Sindicalistas da América Latina e Caribe se unem pelos direitos dos trabalhadores

O 11º Encontro Latino-Americano e Caribenho de Sindicalistas (ELACS) ocorreu em Bogotá, capital da Colômbia, nos dias 13, 14 e 15 de outubro de 2017 nas dependências da Universidade Pedagógica Nacional e contou com a participação de cerca 200 sindicalistas de nove países:  Argentina, Brasil, Colômbia, Equador, El Salvador, Guatemala, México e República Dominicana, além das Filipinas, que participou como convidado.

Desde a primeira edição, realizada na República Dominicana, em 1998, dirigentes sindicais da região têm promovido o ELACS com a finalidade de debater os problemas que mais afligem os trabalhadores, promover a integração regional de sindicalistas e estimular a luta de classes contra os patrões e contra a exploração capitalista.

Representando o Brasil, estiveram presentes ao 11º ELACS Thiago Santos, do Movimento Luta de Classes (MLC),Rêneo Augusto, do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações do Rio de Janeiro (Sinttel-Rio), e Keila Farias, da Central Única dos Trabalhadores no Estado no Rio de Janeiro (CUT-RJ).

O próximo ELACS ocorrerá no Equador, em 2019. A seguir, publicamos trechos da Declaração Política do 11º Encontro.

Da Redação

 

Declaração Política

 

Nós, delegados ao 11º ELACS, denunciamos as ações da burguesia imperialista e de seus sócios em nossos países, que multiplicaram as ações para descarregar a crise sobre as costas dos trabalhadores e dos povos por diferentes vias, principalmente baixando o valor da força de trabalho e impulsionando diferentes reformas trabalhistas, como no Brasil e outros países, com a intensificação da ofensiva contra dos direitos dos trabalhadores, os cortes dos investimentos  sociais na educação e na saúde, enquanto aumentam os subsídios aos bancos e às grandes empresas capitalistas, assim como se elevou o endividamento externo e interno e avançam as privatização de recursos naturais e empresas do setor público.

Em geral, esta ofensiva visa cortar direitos trabalhistas e ataca a liberdade de sindicalização, os acordos coletivos e o direito de greve, como premissas para impor condições precárias de contratação da força de trabalho, que assegurem a superexploração dos trabalhadores e, assim, garantir o aumento da taxa de lucro.

Neste campo, um dos mecanismos mais generalizados é a terceirização, recurso com o qual se busca excluir totalmente os trabalhadores terceirizados do acesso aos direitos trabalhistas, principalmente os direitos coletivos do trabalho.

Formam parte desta ofensiva a intensificação da criminalização e a judicialização da luta social, com novas ferramentas repressivas que provocaram assassinatos de líderes sindicais, camponeses e populares, assim como longas condenações contra os lutadores.

Muito mais grave é a situação das mulheres trabalhadoras, que enfrentam uma aguda discriminação e assédio sexual e laboral, além das reminiscências patriarcais, que condenam as mulheres trabalhadoras aos mais baixos salários e a uma dupla exploração; além dos ataques e ameaças a algumas de suas conquistas históricas, fruto da luta, como a proteção contra condições de trabalho  insalubres para as mulheres gestantes ou com crianças em fase de amamentação, a estabilidade provisória no emprego e a licença maternidade.

Reconhecemos a necessidade de fortalecer os esforços para ampliar a participação das mulheres no movimento operário e sindical.

Constataram-se também as sistemáticas agressões à seguridade social, que, por diferentes vias, atacou os direitos dos trabalhadores ativos e dos aposentados. Aceleram-se as ações para a privatização das instituições autônomas ou públicas da seguridade social para incorporá-las aos negócios dos grupos financeiros multinacionais e, por outro lado, piorando os já reduzidos direitos dos segurados nos países onde já se havia privatizado.

O 11º ELACS constatou também que esta ofensiva das burguesias e das classes dominantes de nossos países contra os direitos dos trabalhadores, enfrentaram resistência e luta por parte do movimento operário, com diferentes meios e mecanismos de luta que, se bem não puderam derrotar totalmente as ações da classe dominante, conseguiram que não fossem impostas em sua totalidade.

Destacam-se, neste plano, que as experiências da luta unitária, as jornadas gerais, alcançaram maior relevância dadas as restrições de acesso ao direito de greve. Ressaltamos também as experiências de combinação de diferentes formas de luta e a assunção de bandeiras políticas como o combate à corrupção, que é um produto do capitalismo; lutas que permitiram conformar acordos unitários com outros setores sociais e forças políticas democráticas, progressistas e de esquerda, como os povos indígenas, os camponeses, os estudantes e a juventude.

A partir da constatação destas valiosas experiências, nós, delegados ao 11º ELACS, reafirmamos nossos compromissos de qualificar e intensificar nosso trabalho para fortalecer as organizações sindicais e afirmar nelas as posições anticapitalistas, classistas e revolucionárias.

Nós, sindicalistas latino-americanos e caribenhos, ratificamos nosso compromisso com a defesa e o impulso de um sindicalismo classista, consequente com os princípios da liberdade de organização sindical, independência política de classe, autonomia, a luta de classes e o exercício da democracia sindical. O que nos obriga a denunciar e a combater a burocracia sindical, sua política de conciliação de classes e sua cumplicidade com a coorporativização do movimento sindical por parte do Estado burguês.

Comprometemo-nos também em elevar a prática da solidariedade de classe com todas as lutas operárias, camponesas, indígenas e populares da América Latina, do Caribe e do restante do mundo, como premissa para avançar na unidade sindical classista, assim como a mais ampla unidade com forças sociais e políticas da região, que enfrentam a dominação imperialista e a exploração do capital.

Assumimos o dever de preparar novas tarefas unitárias, como a de realizar cursos sindicais regionais que contribuam para a consolidação do sindicalismo classista em todos os países participantes.

Nosso 11º ELACS exalta o centenário da Revolução de Outubro, que estamos celebrando nestes dias, o passo histórico dos operários, camponeses, de todo o povo explorado da Rússia, que conquistaram o poder político para a construção do socialismo. Ratificamos nosso compromisso de seguir seu valioso exemplo. Da mesma forma, destacamos o exemplo de consequência com a causa revolucionária e com o internacionalismo proletário do imortal “Che” Guevara, pela passagem dos cinquenta anos de sua caída em combate. Nossa maior homenagem é continuar na luta pela transformação social!

