PCR celebra 54 anos de fundação

Abertura do 6º Congresso do PCR (2019)

“Fundado por Manoel Lisboa de Moura, em maio de 1966, o Partido Comunista Revolucionário veio, historicamente, separar no Brasil, de modo irreversível, os comunistas revolucionários dos revisionistas e oportunistas de ontem e de hoje, de todos os matizes, quer de direita quer de esquerda.” (Estatutos do PCR, Art. 4º)

Foi com este objetivo que um grupo de militantes revolucionários decidiu, mesmo debaixo das mais difíceis condições de clandestinidade impostas pela Ditadura Militar, criar uma nova organização política capaz de sustentar a bandeira da redemocratização do Brasil e da revolução socialista.

Ainda em 1966, o Partido lançou seu primeiro documento programático, a Carta de 12 Pontos aos Comunistas Revolucionários, em que defende a classe operária como vanguarda da revolução socialista brasileira e a ditadura do proletariado.

Naquele momento, o PCR se implantou nas capitais e na zona canavieira dos Estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, promovendo diversas ações de massas, como greves e panfletagens nas portas de fábricas, passeatas estudantis.

Em 1968, com o fechamento total do regime, a partir da publicação do Ato Institucional Nº 5 (AI-5), diversas organizações sofreram uma brutal perseguição. O PCR resistiu bravamente, mas também foi atingido por duros golpes. No dia 22 de agosto de 1971, o experiente líder operário-camponês Amaro Luiz de Carvalho foi executado, dois meses antes de quando sairia da Casa de Detenção do Recife, onde cumpria pena. Entre os anos de 1971 e 1972, outro líder camponês do PCR foi assassinado: Amaro Félix Pereira. E em agosto/setembro de 1973, as forças policiais capturam, torturam e matam três outros destacados dirigentes do Partido: Manoel Lisboa de Moura, Emmanuel Bezerra dos Santos e Manoel Aleixo.

Os assassinatos desses camaradas representaram uma perda imensurável para o Partido. A eles, prestamos todas as nossas homenagens e os condecoramos como heróis do povo brasileiro.

Mesmo assim, o PCR seguiu sua trajetória de luta durante toda a década de 1970. Teve um papel destacado no movimento estudantil, culminando com a reconstrução da UNE, em 1979, e dobrou a ditadura mais uma vez com as ações de massa pela libertação do camarada Cajá, que resistiu bravamente à prisão e às torturas em 1978.

O PCR foi reorganizado em fevereiro de 1995, comprovando a necessidade histórica de existência de uma organização marxista-leninista em nosso país. Desde então, o PCR realizou cinco congressos nacionais.

Seguindo o caminho traçado por Lênin, o Partido fundou, em dezembro de 1999, o jornal A Verdade e, a partir de 2004, passou a integrar a Conferência Internacional de Partidos e Organizações Marxista-Leninistas (CIPOML). Em novembro do ano passado, o PCR realizou seu 6º Congresso, atualizando sua análise da realidade nacional e internacional, seu Programa e suas tarefas.

Assim, o Partido Comunista Revolucionário conclama toda sua militância, mesmo diante das condições adversas de luta em meio à pandemia da Covid-19, a celebrar os 54 anos de fundação do PCR escrevendo poemas e canções, pintando quadros, propagando por todos os meios uma bela homenagem aos heróis do PCR e convocando o povo brasileiro para derrubar o governo antipovo do capitão reformado Jair Bolsonaro e seus generais. Onde for possível, também devemos fazer murais e escrever: “Viva Manoel Lisboa! Viva o PCR!”; “Viva o PCR! Viva o socialismo!”; “Abaixo o fascismo! Viva Manoel Lisboa!”.

Da Redação

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A Verdade precisa chegar aos trabalhadores e trabalhadoras

O Brasil já tem mais de 10 mil brasileiros e brasileiras mortos pela Covid-19 e 140 mil pessoas contaminadas. E estes números oficiais, como sabemos, são subnotificados. Há meses que o Governo fascista sabia que o novo coronavírus estava causando mortes na Ásia, na Europa e nos EUA, mas nada fez. Pelo contrário, seguiu com sua política em favor da classe rica e da família do capitão reformado.

 Diante dessa tragédia, os trabalhadores, os jovens, os idosos, todos se perguntam por que esse vírus mata tanta gente em nosso país? Por que o Governo não agiu para evitar esse genocídio? Por que há hospitais e leitos para os ricos e não há nem respirador para os pobres? Por que tanta injustiça num país que é tão rico?

Todas essas perguntas só podem ser respondidas corretamente se o jornal A Verdade chegar até o povo. Ademais, como ficou claro nas criminosas filas para saber informações sobre o auxílio emergencial, uma grande parte da população não tem acesso a internet e só recebe informações pela TV e rádios, que são propriedades da classe dominante. Assim, se antes da pandemia já era indispensável ler e divulgar o jornal A Verdade, agora, é fundamental.

A primeira tarefa é, sem dúvida, garantir que todos os colaboradores e colaboradoras recebam o jornal. É perfeitamente possível ter camaradas com bicicletas, motos ou carros, usando máscaras e portando álcool gel, e que não sejam do grupo de risco, indo às casas e entregando o jornal aos assinantes e as quotas para que os militantes possam trabalhar. Se a pessoa está em isolamento, pode ler o jornal e vendê-lo a seus vizinhos. Isso não ocorreu no mês de abril e muitos camaradas não leram o jornal, apenas viram alguns artigos em nosso site. E de passagem.

Por mais que as medidas de isolamento social dificultem o trabalho corpo-a-corpo que sempre fizemos, não podemos abrir mão de levar o jornal A Verdade a nossos leitores e a quem mais precisa da mensagem revolucionária.

