Karl Marx vive!

Trabalhadores comemoram bicentenário de Karl Marx em todo o mundo

Neste ano, em 5 de maio, completam-se 200 anos do nascimento de Karl Marx, dirigente do proletariado que edificou uma concepção científica e revolucionária da sociedade, destacado pensador da história da humanidade.

Lênin explica que as fontes da teoria científica de Marx foram o Socialismo Utópico Francês, a Filosofia Clássica Alemã e a Economia Política Inglesa. A partir da crítica a estas correntes de pensamento, Marx construiu uma interpretação científica da sociedade que o conduziu a reconhecer a classe operária como dirigente de um processo revolucionário que deverá conduzir à ditadura do proletariado. Marx formulou a concepção materialista da história na qual identificou a base da sociedade com as relações sociais de produção, relações sobre as quais se sustentam as ordens jurídica, política e ideológica. Nem as normas que regulam a vida social, nem a forma como se exerce o poder (a forma do Estado), nem a maneira em que os indivíduos representam a realidade (a ideologia) podem explicar-se por si mesmas, mas são definidas a partir da base econômica, sendo consistente com ela no sentido em que contribuem para sua reprodução.

Em sua obra O Capital, Marx analisou em profundidade a base econômica da sociedade capitalista partindo da teoria do valor do trabalho da economia política inglesa. De maneira rigorosa localizou a origem da mais-valia na exploração da força de trabalho, desvelando assim a ganância do capital como apropriação de trabalho alheio. Estudou os processos de acumulação e centralização de capital demonstrando que, durante o desenvolvimento do modo de produção capitalista é inerente a concentração da riqueza e a deterioração cada vez maior das condições de vida e de trabalho da classe operária, assim como o incremento do desemprego e do grau de exploração da força de trabalho.

Nesta obra, Marx esclareceu a origem e o futuro do sistema capitalista e provou que a acumulação originária de capital se fundou na apropriação, no saque, na conquista, na fraude e na violência reacionária, elementos com os quais se sustenta até agora esse regime. Demonstrou também que o capitalismo corresponde unicamente a uma etapa do desenvolvimento histórico da humanidade; explicou as crises econômicas e apontou as contradições próprias desse sistema, que irá se resolver com a transformação revolucionária da sociedade, com a construção do socialismo e a ditadura do proletariado na perspectiva da construção do comunismo.

Marx entendeu o estudo e a reflexão teórica da realidade, não como um fim em si mesmo, mas como elementos para sua transformação consciente, daí a crítica a Feuerbach na tese “Os filósofos não fizeram senão interpretar de diversas maneiras o mundo, mas se trata é de transformá-lo”. De maneira consequente, uniu o seu trabalho científico à sua prática política. Em 1847, ingressou com Frederich Engels na Liga dos Comunistas, sendo encarregado de redigir o Manifesto do Partido Comunista, em 1848. Em 1864, participou da fundação da Associação Internacional de Trabalhadores.

As teses políticas, econômicas e filosóficas de Marx, e do marxismo-leninismo em geral, não são apenas vigentes, mas constituem a base fundamental para compreender o presente e transformá-lo de acordo com os interesses históricos da classe operária.

Faz já dois séculos que este homem abriu o caminho que devia seguir o proletariado mundial para alcançar sua libertação. Karl Marx assentou as bases do comunismo mundial ao descobrir as contradições do capitalismo através de suas diferentes obras, sendo mais que um filósofo, um militante comunista ativo de uma ideologia nascente, mas bem cimentada sobre a análise das condições materiais da sociedade capitalista. Assim, a teoria e a prática do marxismo são as ferramentas mais eficazes para a conquista da revolução socialista, questão compreendida por uma parte da juventude; porém, outra grande parte cai nas garras de filosofias subjetivas e idealistas, do anarquismo e da socialdemocracia. Por isso, é fundamental a divulgação e propagação da verdadeira teoria de Marx e Engels, formarmos politicamente e ideologicamente inúmeros quadros, e difundirmos amplamente o pensamento materialista-dialético nas classes exploradas e assim criar progressivamente o exército proletário-camponês que porá fim ao atual estado burguês e construir o futuro socialista que recomendou o camarada Karl Marx.

Partido Comunista Revolucionário (PCR)

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1º de Maio em Portugal conta com presença da CIPOML

O 1º de Maio em Portugal contou, neste ano, com a divulgação da mensagem da Conferência Internacional de Partidos e Organizações Marxista-Leninistas (CIPOML).

Na cidade do Porto, a segunda maior de Portugal, um panfleto foi distribuído para os manifestantes, e vários contatos foram realizados com militantes e organizações portuguesas.

A nota reivindicava que “1º de Maio é dia de sair às ruas para proclamar nossas demandas contra a exploração e a agressão da burguesia internacional e do imperialismo, e nossa aspiração de um mundo sem classes e sem exploração”.

