C. do P. C. (b) da U.R.S.S., editado de março de 1918 a janeiro de 1931. (pág. 239).

“Pravda” (“A Verdade”), nº 99.

06 de maio de 1923Assinado: J. Stálin

 

J.V. STÁLIN – OBRAS 5 (1921-1923)Editorial Vitória Ltda. 1954-

 

 Traduzido da edição italiana – G. V.  Stálin –“ Opere Complete”

 vol. 5 EdizioniRinascita – Roma – 1952.

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“A revolução é inevitável na América Latina”

fidel-cheEsmagando a Revolução cubana acreditam dissipar o medo que os atormenta, o fantasma da revolução que os ameaça. Liquidando a Revolução cubana, acreditam liquidar o espírito revolucionário dos povos. Pretendem, em seu delírio, que Cuba é exportadora de revolução. Em suas mentes de negociantes e usurários insones cabe a ideia de que as revoluções se podem comprar ou vender, alugar, emprestar, exportar ou importar como qualquer mercadoria. Ignorantes das leis objetivas que regem o desenvolvimento das sociedades humanas, creem que seus regimes monopolistas, capitalistas e semifeudais são eternos. Educados em sua própria ideologia reacionária, mescla de superstição, ignorância, subjetivismo, pragmatismo e outras aberrações do pensamento formam uma imagem do mundo e da marcha da História acomodada a seus interesses de classes exploradoras. Supõem que as revoluções nascem ou morrem no cérebro dos indivíduos ou por efeito de leis divinas e que, inclusive, os deuses estão do seu lado. Sempre tiveram a mesma crença, desde os devotos pagãos patrícios da Roma escravista, que lançavam os cristãos primitivos aos leões do circo, passando pelos inquisidores da Idade Média que, como guardiões do feudalismo e da monarquia absoluta, imolavam na fogueira os primeiros representantes do pensamento liberal da nascente burguesia, até os bispos de hoje que, em defesa do regime burguês e monopolista, anatematizam as revoluções proletárias. Todas as classes reacionárias em todas as épocas históricas, quando o antagonismo entre exploradores e explorados chega à sua tensão máxima, pressagiando o advento de um novo regime social, recorreram às piores armas da repressão e da calúnia contra seus adversários. Acusados de incendiar Roma e de sacrificar crianças em seus altares, os cristãos primitivos foram levados ao martírio. Acusados de hereges, foram levados à fogueira, pelos inquisidores, filósofos como Giordano Bruno, reformadores como Hus e milhares de não conformados com a ordem feudal. Hoje é sobre os lutadores proletários que se lança a perseguição e o crime, precedidos das piores calúnias na imprensa monopolista e burguesa. Sempre em cada época histórica as classes dominantes assassinaram, invocando a defesa da sociedade ( sua “sociedade” de minorias privilegiadas sobre as maiorias exploradas), a defesa da ordem ( a “ordem” que beneficia sua classe e que se mantém, a sangue e fogo, com o sacrifício dos despojados), a defesa da pátria ( a “pátria” cujo desfrute pertence a eles somente, com a exclusão de todo o imenso resto do povo), para reprimir os revolucionários que aspiram a uma sociedade nova, uma ordem justa e uma pátria verdadeira para todos.

Mas o desenvolvimento da história, a marcha ascendente da humanidade não se detém nem pode deter-se. As forças que impelem os povos, que são os verdadeiros construtores da história, determinadas pelas condições materiais de sua existência e pela aspiração a metas superiores de bem-estar e liberdade, que surgem quando o progresso do homem no campo da ciência, da técnica e da cultura o tornam possível são superiores à vontade e ao terror que desencadeiam as oligarquias dominantes.

As condições subjetivas de cada país, isto é, o fator consciência, organização, direção podem acelerar ou atrasar a revolução, segundo seu maior ou menor grau de desenvolvimento, mas, mais cedo ou mais tarde, em cada época histórica, quando as condições objetivas amadurecem, se adquire a consciência e se consegue a organização, a direção surge e a revolução se produz.

Que esta se faça por meios pacíficos ou que nasça depois de um parto doloroso, não depende dos revolucionários: depende das forças reacionárias da velha sociedade, que resistem ao nascimento da sociedade nova, engendrada pelas contradições que leva em seu seio a velha sociedade. A revolução é, na História como o médico que assiste ao nascimento de uma nova vida. Não usa sem necessidade o fórceps, mas usa-o sem vacilações sempre que for indispensável para ajudar o parto. Parto que traz para as massas escravizadas e exploradas a esperança de uma vida melhor.

Em muitos países da América Latina a revolução é hoje inevitável. Esse fato não é determinado pela vontade de ninguém. Está determinado pelas espantosas condições de exploração em que vive o homem americano, o desenvolvimento da consciência revolucionária das massas, a crise mundial do imperialismo e o movimento universal de luta dos povos subjugados.

A inquietação que hoje se verifica é sintoma inequívoco de rebelião. Agitam-se as entranhas de um Continente que foi testemunha de quatro séculos de exploração escravista, semi-escravista e feudal do homem desde seus habitantes aborígenes e os escravos trazidos da África até os núcleos nacionais que surgiram depois: brancos, negros, mulatos, mestiços e índios, hoje irmanados em face do desprezo, a humilhação e o jugo ianque e irmanados também na esperança de um mundo melhor.

Os povos da América libertaram-se da colonização espanhola em princípios do século passado, mas não se libertaram da exploração. Os senhores de terras feudais assumiram a autoridade em lugar dos governantes espanhóis, e os índios continuaram em penosa servidão. O homem latino-americano, de uma ou de outra maneira, continuou escravo, e as menores esperanças dos povos sucumbiram sob o poder das oligarquias em cumplicidade com o capital estrangeiro. Esta tem sido a verdade da América Latina, com uma ou outra variação, com uma ou outra nuance. Hoje, a América Latina sofre a dominação de um imperialismo mais feroz, muito mais poderoso e mais implacável do que o império colonial espanhol.

E ante a realidade objetiva e historicamente inexorável da revolução latino-americana, qual é a atitude do imperialismo ianque? Dispõe-se a empreender uma guerra colonial contra os povos da América Latina; cria o aparelho de força, os pretextos políticos e os instrumentos pseudolegais com o assentimento dos representantes das oligarquias reacionárias para reprimir a sangue e fogo a luta dos povos latino-americanos.

(Trecho da II Declaração de Havana – Lida por Fidel Castro e ratificada pelo povo cubano na praça José Martí, em 2 de fevereiro de 1962)

 

Até sempre, comandante!

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PCR realiza 5ª Conferência Nacional de Quadros

realismo-socialista-01Continuando o trabalho de formação política e de coesão partidária, o Comitê Central do Partido Comunista Revolucionário (PCR) promoveu em agosto sua 5ª Conferência Nacional de Quadros. A atividade ocorre exatamente um ano após a 4ª Conferência, dado o avanço da luta de classes no mundo e o rápido desenvolvimento da crise política no Brasil.

Inicialmente, foi estudado o documento Nossas Tarefas, do 5º Congresso do PCR, dezembro de 2013, que faz uma avaliação interna da organização e coloca os desafios para o próximo período. No balanço realizado, verificaram-se grandes êxitos nas lutas travadas pelos militantes do PCR e da UJR, como lutas estudantis, participação em greves, ocupações de sem-teto, fortalecimento da presença e participação das companheiras dentro e fora da organização, etc. Porém, o crescimento da influência do Partido em setores cada vez amplos não se reverteu ainda, como esperado, no crescimento do número de militantes. Novos estados foram atingidos, outros fortalecidos, mas observa-se um desenvolvimento desigual entre estados e regiões. Uma das autocríticas necessárias para corrigir estes defeitos é com o trabalho de agitação e propaganda, com a venda do jornal A Verdade, com a formação de tribunos populares que levem a linha do Partido e as palavras de ordem do momento para a classe operária.