Se cada militante listar vizinhos, parentes, amigos ou pessoas próximas, teremos aí uma grande rede de compradores do jornal, mesmo na quarentena. Ao mesmo tempo, fazendo isso, esses companheiros e companheiras aprofundarão suas relações pessoais e esclarecerão mais gente sobre as causas da profunda crise que se encontra o Brasil e o mundo.

Além disso, devemos continuar unindo a campanha de solidariedade promovida em todo país pela UJR, MLB, Olga, MLC e UP com a venda do jornal nos bairros e ocupações. Toda família que está sofrendo com a crueldade do Governo Bolsonaro precisa ter acesso ao nosso jornal, pois, somente assim, a indignação que sente poderá se transformar brevemente em revolta e rebelião.

A Verdade tem se mantido nesses 20 anos de existência graças ao trabalho e à dedicação de milhares de militantes e colaboradores espalhados por todo o Brasil. Agora, mais do que nunca, é preciso fortalecer essa rede e colocá-la em movimento.

Em tempos de pandemia, precisamos ter mais iniciativa e criatividade para manter e reforçar os laços com a classe trabalhadora, o povo pobre, a juventude e as mulheres.

De casa em casa, de mão em mão, vamos levar nosso jornal e a verdade para os trabalhadores e o povo brasileiro e combater as mentiras do governo fascista!

Fora Bolsonaro! Pelo poder popular! Pelo socialismo!

Manoel Lisboa vive!

Da Redação

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Unidade, luta e solidariedade no 1º de Maio

CIPOML
Conferência Internacional de Partidos e
Organizações Marxista-Leninistas

PCR
Partido Comunista Revolucionário


Um passo à frente para a unidade, luta e solidariedade no dia internacional da classe trabalhadora!

A classe trabalhadora do mundo está próxima do 1º de maio, dia internacional da unidade, luta e solidariedade, sob condições extraordinárias esse ano.

No período recente, muitos países foram varridos para dentro do redemoinho da crise capitalista e trabalhadores cujas condições de trabalho e de vida se tornaram insuportáveis foram empurrados pelo crescimento do desemprego, pobreza e miséria. E no último ano, a economia do mundo capitalista entrou num período de estagnação. Juntamente com as demissões, a redução da jornada de trabalho, a proliferação da flexibilização dos direitos trabalhistas envolvendo a redução parcial do salário ou a suspensão do pagamento do salário se tornou, tanto quanto a pobreza, o problema da maior parte dos trabalhadores do mundo. Além disso, principalmente entre os EUA e China, as contradições entre os principais países imperialistas e, em geral, entre a burguesia mundial, se intensificou com o surgimento de conflitos.

As condições de trabalho e de vida se agravaram pela aproximação da crise, com tendência a generalizar-se, e estão se agravando com a pandemia do Coronavírus de hoje. Devido à pandemia, houve restrição de contratos de trabalho e da produção, reforçando o fator da crise.

A propaganda burguesa tenta vincular a pandemia do Corona à produção de vírus em laboratório ou, se muito, apresentando como o “inimigo invisível” da humanidade, sem conexão com o capitalismo. Isso contraria os avisos dos cientistas de 8 a 10 anos atrás de que pandemias iriam surgir pela destruição da natureza e pela mudança climática. De toda forma, com a retirada da burguesia dos EUA de todos os tratados, a burguesia internacional consumida pela ganância ao lucro e sem arrependimentos pela segurança da humanidade e da vida, não hesitou em progredir com a destruição da natureza. O capitalismo e o imperialismo estão levando a humanidade à calamidade com pandemias e guerras, assim como desemprego, miséria e fome.

Não foi suficiente para a burguesia ser a principal culpada pela pandemia. Também têm tornado o sistema público de saúde ineficiente com a ganância excessiva pelo lucro. E depois da pandemia, à princípio, se livrar dos desempregados, idosos e doentes como “redução de despesas desnecessárias”; especialmente em países como EUA, Inglaterra e Brasil, a burguesia não moveu um músculo contra essa pandemia. Enquanto a pandemia alcançava números recordes, eles não se anteciparam e começaram a interromper o processo de produção e acumulação de capital, e mergulharam na crise, eles recorreram a intervenções para salvar, não as vidas, mas o capitalismo. Estavam despreparados. Eles não podem testar trabalhadores da saúde ou ao menos distribuir máscaras para eles; nós todos podemos ver sua deficiência na luta contra a pandemia.

A classe trabalhadora está vendo a pandemia do Coronavírus se espalhando facilmente de trabalhador em trabalhador nas fábricas e hospitais, assim como nos correios, transportes, serviços locais, comércio e nas ruas. A burguesia internacional, que destruiu as instituições e unidades de saúde através dos cortes que vêm implementando há décadas em quase todos os países, não faz nada além de chamados para “ficar em casa” contra a pandemia. Por outro lado, trabalhadores da saúde, além de trabalhadores de setores da produção considerados essenciais, como alimentos, energia, transporte e limpeza, e trabalhadores de todos os setores em muitos países, são forçados a trabalhar cara a cara com o risco da morte e a continuar reproduzindo a vida sob condições extraordinárias.

A continuidade da produção, a apropriação da mais valia produzida pelo trabalhador e a sobrevivência do capitalismo é a prioridade fundamental da burguesia. Países como a China, os EUA que se tornou o centro da pandemia, Alemanha e até a França e Espanha, começaram a relaxar as medidas contra a pandemia e a liberar os trabalhadores para voltarem a trabalhar em larga escala. Isso significa que haverá um crescimento significante de mortes entre os trabalhadores.

A razão para isso é clara: a principal condição para o alto lucro e a acumulação do capital é a condenação da classe trabalhadora para produzir um volume extremamente alto da mais valia em condições extremamente severas de trabalho e de vida!

Tendo a humanidade declarado guerra contra o Coronavírus, “o inimigo invisível”, a burguesia está tentando a conciliar a inconciliável contradição entre o capital e o trabalho, e a guerra de classes contra a classe trabalhadora, entre os que exploram e os que vendem sua força de trabalho.