O ato foi convocado pela Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional (CGTP) e teve como principais reivindicações o aumento do salário mínimo para 650 euros, a redução da jornada de trabalho para 35 horas semanais e o fim dos contratos temporários.

Ao final do evento, todos os presentes entoaram A Internacional, hino da classe operário em todo o mundo.

Da Redação

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1º de Maio contra a exploração e a agressão imperialista!

A todos os operários, mulheres, jovens e nações oprimidas.

 

Irmãos e irmãs,

 

O 1º de Maio é um dia internacional de unidade, luta e solidariedade da classe trabalhadora, é o dia em que levamos às ruas nossas bandeiras e reivindicações contra a exploração capitalista e a agressão imperialista.

Lamentavelmente, no Brasil não podemos falar de muitas mudanças positivas em nossas vidas neste último ano. Ao contrário, trabalhamos mais nas fábricas, lojas, escritórios e no campo, mas nem nossos salários aumentaram nem nossas condições de trabalho e qualidade de vida melhoraram. A maioria de nós luta para chegar até o final do mês com o pouco que ganha. Muitos de nós estão sem emprego há meses. O governo faz de tudo para diminuir o valor da aposentadoria e para aumentar o tempo necessário para nos aposentarmos. Não temos quase nenhum tempo para descansar ou tirar férias. As mulheres trabalhadoras não têm os mesmos direitos que os homens nesse sistema capitalista, que se vale do sistema patriarcal para aumentar sua exploração sobre elas.

A violência contra a mulher, a repressão e a discriminação econômica e política só crescem. A história de que “o futuro pertence à juventude” não passa de palavras vazias. Na verdade, os jovens têm cada vez mais que começar a trabalhar cedo e, por isso, abandonam a escola e temem o futuro que lhes espera.

Em muitos países, incluindo os “democráticos”, o reacionarismo político e a tendência ao fascismo crescem, assim como o racismo e os partidos de extrema-direita.

As liberdades de expressão, de reunião e manifestação, de organização política e sindical, de imprensa, etc., estão sendo restringidas. A corrupção dos governos é um câncer que já não pode ser ocultado. As liberdades democráticas estão sendo cortadas, especialmente na Europa.

Nos países do Leste europeu, os direitos e liberdades democráticas estão por um fio. As mudanças superficiais em países como a Arábia Saudita não mudam em nada essa tendência. Uma das razões pelas quais o reacionarismo político está aumentando é o fato de que cada vez é mais difícil para a burguesia governar e, por isso, esta sente uma maior necessidade de medidas extraordinárias.

A concorrência entre os monopólios capitalistas e entre os países imperialistas que exploram os trabalhadores e saqueiam os recursos naturais dos povos oprimidos está se intensificando. De alguma maneira esta rivalidade se manifesta através de guerras comerciais provocadas pela tendência de Trump ao protecionismo e pelos enfrentamentos militares. A tensão entre os EUA, por um lado, e Rússia, China e Irã, por outro, alimenta as preocupações de uma grande guerra. O mundo já não é unipolar e os Estados Unidos perderam sua hegemonia, mas seguem sendo o país imperialista mais poderoso em termos de presença econômica, política e militar em muitas partes do mundo. Sem dúvida, ainda não surgiu um rival unificado contra os EUA, ainda que existam sinais da formação de alguns blocos nesse sentido. Ao contar com o Reino Unido como aliado, os Estados Unidos buscam impor-se sobre a Europa, mas os países europeus insistem em seus próprios interesses e não aceitam a união sob a batuta dos norte-americanos através de instituições como a Otan.

A Rússia disputa com os s EUA já há algum tempo. A China procura reforçar seu poderio econômico e militar, enquanto evita um confronto aberto. A Alemanha se comporta de forma similar. O “Ocidente” respondeu a dura ação russa na Síria e na Ucrânia expulsando diplomatas russos de seus países e bombardeando a Síria com mísseis após o suposto uso de armas químicas em Duma. Estados Unidos, Reino Unido e França uniram forças contra a Rússia, enquanto a Alemanha se manteve à margem desta coalizão. A Rússia deu um passo atrás e não respondeu aos ataques. A China se limitou a condenar a ação. Estes fatos demonstram que os blocos ainda não se formaram definitivamente, mesmo que as armas sejam usadas com bastante facilidade.

Nos últimos anos, a Síria tem sido o cenário principal da luta pela hegemonia sobre o Oriente Médio e seus campos de petróleo. Atualmente, Estados Unidos, Rússia, Irã, Turquia, Israel, Arábia Saudita, Reino Unido, França e Alemanha mostram sua presença na região com suas próprias forças militares e lutam ferozmente.

No mundo capitalista, a chamada “comunidade internacional” não se preocupa com a enorme quantidade de mortes e refugiados sírios. Só pensam em impedir que esses refugiados entrem em seus países.

Entretanto, este não é um trabalho simples. Devido à pobreza e à guerra, a migração massiva do Oriente Médio, África e Ásia ocidental não pode ser detida. Os refugiados se concentram todos os dias no Mediterrâneo.