Em seguida, o informe do comitê central  política apontou que o sistema capitalista vive sua crise mais profunda desde a Segunda Guerra Mundial, crise que eclodiu em 2008 e que tem provocado o aumento das contradições interimperialistas, seja na base das disputas econômicas, como a saída da Grã-Bretanha da União Europeia, a criação do Tratado do Transpacífico (TPP), a crescente presença da China na América Latina; seja com um maior dissenso entre as potências na ONU, a anexação da Crimeia pela Rússia, a guerra civil na Síria (que já matou mais de 500 mil pessoas), o drama dos refugiados, os atentados terroristas em diversos países. Assim, é possível afirmar que uma Terceira Guerra Mundial está sendo gestada e que os revolucionários precisam fortalecer sua articulação internacional e seu compromisso para barrar as guerras imperialistas e deflagrar a Revolução Socialista.

Crise política no Brasil

O informe também adentrou nas questões relativas à crise política no Brasil e, ao final do debate, foi aprovada uma resolução que expressa claramente o que pensa o Partido neste momento. Segue abaixo um trecho:

“Em nosso país, desde o término das eleições de 2014, advertimos que o caminho seguido pelo governo do PT e pela presidenta Dilma (buscar apoio na direita para governar, abandonar suas propostas da campanha eleitoral e adotar o plano da grande burguesia de jogar a crise econômica nas costas dos trabalhadores, o chamado “ajuste fiscal”) causaria, além do aprofundamento da crise econômica, o isolamento político do governo da maioria do povo.

Porém, como sabemos, o processo de direitização do PT e a degeneração desse partido começou antes da primeira eleição de Lula para a Presidência da República, quando fez aliança com a burguesia nacional, sendo José Alencar seu vice, um dos mais ricos capitalistas do país, e lançou a Carta aos Brasileiros, jurando fidelidade à economia de mercado, ao capital financeiro e à burguesia mundial. Na realidade, o PT e o PCdoB abandonaram seus programas e ideias e passaram a defender o nacionalismo burguês, a aliança com os partidos de direita, em nome de uma governabilidade que paga a dívida pública, mas não faz reforma agrária. Passaram a defender também que a solução para o Brasil é a harmonia entre os interesses da burguesia e da classe operária. Em síntese, não representam nem são uma alternativa popular, nem mesmo progressista, para o nosso povo. As massas trabalhadoras e os pobres de nosso país estão órfãos.

Tampouco a direita é uma solução. Basta lembrarmos o que fizeram durante os 21 anos de ditadura militar, as privatizações e a corrupção dos governos Sarney, Collor, FHC, PSDB, etc.

Em dois meses, o Governo Temer mostrou que representa o que tem de mais corrupto, mais reacionário e antinacional na sociedade brasileira. Seu programa se resume a aumentar as riquezas de uma minoria de privilegiados, das classes ricas, e massacrar os pobres, os trabalhadores.

Temos, portanto, que convocar os trabalhadores e o povo para lutar pela derrubada desse governo e colocar em seu lugar um governo popular e revolucionário, um governo verdadeiramente dos trabalhadores, sem exploradores e patrões, um governo que ponha fim ao sofrimento do nosso povo e à exploração que sofre há séculos.”

Construir a Unidade Popular

Ao colocar que “as massas trabalhadoras e os pobres de nosso país estão órfãos” quanto à representação política, a direção do PCR e seus quadros se colocam inteiramente no sentido de dar uma resposta concreta a este cenário.

Após anos de acúmulo do debate, foi lançada, há dois anos, a campanha pela legalização de um novo partido político para representar os interesses das classes trabalhadoras nos espaços institucionais, na disputa política imediata, nas tribunas dos parlamentos: a Unidade Popular pelo Socialismo (UP).

A UP recolheu mais de 115 mil assinaturas de apoio, que foram canceladas por uma decisão arbitrária do ministro-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o reacionário Gilmar Mendes, após mais restrições na lei que rege o funcionamento dos partidos no Brasil, sempre no sentido de dificultar que o povo pobre e a classe trabalhadora se organizem livremente.

Sendo assim, a UP retoma, ainda neste mês de setembro, a coleta de assinaturas em todo o país, agora com mais experiência, mais energia da militância e com um nome já consolidado em importantes espaços de atuação política, como nas manifestações contra o golpe da direita e contra a retirada de direitos.

São necessárias quase 500 mil assinaturas válidas dentro do prazo máximo de dois anos para legalizar o partido. Para tanto, todos os sábados serão dedicados à coleta intensiva, com a participação do conjunto da militância, além de coletas diárias realizadas por equipes fixas e do trabalho de cada coletivo militante, dos filiados e apoiadores.

Construir a Unidade Popular se tornou uma tarefa urgente e inevitável para arregimentar as massas trabalhadoras, as mulheres e a juventude para a luta contra o oportunismo político, para desgastar ainda mais o Estado burguês e o sistema capitalista e para acumular forças na luta pelo socialismo no Brasil e na América Latina.

Da Redação

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O surgimento do Partido Comunista Revolucionário

Amaro-Luiz-de-Carvalho  1Por ocasião das celebrações dos 50 anos do PCR (1966-2016), faz-se necessária a publicação de artigos e documentos, no decorrer deste ano, para as justas homenagens e comemorações desta data histórica para os trabalhadores conscientes do Brasil, e, especialmente, para aqueles que militam no Partido fundado por Manoel Lisboa, Amaro Luiz de Carvalho, Selma Bandeira, Valmir Costa, Ricardo Zarattini, entre outros, em maio de 1966, na cidade do Recife, no fragor da resistência clandestina contra a ditadura.

 Consideramos importante a publicação do artigo O surgimento do Partido Comunista Revolucionário porque, mesmo sendo um curto texto (abaixo), traz uma valiosa contribuição à história do nosso Partido, do movimento operário e comunista do nosso país. Apesar de não ter sido escrito com a finalidade de escrever a história do PCR, trata-se, tão somente, da parte introdutória de um informe, redigido pelo camarada Amaro Luiz de Carvalho, fundador do nosso Partido, para a histórica reunião da Direção Nacional realizada em fevereiro de 1968, na qual, depois de um amplo e longo debate, foram aprovados o Programa, os Estatutos e uma Introdução para a apresentação em forma de Cartilha dos Documentos Básicos do PCR, nesta ordem: Introdução, Carta de 12 Pontos, Programa e Estatutos.

Este documento foi escrito em um dos momentos mais intensos da história do movimento comunista do nosso país e, de modo especial, do nosso Partido. Elaborado por um guerrilheiro nos intervalos do fogo da luta de classes, e não por um intelectual do mundo acadêmico. Sente-se, por isso mesmo, na sua essência, uma inabalável fé na força libertária do proletariado urbano e rural e ainda um forte cheiro de chumbo daqueles encarniçados combates nos subterrâneos da luta revolucionária dos anos 1960 e 1970. E o mais importante: seu autor é um operário com origem na agroindústria canavieira, tendo sido também operário da indústria têxtil e motorista da Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos de São Paulo (CMTC), com o pseudônimo de Antônio Nunes de Carvalho, dada a sua condição de procurado pelos órgãos da repressão. Um operário inteligente, um militante culto, disciplinado, um dirigente e organizador comunista exemplar. Para cumprir missões internacionalistas, aprendeu a falar espanhol e inglês sozinho, em seu “aparelho”, apenas com apostilas, lápis e cadernos. Desde seu recrutamento nos canaviais da Mata Sul de Pernambuco, consagrou toda a sua vida, sem hesitação, à luta pela revolução popular e socialista.