Viva a unidade dos trabalhadores e dos povos da América Latina e do Caribe!

Viva o 11º Encontro Latino-Americano e Caribenho de Sindicalistas!

 

Bogotá, 15 de outubro de 2017

 

 

Argentina

Corrente Classista e Combativa da Argentina

 

Brasil

Movimento Luta de Classes (MLC)

Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações do Rio de Janeiro (Sinttel-Rio)

Central Única dos Trabalhadores – Seção Rio de Janeiro

 

Colômbia

Coletivo Nacional Sindical Classista “Guillermo Marín”

Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Pedagógica Nacional (Sintraupn)

União Sindical Operária – Subdireção Única de Oleoduto

Sindicato de Profissionais da Seguridade (Sinproseg)

Sindicato dos Trabalhadores da Caixa de Compensação Familiar do Cauca (Sinaltracomfa)

Sindicato Unitário dos Trabalhadores da Educação do Cauca (Sutec)

SunetCundinamarca

Juventude Democrática Popular (Judep)

Organização de Mulheres do Povo da Colômbia (OMPC)

Corporação para Pesquisa e a Educação Popular (Ciep)

Associação de Motoristas Autônomos (Acoin)

Sintraemsdes

Asmetrosalud

Sintracomfamiliar

União de Trabalhadores de Edatel (Unitrae)

Anebre

Sintraemcali

Sindicato dos Trabalhadores de Empresas de Serviços Gerais de Medellín (Sintraeevvm)

Sindicato Unitário de Trabalhadores da Educação do Norte de Santander (Sutens)

 

Equador

União Geral dos Trabalhadores do Equador (UGTE)

União Nacional dos Educadores (UNE)

Sindicato Único dos Trabalhadores do Ministério da Saúde Pública de Guayas (Sintum)

Federação Democrática dos Trabalhadores de Guayas (FDTG)

Comitê de Empresa dos Trabalhadores de Palmeras do Equador

Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Católica do Equador

Mulheres pela Mudança

 

El Salvador

Coordenação Sindical Salvadorenha (CSS)

Sindicato dos Trabalhadores Autônomos de Serviços Gerais de El Salvador (Stinoves)

 

Guatemala

Coordenação Nacional da Unidade Sindical e Social (CNUSS)

Liga Internacional de Luta pelos Povos (ILPS)

 

México

União dos Trabalhadores da Educação (UTE)

União Geral dos Trabalhadores do México (UGTM)

Frente Popular Revolucionária (FPR)

Peru

Confederação Camponesa do Peru – Justiniano MinayaSoza

 

República Dominicana

Movimento de Trabalhadores Independentes (MTI)

Associação Dominicana de Professores (ADP) – Seccional Juan Herrera

Read More
Share Sindicalistas da América Latina e Caribe se unem pelos direitos dos trabalhadores on Facebook Tweet Sindicalistas da América Latina e Caribe se unem pelos direitos dos trabalhadores! Bookmark Sindicalistas da América Latina e Caribe se unem pelos direitos dos trabalhadores on StumbleUpon Digg Sindicalistas da América Latina e Caribe se unem pelos direitos dos trabalhadores! Bookmark Sindicalistas da América Latina e Caribe se unem pelos direitos dos trabalhadores on Delicious Bookmark Sindicalistas da América Latina e Caribe se unem pelos direitos dos trabalhadores on Mixx Bookmark Sindicalistas da América Latina e Caribe se unem pelos direitos dos trabalhadores on Reddit

CIPOML realiza plenária na Tunísia

A 23ª plenária da Conferência Internacional de Partidos e Organizações Marxista-Leninistas (CIPOML) foi realizada na Tunísia, nos primeiros dias de novembro de 2017, com a presença da maioria de seus membros.

Nesta sessão foi abordada a análise da evolução da situação internacional caracterizada pelo aprofundamento da crise geral do sistema capitalista-imperialista e suas consequências dramáticas sobre a classe operária e os povos de todo o mundo, a fome, a deterioração das condições de vida e de trabalho, a destruição do meioambiente, a intensificação de tensões no mundo e a multiplicação de conflitos armados, o aprofundamento das contradições interimperialistas para controlar os recursos e mercados no mundo; a ascensão de forças fascistas, nacionalistas e chauvinistasem vários países imperialistas e dependentes.

Em vista desta situação, a Conferência também apontou o aumento das lutas de diferentes setores de trabalhadores, jovens e mulheres contra as repercussões da crise e pelos direitos democráticos, econômicos e sociais; lutas que, em alguns casos, possuem características de insurreição e, em outros casos, foram reprimidas pelos regimes reacionários.

Durante esta plenária, tivemos uma discussão rica sobre o desenvolvimento do partido revolucionário do proletariado e destacamos sua importância na luta ideológica e política e como condição indispensável para liderar os povos na luta por uma mudança revolucionária tanto nos países dependentes como nos imperialistas. Esta discussão foi enriquecida pela troca de experiências entre nós. Cabe ainda destacar o papel desempenhado pelos partidos da Conferência na criação de novos partidos marxista-leninistas em países onde eles ainda não existiam.

Outra discussão importante foi sobre a tática revolucionária que os partidos comunistas devem projetar com base nos princípios marxista-leninistas e na análise concreta e precisa da situação objetiva em cada país e trocar essa experiência com um espírito de franqueza, fraternidade e camaradagem.

No final do seu trabalho, a Conferência aprovou uma série de resoluções sobre várias questões atuais e expressou sua solidariedade com as lutas do proletariado e dos povos em situações particulares.

Proletários de todos os países, uni-vos!

Tunes, 4 de novembro de 2017

Read More
Share CIPOML realiza plenária na Tunísia on Facebook Tweet CIPOML realiza plenária na Tunísia! Bookmark CIPOML realiza plenária na Tunísia on StumbleUpon Digg CIPOML realiza plenária na Tunísia! Bookmark CIPOML realiza plenária na Tunísia on Delicious Bookmark CIPOML realiza plenária na Tunísia on Mixx Bookmark CIPOML realiza plenária na Tunísia on Reddit

Há 100 anos, a Revolução Russa nos indicava o caminho

Hoje é um dia muito especial para a classe trabalhadora do mundo inteiro. Há exatamente 100 anos, os operários e camponeses russos, liderados por Lênin e o Partido Bolchevique, conquistavam o poder na Rússia, provando que os trabalhadores podem conquistar o poder, governar e dirigir a economia.