O capitalismo mostra sua face cruel em todas as ocasiões, como provam a deterioração das condições de vida e trabalho e a intensificação da exploração, assim como sua preferência pela guerra em lugar da paz.

O 1º de Maio é o dia de sair às ruas para proclamar nossas demandas contra a exploração e a agressão da burguesia internacional e do imperialismo, e nossa aspiração de um mundo sem classes e sem exploração.

O 1º de Maio é o dia de elevar nossas demandas para por fim às guerras e ao saque de recursos naturais dos povos oprimidos.

O 1º de Maio é o dia de gritar mais forte por direitos sociais, redução da jornada de trabalho e melhores salários.

O 1º de Maio é o dia de mostrar nosso poder como força unida de milhares de milhões de trabalhadores contra os capitalistas em todas as partes do mundo.

O 1º de Maio é o dia da unidade, da luta e da solidariedade internacional da classe operária.

Vamos unidos lutar por nossos direitos!

Todos unidos para acabar com a dominação da burguesia!

Viva o 1º de Maio!

Viva a unidade e a luta internacional da classe operária!

Abaıxo o capitalismo e o imperialismo!

 

Conferência Internacional de Partidos e Organizações Marxista-Leninistas (CIPOML)

Partido Comunista Revolucionário (PCR)

 

Fora Temer e o governo dos banqueiros!

Não à intervenção militar!

Sim ao poder popular e ao socialismo!

 

Hoje, em nosso país, os trabalhadores e suas famílias sofrem com o desemprego, a falta de médicos e de leitos nos hospitais, de moradia, com a falta de verbas para a educação e com o elevado custo de vida. Enquanto isso, uma minoria, as classes ricas e seus partidos políticos se locupletam com o dinheiro público no mar de lama da corrupção.

Como se não bastasse, o governo golpista dos banqueiros roubou vários de nossos direitos com a Reforma Trabalhista e quer acabar com a aposentadoria. Pior: enquanto transfere recursos públicos para pagar juros altíssimos aos bancos privados, promove um gigantesco desemprego no país. Segundo o IBGE, 13,7 milhões de pessoas querem trabalhar e não encontram emprego. Tem mais: retirou verbas da saúde pública, da moradia e da educação para financiar uma intervenção militar que além de reprimir os pobres, causou o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes.

Para a burguesia, os patrões, pouco ou nada importa o sofrimento do trabalhador; querem explorar mais e mais a classe operária para aumentar seus lucros e suas fortunas. Somente nos últimos anos demitiram 13,6 milhões de trabalhadores e agora tramam para reduzir salários, aumentar a jornada de trabalho e retirar o direito de se aposentar dos mais pobres.

Só resta para os trabalhadores e trabalhadoras o caminho da luta para transformar profundamente essa sociedade: derrubar o governo dos ricos e estabelecer o governo dos pobres, dos trabalhadores, daqueles que verdadeiramente produzem as riquezas em nosso país. O poder popular.

Há séculos que sucessivos governos em nosso país governam apenas para satisfazer os interesses das classes ricas, isto é, da burguesia, os donos das grandes fábricas, das lojas e dos latifúndios. Durante a Ditadura Militar foi ainda pior. Além da fome, do desemprego, havia tortura e assassinatos dos que lutavam pela liberdade!

O Partido Comunista Revolucionário (PCR), partido fundado por Manoel Lisboa, dirigente revolucionário assassinado pela ditadura militar em 1973 e herói do povo brasileiro, convoca à união os trabalhadores e o povo para derrotar o governo dos banqueiros e construir o poder popular e o socialismo em nosso país.

Nossa vitória é certa! A revolução vencerá!

Viva Manoel Lisboa, Amaro Luiz de Carvalho, Emmanuel Bezerra, Manoel Aleixo e Amaro Félix!

 

Partido Comunista Revolucionário (PCR)

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Nota de repúdio do MLC à repressão policial contra rodoviários em greve no Pará

O Movimento Luta de Classes (MLC) vem a público repudiar o covarde ataque promovido pelo Batalhão de Choque da Polícia Militar do Pará contra trabalhadores rodoviários em greve no Município de Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém.

No final da tarde deste último sábado, dia 21 de abril, sindicalistas, trabalhadores da base e apoiadores da greve foram abordados por diversas viaturas quando realizavam uma caminhada pela BR-316 para encerrar as atividades do terceiro dia de paralisações. Segundo os relatos, os policiais já desceram dos veículos lançando bombas de gás e atirando balas de borracha. Cinco pessoas foram feridas e três detidas.

Entre os feridos, o caso mais grave foi justamente do presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Ananindeua e Marituba (Sintram), Huellen Ferreira, atingido por balas de borracha e por estilhaços de bombas. Ele desmaiou no momento da agressão e bateu fortemente com a cabeça no chão, sendo levado desacordado ao hospital. Mesmo assim, ele e mais dois diretores do sindicato foram detidos.