Destacava-se sempre no trabalho de recrutamento de novos militantes e na organização de novas células e comitês do seu Partido, sem se descuidar do seu estudo individual e da sua formação teórica e militar. Fossem quais fossem os obstáculos, nem mesmo a sua primeira prisão e torturas, em 1956, foi capaz de fazê-lo vacilar na defesa do seu Partido e de seus camaradas. Foi assim também quando da sua última prisão em Palmares (PE), em novembro de 1969, sob o governo do general ditador mais sanguinário, Emilio Garrastazu Médici, torturado e interrogado em Recife, no Departamento de Ordem Política e Social (Dops) e levado algemado a outro preso político – Luiz Momesso, hoje professor na UFPE – para São Paulo, onde passou pelos maiores suplícios na “Operação Bandeirantes”, no Dops-SP, nas mãos do delegado Sérgio Paranhos Fleury e do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, facínoras loucos por informações que lhes permitissem a destruição do PCR.

Condenado pela Justiça Militar a cumprir pena na “Casa de Detenção” do Recife, hoje Casa da Cultura, foi barbaramente assassinado pela guarda do presídio, sob a cumplicidade do seu diretor, o coronel da PM Olinto Ferraz, por determinação do governo militar fascista, quando faltavam apenas dois meses para sua libertação. A responsabilidade da ditadura na morte de Amaro fica evidente já no momento em que o então secretário de Segurança de Pernambuco, general Adeodato Mont’ Alverne, anuncia pela imprensa a prisão de Amaro: “Acabou a subversão em Pernambuco”.

Essa espécie de jactância e comemoração antecipada deixa transparecer claramente as macabras intenções do general encarregado da repressão: cumprir a determinação de exterminar o PCR, pois acabara de sequestrar o homem que detinha as informações sobre o trabalho do Partido nos engenhos, nas usinas e nos sindicatos dos trabalhadores da zona canavieira e urbana de Pernambuco, um dos mais importantes fundadores do PCR. Assim, cheio de arrogância, deduziu: certamente ele não suportará às sofisticadas técnicas de martírios, delirou o general. Nenhuma baixa tivemos em decorrência das torturas e interrogatórios do companheiro Amaro.

 Numa demonstração inquestionável de seu compromisso e amor à revolução brasileira, Amaro assinou de próprio punho sua renúncia à inclusão do seu nome na lista de prisioneiros políticos que foram libertados em troca do embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher, aprisionado pela VPR, em 7 de dezembro de 1970 e liberado em 16 de janeiro de 1971. Ele agradeceu a lembrança do seu nome pelos companheiros guerrilheiros, mas tinha a determinação de, após sua saída da prisão, continuar a luta no país, sob o comando do seu Partido, para derrubar a ditadura, o capitalismo e ajudar a construir a sociedade comunista.

Até o último instante de sua vida, foi coerente consigo mesmo e com seu Partido. Passou nas mais duras provas de fidelidade pelas quais teve de passar na sua luta para pôr fim à ditadura e erguer a bandeira da revolução socialista, convertendo-se em um dos mais dignos heróis dos trabalhadores e da causa do socialismo no Brasil

 Edival Nunes Cajá é ex-preso político e membro do Comitê Central do PCR

 

O surgimento do Partido Comunista Revolucionário

 

Amaro Luiz de Carvalho*

“Uma classe só pode conseguir um Partido Revolucionário quando seu desenvolvimento e amadurecimento chegam ao ponto de possuir dirigentes com experiência, dotados da qualidade de criar e elaborar uma teoria condizente com a realidade e capaz de conduzi-lo até seus objetivos serem alcançados.

Seu aparecimento no cenário político depende das condições econômico-sociais que geram a superestrutura propícia ao seu surgimento como organização partidária consequente.

Assim, a classe operária, desde muito tempo, tem sua vanguarda, mas, como não poderia deixar de ser, em nosso país seus valores integrantes e seus programas foram até o presente constituídos de princípios estratégicos e táticos errôneos e que, na prática, se tornaram contrários aos ideais do proletariado. Isso era fruto de sua falta de experiência e de seu peso numérico diminuto em relação às demais classes. Toda estrutura econômica do Brasil não permitia à pequena classe operária criar um Partido realmente seu. À medida que a penetração do imperialismo ia crescendo através do desenvolvimento capitalista, os operários ganharam maior experiência e seu movimento foi dotado de criar elementos capazes de se constituírem em elite defensora dos seus reais interesses.

A partir daí, ocorreu que, após vários anos de capengarem na defesa de programas reformistas, a classe operária engendraria sua vanguarda revolucionária capacitada para elaborar e definir, com justeza e clareza, seus verdadeiros objetivos.

O surgimento do PCR só poderia ser resultado de todo o período de lutas e sacrifícios que o proletariado desenvolveu durante os seus 67 anos de existência, como classe atuante. E a CARTA DE 12 PONTOS AOS COMUNISTAS REVOLUCIONÁRIOS teria necessariamente que ser oriunda do acúmulo de experiências conseguidas através dos anos de movimentação constante, desencadeadas no dia a dia, pela obtenção do mínimo de organização em defesa de seus princípios.

Durante o movimento de massas ocorrido no período de 1950 a 1964, aclarava-se cada vez mais o movimento operário e o monolitismo tradicional do Partido ia se tornando impossível, pois certos elementos egressos das discórdias surgidas diante da política capitulacionista do Partido partiram para a organização das massas assalariadas do campo e obtiveram pleno êxito no trabalho de agitação. Acordando-as do sono em que estavam mergulhadas. A Revolução Cubana vitoriosa no “quintal do imperialismo” veio lançar a última pá de terra sobre a concepção de que só podiam fazer a revolução os Partidos Comunistas tradicionais.

O fracasso desse grupo heterogêneo de organizadores do campo, as Ligas Camponesas, em virtude de não possuírem um programa definido de ação e ficarem simplesmente na agitação pela agitação, proporcionou a diversos elementos verificarem a inconsequência, a propagação de ideias confusas e contraditórias, além da crescente onda de oportunismo existente no movimento comunista e que se confirmou quando do golpe de abril de 1964.

Após este fato, algumas pessoas que ainda se passavam por revolucionárias começaram a mostrar a sua verdadeira face.

Surgia, para a constatação dessas qualidades das direções do Partido Comunista Brasileiro e do Partido Comunista do Brasil e de seus programas, a desagregação por completo do movimento revolucionário; grupos e subgrupos que se digladiavam entre si, apareceram e, todos eles, como “vinhos  da mesma pipa” não afirmavam uma linha política, com tática e estratégia revolucionária, nem retomavam uma posição capaz de construir a coesão da direção, pois suas ideias e seus esquemas estavam poluídos dos mesmos erros do passado e as divergências realmente políticas possuíam caráter secundário.

Deste combate ideológico e orgânico nasceu o PCR, como o que de melhor havia no movimento operário do país.

Foi, então, elaborado um documento, definido e concreto, sobre os problemas capitais para a tomada do poder, a Carta de 12 Pontos aos Comunistas Revolucionários, que não se destinava às discussões acadêmicas, mas, sim, para servir de orientação a um intenso trabalho prático, pois só com o mesmo poderíamos nos afirmar como organização proletária e revolucionária.

Travar a luta ideológica

É necessário que cada membro do Partido tenha em mente, agora, na fase em que estamos nos firmando, que o combate ideológico se reveste da máxima importância a fim de que a organização, no seu nascedouro, não se encha de “vícios passáveis”, falhas essas que futuramente poderão vir à tona com maior virulência. É preciso cortar logo o mal pela raiz, antes que ele se desenvolva e tome conta do belo arbusto nascente.