De fato, a burguesia internacional tem estado em uma ofensiva grande contra a classe trabalhadora com políticas neoliberais por décadas. A saúde, a qual nenhum investimento foi feito, tornou-se acessível na medida de sua capacidade de financiamento. Agora esta ofensiva é intensificada.

No chamado “pacote de medidas contra o Coronavírus” não há quase nada para os trabalhadores. Todas as medidas buscam dar suporte e salvar a burguesia monopolista e suas empresas. Nem mesmo um décimo das medidas é voltada para os trabalhadores, principalmente àqueles que ficaram desempregados, apesar de seu alto índice na população.

Trabalhadores da saúde, sem poderem ser testados, desprovidos de equipamentos e sacrificando muitas vítimas entre eles próprios, estão trabalhando heroicamente.

Sem aceitar a necessidade da luta contra a burguesia, que está impondo condições intoleráveis, e contra suas extensões, como a burocracia sindical que tem usado os direitos trabalhistas a favor da burguesia, nada mudou nem irá mudar.

O que é necessário para o sucesso é a unidade e a luta organizada. E o pré-requisito da luta contra a pandemia é a mobilização, por todos os meios possíveis, por medidas para salvaguardar os trabalhadores entre os quais a pandemia se espalhou primeiro e, mais facilmente, começando entre os trabalhadores da saúde. A burguesia nunca desejou o bem para os trabalhadores. A tomada de medidas para salvaguardar os trabalhadores apenas podem ser possíveis pela unidade e luta dos trabalhadores para defender seus direitos contra as regras do monopólio e do capital financeiro. Organizados em comitês nos locais de trabalho, formando conexões com outras fábricas e visando direcionar os sindicatos para que não sejam usados como meio de reconciliação com o capital, tornou-se necessário e crucial.

“Nada será como antes”, eles dizem. Também nada muda por si só. Além disso, se nós não intervirmos, é inevitável tudo piorar! O capital e o capitalismo não mudam por si sós; a exploração e a repressão não acabam por si próprios. A lei do valor que é a base da produção de mercadorias e a lei da mais valia que é a base do capitalismo são as leis da selva! No mundo da burguesia, os trabalhadores apenas tem a liberdade de trabalhar e morrer, e com o único propósito de aumentar o capital!

O pré-requisito para se livrar do domínio do monopólio; da brutal imposição do Estado burguês, o protetor e guardião das condições de exploração que é uma ditadura para os trabalhadores; do injusto e negativo resultado do capitalismo, como desemprego, sendo forçado a trabalhar longas horas por baixos salários, pobreza e injustiça social; e da ameaça da pandemia, é a revolução e organização da classe trabalhadora como classe dominante.

Nós, que criamos a vida com o trabalho, podemos realizar a transformação social.

Nós podemos atingir isso. A pandemia mais uma vez revelou que a vida não pode continuar se os trabalhadores não produzirem. Nós temos o poder em nossas mãos e provamos isso mais uma vez com a pandemia.

Muitas coisas ficaram visíveis durante a pandemia. Nós começamos a sentir e perceber a atitude da burguesia contra nós mais claramente do que antes. O que nos falta é unidade e organização contra o capitalismo, que é o culpado por todas essas doenças que nós experimentamos.

Neste ano, vamos celebrar o 1º de Maio, admitindo nossos problemas urgentes, num caminho que servirá para desenvolver a luta contra o Coronavírus e o culpado por ele, o capitalismo, e para que os trabalhadores sejam salvaguardados contra a pandemia. Nossos desejos de celebração estarão de acordo com isso. Chamamos os trabalhadores e todos os explorados a verem o 1º de Maio com slogans e marchas nos seus locais de trabalho, se estiverem trabalhando, ou em casa, se não tiverem, e a divulgarem nossas bandeiras de luta onde for possível.

  • A administração e controle das instituições de saúde, incluindo a iniciativa privada, fábricas e empresas que produzem equipamentos hospitalares e médicos devem ser transferidos para representantes dos sindicatos, organizações profissionais, associações e trabalhadores da saúde.
  • A saúde não pode ser objeto de comércio ou lucro. A privatização dos serviços de saúde devem acabar, o acesso das pessoas aos serviços de saúde gratuitos e de qualidade devem ser garantidos.
  • A produção e os serviços durante a pandemia, exceto aquelas essenciais, como saúde, produção de alimentos e energia, devem ser interrompidas. Os trabalhadores devem receber licença remunerada.
  • Nos setores onde o trabalho é essencial, os serviços de transporte devem ser garantidos para os trabalhadores garantirem sua segurança durante a pandemia. Condições protetivas para os trabalhadores devem ser garantidas em fábricas e locais de trabalho.
  • Testagem abrangente deve ser garantida em todas as áreas de risco, como fábricas, locais de trabalho e moradia onde a pandemia é detectada, máscaras, luvas e desinfetante devem ser distribuídos gratuitamente.
  • Trabalhadores da saúde devem ser providos de equipamentos de proteção. A testagem deles devem ser considerada prioridade.
  • Demissões devem ser proibidas durante a pandemia.
  • Proibição da suspensão de pagamento e redução salarial.
  • Suporte financeiro necessário deve ser garantido para familiares de desempregados com renda insuficiente ou inexistente para atender aos itens essenciais. Alugueis, contas de energia, água e gás devem ser pagas pelo Estado. Os débitos de trabalhadores nessa situação e dos pequenos produtores e empresários devem ser dados baixa.
  • Unidade, luta e solidariedade contra a pandemia e a exploração, e por uma vida humanitária.
  • Vida longa ao 1º de Maio. Vida longa ao Socialismo.
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6º Congresso do PCR: unidade para lutar pela Revolução Socialista

Sessão de abertura do 6º Congresso do PCR

O Partido Comunista Revolucionário (PCR) realizou, nos últimos dias de novembro de 2019, seu 6º Congresso Nacional. Foram meses de preparação, com estudos dos clássicos do marxismo-leninismo, de documentos da própria organização, mas especialmente de leituras e debates em cada coletivo partidário do Programa apresentado pelo Comitê Central. O documento agora aprovado aprofunda e atualiza o Programa da Revolução Brasileira, cujas linhas gerais foram traçadas nos cinco últimos congressos.