Outro ferido foi o estudante universitário Matheus Nascimento, militante do Movimento Correnteza da UFPA, que, ao tentar ajudar Huellen, que já havia sido alvejado, foi também atingido por estilhaços de outra bomba, mesmo tendo deixado sua mochila no chão e levantado as mãos.

Os rodoviários de Belém (também em greve, comandada outro sindicato), Ananindeua e Marituba têm dado uma grande demonstração de unidade e combatividade, pois realizam, há quatro dias, uma greve com 100% de adesão nas garagens das empresas, mesmo com diversas decisões judiciais arbitrárias que determinaram o fim da paralisação.

A principal reivindicação da greve é o retorno à histórica jornada de seis horas e vinte minutos, que foi estendida para oito horas pela Justiça do Trabalho no ano passado. Os trabalhadores também exigem reajuste de 5% sobre o salário e vale-alimentação e melhorias das instalações dos terminais.

O Movimento Luta de Classes esteve e estará presente em todos os momentos da greve e chama todo o movimento sindical brasileiro a se solidarizar e apoiar os rodoviários da Região Metropolitana de Belém do Pará contra a exploração dos patrões e sua polícia estatal-privada.

Movimento Luta de Classes (MLC)
22 de abril de 2018

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Sindicalistas da América Latina e Caribe se unem pelos direitos dos trabalhadores

O 11º Encontro Latino-Americano e Caribenho de Sindicalistas (ELACS) ocorreu em Bogotá, capital da Colômbia, nos dias 13, 14 e 15 de outubro de 2017 nas dependências da Universidade Pedagógica Nacional e contou com a participação de cerca 200 sindicalistas de nove países:  Argentina, Brasil, Colômbia, Equador, El Salvador, Guatemala, México e República Dominicana, além das Filipinas, que participou como convidado.

Desde a primeira edição, realizada na República Dominicana, em 1998, dirigentes sindicais da região têm promovido o ELACS com a finalidade de debater os problemas que mais afligem os trabalhadores, promover a integração regional de sindicalistas e estimular a luta de classes contra os patrões e contra a exploração capitalista.

Representando o Brasil, estiveram presentes ao 11º ELACS Thiago Santos, do Movimento Luta de Classes (MLC),Rêneo Augusto, do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações do Rio de Janeiro (Sinttel-Rio), e Keila Farias, da Central Única dos Trabalhadores no Estado no Rio de Janeiro (CUT-RJ).

O próximo ELACS ocorrerá no Equador, em 2019. A seguir, publicamos trechos da Declaração Política do 11º Encontro.

Da Redação

 

Declaração Política

 

Nós, delegados ao 11º ELACS, denunciamos as ações da burguesia imperialista e de seus sócios em nossos países, que multiplicaram as ações para descarregar a crise sobre as costas dos trabalhadores e dos povos por diferentes vias, principalmente baixando o valor da força de trabalho e impulsionando diferentes reformas trabalhistas, como no Brasil e outros países, com a intensificação da ofensiva contra dos direitos dos trabalhadores, os cortes dos investimentos  sociais na educação e na saúde, enquanto aumentam os subsídios aos bancos e às grandes empresas capitalistas, assim como se elevou o endividamento externo e interno e avançam as privatização de recursos naturais e empresas do setor público.

Em geral, esta ofensiva visa cortar direitos trabalhistas e ataca a liberdade de sindicalização, os acordos coletivos e o direito de greve, como premissas para impor condições precárias de contratação da força de trabalho, que assegurem a superexploração dos trabalhadores e, assim, garantir o aumento da taxa de lucro.

Neste campo, um dos mecanismos mais generalizados é a terceirização, recurso com o qual se busca excluir totalmente os trabalhadores terceirizados do acesso aos direitos trabalhistas, principalmente os direitos coletivos do trabalho.

Formam parte desta ofensiva a intensificação da criminalização e a judicialização da luta social, com novas ferramentas repressivas que provocaram assassinatos de líderes sindicais, camponeses e populares, assim como longas condenações contra os lutadores.

Muito mais grave é a situação das mulheres trabalhadoras, que enfrentam uma aguda discriminação e assédio sexual e laboral, além das reminiscências patriarcais, que condenam as mulheres trabalhadoras aos mais baixos salários e a uma dupla exploração; além dos ataques e ameaças a algumas de suas conquistas históricas, fruto da luta, como a proteção contra condições de trabalho  insalubres para as mulheres gestantes ou com crianças em fase de amamentação, a estabilidade provisória no emprego e a licença maternidade.

Reconhecemos a necessidade de fortalecer os esforços para ampliar a participação das mulheres no movimento operário e sindical.

Constataram-se também as sistemáticas agressões à seguridade social, que, por diferentes vias, atacou os direitos dos trabalhadores ativos e dos aposentados. Aceleram-se as ações para a privatização das instituições autônomas ou públicas da seguridade social para incorporá-las aos negócios dos grupos financeiros multinacionais e, por outro lado, piorando os já reduzidos direitos dos segurados nos países onde já se havia privatizado.