A burguesia como classe dominante não utiliza somente contra o proletariado e seu Partido os “cantos de sereia” da corrupção econômica e financeira. Do modo como explora a classe operária nas fábricas e nos campos, tenta também corromper através de promessas de um nível de vida ideal, os quadros valorosos do proletariado, dopando com uma propaganda sistemática e minuciosa os comunistas. A batalha contra esta segunda frente, a frente ideológica, tem que ser executada radicalmente, pois estamos envolvidos pelo mundo burguês circundante.

A mais nefasta manifestação de penetração burguesa em nossa organização é a que entrega e desarma o proletariado em sua luta contra a burguesia. Ela é resultado da campanha pseudo-anti-imperialista que se desencadeou no mundo em virtude de a contradição principal da sociedade contemporânea ser aquela cujos componentes contrários são o imperialismo e os povos. A firmeza desta constatação levou os Partidos Comunistas perderem de vista outra contradição, a contradição fundamental de nossa sociedade entre a burguesia e proletariado. Daí a falta de objetividade dos programas “comunistas” no que se refere à tomada do poder e a consequente entrega de sua realização à burguesia, deixando como incumbência aos operários a simples participação secundária na revolução democrático-nacional e sua hegemonia com os burgueses.

Os partidos socialdemocratas são apologistas dessa política e acabam ajudando o inimigo da classe operária, pois levam ilusão aos nossos quadros. Por isso, somos obrigados a conduzir a política revolucionária dos comunistas sempre em alerta contra as influencias capitulacionistas e reformistas, mascaradas com inteligência e sutileza, proveniente dessas organizações e difundidas nas massas por seus militantes. As demais organizações de esquerda e que defendem opiniões estranhas ao proletariado, embora também perigosas, não constituem na atualidade perigo iminente contra nosso Partido. As ideias esquerdistas poucas vezes têm constituído obstáculo à nossa pureza ideológica. Embora não devamos perdê-las de vista, nosso centro de ataque é o reformismo e o revisionismo, porque têm seu suporte ideológico retirado de conceitos históricos “inovados”, firmados pelos traidores do movimento obreiro e são apoiados ostensivamente pela burguesia; constituem-se, os revisionistas, em seus lacaios mais operosos na tarefa de desvirtuar os caminhos dos verdadeiros comunistas e causar confusão no seio das massas. Nosso combate a esses grupos de traidores não pode ser realizado palidamente.

Esta forma de adulteração do pensamento operário através dos partidos revisionistas, embora perigosa, é fácil combatê-la e isolá-la, pois estamos alertados contra ela depois do XX Congresso do PCUS e da desmoralizante situação a que esses partidos levaram o movimento comunista.

Entretanto, difícil é o combate às outras influências a que são submetidos os comunistas pelo meio circundante, a sociedade baseada na propriedade privada dos meios de produção e que cria todo um emaranhado de armadilhas semelhantes aos tentáculos de um polvo para envolver e derrotar a consciência operária. Nosso Partido deve, frente a esse problema, se converter numa escola do pensamento proletário. Devemos batalhar contra todas as formas de vacilações caracterizadas pela ilusão dos militantes em se situarem dentro dessa sociedade sem romperem com os liames que os prendem a ela; é nossa obrigação também criticarmos as opiniões equivocadas sobre as formas e conteúdos que caracterizam as artes burguesas e que, muitas vezes, dominam alguns camaradas; e ainda caracterizar bem os pontos de vista progressistas e os proletários. Desta forma, devemos estudar, discutir e pesquisar a fim de possuirmos coletivamente um pensamento único, coeso em torno dos problemas políticos e ideológicos que afligem o movimento revolucionário durante os últimos 25 anos…”.

*Escrito em fevereiro de 1968 por Amaro Luiz de Carvalho (1931-1971).

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Viva os 50 anos de fundação do PCR!

É com um profundo sentimento de amor que os comunistas revolucionários do Brasil celebram, neste dia 21 de fevereiro, os 72 anos do nascimento do nosso imortal comandante, o camarada Manoel Lisboa. A sua vida curta, porém, extremamente fecunda, foi toda dedicada a semear, com fé ilimitada, a necessidade da organização de um verdadeiro Partido Comunista Revolucionário e da prática da solidariedade militante no coração generoso dos operários, dos explorados e oprimidos para transformar este mundo desigual e injusto em que vivemos na “terra prometida”, uma terra de justiça e felicidades sem fim, o mundo comunista, que, por necessidade histórica, já vem vindo.

Por isso, com muita honra, festa e trabalho, celebraremos no decorrer do mês de maio e de todo o ano de 2016 os 50 anos da fundação do Partido Comunista Revolucionário (PCR). Um Partido de novo tipo, fundado em maio de 1966, em Recife, por Manoel Lisboa, Amaro Luiz de Carvalho, Valmir Costa, Selma Bandeira, Ricardo Zarattini Filho, entre outros.

Essa histórica reunião, realizada sob rigorosas normas do trabalho político clandestino, pela sua profundidade e significação política, teve a equivalência do seu primeiro Congresso. Aprovou o nome do Partido, o marxismo-leninismo e o centralismo democrático como única doutrina e método válido para guiar o desenvolvimento da luta ideológica e política no interior do Partido, sua linha política, elegeu sua Direção, seu Órgão Central (A Luta), as normas de segurança e política de finanças, tendo como linha básica buscar nas massas fundamentais da revolução a sustentação do PCR e da revolução. A convocação deste evento somente aconteceu depois do pleno esgotamento de uma longa luta ideológica com o CC do PCdoB e da constatação da sua passagem para o revisionismo dos princípios de organização leninistas e para o oportunismo político.

Historicamente, a fundação do PCR veio separar, de modo irreversível, os comunistas revolucionários dos revisionistas e oportunistas de direita e de esquerda no Brasil, seja dos seguidores dos kruschovistas, descarados traidores da revolução bolchevique do proletariado soviético, seja dos seguidores do PC da China, embuçados traidores da revolução do bravo povo trabalhador chinês.

Quem foi Manoel Lisboa de Moura? 

Manoel nasceu no dia 21 de fevereiro de 1944, na cidade de Maceió, Alagoas. Filho de Iracilda Lisboa de Moura e de Augusto de Moura Castro, uma família pertencente à classe média alagoana, em que nada lhe faltava do ponto de vista material. Já como estudante do Liceu, hoje, Colégio Estadual de Alagoas, ainda adolescente, tornara-se um dedicado militante do Grêmio Estudantil da sua escola e da União dos Estudantes Secundaristas de Alagoas (Uesa). Sentia um ardente desejo de estudar filosofia, economia, sociologia, o marxismo-leninismo, para compreender as causas da monstruosa desigualdade social. As gritantes injustiças, as guerras, o sofrimento de milhões de seres humanos sem comida, sem teto para morar, sem poder tratar suas doenças, sem escolas para seus filhos, deixavam-no verdadeiramente indignado.