Após todo o plenário, de pé, entoar A Internacional, o hino mundial da classe operária, a mesa de abertura da atividade foi formada com representações do movimento sindical, de mulheres, de juventude, de moradia, da Unidade Popular (UP) e com um convidado internacional, um dirigente do Partido Comunista Marxista-Leninista da Venezuela (PCMLV), que declarou: “A realização deste Congresso é um feito histórico. Resulta de um esforço coletivo de muitos e muitas. Há pouco, houve a uma plenária da CIPOML, que reforçou nossa linha revolucionária. Desde a Venezuela, vemos que há uma força popular crescente na América Latina. Para o PCMLV, é muito importante estarmos aqui, pois nossa irmandade não é nova. Foi construída há anos, desde o Encontro de Mulheres em nosso país, em 2011, unindo forças contra influências políticas contrarrevolucionárias. Somos irmãos de classe, na mesma luta, com as mesmas ideias. Agradecemos muito a possibilidade de aprendizagem, a partir da experiência de vocês, de criar uma organização popular”.

Também foi lida a mensagem enviada pelo Comitê Coordenador da CIPOML, Conferência Internacional de Partidos e Organizações Marxista-Leninistas: “A CIPOML saúda o 6º Congresso do PCR-Brasil em uma conjuntura tão rica de lutas, em meio aos ataques imperialistas em todos os cantos do mundo. Esse regime decrépito tem seus dias contados. O PCR-Brasil tem uma tarefa central, de dirigir a revolução no país, contribuindo para a Revolução no mundo. Abaixo o imperialismo, viva o socialismo!”.

Em nome do Comitê Central do PCR, Edival Nunes Cajá ressaltou que “o papel decisivo na produção e distribuição de tudo nessa sociedade segue sendo da classe operária. A discussão que se faz nas ruas, na academia, entre as forças, sobre o caráter da Revolução Brasileira é o tema central do nosso Congresso. Por isso, temos que consolidar nosso Programa não só entre nós, mas para a sociedade. A revolução é o caminho e, para isso, temos que aprofundar nossa ideologia revolucionária, a doutrina marxista-leninista, comunista, revolucionária”.

Durante todo o evento, vários militantes se revezaram na declamação de poemas de autoria própria ou de consagrados poetas, como Bertolt Brecht e Maiakovski. E, como não poderia ser diferente, o Congresso também ressaltou a importância do heroísmo revolucionário nas figuras dos dirigentes do PCR assassinados pela Ditadura Militar (Manoel Lisboa, Amaro Luiz de Carvalho, Emmanuel Bezerra, Manoel Aleixo e Amaro Félix) e de dezenas de lutadores e lutadoras, de diferentes épocas, estados e formas de atuação, que foram homenageados com o rebatismo de cada delegado e delegada presentes.

Os êxitos na campanha de legalização da Unidade Popular e os 20 anos do jornal A Verdade também foram ressaltados por vários oradores, além da necessidade de fortalecer as companheiras militantes nos órgãos de direção do Partido e de uma maior atenção para o trabalho sindical, diretamente junto à classe operária.

A discussão e debate sobre o Programa do partido foi riquíssima, sendo apresentadas mais de 80 propostas de melhorias e acréscimos, todas elas incluídas no Programa, tornando este uma construção coletiva do começo ao fim. Foi afirmado pelos delegados e delegadas que o Programa do PCR era resultado do acúmulo das discussões cotidianas do partido, construído nas diversas lutas e de um desenvolvimento e amadurecimento político e ideológico do PCR, apontando claramente o caráter socialista da revolução brasileira e a luta pela tomada do poder como objetivo final.

Foi estabelecido ainda que, como o imperialismo capitalista e a grande burguesia dominam a nossa economia com seus monopólios e o capital financeiro, são, portanto, os principais inimigos da classe trabalhadora. A burguesia atua para intensificar a retirada de direitos dos trabalhadores para aumentar a extração de mais-valia e rouba os recursos naturais. Assim, expropriar os monopólios e os bancos nacionais e internacionais é fundamental no primeiro momento da revolução para, em seguida, socializar todos os meios de produção.

O Programa apresenta a luta de classes como a luta fundamental que ocorre na sociedade capitalista e que devemos concentrar nossas iniciativas de organização no campo popular e dos trabalhadores e trabalhadoras. Para isso, é fundamental que estejamos presentes em cada greve, dirigindo ou simplesmente apoiando os grevistas. Não podemos subestimar a importância das greves que ocorrerão nesta conjuntura, podendo uma delas ser a chama da revolta que virá. Também foi afirmado que devemos realizar grandes ocupações para lutar por moradia para os trabalhadores, que sobrevivem com um salário miserável ou estão desempregados e, por isso, não podem pagar aluguel e estão sendo despejados.

Outro ponto importante debatido foram as opressões contra mulheres, negros e LGBTs. O partido acolheu em seu Programa de maneira significativa a luta contra o racismo, o machismo e a lgbtfobia, assumindo, assim, o compromisso de travar a luta contra toda e qualquer opressão praticada pela burguesia contra o nosso povo.