Todos os dias, a burguesia, de maneira incansável, ataca a Revolução Russa, desde o seu início, quando mais de uma dezena de exércitos de vários países tentaram destruir o poder proletário que havia se estabelecido, até hoje, quando acompanhamos as vergonhosas calúnias nos filmes e livros escritos por intelectuais da burguesia, que têm por objetivo enganar o proletariado e impedir a sua libertação.

Para os revolucionários, é um dever defender a Revolução Russa e a experiência soviética, aprender com erros, mas principalmente demonstrar os seus gigantescos acertos.

Na Rússia, após a conquista do poder pelos trabalhadores, as mulheres passaram a ter direitos que em nenhuma parte do mundo haviam conquistado, foram chefes de Estado, dirigentes militares, comandavam fábricas, libertaram-se do trabalho doméstico, desenvolveram as artes e tiveram grande protagonismo.

Os camponeses deixaram de ser pobres, o latifúndio foi extinto e a produção de alimentos passou a ter como objetivo satisfazer a fome do povo.

O desemprego acabou, todos tinham moradias dignas, os operários comandavam a economia e definiam o que deveria ser produzido, a riqueza foi distribuída, centenas de universidades foram criadas, a Rússia deixou de ser um país de analfabetos e foi o primeiro país a mandar um homem para o espaço.

O racismo, a xenofobia e qualquer forma de preconceito foram eliminados. Pelo contrário, a União Soviética ajudou vários países africanos e latinos na luta contra o colonialismo europeu e contra as intervenção estadunidenses.

Também foi a União Soviética, através da liderança de Stálin e da luta heróica de seu povo, que derrotou o nazi-fascismo durante a II Guerra Mundial e salvou a humanidade da besta hitlerista.

Diante de tantos feitos, qual a razão do fim da União Soviética?

A primeira coisa a se dizer é que o fim dessa experiência socialista não veio com os erros do socialismo, mas sim, foi resultado de ilusões com o capitalismo. A partir de 1960, assumiu o poder uma camarilha de oportunistas na União Soviética, que passou a realizar reformas capitalistas no país, deixou de lado o internacionalismo proletário e adotou a tática de desenvolver esferas de influência, pensando ser possível a coexistência pacífica entre capitalismo e socialismo, desde que sob uma “guerra fria”, e possibilitando a penetração da ideologia e da propaganda burguesas no país.

Assim, sem essa abertura ao capitalismo promovidas a partir da chegada de Kruschov ao poder, a realidade seria bem distinta.

A segunda questão é que, ao invés de se seguir produzindo o que era necessário para atender às necessidades do povo, como foi feito durante os governos de Lênin e Stálin, passou a ser priorizada a indústria bélica. Também a participação do povo nas decisões foi se reduzindo porque os burocratas que assumiram o poder após a morte de Stálin assim o quiseram.

Desse processo podemos extrair várias lições da Revolução de Outubro na Rússia, mas destacaremos duas:

  1. a) É possível a classe operária conquistar o poder e realizar uma revolução que destrua o Estado burguês e construa o poder popular e o socialismo; b) Que não se pode fazer concessões com a burguesia. Se fizer antes da conquista do poder, tira do povo a possibilidade de vitória da Revolução; se fizer depois, abre a possibilidade de perder o poder conquistado com a Revolução.

Do ponto de vista da classe trabalhadora, não há nada mais atual que lutar pela Revolução Socialista. O capitalismo se tornou um entrave no desenvolvimento da humanidade em todos os aspectos. O desenvolvimento das forças produtivas já é infinitamente superior ao modo de produzir capitalista, a consequência da sua continuidade é toda essa miséria e desgraças que vemos: guerras de rapina, desumanização dos seres humanos e superconcentração de riquezas nas mãos de uma minoria insignificante de pessoas.

Os oito homens mais ricos do mundo possuem a mesma riqueza que metade de humanidade, segundo dados da ONG Oxfam. Esta entidade já havia feito a mesma pesquisa em 2016, concluindo que os 62 mais ricos do mundo eram donos da mesma riqueza de metade da humanidade. Ou seja, o número passou de 62 para oito em apenas um ano e em plena crise econômica do capitalismo.

Já a fome aumentou. Segundo a insuspeita ONU, o número de pessoas que sofrem com insegurança alimentar grave cresceu 35% entre 2015 e 2017. Passou de 80 milhões para 108 milhões de pessoas.

Como explicava Karl Marx em O Capital, “a acumulação de riqueza num dos pólos determina no pólo oposto, no pólo da classe que produz o seu produto como capital, uma acumulação igual de miséria, de tormentos, de trabalho, de escravidão, de ignorância, de embrutecimento e de degradação moral”.

No caso do Brasil não é diferente. O desemprego atinge mais de 14 milhões de pessoas e, se incluirmos os que deixaram de procurar trabalho, esse número ultrapassa 25 milhões de pessoas. Segundo a Oxfam, em nosso país, as seis pessoas mais ricas possuem a mesma riqueza que 100 milhões de brasileiros, ou seja, de metade da população.

Além disso, os banqueiros através do Governo Temer, têm destruído o que resta dos direitos da classe trabalhadora e condenado o povo à total degradação social. Portanto, não há outra saída para a classe trabalhadora senão lutar de maneira decidida contra o capitalismo, a burguesia e seu Estado.

A experiência da Revolução Russa, em todos os seus aspectos, é atual e necessária, deve ser ensinamento e inspiração para o proletariado brasileiro e mundial, pois ilumina o caminho a seguir para acabar com o sofrimento, o desemprego, a miséria e alcançar a liberdade e a felicidade: conquistar o poder, socializar os meios de produção, destruir o Estado burguês e construir o poder popular e o socialismo.