No final dos anos 1950 e início dos anos 1960, enquanto seus amigos e vizinhos buscavam uma explicação para esta angústia nos sermões dominicais do padre da Paróquia do Farol, bairro onde nascera e morava, Manoel recorria à sede do Partido Comunista, no Centro de Maceió, para comprar livros, para estudá-los como quem degustava uma saborosa refeição, e, imediatamente, sair ao encontro dos amigos, professores e sindicalistas para repassar o conteúdo assimilado em meio a calorosas discussões. Eram obras de Marx, Engels, Lênin, Stálin, Dimitrov, Máximo Gorki, Caio Prado Jr, Jorge Amado, Graciliano Ramos, Nelson Werneck Sodré, etc. Sem demora, Manoel ingressou nas fileiras da Juventude Comunista e do PCB, construindo um intenso e disciplinado trabalho de formação de novos núcleos, novas células para estudar o Manifesto do Partido Comunista. Criou novas frentes de agitação e círculos de contribuintes para sustentar as novas atividades de propaganda e de organização do Partido. Ao ingressar no curso de Medicina da UFAL, Manoel já era um militante revolucionário marxista culto; já como dirigente, tomado de entusiasmo revolucionário, assume o trabalho de construir a organização do Partido em toda a universidade. Assim, procurou valorizar as reivindicações dos servidores, atrair os professores com consciência social para o Partido. Aí dedicou parte das suas energias ao trabalho de unir e mobilizar os estudantes, impulsionando a luta por suas reivindicações mais sentidas, sempre explicitando na sua agitação que os estudantes só alcançarão sua vitória definitiva quando conquistarem a sua organização e marcharem sob a mesma direção e perspectiva do proletariado consciente, expressão das classes trabalhadoras, que é quem tudo produz, inclusive, o sustento das universidades, sem nela poder matricular seus filhos e nem poder habitar nos belos prédios de apartamentos por ela construídos.

Ele fez história

E, para levar estas ideias revolucionárias aos trabalhadores, dedicou-se a escrever para a imprensa do Partido, a imprimir um caráter revolucionário ao trabalho de massa e ao trabalho cultural, por meio de cine-debates, poesias, música, teatro, atividades desenvolvidas no Centro Popular de Cultural (CPC) da União Nacional dos Estudantes (UNE), como forma de elevar o nível de consciência dos estudantes e da classe operária alagoana. Terminou atraindo sempre em torno de si e do Partido as melhores pessoas das camadas mais combativas das massas. Tomou parte em algumas encenações de peças teatrais do tipo A mais-valia vai acabar, seu Edgar, de Vianinha; levou a cabo a apresentação da peça João Ninguém para os operários das docas no Porto das Alagoas, desempenhando, inclusive, o papel de ator e, depois da encenação, coordenava o debate entre a plateia de estivadores sobre a situação de vida da classe operária no Brasil e nos países onde a revolução socialista já tinha triunfado.

Estas atitudes demonstram que Manoel já tinha adquirido a consciência de, para acontecer a revolução, é necessário fundir o socialismo científico ao movimento operário e popular espontâneo. Para isso, o papel dirigente dos militantes e do Partido é fundamental. Ainda apontava para a necessidade de despertar a classe operária para a luta contra a Ditadura Miliar e para a direção do movimento democrático e revolucionário, como condição para o êxito da vitória dos trabalhadores sobre a burguesia. Desta concepção leninista, ele nunca se afastou um milímetro.

No dia do golpe militar fascista de 1º de abril de 1964, sua casa foi invadida por um bando armado de metralhadoras à sua procura. Manoel escapou com vida naquela ocasião graças ao espírito de altivez da sua mãe, Dona Iracilda, que pôs os policiais para fora de casa, dizendo que ele fora ao cinema, enquanto ela urgentemente providenciava um revólver com munição, dinheiro e um transporte para Manoel fazer uma retirada segura, pelo portão dos fundos.

Começa a saga heroica de um jovem revolucionário abnegado, cumpridor das normas de segurança do trabalho político clandestino até o fim de sua existência. Apesar de ter a polícia política o tempo todo no seu encalço, seguia sendo, como sempre foi, um revolucionário apaixonado, bem-humorado, destemido, de tipo leninista, estudando e lutando para transformar a realidade brasileira.

No enfrentamento das dificuldades próprias do trabalho clandestino, tinha especial predileção pelas obras Testemunho ao pé da forca, de Julius Fucik, O que todo revolucionário deve saber sobre a repressão, de Victor Serge, e Se fores preso, camarada, editado pela III Internacional, de Álvaro Cunhal.

Estudava com prazer para se apropriar dos conhecimentos científicos, seja dos autores brasileiros seja dos clássicos do marxismo-leninismo, da literatura internacional, como O Capital, tudo dentro de um disciplinado e metódico plano de estudo, incluindo francês, inglês e alemão. Conhecia bem a obra de Dante Aliglieri (A Divina Comédia) e de Honoré de Balzac (A Comédia Humana). O estudo da literatura e da arte preenchia bem as suas horas vagas deixadas pelas imprevisões da vida clandestina, de modo a ocupar todo o seu tempo. Ainda achava tempo para exercícios físicos e prática de futebol, quando possível; tinha seu time preferido, o Santa Cruz, mas jamais se permitia entrar em discussões sectárias. Pelo contrário, de tudo se servia para permutar e aumentar seus conhecimentos e fortalecer as relações de camaradagem entre companheiros (as).

Graças à sua paixão pelos estudos, pelas questões teóricas da revolução brasileira, sua enérgica militância e ativa participação nos debates orgânicos e conferências do Partido, cedo descobriu, com outros camaradas, que seguir militando no PCB não os levaria à revolução socialista no Brasil, em função do seu reformismo, legalismo e submissão à traição kruschovista, que se apoderou da direção do PCUS, no 20º Congresso, em 1956, e que já caminhava em direção à restauração do capitalismo na URSS. Assim ele enxergava e assim aconteceu depois.

Com seus veteranos camaradas Valmir Costa, Selma Bandeira, Amaro Luiz de Carvalho e dirigentes históricos como Diógenes de Arruda Câmara e Maurício Grabois, entre outros,  passa a trabalhar, com todas as suas energias, pela reorganização do Partido, com o nome de Partido Comunista do Brasil (PCdoB), em 1962, para manter erguida a bandeira do marxismo revolucionário e a perspectiva da revolução socialista no Brasil.

O julgamento da história

Duro foi perceber, logo após o golpe militar fascista de 1964, que o Comitê Central do PCdoB seguia praticamente os mesmos graves desvios revisionistas, agora, de natureza esquerdista e do velho seguidismo automático, só que, agora, em relação ao Partido Comunista da China, e ainda a submissão política à chamada burguesia nacional, como se pode ver no documento lançado à opinião pública, no início do primeiro semestre de 1966, intitulado União de todos os brasileiros para livrar o país da crise, da ditadura e da ameaça neocolonialista, “que até mesmo os setores mais moderados da burguesia poderiam assiná-lo”, criticou Manoel, na época. Do mesmo período, data também a Carta aberta a Fidel, na qual a direção do PCdoB tenta desqualificar a Revolução Cubana e seu líder, Fidel Castro, “para, assim, demonstrar de um modo servil sua ‘fidelidade’ ao PC da China”. Ora, tratava-se de respaldar, sem qualquer discussão, as divergências oportunistas, de cunho geopolítico, próprias das duas potências em marcha disfarçada para o capitalismo-imperialista em que se tornaram, a Rússia e a China e seus respectivos Partidos, o PCUS e o PCCh.

“Foi em abril de 1966 que alguns comunistas revolucionários, prevendo esse desenlace, se rebelaram contra a direção antiproletária do PCdoB”.

“Essa atitude firme e decidida dos comunistas revolucionários, a nossa intransigente decisão de forjar na luta de classe um Partido realmente revolucionário e proletário, de despertar e mobilizar as massas da região mais explorada do país pelos grupos monopolistas, o Nordeste, a inabalável convicção de que somente a guerra popular permitirá a conquista do poder político, tem resultado numa prática revolucionária “imperdoável” para os traidores e renegados dirigentes do PCdoB, que, por essa razão, nos dedicam um ódio sem limites. Têm desenvolvido e propalado contra os comunistas revolucionários toda sorte de mentiras, calúnias e infâmias.” (Editorial de A Luta) – nº 5, abril de 1968.