O 11º ELACS constatou também que esta ofensiva das burguesias e das classes dominantes de nossos países contra os direitos dos trabalhadores, enfrentaram resistência e luta por parte do movimento operário, com diferentes meios e mecanismos de luta que, se bem não puderam derrotar totalmente as ações da classe dominante, conseguiram que não fossem impostas em sua totalidade.

Destacam-se, neste plano, que as experiências da luta unitária, as jornadas gerais, alcançaram maior relevância dadas as restrições de acesso ao direito de greve. Ressaltamos também as experiências de combinação de diferentes formas de luta e a assunção de bandeiras políticas como o combate à corrupção, que é um produto do capitalismo; lutas que permitiram conformar acordos unitários com outros setores sociais e forças políticas democráticas, progressistas e de esquerda, como os povos indígenas, os camponeses, os estudantes e a juventude.

A partir da constatação destas valiosas experiências, nós, delegados ao 11º ELACS, reafirmamos nossos compromissos de qualificar e intensificar nosso trabalho para fortalecer as organizações sindicais e afirmar nelas as posições anticapitalistas, classistas e revolucionárias.

Nós, sindicalistas latino-americanos e caribenhos, ratificamos nosso compromisso com a defesa e o impulso de um sindicalismo classista, consequente com os princípios da liberdade de organização sindical, independência política de classe, autonomia, a luta de classes e o exercício da democracia sindical. O que nos obriga a denunciar e a combater a burocracia sindical, sua política de conciliação de classes e sua cumplicidade com a coorporativização do movimento sindical por parte do Estado burguês.

Comprometemo-nos também em elevar a prática da solidariedade de classe com todas as lutas operárias, camponesas, indígenas e populares da América Latina, do Caribe e do restante do mundo, como premissa para avançar na unidade sindical classista, assim como a mais ampla unidade com forças sociais e políticas da região, que enfrentam a dominação imperialista e a exploração do capital.

Assumimos o dever de preparar novas tarefas unitárias, como a de realizar cursos sindicais regionais que contribuam para a consolidação do sindicalismo classista em todos os países participantes.

Nosso 11º ELACS exalta o centenário da Revolução de Outubro, que estamos celebrando nestes dias, o passo histórico dos operários, camponeses, de todo o povo explorado da Rússia, que conquistaram o poder político para a construção do socialismo. Ratificamos nosso compromisso de seguir seu valioso exemplo. Da mesma forma, destacamos o exemplo de consequência com a causa revolucionária e com o internacionalismo proletário do imortal “Che” Guevara, pela passagem dos cinquenta anos de sua caída em combate. Nossa maior homenagem é continuar na luta pela transformação social!

Viva a unidade dos trabalhadores e dos povos da América Latina e do Caribe!

Viva o 11º Encontro Latino-Americano e Caribenho de Sindicalistas!

 

Bogotá, 15 de outubro de 2017

 

 

Argentina

Corrente Classista e Combativa da Argentina

 

Brasil

Movimento Luta de Classes (MLC)

Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações do Rio de Janeiro (Sinttel-Rio)

Central Única dos Trabalhadores – Seção Rio de Janeiro

 

Colômbia

Coletivo Nacional Sindical Classista “Guillermo Marín”

Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Pedagógica Nacional (Sintraupn)

União Sindical Operária – Subdireção Única de Oleoduto

Sindicato de Profissionais da Seguridade (Sinproseg)

Sindicato dos Trabalhadores da Caixa de Compensação Familiar do Cauca (Sinaltracomfa)

Sindicato Unitário dos Trabalhadores da Educação do Cauca (Sutec)

SunetCundinamarca

Juventude Democrática Popular (Judep)

Organização de Mulheres do Povo da Colômbia (OMPC)

Corporação para Pesquisa e a Educação Popular (Ciep)

Associação de Motoristas Autônomos (Acoin)

Sintraemsdes

Asmetrosalud

Sintracomfamiliar

União de Trabalhadores de Edatel (Unitrae)

Anebre

Sintraemcali

Sindicato dos Trabalhadores de Empresas de Serviços Gerais de Medellín (Sintraeevvm)

Sindicato Unitário de Trabalhadores da Educação do Norte de Santander (Sutens)

 

Equador

União Geral dos Trabalhadores do Equador (UGTE)

União Nacional dos Educadores (UNE)

Sindicato Único dos Trabalhadores do Ministério da Saúde Pública de Guayas (Sintum)

Federação Democrática dos Trabalhadores de Guayas (FDTG)

Comitê de Empresa dos Trabalhadores de Palmeras do Equador

Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Católica do Equador

Mulheres pela Mudança

 

El Salvador

Coordenação Sindical Salvadorenha (CSS)

Sindicato dos Trabalhadores Autônomos de Serviços Gerais de El Salvador (Stinoves)

 

Guatemala

Coordenação Nacional da Unidade Sindical e Social (CNUSS)

Liga Internacional de Luta pelos Povos (ILPS)

 

México

União dos Trabalhadores da Educação (UTE)

União Geral dos Trabalhadores do México (UGTM)

Frente Popular Revolucionária (FPR)

Peru

Confederação Camponesa do Peru – Justiniano MinayaSoza

 

República Dominicana

Movimento de Trabalhadores Independentes (MTI)

Associação Dominicana de Professores (ADP) – Seccional Juan Herrera

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CIPOML realiza plenária na Tunísia

A 23ª plenária da Conferência Internacional de Partidos e Organizações Marxista-Leninistas (CIPOML) foi realizada na Tunísia, nos primeiros dias de novembro de 2017, com a presença da maioria de seus membros.