“Nós começamos esta obra. Quando precisamente, em que prazo os proletários de qual nação culminarão esta obra – é uma questão não essencial. O essencial é que se quebrou o gelo, que se abriu caminho, que se indicou a via.” (Lênin)

Magno Francisco, professor e militante da Unidade Popular

Read More
Share Há 100 anos, a Revolução Russa nos indicava o caminho on Facebook Tweet Há 100 anos, a Revolução Russa nos indicava o caminho! Bookmark Há 100 anos, a Revolução Russa nos indicava o caminho on StumbleUpon Digg Há 100 anos, a Revolução Russa nos indicava o caminho! Bookmark Há 100 anos, a Revolução Russa nos indicava o caminho on Delicious Bookmark Há 100 anos, a Revolução Russa nos indicava o caminho on Mixx Bookmark Há 100 anos, a Revolução Russa nos indicava o caminho on Reddit

A Revolução Socialista Russa de 1917

Um trem chega a Petrogrado. Uma multidão de operários, soldados e marinheiros espera um homem. Sua irmã, Maria, e sua amiga Alexandra Kollontai¹ abraçam-no. Tcherkheidze, líder menchevique, saúda-o em nome do Soviete de Operários e Soldados de Petrogrado. Ele dá-lhe pouca atenção. Sobe em um banco e dirige-se à multidão: “Caros camaradas, soldados, marinheiros e operários, eu os saúdo em nome da Revolução Russa, vanguarda do exército proletário mundial. Não está longe a hora em que os povos voltarão suas armas contra os capitalistas, seus exploradores. A revolução feita por vocês abriu uma nova época”. Silêncio atento. Ele prossegue, referindo-se à guerra imperialista (1ª Guerra Mundial em que a Rússia está envolvida): “Abaixo a guerra assassina e odiada. Paz imediata!”. A multidão ovaciona. A partir daquele instante, reconhece o seu verdadeiro líder, o líder maior da revolução, Lênin. Era o dia 16 de abril de 19172.

O capitalismo começou a desenvolver-se na Rússia mais tarde que em outros países da Europa e sob a dependência destes. Internamente, a burguesia se formou a partir do latifúndio e em aliança com ele.

A monarquia czaristaaboliu o regime de servidão no campo em 1861, mas, na prática, a submissão continuou, uma vez que os camponeses pobres não tiveram garantida a posse da terra; foram expulsos ou obrigados a fazer “parcerias” em que os donos da terra nada investiam e recebiam geralmente metade da colheita. Para as revoltas, a repressão permanecia brutal, intocável, mantidos os castigos corporais, inclusive.

Apesar desses limites, a indústria cresceu rapidamente. De 1865 a 1869, o número de operários dobrou (de 706 mil para 1,433 milhão). No final da década de 1890, era de 2,792 milhões, com a industrialização atingindo 50 províncias.

Movimento operário e marxismo: fusão decisiva

O crescimento da classe operária, aliado à manutenção de péssimas condições de trabalho, salários baixos, superexploração de homens, mulheres e crianças não tardou a provocar mobilizações reivindicatórias. Nasceram as primeiras organizações operárias.

Nessa mesma época, surgiram também as primeiras organizações marxistas, os círculos, compostos por intelectuais que traduziam, comentavam e divulgavam as obras marxistas. Um dos seus integrantes, Vladimir Ilitch Ulianov (Lênin. A Verdade nº 49), um jovem advogado, compreendeu que era necessário fundir o marxismo com o movimento operário, e os operários mais avançados deviam fazer agitação entre as massas, combinando as reivindicações econômicas (salários, condições de trabalho) com as políticas (derrubada do czarismo). Lênin dizia que “teoria não é dogma e sim guia para a ação”. Utilizando o método dialético (marxista), ele estudou profundamente a realidade russa e a evolução do capitalismo no período posterior à morte de Marx e Engels e concluiu que, em vez de se dar no centro do sistema, a revolução socialista poderia começar pelos países atrasados e dependentes, como a Rússia, os chamados elos fracos da corrente imperialista.

A União de Luta pela Emancipação da Classe Operária, reunindo intelectuais e operários avançados, concretizou a fusão preconizada por Lênin; o movimento operário foi se fortalecendo até passar a intervir diretamente na vida política do país. Em 1898, realizou-se o congresso de fundação do Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR).

As Jornadas de 1905

Em 9 de janeiro de 1905, 140 mil operários ocuparam as ruas centrais de São Petersburgo3, concentrando-se pacificamente em frente ao palácio imperial para apresentar reivindicações de leis que possibilitassem a melhoria de suas condições de vida e trabalho. A resposta foi uma fuzilaria que vitimou cerca de mil manifestantes. Não houve recuo. As greves se alastraram por todo o país, resultando num avanço organizativo sem precedentes com a criação dos sovietes, conselhos representativos de toda a classe em nível de um município, de uma província, de uma região.

O ano de 1905 foi também de muita agitação no campo. Os camponeses pobres marcharam espontaneamente sobre a propriedade dos latifundiários, destruindo bens e se apossando dos grãos. A rebelião grassou também entre os militares, especialmente os marinheiros, registrando-se em junho a sublevação do Encouraçado Potemkin (navio de guerra).

Em 1905, os bolcheviques compreendiam que a revolução em curso na Rússia era de caráter burguês, mas a burguesia não tinha condições de levá-la a cabo, cabendo, pois, ao proletariado converter-se em dirigente do movimento revolucionário, aliando-se aos camponeses pobres e recusando qualquer tipo de acordo com a burguesia. Os mencheviques entendiam, ao contrário, que sendo a revolução de caráter democrático-burguês, a burguesia é que deveria dirigi-la.

No outono de 1905, o movimento revolucionário já se estendia a todo o país. Em outubro, uma greve geral atinge toda a Rússia, envolvendo um milhão de operários. Os sovietes multiplicaram-se. A luta camponesa aguçou-se. Os marinheiros sublevaram-se. Os bolcheviques conclamaram as massas à insurreição armada.

A insurreição desencadeou-se em Moscou, logo que o czar determinou a dissolução dos sovietes e a prisão dos líderes bolcheviques. A greve geral não se estendeu a toda a Rússia, o que facilitou a repressão. Outras regiões se lançaram também às armas, mas o exército imperial dominou-as e, em 1907, tinha fim o movimento revolucionário.

Na clandestinidade, os bolcheviques passaram, nessa fase de refluxo, a utilizar todas as possibilidades legais de ação, como as associações de socorro mútuo e a própria Duma (parlamento controlado pelo czar).

Em 1912, o movimento operário já promove greves em todo o país, de caráter econômico e político, e os camponeses também retomam suas lutas contra os latifundiários. Os sovietes proliferam. Os bolcheviques multiplicam as organizações do partido e criam um jornal diário, dirigido por Josef Stálin,chamadoPravda (A Verdade), com tiragem de 40 mil exemplares, que se torna instrumento de informação e orientação dos operários de todo o país.