Quanto à organização e construção material do Partido, foram apresentadas diversas críticas e autocríticas para fazer avançar nosso trabalho de construção partidária. Foi apontada a necessidade de melhorar as reuniões dos coletivos, aprofundar e realizar uma campanha de recrutamento de novos militantes e fazer o processo de formação regular. Também foi indicada a realização de reuniões de planejamento para desenvolvermos os planos com metas claras e objetivas, que permitam o acompanhamento e a cobrança para serem levados à prática.

A necessidade de trabalharmos com afinco e determinação foi tida como fundamental para que alcancemos um grande crescimento. Para isso, necessitamos romper com o individualismo, o egoísmo e a arrogância que, muitas vezes, nos faz cometer erros inaceitáveis. Realizar um trabalho verdadeiramente coletivo, que contemple uma grande divisão de tarefas com base no centralismo democrático é uma tarefa considerada fundamental. Precisamos compreender a honra que é fazer parte do partido fundado por Manoel Lisboa e cada um cumprir com as tarefas que permitam o avanço da Revolução.

Após quatro dias de profundas discussões e de democracia proletária, na tarde do último dia, sob clima de total coesão e determinação, foram votadas as contribuições ao texto do Programa e eleito o novo Comitê Central do Partido.

O PCR vive, luta e avança!

Publicado na edição nº 223 do jornal A Verdade

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Saudação ao Partido Comunista Marxista-Leninista do Uruguai e ao Partido Comunista Revolucionário da Bolívia

Dois eventos de grande importância para os trabalhadores e os povos da América Latina ocorreram ao longo deste ano: em fevereiro foi realizado o Congresso Constitutivo do Partido Comunista Marxista-Leninista do Uruguai e, em julho, houve o 1º Congresso Nacional do Partido Comunista Revolucionário da Bolívia. Os dois eventos dotaram esses partidos de seus documentos fundamentais.

A reunião dos Partidos e Organizações Marxista-Leninistas da América Latina e do Caribe, membros da Conferência Internacional dos Partidos e Organizações Marxista-Leninistas (CIPOML) saúda esses importantes passos dados por nossos camaradas do Uruguai e da Bolívia, que, sem dúvida, constituem marcos transcendentais na organização da revolução social do proletariado de seus respectivos países e internacionalmente. A classe operária e os povos do nosso continente têm dois novos destacamentos de luta, de ação revolucionária.

Valorizamos esses congressos como importantes vitórias do marxismo-leninismo, vitórias do movimento comunista internacional marxista-leninista.

Reunião dos Partidos e Organizações Marxista-Leninistas da América Latina e do Caribe

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Em memória do Camarada Osman

A fatídica notícia da partida do camarada Osman (Riza Saygili) nos enche de pesar.

Os comunistas da Turquia, os revolucionários proletários integrados nas fileiras dos partidos e organizações membros da CIPOML perderam a contribuição decidida de um valoroso militante.

O camarada Osman foi membro do Partido dos Trabalhadores da Turquia (EMEP), um militante e dirigente que enfrentou a grande tarefa da organização da classe operária e dos povos da Turquia; um comunista que dispôs de sua capacidade e de seus dias para a construção do Partido; um revolucionário proletário que enfrentou com coragem e valor a repressão.

Desde as origens da conformação da CIPOML, contamos com os aportes de um internacionalista destacado, que, representando seu Partido, somou seus esforços para o fortalecimento da unidade dos comunistas em escala internacional.

Osman era um camarada fraterno e solidário, resumia em seu pensamento e em sua ação a qualidade de um revolucionário proletário abnegado e perseverante; empreendia com alegria o cumprimento de suas responsabilidades, contagiava com seu entusiasmo de organizar a revolução.

Os Partidos e Organizações integrantes da CIPOML expressam aos dirigentes e militantes do EMEP seu pesar e solidariedade; fazemos extensivos esses sentimentos aos familiares do camarada, a sua companheira e seus filhos.

Destacamos o exemplo de Osman, sua decisão de entregar suas capacidades, seu dinamismo e entusiasmo à luta pela revolução internacional, à causa do comunismo.

Julho de 2019

COMITÊ DE COORDENAÇÃO DA CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DE PARTIDOS E ORGANIZAÇÕES MARXISTA-LENINISTAS (CIPOML)

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Governo Bolsonaro aumenta desemprego no país

Com o objetivo de ludibriar a boa-fé do povo brasileiro, o ex-deputado Jair Bolsonaro repetiu inúmeras vezes nas suas propagandas eleitorais a conhecida frase bíblica em João 8:32: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.”

Após quase seis meses na Presidência, os eleitores que votaram no capitão aposentado pelo Exército com apenas 33 anos de idade, veem que ele é incapaz de resolver a crise econômica, assiste a várias denuncias de corrupção no seu partido, o PSL, e sobre as negociatas de seu filho,  e percebe que o propósito de seu governo é aumentar a riqueza da oligarquia financeira e tornar o Brasil uma colônia dos EUA. Conhecendo, portanto, a verdade, milhões de pessoas estão se libertando da mentira de que ele seria o salvador da pátria.

A verdade liberta

De fato, de acordo com o insuspeito Ibope, o presidente Jair Bolsonaro perdeu 15 pontos percentuais em aprovação: o índice dos brasileiros que consideram sua gestão boa ou ótima caiu de 49%, em janeiro para 34%, em março. Isto é, três em cada dez apoiadores deixaram de apoiá-lo. Também o Datafolha revelou que Jair Bolsonaro tem o pior desempenho para um presidente em primeiro mandato desde a eleição de Collor: 30% de avaliação ruim ou péssimo. Detalhe: a queda de aprovação de Bolsonaro ocorre entre seus próprios eleitores – quase metade deles já não o consideram um presidente ótimo ou bom.

Para obscurecer essa realidade, Bolsonaro convocou uma “espontânea” manifestação para louvá-lo, financiada por ricos empresários como, por exemplo, o dono da rede Havan. O resultado decepcionou até mesmo os deputados que o apoiam e só não foi inútil porque evidenciou o quanto encolheu a base que o apoia.