Nesta sessão foi abordada a análise da evolução da situação internacional caracterizada pelo aprofundamento da crise geral do sistema capitalista-imperialista e suas consequências dramáticas sobre a classe operária e os povos de todo o mundo, a fome, a deterioração das condições de vida e de trabalho, a destruição do meioambiente, a intensificação de tensões no mundo e a multiplicação de conflitos armados, o aprofundamento das contradições interimperialistas para controlar os recursos e mercados no mundo; a ascensão de forças fascistas, nacionalistas e chauvinistasem vários países imperialistas e dependentes.

Em vista desta situação, a Conferência também apontou o aumento das lutas de diferentes setores de trabalhadores, jovens e mulheres contra as repercussões da crise e pelos direitos democráticos, econômicos e sociais; lutas que, em alguns casos, possuem características de insurreição e, em outros casos, foram reprimidas pelos regimes reacionários.

Durante esta plenária, tivemos uma discussão rica sobre o desenvolvimento do partido revolucionário do proletariado e destacamos sua importância na luta ideológica e política e como condição indispensável para liderar os povos na luta por uma mudança revolucionária tanto nos países dependentes como nos imperialistas. Esta discussão foi enriquecida pela troca de experiências entre nós. Cabe ainda destacar o papel desempenhado pelos partidos da Conferência na criação de novos partidos marxista-leninistas em países onde eles ainda não existiam.

Outra discussão importante foi sobre a tática revolucionária que os partidos comunistas devem projetar com base nos princípios marxista-leninistas e na análise concreta e precisa da situação objetiva em cada país e trocar essa experiência com um espírito de franqueza, fraternidade e camaradagem.

No final do seu trabalho, a Conferência aprovou uma série de resoluções sobre várias questões atuais e expressou sua solidariedade com as lutas do proletariado e dos povos em situações particulares.

Proletários de todos os países, uni-vos!

Tunes, 4 de novembro de 2017

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Há 100 anos, a Revolução Russa nos indicava o caminho

Hoje é um dia muito especial para a classe trabalhadora do mundo inteiro. Há exatamente 100 anos, os operários e camponeses russos, liderados por Lênin e o Partido Bolchevique, conquistavam o poder na Rússia, provando que os trabalhadores podem conquistar o poder, governar e dirigir a economia.

Todos os dias, a burguesia, de maneira incansável, ataca a Revolução Russa, desde o seu início, quando mais de uma dezena de exércitos de vários países tentaram destruir o poder proletário que havia se estabelecido, até hoje, quando acompanhamos as vergonhosas calúnias nos filmes e livros escritos por intelectuais da burguesia, que têm por objetivo enganar o proletariado e impedir a sua libertação.

Para os revolucionários, é um dever defender a Revolução Russa e a experiência soviética, aprender com erros, mas principalmente demonstrar os seus gigantescos acertos.

Na Rússia, após a conquista do poder pelos trabalhadores, as mulheres passaram a ter direitos que em nenhuma parte do mundo haviam conquistado, foram chefes de Estado, dirigentes militares, comandavam fábricas, libertaram-se do trabalho doméstico, desenvolveram as artes e tiveram grande protagonismo.

Os camponeses deixaram de ser pobres, o latifúndio foi extinto e a produção de alimentos passou a ter como objetivo satisfazer a fome do povo.

O desemprego acabou, todos tinham moradias dignas, os operários comandavam a economia e definiam o que deveria ser produzido, a riqueza foi distribuída, centenas de universidades foram criadas, a Rússia deixou de ser um país de analfabetos e foi o primeiro país a mandar um homem para o espaço.

O racismo, a xenofobia e qualquer forma de preconceito foram eliminados. Pelo contrário, a União Soviética ajudou vários países africanos e latinos na luta contra o colonialismo europeu e contra as intervenção estadunidenses.

Também foi a União Soviética, através da liderança de Stálin e da luta heróica de seu povo, que derrotou o nazi-fascismo durante a II Guerra Mundial e salvou a humanidade da besta hitlerista.

Diante de tantos feitos, qual a razão do fim da União Soviética?