1ª Guerra Mundial

No dia 1º de agosto de 1914, a Alemanha declara guerra à Rússia e o governo de Nicolau II decreta a mobilização geral. Trava-se uma guerra entre blocos de potências imperialistas pela divisão do mundo, cada uma querendo uma fatia maior. De um lado, Alemanha e Áustria; do outro, Inglaterra, França e Rússia. O partido da burguesia liberal (os kadetes), os socialistas-revolucionários (partido camponês) e os mencheviques, de pronto, uniram-se ao czarismo para “defender a pátria”.

O Partido Bolchevique, desde o início posicionou-se firmemente no sentido de que os operários e os camponeses deveriam lutar contra essa guerra, pois não se tratava de patriotismo, e sim de imperialismo, de dominação dos povos mais fracos. A palavra de ordem bolchevique foi a de transformar a guerra imperialista em guerra civil, isto é, os soldados operários e camponeses deveriam voltar as armas contra as burguesias de seus países, derrubando-as do poder.

A perseguição policial aos bolcheviques foi intensa. Todos os deputados bolcheviques que votaram na Duma contra os créditos de guerra foram presos.A guerra foi um desastre para a Rússia. Não poderia ser diferente, pois na frente de batalha havia um exército de operários e camponeses famintos, nus, descalços e sem motivação, pois estava claro que aquela guerra não era do seu interesse. A economia estava em crise profunda. Fábricas paradas, produção agrícola em decadência. Diminuíam as riquezas da burguesia e os trabalhadores estavam a cada dia mais imersos na fome, na miséria, no sofrimento.

O ódio e a indignação tomam conta dos operários, camponeses pobres e soldados, que se conscientizaram de que para viver precisavam de pão, terra e paz.  O czar Nicolau II está isolado porque a burguesia se descontenta e prepara um golpe palaciano para derrubá-lo.

Os operários também querem derrubar o imperador, mas seus métodos são outros.O ano de 1917 começa com a retomada de grandes greves e manifestações de massa que ganham a cada dia novos adeptos.

Jornadas de Fevereiro na Rússia

O período de 22 a 27 de fevereiro(07 a 12 de março no calendário atual) é de convulsão em todo o país. No dia 26 (11 de março), os operários de Petrogrado recebem o apoio de um batalhão do exército, que abre fogo contra a guarda imperial quando ela vai dissolver uma manifestação. No dia seguinte, os operários se armam e mais soldados se sublevam. O czarismo está morto. A Revolução de Fevereiro teve, de fato, como base os sovietes de operários e soldados. Eles eram os órgãos do poder popular.

O proletariado fez a revolução, mas a burguesia (kadetes), os latifundiários aburguesados e a pequena-burguesia (socialistas-revolucionários e mencheviques) é que assumiram o poder, instalando um Governo Provisório sem levar em consideração os sovietes. Estes, entretanto, constituíram um governo paralelo, estabelecendo-se uma dualidade de poderes.

Cinco dias depois da Revolução de Fevereiro, o Pravda volta a circular abertamente, buscando esclarecer os operários e os camponeses de que o governo provisório burguês representa a continuidade da guerra imperialista e da mesma política de exploração e fome adotada pelo czarismo.

Não foi um trabalho difícil. O Governo Provisório permanecia surdo às reivindicações do povo e definiu a continuidade da Rússia na guerra. Foi neste clima que Lênin desembarcou em Petrogrado.

No dia 16 de junho, reuniu-se o I Congresso dos Sovietes de Toda a Rússia, no qual os bolcheviques ainda eram minoria. Mas em Petrogrado, o maior centro industrial do país, a predominância das ideias bolcheviques entre o povo já era evidente. Prova disso é que, no dia 18, 400 mil manifestantes desfilaram pelas ruas centrais da cidade, proclamando: “Abaixo a guerra! Abaixo os ministros capitalistas! Todo o Poder aos Sovietes!”.

Nos dias seguintes, o Governo Provisório determinou a repressão às massas e a prisão dos líderes bolcheviques. Lênin, mais uma vez, ingressou na clandestinidade.

O VI Congresso do Partido Bolchevique, realizado clandestinamente de 26 de julho (8 de agosto) a 3 de agosto (16 de agosto), avaliou que não havia mais condições de continuar a luta pacífica e já se tinha acumulado forças suficientes para a insurreição armada.

As forças burguesas ameaçaram esmagar a sangue e fogo qualquer tentativa de movimento revolucionário. A seguir, Kerenski (ministro social-revolucionário) incentivou um golpe planejado pelo general Kornilov, mas retirou seu apoio quando soube que não haveria espaço para ele e seria instaurada uma ditadura militar.

A derrota do golpe foi, entretanto, mérito exclusivo dos operários, soldados e marinheiros rebeldes. O episódio fortaleceu a influência bolchevique nas massas dos grandes centros e logo os sovietes de Petrogrado e Moscou contavam com maioria revolucionária.

Outubro: dez dias que abalaram o mundo

Entre a decisão do Comitê Central do Partido Bolchevique e a tomada do poder, foram dez dias de muita movimentação, definição de estratégia e tática militares, mobilizações, divisão de tarefas. Em meados de outubro, Lênin havia chegado a Petrogrado clandestinamente e comandava pessoalmente todos os preparativos.

O levante armado começou no dia 24 de outubro (6 de novembro) com a ocupação dos órgãos de imprensa da capital. A 25 de outubro (7 de novembro), as tropas revolucionárias ocuparam tranquilamente os correios e telégrafos, os ministérios, o Banco do Estado e cercaram o Palácio do Inverno. Aí, ainda se esboçou alguma resistência, resolvida rapidamente com a chegada do Cruzador Aurora, comandado pelos marinheiros de Kronstadt.

Uma nova era começava. Na mesma noite, instalou-se o II Congresso dos Sovietes de Toda a Rússia com maioria bolchevique. Lunachárski, dirigente bolchevique, leu uma proposta redigida por Lênin e aprovada pelo Pleno do Congresso: “Apoiando-se na vontade da enorme maioria dos operários, soldados e camponeses,o congresso toma o poder nas suas mãos”.

Enquanto isso, reunido com o Centro do Partido, órgão que dirigiu a insurreição vitoriosa, Lênin declarava: “Comecemos imediatamente a edificação do socialismo!”.

Luiz Alvesadvogado

 

¹ Alexandra Kollontai, ministra do governo bolchevique e escritora. Autora de A Nova Mulher e a Moral Sexual.