O fato é que a ampla maioria do povo brasileiro se cansou das mentiras de Bolsonaro. Já nas eleições, 89 milhões de brasileiros se recusaram a votar no candidato fascista. Agora, conhecendo quem é de fato Bolsonaro, outros milhões de eleitores dele se declaram arrependidos. Como se vê, a verdade realmente liberta.

Desemprego cresce

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no final de 2018, a taxa de desemprego no país era de 12,3%. Com  Bolsonaro no governo, o desemprego subiu para 13,6% e atingiu 14 milhões de trabalhadores. Ainda segundo o IBGE, a taxa de subutilização da força de trabalho bateu recorde e alcançou  28,4 milhões de pessoas entre desempregados e subocupados. Já o número de pessoas que desistiram de procurar emprego chegou a 4,9 milhões no primeiro trimestre deste ano, o maior contingente da série histórica. Porém, o próprio ministro da Economia, o banqueiro Paulo Guedes, reconheceu na Câmara dos Deputados que 50 milhões de brasileiros estão desempregados.

Nenhum de nós, entretanto, precisa desses números para saber que o desemprego cresceu, pois, não há uma só família que não tenha uma ou duas pessoas desempregadas.

Não há emprego, mas há aumento dos preços dos alimentos, das passagens, da luz, do botijão de gás e dos combustíveis.

Com efeito, o botijão de gás custa hoje nas revendedoras entre R$ 65 e R$ 80. Para quem solicitar a entrega em casa, o preço sofre variação de R$ 75 a R$ 97. Em consequência, 20% das famílias brasileiras estão usando lenha ou carvão para cozinhar, pois não têm dinheiro para comprar um botijão de gás, revelou pesquisa Pnad Contínua. Além disso, informa o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a inflação para os mais pobres aumentou 20 vezes.

Corrupção de ministros e do filho

Na campanha eleitoral, Jair Bolsonaro disse que governaria cercado de “pessoas maravilhosas”. Mas o que vemos é um bando de mafiosos e corruptos no governo.

O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, por exemplo, é um dos principais dirigentes do DEM, partido que antes era PFL e durante a ditadura militar chamava-se Arena. Em abril de 2017, Lorenzoni confessou ter recebido R$ 100 mil de caixa dois da JBS. Já o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, é acusado pela Polícia Federal de participar de um esquema de candidaturas de laranjas do PSL em Minas Gerais. Investigadores da PF apuram a suspeita do crime de falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Esse escândalo de corrupção também foi denunciado pela deputada federal Alê Silva (PSL-MG), que informou à polícia que o ministro ofereceu para sua campanha um valor de R$ 60 mil, com a condição de que ela devolvesse R$ 45 mil, dinheiro do fundo partidário. Eleita com 48 mil votos, Alê Silva afirmou ainda que o ministro do Turismo a ameaçou de morte numa reunião com correligionários, no fim de março, em Belo Horizonte. (FSP, 13/04/2019).

O poderoso ministro da Economia, o banqueiro Paulo Guedes, foi outro investigado por envolvimento num esquema que fraudava negócios ligados a fundos de pensão em estatais. Segundo reportagem da revista Carta Capital, ao longo de seis anos o economista captou ao menos 1(hum) bilhão de reais de entidades como Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobras), Funcef (Caixa), Postalis (Correios) e BNDESPar, braço de investimentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Segundo as investigações, os negócios foram feitos pela BR Educacional Gestora de Ativos, que pertence ao economista.

Haja rolo

Além de seus ministros, também um filho de Bolsonaro está sendo investigado.  O Ministério Público do Rio de Janeiro concluiu que há indícios claros dos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa no gabinete de Flavio Bolsonaro, quando ele exerceu o mandato de deputado estadual de 2007 a 2018. A investigação também cita indícios de lavagem de dinheiro em transações imobiliárias envolvendo 19 imóveis e lucros de milhões com transações-relâmpagos.

O pivô da investigação do Ministério Publico é Fabricio Queiroz, amigo de Bolsonaro e funcionário do gabinete de seu filho. Segundo um relatório do governo federal, houve  movimentação suspeita de R$ 1,2 milhão na conta de Queiroz. Além do volume movimentado na sua conta, chamou atenção a forma com que as operações se davam: depósitos e saques em dinheiro vivo. As transações ocorriam em data próxima do pagamento de servidores da Assembleia Legislativa, onde Flávio exerceu o mandato de deputado por 16 anos até ser eleito senador. O mesmo Fabricio Queiroz depositou na conta da mulher de Bolsonaro R$ 24 mil reais; este dinheiro, segundo o presidente, era pagamento de um empréstimo. Haja rolo!

Pois bem, essas são as “pessoas maravilhosas” do Sr. Bolsonaro.

Aumento da violência

Ademais, as propostas que Jair Bolsonaro e seu ministro da Justiça, Sergio Moro, apresentaram não trouxeram nenhuma diminuição da violência. Pelo contrário, desde o decreto de liberação do uso de armas, uma onda de crimes se espalhou no país. No dia 13 de março, em Suzano, pacata cidade da Região Metropolitana de São Paulo, dez pessoas morreram  num ataque na Escola Estadual Raul Brasil. Nove morreram dentro do colégio: cinco estudantes, duas funcionárias e os dois assassinos, ex-alunos da escola, que se mataram depois do tiroteio.

No dia 7 de abril, um domingo, em Guadalupe, zona oeste do Rio de Janeiro, o músico Evaldo dos Santos Rosa, foi morto após ter o carro em que estava com sua família atingido por centenas de tiros disparados por dez militares do Exército. Segundo o Ministério Público Militar, os militares efetuaram 257 tiros de fuzil e pistola durante a ação, dos quais 62 alvejaram o veículo em que estava a família. Aliás, o primeiro trimestre de 2019 no Rio de Janeiro teve o maior número de mortes cometidas por policiais desde 1998, um total de 434 casos nos primeiros três meses deste ano ou sete pessoas assassinadas por dia, advertiu o Instituto de Segurança Pública.