Recorremos a este documento, que já pertence à história, somente para comprovar a justeza e a inevitabilidade daquela ruptura também revolucionária dos comunistas revolucionários com os carreiristas do PCdoB. Quem poderá duvidar, hoje, da inquestionável degenerescência política e ideológica deste partido enquanto um partido comunista?

Manoel foi o mais destacado construtor do PCR, seu mais sábio e elevado dirigente, até o último instante da sua vida, quando já havia alcançado o mais alto patamar da consciência humana, a consciência comunista, que soberanamente sobrepõe o sentimento individualista, o interesse egoísta dentro si, herdado da cultura do regime da propriedade privada, com a força da sua profunda convicção comunista, da sua vigilante luta ideológica em defesa dos interesses do coletivo, do seu Partido, que representa a esperança da revolução proletária, a possibilidade da emancipação dos explorados e excluídos do Brasil e do mundo.

A interrupção abrupta da heroica vida de Manoel, aos 29 anos, em 04 de setembro de 1973, pelos torturadores fascistas do DOI-Codi, não impediu o desabrochar da sua obra mais importante, o Partido Comunista Revolucionário, que segue construindo o futuro luminoso dos trabalhadores e das trabalhadoras da cidade e do campo e especialmente da sua juventude.

Celebremos em todos os estados a heroica trajetória multiplicando os     efetivos do Partido fundado por Manoel Lisboa para triunfar com a classe operária!

Viva os 50 anos do Partido Comunista Revolucionário! 

Viva os 72 anos do nosso imortal comandante Manoel Lisboa! 

O PCR, vive, luta e avança!

Edival Nunes Cajá, membro do Comitê Central do PCR e presidente do CCML

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PCR realiza 2ª Conferência Nacional de Quadros

conferência 04Entre os dias 11 e 13 de setembro, realizou-se, em São Paulo, a 2ª Conferência Nacional de Quadros do Partido Comunista Revolucionário (PCR), que reuniu os principais militantes e dirigentes do partido para debater as tarefas dos comunistas revolucionários ante a conjuntura de crise da economia capitalista e de crescimento da luta de classes no Brasil e no mundo.

Durante os três dias, os participantes debateram o documento A situação internacional e as nossas tarefas, da Conferência Internacional de Partidos e Organizações Marxista-Leninistas (CIPOML), e os informes do Comitê Central sobre a conjuntura nacional e a organização do PCR.

Importante momento da história do partido, que, em 2016, completa 50 anos de sua fundação, a 2ª Conferência Nacional de Quadros reafirmou os princípios de organização e democracia interna do partido e uniu sua militância para os embates presentes e futuros da luta pela revolução. A seguir, trechos da resolução política da conferência.

Um momento extraordinário

Oito anos depois do início da mais grave e longa crise de superprodução depois da Segunda Guerra Mundial, o processo de recuperação da produção capitalista é ainda lento e parcial, com contínuas recaídas. A economia mundial se encontra em uma fase de debilidade, que pode levar à estagnação crônica ou a uma nova recessão em muitos países. Ou seja, a próxima crise terá consequências ainda mais profundas que a anterior, já que não ocorrerá depois de um período de prosperidade, mas após um período de estagnação e modesta recuperação econômica.

Neste quadro, vemos com preocupação o crescimento extraordinário dos gastos militares das potências imperialistas, como demonstram o aumento das exportações de armas, a fabricação de novos armamentos  Japão de mudar sua Constituição para permitir que seu exército atue em outros países, o expansionismo do imperialismo alemão, bem como a continuidade das guerras imperialistas no Mali, Iraque, Afeganistão, Síria, Ucrânia e Líbia.

Essa criminosa ofensiva dos capitalistas contra a classe operária e os povos deixa claro que a derrubada do poder da burguesia, a liquidação do capitalismo e o estabelecimento do poder proletário e do socialismo não são apenas a única solução para salvar a humanidade, como também uma ação inevitável e urgente dos tempos atuais.

Em nosso país, a situação não é diferente, pelo contrário. A crise econômica, política e social se agrava a cada dia. Somente nos primeiros meses deste ano, mais de 500 mil trabalhadores e trabalhadoras foram demitidos. Milhões de famílias já não conseguem pagar suas dívidas e são despejadas de onde moram. Crescem enormemente o número de moradores de rua, o empobrecimento de nossos camponeses, a criminalidade e o tráfico de drogas. E o patrimônio nacional, como portos, aeroportos, rodovias e empresas como a BR e a Transpetro são entregues ao grande capital. Ao mesmo tempo, a desmoralização dos partidos burgueses e socialdemocratas, dos governos e seus políticos, chega a níveis nunca antes vistos na história desse país.

Em resumo, vivemos um período extraordinariamente favorável ao crescimento do Partido Comunista Revolucionário, o que exige de nós maior dedicação ao trabalho revolucionário, maior empenho para conscientizar as massas, desenvolver sua organização revolucionária e, em particular, crescer o número de militantes e de células do PCR.

Para isso, é preciso que cada membro do PCR trabalhe diariamente para aprofundar os vínculos do partido com as massas, torná-los estreitos, unha e carne, e, principalmente, impulsionar, desenvolver e estar presente em todas as greves e lutas populares e operárias em todos os estados e cidades.

Construção da UP

Quanto à crise política, o partido do governo dá demonstrações de enfraquecimento, perdendo apoio no Congresso e na sociedade. Na Câmara e no Senado, os representantes da burguesia mais atrasada procuram se valer das fragilidades do governo para jogar ainda mais profundamente nas costas dos trabalhadores o peso da crise, ao passo que procuram ampliar sua capacidade de interferir nos rumos do país. Na sociedade, os trabalhadores e o povo pobre estão indignados por assistirem o governo jogar na lata do lixo as medidas que prometeu implantar durante a campanha eleitoral – e passando a atuar em favor dos banqueiros e capitalistas em geral.

Só radicalizando a democracia e entregando todo o controle dos órgãos públicos e da economia à maioria da população, ou seja, aos trabalhadores, poderemos implantar um modelo econômico e um governo voltados para os interesses sociais, e não para o lucro dos capitalistas banqueiros e grandes empresas que formam a classe minoritária. Ou seja, uma democracia socialista. Mas essa democracia só poderá ser alcançada com uma revolução popular, que vai nos livrar da exploração capitalista.

Dos 594 parlamentares, 273 são empresários, e 160 são latifundiários, fazendeiros e usineiros; somente 91 são representantes dos sindicatos (havendo ainda, entre esses, traidores como o presidente da Força Sindical); e apenas 55 são mulheres e só 47 são negros. As classes contrárias aos trabalhadores estão utilizando as instituições representativas contra nós há muito tempo e de maneira eficiente para os seus interesses (haja vista a aprovação do Projeto de Lei da terceirização, a redução da maioridade penal e a lei chamada de “antiterrorismo”, que criminaliza as greves e lutas sociais). É óbvia a necessidade de uma profunda transformação nas estruturas do poder político e esse é nosso objetivo final.

Por isso, precisamos de um partido político legal da classe trabalhadora, para atuar em defesa dela sem concessões aos partidos burgueses. Somente com um partido político legal, devidamente registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), poderemos apresentar e pôr em prática essas propostas, participando das eleições e ocupando os espaços institucionais no Executivo e no Legislativo.