²O calendário russo era diferente do ocidental. De acordo com ele, a Revolução Socialista ocorreu no dia 25 de outubro. Em janeiro de 1918, foi aprovado o uso do calendário ocidental. Assim, continuou a denominação Revolução de Outubro, mas sua comemoração ocorre em 7 de novembro, de acordo com o novo calendário.

³Fundada pelo czar Pedro, o Grande, em 1703, São Petersburgo teve o nome alterado para Petrogrado. A partir de 1924, o nome mudou novamente para Leningrado, em homenagem ao grande líder da Revolução Bolchevique. Com a retomada do poder pela burguesia imperialista, a cidade voltou, em 1991, a se chamar São Petersburgo.

Read More
Share A Revolução Socialista Russa de 1917 on Facebook Tweet A Revolução Socialista Russa de 1917! Bookmark A Revolução Socialista Russa de 1917 on StumbleUpon Digg A Revolução Socialista Russa de 1917! Bookmark A Revolução Socialista Russa de 1917 on Delicious Bookmark A Revolução Socialista Russa de 1917 on Mixx Bookmark A Revolução Socialista Russa de 1917 on Reddit

A Revolução Russa e a transformação na Educação

Em Petrogrado, então capital do decadente Império Russo, milhares de operários, camponeses e soldados, sob a direção política do Partido Bolchevique, tomaram o poder na Rússia em 1917 e instauraram um novo regime político e passaram à construção do socialismo, no qual todas as riquezas passaram a pertencer ao povo. Contudo, a revolução não pode ser vista apenas como um evento limitado àquela data de 25 de outubro (7 de novembro), mas sim como um processo que teve recuos e ápices, antes e depois. Um exemplo disso foi a educação e a ciência, pois, por séculos, a maioria dos russos e demais nacionalidades tiveram negado o direito à formação acadêmica e profissional, sem contar que, mesmo com mentes brilhantes vivendo em solo russo, os incentivos à ciência eram irrisórios.

Isso não ocorreu por acaso. Para manter sob as mais duras rédeas e condições 100 milhões de russos, ucranianos, cazaques, finlandeses, uzbeques, poloneses, armênios, entre outras nacionalidades, o czarismo negava qualquer tipo de incentivo à educação, visando a manter na ignorância e no obscurantismo milhões de indivíduos. As poucas universidades e centros de educação eram mantidos pela Igreja Ortodoxa, aliada do czar, que perseguia as lideranças, fossem estudantes ou professores, que questionassem a ordem vigente. Muitos camponeses, em pleno século 20, ainda acreditavam que o czar Nicolau II fora escolhido por intervenção divina como “líder” do país. Essa mentalidade precisava ser combatida com um gigantesco processo de educação popular tanto nas cidades quanto no campo.

Grandes nomes na área da ciência e da educação, como o do fisiologista Ivan Pavlov, e do psicólogo Lev Vygostky, foram financiados pelo Estado após a revolução, com suas pesquisas sendo destinadas ao bem comum da sociedade, não para enriquecimento individual. A grande mentora deste novo modelo de educação e ciência na Rússia Soviética foi a educadora comunista NadezhdaKrupskaya que, muito antes da Revolução de Outubro, já vinha fazendo um enorme trabalho de alfabetização de operários e soldados, seguindo um modelo que fez sucesso entre milhares de pessoas, no qual aqueles que obtinham sucesso na alfabetização tinham, como única condição de contrapartida, a tarefa de ajudar os demais colegas nesse processo de educação popular.

Educação gratuita

Krupskaya entrou para a história como uma das primeiras mulheres a ocupar um alto cargo de Estado, a de comissária do Povo de Instrução Pública, equivalente ao cargo de ministra da Educação. Sua formação em Pedagogia a ajudara na elaboração de um projeto de ensino formador e emancipador, definindo as bases do novo sistema educacional. Teve artigos publicados no jornal Pravda (A Verdade), em meados de 1917, nos quais abordava a importância da juventude na construção do socialismo. A União Soviética, em pouco tempo, não apenas erradicou o analfabetismo a índices decimais, como também se tornou o primeiro Estado a garantir educação gratuita e com amplo acesso, desde a creche até a universidade.

O lema “Que aquele que sabe ler e escrever ensine àquele que não sabe” era a diretiva repassada às instituições de ensino e distritos do imenso território soviético. Comissões de acompanhamento e orientação foram criadas, como a Comissão Extraordinária de Eliminação do Analfabetismo, em 1920. Além disso, para a industrialização que o país necessitava, desde os transportes até a eletrificação, apenas a formação profissional dos operários e da juventude era capaz de tornar vitoriosa a construção da indústria socialista. A NEP, e depois os planos quinquenais, foram a sequência de um projeto econômico que tinha a educação como principal aliada. A planificação da economia, em substituição à antiga anarquia capitalista da produção, era essencial ao funcionamento do país, no qual o ensino politécnico, ligando a teoria à prática, era a base educacional deste projeto.

Ao camponês, a distribuição das terras e a extinção do latifúndio não poderiam ser consideradas como o fim dos conflitos agrários. Para o fortalecimento da consciência de classe dos trabalhadores do campo, fez-se necessário não apenas alfabetizar, como também construir mecanismos de formação profissional e incentivo econômico aos pequenos agricultores e cooperativas de camponeses. Enquanto que, no czarismo, eles tinham suas plantações roubadas e suas vidas constantemente ameaçadas, no socialismo o Estado se punha como protetor e como financiador do trabalho do camponês. O acesso às escolas politécnicas, a fabricação em larga escala de tratores e a promoção da cultura, com a instalação de cinemas nos mais remotos vilarejos, são exemplos da intervenção do Estado na melhoria das condições de vida do povo do campo.

Uma nova mentalidade nas escolas

Nas cidades, grandes universidades foram erguidas, pois dali sairiam professores, engenheiros, médicos, advogados, psicólogos, biólogos, filósofos, antropólogos, entre outros, todos comprometidos com a sociedade a que pertenciam, comprometidos com o seu próprio povo, recebendo uma educação de alta qualidade, com todos os direitos garantidos, desde o transporte gratuito aos estudantes até a garantia da alimentação e da moradia. Totalmente diferente é a mentalidade no sistema de educação capitalista, o qual apregoa o acesso à universidade como uma forma de promoção individual, no qual o conhecimento ali adquirido servirá para enriquecimento pessoal e/ou das empresas que o contratarão.