Do mesmo modo, cresceu o feminicídio – crime que configura o assassinato de mulheres pela condição do sexo feminino: até o dia 8 de março de 2019, ocorreram no país 344 casos de feminicídio com 207 mortes.

Mais: até hoje, o homem que disse que iria acabar com a violência no país não conseguiu sequer descobrir quem mandou matar Marielle Franco e Anderson Martins e em apenas dois dias, 26 e 27 de maio, 55 presos foram assassinados em quatro prisões de Manaus.

Deus acima de todos ou os EUA acima do Brasil?

A verdade é que não há limites para os crimes do Governo Bolsonaro contra nosso povo. Vejamos.

Sem nenhuma consulta ao povo brasileiro, entregou parte do nosso território, o Município de Alcântara, no Maranhão, para os Estados Unidos instalarem uma base e lançarem satélites, foguetes e até mísseis contra quem quiserem. Porém, os EUA não deram em troca sequer um hectare de seu território à nossa pátria.

Não bastasse, cortou 30% das verbas para as universidades brasileiras e 80 mil bolsas científicas, impedindo assim qualquer desenvolvimento da ciência brasileira, e, logicamente, beneficiando os países imperialistas que já estão bem à nossa frente na área tecnológica.  Como já deixou claro, o ministro da Educação Abraham Weintraub, a política do governo é destruir a universidade pública e perseguir professores e alunos que não comungam com suas ideias fascistas.

Na campanha, ele disse que faria um governo sem ódio, mas revelou toda a sua intolerância chamando estudantes e professores que foram às ruas reivindicar a devolução das verbas retiradas da educação de “idiotas úteis e massa de manobra”, num total desrespeito à liberdade de manifestação e a Constituição.

O programa Farmácia Popular deixou de atender cerca de 7 (sete) milhões de pessoas nos últimos dois anos. O Governo diz que não tem dinheiro, no entanto, vai gastar R$ 2,5 milhões para alugar 32 carros para uso de Bolsonaro e de seu vice, general Mourão.

Impunidade

Diante do bárbaro crime da multinacional Vale que assassinou 242 trabalhadores e trabalhadoras, destruiu pequenas propriedades rurais e o meio ambiente de Brumadinho e região, nada fez. Assim, até hoje, os que cometeram esses crimes estão soltos, impunes, e as famílias desamparadas, embora a Vale tenha tido em 2018 um lucro de R$ 25,65 bilhões.

Os povos indígenas, verdadeiros descobridores do Brasil, foram abandonados e estão sob feroz ameaça dos capangas de grandes madeireiras: 14 terras indígenas já homologadas estão ameaçadas de serem invadidas por milícias de fazendeiros.  Após seis meses de governo, milhões de famílias continuam passando fome e não há uma só esquina nas grandes cidades que não veja mulheres, homens, adolescentes e crianças dormindo nas calçadas e pedindo comida.

Com sua cara de pau e para esconder que é incapaz de resolver os problemas do país, o sr. Jair Bolsonaro vai à TV dizer que se a reforma da previdência for aprovada a economia vai voltar a crescer e tudo vai melhorar. É mais uma mentira. Ele se aposentou no Exército com apenas 33 anos de idade, mas quer que um trabalhador rural que trabalha desde criança só se aposente aos 65 anos e após pagar 20 anos de contribuição.

Ao mesmo tempo em que revela seu ódio aos trabalhadores e aos pobres, deixa claro que é um covarde para enfrentar os poderosos, as classes ricas, aquela minoria que faz fortuna explorando os operários, o trabalhador, roubando a mais-valia e sonegando impostos. De fato, como divulgou o Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (SINPROFAZ), grandes empresas, bancos e multinacionais sonegam R$ 500 bilhões por ano, quantia mais que suficiente para cobrir várias vezes o chamado déficit público. Mas nem Bolsonaro nem Paulo Guedes querem combater os sonegadores; a opção deles é retirar direitos dos que são pobres, dos explorados, do povo.

Lutar por um novo dia

E o que pretendem fazer com esse dinheiro que vão tirar da aposentadoria dos trabalhadores? Nenhum centavo será para investimentos em saúde, educação, moradia ou obras públicas. Tudo será transferido para os bolsos dos banqueiros, dos milionários que são donos dos títulos da divida pública, os bancos, fundos de investimentos e grandes capitalistas. Prova disso é que o governo federal, até o final do ano, entregará mais de R$ 300 bilhões para essa oligarquia financeira. Em resumo, quer o governo Bolsonaro e a grande burguesia nacional e internacional que o povo brasileiro seja escravo da classe rica, morra trabalhando, passe fome, não tenha direito a universidade pública, creche ou a um sistema público de saúde.

O que este governo fez em seis meses foi aprofundar a crise econômica, jogar o país na maior estagnação econômica dos últimos 40 anos, diminuir o consumo das famílias com o crescimento do desemprego e redução dos salários, desestimular qualquer investimento na economia e elevar o dólar para favorecer os especuladores.

Pensam, que por terem enganado o povo numa eleição, vão continuar longos anos no poder. Assim pensavam também os generais que deram o golpe militar de 1964 e após 21 anos saíram de cabeça baixa e pelas portas dos fundos. O dia 15 de maio com mais de 1,5 milhão de pessoas nas ruas, as manifestações do último dia 30 e, principalmente, a greve geral de 14 de junho são demonstrações claras do que a juventude e os trabalhadores são capazes de realizarem para manter seus direitos conquistados. Como escreveu em uma canção o ganhador do prêmio Camões de 2019, o poeta, cantor e escritor Chico Buarque, “Apesar de você, amanhã há de ser outro dia.”