A primeira coisa a se dizer é que o fim dessa experiência socialista não veio com os erros do socialismo, mas sim, foi resultado de ilusões com o capitalismo. A partir de 1960, assumiu o poder uma camarilha de oportunistas na União Soviética, que passou a realizar reformas capitalistas no país, deixou de lado o internacionalismo proletário e adotou a tática de desenvolver esferas de influência, pensando ser possível a coexistência pacífica entre capitalismo e socialismo, desde que sob uma “guerra fria”, e possibilitando a penetração da ideologia e da propaganda burguesas no país.

Assim, sem essa abertura ao capitalismo promovidas a partir da chegada de Kruschov ao poder, a realidade seria bem distinta.

A segunda questão é que, ao invés de se seguir produzindo o que era necessário para atender às necessidades do povo, como foi feito durante os governos de Lênin e Stálin, passou a ser priorizada a indústria bélica. Também a participação do povo nas decisões foi se reduzindo porque os burocratas que assumiram o poder após a morte de Stálin assim o quiseram.

Desse processo podemos extrair várias lições da Revolução de Outubro na Rússia, mas destacaremos duas:

  1. a) É possível a classe operária conquistar o poder e realizar uma revolução que destrua o Estado burguês e construa o poder popular e o socialismo; b) Que não se pode fazer concessões com a burguesia. Se fizer antes da conquista do poder, tira do povo a possibilidade de vitória da Revolução; se fizer depois, abre a possibilidade de perder o poder conquistado com a Revolução.

Do ponto de vista da classe trabalhadora, não há nada mais atual que lutar pela Revolução Socialista. O capitalismo se tornou um entrave no desenvolvimento da humanidade em todos os aspectos. O desenvolvimento das forças produtivas já é infinitamente superior ao modo de produzir capitalista, a consequência da sua continuidade é toda essa miséria e desgraças que vemos: guerras de rapina, desumanização dos seres humanos e superconcentração de riquezas nas mãos de uma minoria insignificante de pessoas.

Os oito homens mais ricos do mundo possuem a mesma riqueza que metade de humanidade, segundo dados da ONG Oxfam. Esta entidade já havia feito a mesma pesquisa em 2016, concluindo que os 62 mais ricos do mundo eram donos da mesma riqueza de metade da humanidade. Ou seja, o número passou de 62 para oito em apenas um ano e em plena crise econômica do capitalismo.

Já a fome aumentou. Segundo a insuspeita ONU, o número de pessoas que sofrem com insegurança alimentar grave cresceu 35% entre 2015 e 2017. Passou de 80 milhões para 108 milhões de pessoas.

Como explicava Karl Marx em O Capital, “a acumulação de riqueza num dos pólos determina no pólo oposto, no pólo da classe que produz o seu produto como capital, uma acumulação igual de miséria, de tormentos, de trabalho, de escravidão, de ignorância, de embrutecimento e de degradação moral”.

No caso do Brasil não é diferente. O desemprego atinge mais de 14 milhões de pessoas e, se incluirmos os que deixaram de procurar trabalho, esse número ultrapassa 25 milhões de pessoas. Segundo a Oxfam, em nosso país, as seis pessoas mais ricas possuem a mesma riqueza que 100 milhões de brasileiros, ou seja, de metade da população.

Além disso, os banqueiros através do Governo Temer, têm destruído o que resta dos direitos da classe trabalhadora e condenado o povo à total degradação social. Portanto, não há outra saída para a classe trabalhadora senão lutar de maneira decidida contra o capitalismo, a burguesia e seu Estado.

A experiência da Revolução Russa, em todos os seus aspectos, é atual e necessária, deve ser ensinamento e inspiração para o proletariado brasileiro e mundial, pois ilumina o caminho a seguir para acabar com o sofrimento, o desemprego, a miséria e alcançar a liberdade e a felicidade: conquistar o poder, socializar os meios de produção, destruir o Estado burguês e construir o poder popular e o socialismo.

“Nós começamos esta obra. Quando precisamente, em que prazo os proletários de qual nação culminarão esta obra – é uma questão não essencial. O essencial é que se quebrou o gelo, que se abriu caminho, que se indicou a via.” (Lênin)

Magno Francisco, professor e militante da Unidade Popular

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A Revolução Socialista Russa de 1917

Um trem chega a Petrogrado. Uma multidão de operários, soldados e marinheiros espera um homem. Sua irmã, Maria, e sua amiga Alexandra Kollontai¹ abraçam-no. Tcherkheidze, líder menchevique, saúda-o em nome do Soviete de Operários e Soldados de Petrogrado. Ele dá-lhe pouca atenção. Sobe em um banco e dirige-se à multidão: “Caros camaradas, soldados, marinheiros e operários, eu os saúdo em nome da Revolução Russa, vanguarda do exército proletário mundial. Não está longe a hora em que os povos voltarão suas armas contra os capitalistas, seus exploradores. A revolução feita por vocês abriu uma nova época”. Silêncio atento. Ele prossegue, referindo-se à guerra imperialista (1ª Guerra Mundial em que a Rússia está envolvida): “Abaixo a guerra assassina e odiada. Paz imediata!”. A multidão ovaciona. A partir daquele instante, reconhece o seu verdadeiro líder, o líder maior da revolução, Lênin. Era o dia 16 de abril de 19172.