Trabalhar com firmeza para conseguir as assinaturas

A carestia nas contas de luz e no aluguel, os baixos salários, o desemprego e a constante retirada de direitos, tudo isso só pode mudar realmente com a construção do socialismo no Brasil, e é para isso que estamos construindo a Unidade Popular. Portanto, contaremos com o apoio dos milhares de explorados que desejam uma mudança para melhor nas condições de vida e de trabalho a que estão submetidos.

Nesse sentido, adquire uma importância estratégica fundamental a construção e legalização da Unidade Popular pelo Socialismo (UP). Os últimos meses, em particular o mês de julho, quando conquistamos mais de 23 mil apoiamentos, mostraram-nos que, com luta e organização, conquistaremos as 500 mil assinaturas exigidas por lei. Tornar a UP uma realidade depende, principalmente, da ousadia, determinação, coesão e disciplina dos militantes do PCR.

Redação

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Manifesto do PCR para o 2º turno das eleições: “Impedir a entrega do Governo do Brasil aos bancos e ao fascismo!”

PCR_partido_comunista_revolucionarioOs ricos (a classe dos capitalistas) e os trabalhadores conscientes de todo o mundo estão neste instante com os olhos voltados para o Brasil em função das eleições do próximo dia 26 de outubro, quando será escolhido(a) o(a) próximo(a) presidente do Brasil. É grande a expectativa por qual rumo seguirá o governo nos próximos anos, pela importância econômica e política que o país ocupa na América Latina e no mundo. Para os países imperialistas, este é um momento chave para que o Brasil volte a ser governado por um criado do grande capital, como aconteceu no período de FHC-PSDB (1995-2002).

Aécio é o candidato dos bancos e do imperialismo

De fato, no governo de FHC, o PSDB patrocinou o maior escândalo de entreguismo e corrupção da história do país: a entrega quase de graça, sob o nome de privatização, das grandes estatais nacionais e ainda a criação do programa de ajuda aos banqueiros (PROER), que custaram aos cofres da nação R$ 119,3 bilhões.

Todo o discurso contra a corrupção na Petrobras, portanto, não é para moralizar a gestão pública. Na verdade, querem enfraquecer a defesa deste patrimônio histórico e entregá-lo à sanha dos capitalistas, como fizeram com a Vale do Rio Doce, a Companhia Siderúrgica Nacional, os bancos estaduais ou mesmo as telecomunicações.

A grande “mudança” proposta por Aécio, representa a retomada do arrocho salarial e o aumento dos juros, para garantir ainda mais lucros para as grandes empresas e bancos, como fica claro com a indicação do banqueiro Armínio Fraga para ministro da Fazenda, o mesmo que, ao analisar as causas do baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), declarou: “a causa é a alta do salário mínimo e juros baixos”.

Votar nessa “mudança” é, sem dúvida, retornar ao passado e colocar novamente o Brasil de joelhos diante do imperialismo, principalmente dos Estados Unidos, com a adoção de uma política de Estado mínimo prejudicando a imensa maioria do povo brasileiro no acesso à saúde, educação e tantos outros serviços essenciais.

Prova disso é que, internacionalmente, Aécio já anunciou que dificultará as relações econômicas e políticas com nossos vizinhos que lutam por sua independência, como Bolívia, Venezuela e Cuba, mas silencia contra os EUA e sua política de guerras ou contra o massacre promovido por Israel contra o povo palestino.

Um governo do PSDB representaria ainda uma nova escalada de repressão e perseguição aos movimentos sociais, com a possibilidade da volta de intervenções em sindicatos (como ocorreu com os petroleiros, em 1995), perdas de direitos trabalhistas, e ainda ampliando a voz dos setores mais reacionários e fascistas da sociedade, que buscam a todo custo impedir a organização e a luta do povo por melhores condições de vida e contra a exploração capitalista.

Organizar a unidade popular e avançar na luta para o socialismo

Na verdade, para tirar o Brasil da crise e efetivamente mudar nosso país, é preciso romper totalmente com o grande capital que está destruindo a humanidade, como temos acompanhado nos últimos anos com as crises dos Estados Unidos e da Europa.

Só alcançaremos um verdadeiro desenvolvimento econômico, que atenda aos interesses do povo e não apenas de meia dúzia de ricos, adotando medidas como: a nacionalização dos bancos, a suspensão do pagamento da dívida pública, promoção de uma profunda reforma agrária, adoção de uma reforma urbana que ataque o déficit habitacional, garantia de educação pública, gratuita e de qualidade em todos os níveis, reestatização de todas as empresas privatizadas e estatização do transporte público, fim de qualquer tipo de discriminação e da violência contra as mulheres, negros, indígenas, LGBTs e pobres, democratização dos grandes meios de comunicação, socialização dos monopólios e dos meios de produção dos setores estratégicos da economia, e avançando ainda mais no direito à Memória, Verdade e Justiça, com punição aos crimes cometidos pela Ditadura Militar.

Será a partir da mobilização e da organização dos trabalhadores (as) da cidade e do campo, que conseguiremos atingir esses objetivos e construir o Poder Popular, estabelecendo um Governo Revolucionário dos Trabalhadores, na construção de uma sociedade socialista, uma sociedade sem miséria, sem exploradores e sem explorados.

Votar em Dilma para derrotar a direita e avançar a luta popular

Assim, no 2° turno dessas eleições, não há outra opção para derrotar um possível governo do PSDB e Aécio Neves, a não ser votando em Dilma Rousseff para presidente da República.

Com um governo do PSDB, perderão os trabalhadores que lutam por melhores salários, os sem-terra na luta pela reforma agrária, os sem-teto que buscam o acesso à moradia, a juventude que anseia emprego digno e educação de qualidade, as mulheres que almejam igualdade de direitos. Perderá o povo que luta e sonha com um país melhor.

Por tudo isso, o Partido Comunista Revolucionário (PCR) convoca o povo brasileiro a dizer não ao candidato do imperialismo e dos bancos, derrotar a direita e avançar na luta popular. Dia 26 é dia de votar no Brasil votando em Dilma.

Partido Comunista Revolucionário (PCR)

União da Juventude Rebelião (UJR)

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Potências imperialistas disputam a Ucrânia

kievAo contrário do que tentam fazer crer os meios de comunicação da burguesia, a queda do corrupto governo de Viktor Yanukovich, na Ucrânia, não foi fruto de revoltas espontâneas das massas, e sim de uma planejada intervenção direta dos EUA e de seus órgãos de espionagem (NSA e CIA) na política do país, como reconheceu a subsecretária de Estado dos Estados Unidos, Victoria Nuland,  em palestra organizada pela petroleira Chevron. Segundo ela, os EUA investiram cinco bilhões de dólares em partidos e grupos de oposição ucranianos para eles defenderem uma maior integração com o Ocidente e organizarem os protestos contra o governo. Tática semelhante, os EUA adotaram ao financiar a ação do Taliban no Afeganistão, do Al Queda na Líbia e Síria e em Honduras, na Bolívia e na Venezuela. Trata-se de uma vergonhosa intromissão nos assuntos internos de outros países e uma grave violação da Carta das Nações Unidas, mas, os EUA, há tempo, agem e usam todas as armas para enfraquecer os concorrentes de seus bancos e monopólios capitalistas e para manter seu domínio no mundo. É claro que se não existisse um profundo descontentamento da população ucraniana com o enriquecimento da família do ex-presidente Yanukovich e com a feroz repressão do governo, que matou mais de 110 pessoas, a intervenção norte-americana não teria alcançado êxito. Não passa, pois, de uma grande hipocrisia, a afirmação de Barack Obama, presidente dos EUA, de que “os ucranianos devem poder escolher seu próprio futuro”.