O sistema de educação socialista, na URSS, foi, é e será referência a todos os povos que lutam contra as grandes lacunas existentes de profissionais preparados para enfrentar os desafios dos mais diversos ramos. A derrota da Alemanha Nazista, uma potência mundial, foi fruto do esforço e do sacrifício de dezenas de milhões de homens e mulheres soviéticas nas frentes de batalha. Contudo, as modernas armas, os modernos transportes e a moderna tecnologia, todas socialistas, foram essenciais na derrota da besta nazista na Segunda Grande Guerra. Tudo isso foi possível graças às grandes realizações no campo da educação e da ciência, realizadas pela juventude e pelos trabalhadores soviéticos profundamente ligados à construção do socialismo, com a edificação da sua própria pátria, defendendo-a de todas as formas possíveis, mantendo viva a chama da liberdade.

Matheus Nascimento, Belém

Read More
Share A Revolução Russa e a transformação na Educação on Facebook Tweet A Revolução Russa e a transformação na Educação! Bookmark A Revolução Russa e a transformação na Educação on StumbleUpon Digg A Revolução Russa e a transformação na Educação! Bookmark A Revolução Russa e a transformação na Educação on Delicious Bookmark A Revolução Russa e a transformação na Educação on Mixx Bookmark A Revolução Russa e a transformação na Educação on Reddit

Comunicado Político PCR – Bolívia

Internacional

Na atual conjuntura, as contradições interimperialistas se intensificam. O bloco da União Europeia/EUA mostra seu caráter belicista em conflitos armados no Oriente Médio ao financiar grupos terroristas com a intenção de controlar os recursos naturais. As condições de vida desesperadas para as classes populares na Europa e nos Estados Unidos levaram ao fortalecimento das tendências fascistas, xenófobas, racistas e chauvinistas. A clara expressão desse fenômeno é Donald Trump.

O poder financeiro do emergente bloco imperialista (China/Rússia) é reforçado por empréstimos e ciclos de dívida externa, buscando ainda a depreciação do dólar. Esse bloco, apesar de sua história, é tão capitalista e imperialista como o bloco da Otan.

Na América Latina, os desastres naturais nas últimas semanas têm nos mostrado o valor da solidariedade e da organização popular ante a ineficiência dos governos capitalistas, com destaque para México e Cuba nos esforços populares de reconstrução.

 

Nacional

Na Bolívia, após 11 anos de governo, o MAS começa a experimentar os efeitos negativos dos preços internacionais das matérias primas (hidrocarbonetos e minerais) sobre nossa economia, supostamente “blindada”. Podemos observar as reduções nos orçamentos municipais, departamentais e universitários; da mesma forma, a taxa de crescimento do PIB não atinge 4,5%, sendo o menor crescimento nos últimos sete anos. Além disso, soma-se a esse fato a Lei de Incentivos à Exploração, que entrega 12% do IDH (Imposto Direto sobre Hidrocarbonetos) às empresas transnacionais em troca da exploração de hidrocarbonetos.

Dentro do MAS, Evo Morales ainda desempenha um papel semibonapartista ao buscar o consenso entre as diferentes facções da burguesia e, apesar de sua derrota eleitoral, ainda mantém uma forte base social entre setores populares, cujas condições de vida melhoraram com as políticas de redistribuição econômica. Devemos demonstrar ao povo boliviano que, diante da falsa dicotomia entre governismo e oposição burguesa, a solução é organizar a alternativa popular.

Os escândalos de corrupção dentro das fileiras oficiais são cotidianos, levando a uma deslegitimização das forças sociais que compõem o governo. Um exemplo claro é o prefeito de Achacachi, acusado de corrupção, defendido e apoiado pelo oficialismo ante a mobilização popular contra ele. No entanto, embora o MAS mantenha sob seu controle corporativo as organizações matrizes do movimento popular, há surtos de rebeldia e tentativas de recuperar a independência sindical. Em resposta a protestos sociais (ainda regionais, mas com tendência a uma maior articulação) o Estado responde com crescente repressão, judicialização e criminalização. Esta reação será reforçada quando o novo Código Penal for aprovado. Em face às ameaças e às crescentes tendências autoritárias, devemos manter nossa vigilância revolucionária e tomar as medidas de segurança necessárias.

Nas eleições, a derrota de 21-F (21 de fevereiro de 2016, data do referendo em que Evo perdeu a possibilidade de recandidatar-se a presidente) levou o MAS ao desespero, cuja principal tarefa tornou-se permitir “constitucionalmente” Evo a uma futura re-(re)-eleição, apresentando o recurso de inconstitucionalidade abstrata contra a própria Constituição. Enquanto isso, a oposição burguesa não apresenta uma alternativa ao país e limita-se a manter seus espaços de poder regionais.

No caso das próximas eleições judiciais, é claro que “democratizar” a nomeação das altas autoridades judiciais não transforma o apodrecido Poder Judiciário que está a serviço das classes dominantes e do governo de plantão. Chamamos a expressar a rejeição popular ante o autoritarismo, a corrupção e a prorrogação mediante o voto nulo.

Em relação aos projetos atuais, o governo do MAS mantém sua visão de desenvolvimento extrativista e monoprodutor. Apesar do discurso “pachamamista”, ele impulsiona os megaprojetos como a estrada através do TIPNIS e as represas Bala-Chepete, entre outros. Este modelo desenvolvimentista está ligado a compromissos com organismos financeiros internacionais, com os quais o país tem hoje uma relação de dívida externa/PIB superior a 42%. Cabe destacar que esses projetos refletem uma visão da opressão nacional e do colonialismo interno (tanto do Estado quanto da Igreja) que atentam contra o direito à autodeterminação dos povos e nações indígenas, impondo uma visão externa de desenvolvimento.

Em termos acadêmicos, a Universidade Boliviana está em crise devido à falta de recursos econômicos, à má gestão e aos grupos de poder internos. Os processos de credenciamento e autoavaliação são uma tentativa de impor a visão ideológica dominante e reduzir o conteúdo crítico das carreiras. Devemos lutar para recuperar o papel da Universidade, em todos os aspectos, em relação às lutas sociais das maiorias exploradas.