Luiz Falcão, membro do Comitê Central do PCR e diretor de Redação de A Verdade

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Trabalhadores se unem pelo direito de se aposentar

A Central Única dos Trabalhadores (CUT), juntamente com as demais centrais sindicais, sindicatos e federações de todo o Brasil, convocou para o dia 14 de junho uma greve geral contra o fim da aposentadoria e a PEC 6/2019 (Proposta de Emenda à Constituição), encaminhada ao Congresso Nacional pelo governo fascista de Bolsonaro.

Como vem denunciando o jornal A Verdade, a Reforma da Previdência que o milionário Jair Bolsonaro quer aprovar é profundamente prejudicial ao povo e beneficia apenas a classe capitalista, em particular os banqueiros.

De fato, do montante que o governo diz que a reforma vai gerar de economia, R$ 715 bilhões serão “economizados” à custa de cortes nos direitos dos trabalhadores rurais e urbanos, fim do benefício aos idosos e eliminação de direitos dos trabalhadores públicos. Isso num país que, devido à política econômica do governo e à ganância da classe capitalista, cerca de 50 milhões de brasileiros que fazem parte da População Economicamente Ativa (PEA) não conseguem trabalho decente. Pior: tiram dos pobres para dar aos ricos. Com efeito, o governo também quer acabar com o direito de aposentadoria, contando com o apoio e a cumplicidade dos meios de comunicação da burguesia, pois escondem do povo que, todos os anos, são retirados dos cofres públicos mais de R$ 400 bilhões para pagar juros aos bancos e fundos de investimentos.

Além disso, pelo sistema atual, os trabalhadores rurais se aposentam após 15 anos de contribuição e aos 60 anos, para homens, e 55 anos, para mulheres. Esta idade foi fixada devido ao fato de o trabalho na agricultura ser muito duro e de se começar a trabalhar muito cedo, geralmente com 13, 14 anos. Com a PEC 06/2019, a trabalhadora rural só irá se aposentar aos 60 anos e após 20 anos de contribuição. Hoje, já é difícil para os trabalhadores contribuírem por 15 anos; contribuir por 20 anos será, portanto, impossível. Ademais, os salários são baixos e grande parte dos patrões não assina a carteira de trabalho. Dessa maneira, exigir que o trabalhador rural contribua durante 20 anos para ter direito à aposentadoria é, na prática, acabar com aposentadoria rural.

Aliás, a exigência de um tempo mínimo de contribuição por 20 anos (hoje são 15 anos) atinge todos os trabalhadores. Ora, como os trabalhadores vão conseguir contribuir durante 20 anos, se grande parte deles, devido à crescente informalidade e às demissões que os patrões realizam, ficam anos desempregados? Quantos trabalhadores ficam desempregados aos 50 anos e ainda conseguem trabalho?

Embora atinja duramente todos os que trabalham, a mulher trabalhadora será a mais afetada, pois a reforma ignora completamente que recai sobre as mulheres as responsabilidades com a casa, os filhos e mesmo a reprodução do ser humano.

Não bastasse, a reforma do governo quer ainda reduzir a pensão por morte. Atualmente, a família recebe 100% do salário que o morto recebia; com a reforma, o valor é reduzido para 60%, causando uma queda muito grande na renda da família, principalmente se o trabalhador que morreu ganhava um ou dois salários mínimos, como é em 80% dos casos.

Hoje, todos os trabalhadores que ganham até dois salários mínimos têm direito ao PIS, um salário mínimo por ano. A reforma quer que só tenha esse direito quem recebe um salário mínimo. Ou seja, quem ganhar R$ 10 acima do salário mínimo perde esse direito conquistado pelos trabalhadores.

Greve geral contra a reforma dos banqueiros

Na resolução que aprovou a realização da greve geral, a CUT denuncia que “o atual governo vem adotando medidas extremamente hostis ao movimento sindical, com o objetivo de destruir sua capacidade de resistência, expressando seu compromisso com as forças conservadoras e autoritárias que o elegeram e a mais completa sujeição dos interesses públicos à lógica do mercado, hegemonizado pelo capital financeiro”.

Para a CUT, a continuidade da crise econômica, a diminuição da renda, a precarização do trabalho formal e o aumento alarmante do desemprego têm causado o crescimento da miséria e o aumento das desigualdades. “A conjuntura de retrocesso político e de crise econômica e social pela qual passamos cria, por outro lado, as possibilidades para aglutinarmos forças e forjar, no campo popular e democrático, as bases da resistência contra as medidas do atual governo que ferem os direitos trabalhistas e sindicais, desrespeitam os direitos humanos, desmontam os avanços que tivemos na proteção social, ameaçam o meio ambiente e colocam em risco a soberania social”, conclui a entidade.

Além de ter realizado um 1º de Maio unitário nos estados, os trabalhadores estão convocando todas as categorias a realizarem no dia 15 de maio um Dia Nacional de Mobilizações contra a PEC 06/2019 (Previdência) e em apoio à Greve Nacional da Educação, convocada pela CNTE, CONTEE e outras entidades do setor. Além disso, foi dado início à coleta de assinaturas para o abaixo-assinado contra a Reforma da Previdência.

Com o objetivo de obter apoio da sociedade para a greve geral e conscientizar os trabalhadores e as trabalhadoras, o Movimento Luta de Classes (MLC) e a Unidade Popular irão realizar, em maio, plenárias e ativos para organizar as panfletagens nas fábricas, trens, metrôs, visitar as garagens, terminais e bairros e levar a mensagem de que se todo o povo trabalhador se unir e realizar grandes passeatas, a cruel Reforma da Previdência será derrotada e o direito de se aposentar de dezenas de milhões de trabalhadores e de trabalhadoras pobres ficará garantido.

Da Redação Jornal A Verdade

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