Ao atuar para derrubar o governo Yanukovich, o objetivo dos EUA é enfraquecer economicamente a Rússia, que já tinha anunciado sua intenção de criar junto com a Ucrânia a Comunidade Econômica Euroasiática em 2015 e destina 25% das suas exportações para esse país, mas também militarmente, ao passar a influenciar o 2º exército mais numeroso da região e criar obstáculos para a presença da frota russa na Crimeia.

No entanto, a comemoração de grande parte da burguesia internacional com o novo governo ucraniano não durou muito. A Rússia, cuja burguesia quer seguir explorando a nação ucraniana, não reconheceu o governo interino, assumiu o controle dos aeroportos e portos das regiões sul e leste da Ucrânia, fechou a fronteira da Crimeia e ameaça invadir o país. Para adotar essas medidas, teve o apoio do Parlamento da Crimeia, que convocou um plebiscito para decidir sua separação da Ucrânia e a união com a Rússia. Como se sabe, a Rússia mantém na península de Crimeia uma estratégica base militar com 25 mil fuzileiros navais.

Capitalismo trouxe corrupção e desemprego para a Ucrânia

Por outro lado, apesar de Yanukovich só ter apoio das tropas russas que estão na Ucrânia, nenhum dos partidos que agora se candidatam a governar o país conseguirá ganhar a confiança e unificar o povo ucraniano, uma vez que seus líderes estão envolvidos em vários casos de corrupção e defendem abertamente a submissão do país ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e aos interesses da Alemanha e dos EUA. Aliás, o governo interino já negocia um empréstimo com o FMI que, como lhe é habitual, exige em contrapartida um plano econômico que reduza os salários e privatize empresas.

Na realidade, o retorno do regime capitalista à Ucrânia trouxe além do desemprego e da pobreza, a formação de partidos políticos corruptos e de organizações neonazistas. Tanto o ex-presidente Viktor Yanukovich, que agora se encontra refugiado, quanto a líder do principal partido de oposição, o Pátria,Yulia Timoshenko, formaram suas fortunas com o processo de privatização que ocorreu no país após o fim do socialismo. Yulia, apesar de apresentar-se hoje como vítima, foi uma das maiores beneficiárias das privatizações, tornando-se proprietária da principal distribuidora de gás; sua família e sócios são donos de grandes empresas no setor industrial, e financeiro, na maioria ex-estatais. O ex-primeiro ministro Pavlo Lazarenko, também membro do Partido Pátria, após vários golpes, chegou a ser preso na Suíça e condenado por lavagem de dinheiro e fraude nos Estados Unidos.

A família do deposto Viktor Yanukovich também é dona de importantes empresas. Seu filho Aleksandr Yanukovich é a quinta pessoa mais rica da Ucrânia, fortuna adquirida após seu pai se tornar chefe de governo e com o aluguel ao governo de helicópteros que eram do Estado e foram privatizados.

Vitali Klitschko, campeão de boxe que se transformou no líder do Partido Udar (soco), candidato favorito nas pesquisas, recebeu milhões de euros do partido de Angela Merkel, razão pela qual não tem a simpatia dos norte-americanos, e prega “um país moderno com padrões europeus”.

Outros partidos apresentados pela mídia burguesa como democratas são claramente de ultradireita e defendem a instalação de um regime nazista na Ucrânia. É o caso de Aleksandr Muzychko, um dos líderes dos protestos em Kiev e chefe da Organização Fascista Ucraniana, que tem como meta  lutar contra “os comunistas, os judeus e os russos”. Fãs do nazista Goebbels, adoram queimar livros e quadros comunistas, pois creditam a estes a expulsão das tropas de Hitler da Ucrânia.

Portanto, como num raro ato de sinceridade disse o fascista Vladimir Puttin, o que acontece na Ucrânia, é a “substituição de um grupo de bandidos por outro”.

Mas, além da fabricação de partidos corruptos e fascistas, o capitalismo criou desemprego, prostituição e drogas na Ucrânia.

De fato, devido à enxurrada de demissões que ocorreu com as privatizações das empresas públicas, milhões de ucranianos abandonaram o país em busca de emprego. Em 1991, a Ucrânia tinha 52 milhões de pessoas, hoje, são 45 milhões. O país também se tornou um dos mais desiguais do mundo, o de maior índice de alcoolismo infantil da Europa e 1,3% da população vive com AIDS. Além disso, possui 2 milhões de viciados em drogas e o tráfico de mulheres cresce para alimentar as agências de prostituição da Europa e dos EUA.

É evidente que esses usuários de drogas tornaram-se presas fáceis para as quadrilhas de traficantes e as organizações fascistas, formando grupos paramilitares para praticar roubos, ataques a órgãos públicos e violência indiscriminada para ampliar o clima de instabilidade política e social em Kiev. Ademais, a decisão do governo de Yanukovich de não assinar o acordo com a União Europeia, enfureceu milhões de pessoas que contavam com o passaporte europeu para poder trabalhar na Europa sem discriminação. Segundo a Organização Internacional para Migrações, 14,4% da população, cerca de 6,5 milhões de pessoas, são imigrantes.  Lembramos que durante as décadas em que viveu num sistema socialista, o povo ucraniano não conhecia nem drogas nem prostituição, muito menos o desemprego, e vivia em profunda harmonia e sem intervenção estrangeira.

De olho nas riquezas do povo ucraniano

Apesar de todas essas tragédias, resultado da apropriação das riquezas do país pelas oligarquias ucranianas e pela burguesia internacional, a Ucrânia é uma nação rica.  É o país da Europa que possui a melhor terra agrícola, 25% das chamadas “terras negras” existentes no  mundo, terras que não necessitam de fertilizante por serem ricas em húmus, tem   grandes quantidades de manganês, ferro, urânio, carbono e petróleo, e, graças ao socialismo, o país possui uma mão de obra extremamente qualificada e considerada barata pelas indústrias capitalistas, além de um desenvolvido setor de aeronáutica de equipamentos industriais. Devido ao seu solo fértil, e de ser um dos maiores exportadores de grãos do mundo, é alvo da cobiça dos bancos e das multinacionais que dominam a agricultura mundial.

A Rússia, por sua vez, como tem demonstrado, não descarta uma invasão militar à Ucrânia para garantir seus privilégios. Pouco teme as sanções econômicas da Europa, pois sabe que 75% do gás russo que vai para a União Europeia atravessa o território ucraniano. Nesse quadro, é grande a possibilidade de uma divisão no país a exemplo do que foi feito pelo imperialismo na Iugoslávia.

O fato é que a continuidade da crise do capitalismo iniciada em 2008, crise essa que completa seis anos em setembro vindouro, acirra a disputa entre a burguesia e seus estados pelo mercado e para controlar matérias-primas, seja petróleo, gás ou a terra.

Sem dúvida, como já advertimos, os países imperialistas seguem ampliando os conflitos e as guerras com o objetivo de escravizar povos e aumentar os lucros da oligarquia financeira que domina a economia do planeta. Para isso, derrubam governos e invadem países. A guerra parece não ter fim no Afeganistão nem no Iraque, continua na Líbia e na Síria, e outra pode começar na Ucrânia.  Por isso, a qualquer hora um “erro de cálculo” de qualquer um dos governos imperialistas pode desencadear uma guerra de proporções tais que ponha em risco toda a humanidade. Não se deve subestimar a cobiça e a obstinação desmedida pelo dinheiro dessa minoria exploradora, bancos e monopólios capitalistas, que só pensam em luxo e riqueza. Estes sim, verdadeiramente um bando de loucos, e o quanto antes devem ser mandados não para um hospício, mas para a lata de lixo da história.

 Luiz Falcão é membro do Comitê Central do PCR e diretor de A Verdade

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