O governo atual também não mostra nenhuma tentativa de combater o machismo que se manifesta com um feminicídio a cada três dias, além de outras formas de violência. Por outro lado, a questão do aborto não será resolvida pelo projeto de Código Penal, mantendo e causando a morte de centenas de mulheres por ano nas mãos dos abortistas clandestinos que estão lucrando, livres e “inocentes”.

Os comunistas bolivianos têm a árdua tarefa de continuar avançando na consolidação do Partido Comunista Revolucionário, estabelecer e fortalecer nossas frentes de massa no trabalho sindical, estudantil e de gênero, redobrar os esforços de formação política e da imprensa revolucionária sob a orientação de construir uma força de vanguarda que lute pela Revolução Socialista.

 

La Paz, 23 de setembro de 2017

BIRÔ POLÍTICO DO PCR

Read More
Share Comunicado Político PCR – Bolívia on Facebook Tweet Comunicado Político PCR – Bolívia! Bookmark Comunicado Político PCR – Bolívia on StumbleUpon Digg Comunicado Político PCR – Bolívia! Bookmark Comunicado Político PCR – Bolívia on Delicious Bookmark Comunicado Político PCR – Bolívia on Mixx Bookmark Comunicado Político PCR – Bolívia on Reddit

Dirigente do PCR argentino sofre atentado a tiros

A companheira Julia Rosales, dirigente do Partido Comunista Revolucionário (PCR) da Argentina, recebeu três tiros de um homem quando chegava em sua casa, na tarde do último dia 28 de agosto. Foram cinco disparos, dois acertaram seu peito e um, seu joelho. Ela permanece internada, mas sem perigo de morrer. Mais tarde, o carro de seu companheiro, Mario Segovia, dirigente nacional do PCR, foi destruído ainda não se sabe em que condições.

Julia é uma das principais lideranças da Corrente Classista e Combativa (CCC), organização que integra o Conselho de Economia Popular estabelecido pela lei de Emergência Social. Sua atividade estava concentrada, no último período, na campanha “Nenhum menino a menos para a droga”.

Em comunicado, o Grupo Memória, Verdade e Justiça destacou que “este fato acontece a pouco mais de um mês do desaparecimento forçado de Santiago Maldonado e que este atentado não está à margem do clima de ameaças e agressões a dirigentes sociais e políticos que se repetem na Argentina e que favorecem as ações repressivas do governo de Macri, indispensáveis para aprovar seus planos de ajuste, pobreza e entreguismo”.

Desaparecimento de Santiago Maldonado

O comunicado clama ainda pelo “respeito às terras dos camponeses pobres e originários, pela imediata liberdade dos presos políticos e pela aparição com vida dos desaparecidos”. No dia 1° de agosto, o jovem Santiago Maldonado, de 28 anos, desapareceu após ser perseguido pela Polícia Nacional argentina numa repressão à manifestação da comunidade mapuche no sul do país, na província de Chubut.

Em 1º de setembro, completando um mês de seu desaparecimento, milhares de pessoas protestaram na Praça de Maio, em Buenos Aires, exigindo que Santiago seja localizado com vida pelo Governo.

Read More
Share Dirigente do PCR argentino sofre atentado a tiros on Facebook Tweet Dirigente do PCR argentino sofre atentado a tiros! Bookmark Dirigente do PCR argentino sofre atentado a tiros on StumbleUpon Digg Dirigente do PCR argentino sofre atentado a tiros! Bookmark Dirigente do PCR argentino sofre atentado a tiros on Delicious Bookmark Dirigente do PCR argentino sofre atentado a tiros on Mixx Bookmark Dirigente do PCR argentino sofre atentado a tiros on Reddit

Vida de Hamma Hammami corre pergio na Tunísia

DECLARAÇÃO SOBRE A RETIRADA DA GUARDA PRESIDENCIAL PARA HAMMA HAMMAMI
PRESIDENTE DA FRENTE POPULAR DA TUNÍSIA
A Frente Popular na Tunísia, liderada pelo camarada Hamma Hamami, tem sido objeto de recentes ataques terroristas, patrocinados pelos islamitas. Esses ataques causaram a morte de dois ilustres líderes da Frente, CHOKRI BELAID e MOHAMED BSAHMI. Como medida de precaução, a Presidência da República da Tunísia decidiu designar guarda-costas a Hamma Hammami, porta-voz da Frente.
Contra todas as probabilidades, o governo vem agora, sem explicação ou motivo, retirar esses guardas em um período de intensas lutas políticas em que a Frente Popular trabalha pela constituição de uma ampla coalizão que comporta de marxistas a destourianos para vencer os islamitas nas próximas eleições. A ameaça é evidente quando se lembra dos covardes assassinatos dos líderes políticos desta Frente pelos islamitas.
Diante da ameaça de morte de seu marido, Radhia Nasraoui, célebre ativista dos Direitos Humanos, iniciou uma greve de fome para exigir que seja restaurada a guarda presidencial atribuída a Hamma Hammami.
RADHIA NASRAOUI, que iniciou esta greve de fome, já fez longas greves sob a ditadura de Ben Ali, da qual ainda traz vestígios. Sua vida está, portanto, em perigo, bem como a do camarada HAMMA HAMMAMI.
O Partido Comunista Revolucionário da Costa do Marfim (PCCRI), que acompanha de perto a situação na TUNÍSIA:
– Saúda a coragem da camarada RADHIA NASRAOUI, apoia a Frente Popular da Tunísia e o seu Líder HAMMA HAMAMI na sua luta pelas liberdades e pela democracia na Tunísia
– Solicita a reintegração da guarda presidencial atribuída ao camarada HAMMA HAMMAMI
– Solicita ao Presidente da TUNISIA que a proteção de todos os líderes da Frente seja efetivamente assegurada.
– Responsabiliza o governo tunisino pelo estado de saúde da camarada RADHIA NASRAOUI.
Abidjan, 21 de agosto de 2017
Pelo PCRCI
Ekissi Achy Secretário-Geral
Read More
Share Vida de Hamma Hammami corre pergio na Tunísia on Facebook Tweet Vida de Hamma Hammami corre pergio na Tunísia! Bookmark Vida de Hamma Hammami corre pergio na Tunísia on StumbleUpon Digg Vida de Hamma Hammami corre pergio na Tunísia! Bookmark Vida de Hamma Hammami corre pergio na Tunísia on Delicious Bookmark Vida de Hamma Hammami corre pergio na Tunísia on Mixx Bookmark Vida de Hamma Hammami corre pergio na Tunísia on Reddit