O capitalismo começou a desenvolver-se na Rússia mais tarde que em outros países da Europa e sob a dependência destes. Internamente, a burguesia se formou a partir do latifúndio e em aliança com ele.

A monarquia czaristaaboliu o regime de servidão no campo em 1861, mas, na prática, a submissão continuou, uma vez que os camponeses pobres não tiveram garantida a posse da terra; foram expulsos ou obrigados a fazer “parcerias” em que os donos da terra nada investiam e recebiam geralmente metade da colheita. Para as revoltas, a repressão permanecia brutal, intocável, mantidos os castigos corporais, inclusive.

Apesar desses limites, a indústria cresceu rapidamente. De 1865 a 1869, o número de operários dobrou (de 706 mil para 1,433 milhão). No final da década de 1890, era de 2,792 milhões, com a industrialização atingindo 50 províncias.

Movimento operário e marxismo: fusão decisiva

O crescimento da classe operária, aliado à manutenção de péssimas condições de trabalho, salários baixos, superexploração de homens, mulheres e crianças não tardou a provocar mobilizações reivindicatórias. Nasceram as primeiras organizações operárias.

Nessa mesma época, surgiram também as primeiras organizações marxistas, os círculos, compostos por intelectuais que traduziam, comentavam e divulgavam as obras marxistas. Um dos seus integrantes, Vladimir Ilitch Ulianov (Lênin. A Verdade nº 49), um jovem advogado, compreendeu que era necessário fundir o marxismo com o movimento operário, e os operários mais avançados deviam fazer agitação entre as massas, combinando as reivindicações econômicas (salários, condições de trabalho) com as políticas (derrubada do czarismo). Lênin dizia que “teoria não é dogma e sim guia para a ação”. Utilizando o método dialético (marxista), ele estudou profundamente a realidade russa e a evolução do capitalismo no período posterior à morte de Marx e Engels e concluiu que, em vez de se dar no centro do sistema, a revolução socialista poderia começar pelos países atrasados e dependentes, como a Rússia, os chamados elos fracos da corrente imperialista.

A União de Luta pela Emancipação da Classe Operária, reunindo intelectuais e operários avançados, concretizou a fusão preconizada por Lênin; o movimento operário foi se fortalecendo até passar a intervir diretamente na vida política do país. Em 1898, realizou-se o congresso de fundação do Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR).

As Jornadas de 1905

Em 9 de janeiro de 1905, 140 mil operários ocuparam as ruas centrais de São Petersburgo3, concentrando-se pacificamente em frente ao palácio imperial para apresentar reivindicações de leis que possibilitassem a melhoria de suas condições de vida e trabalho. A resposta foi uma fuzilaria que vitimou cerca de mil manifestantes. Não houve recuo. As greves se alastraram por todo o país, resultando num avanço organizativo sem precedentes com a criação dos sovietes, conselhos representativos de toda a classe em nível de um município, de uma província, de uma região.

O ano de 1905 foi também de muita agitação no campo. Os camponeses pobres marcharam espontaneamente sobre a propriedade dos latifundiários, destruindo bens e se apossando dos grãos. A rebelião grassou também entre os militares, especialmente os marinheiros, registrando-se em junho a sublevação do Encouraçado Potemkin (navio de guerra).

Em 1905, os bolcheviques compreendiam que a revolução em curso na Rússia era de caráter burguês, mas a burguesia não tinha condições de levá-la a cabo, cabendo, pois, ao proletariado converter-se em dirigente do movimento revolucionário, aliando-se aos camponeses pobres e recusando qualquer tipo de acordo com a burguesia. Os mencheviques entendiam, ao contrário, que sendo a revolução de caráter democrático-burguês, a burguesia é que deveria dirigi-la.

No outono de 1905, o movimento revolucionário já se estendia a todo o país. Em outubro, uma greve geral atinge toda a Rússia, envolvendo um milhão de operários. Os sovietes multiplicaram-se. A luta camponesa aguçou-se. Os marinheiros sublevaram-se. Os bolcheviques conclamaram as massas à insurreição armada.

A insurreição desencadeou-se em Moscou, logo que o czar determinou a dissolução dos sovietes e a prisão dos líderes bolcheviques. A greve geral não se estendeu a toda a Rússia, o que facilitou a repressão. Outras regiões se lançaram também às armas, mas o exército imperial dominou-as e, em 1907, tinha fim o movimento revolucionário.

Na clandestinidade, os bolcheviques passaram, nessa fase de refluxo, a utilizar todas as possibilidades legais de ação, como as associações de socorro mútuo e a própria Duma (parlamento controlado pelo czar).

Em 1912, o movimento operário já promove greves em todo o país, de caráter econômico e político, e os camponeses também retomam suas lutas contra os latifundiários. Os sovietes proliferam. Os bolcheviques multiplicam as organizações do partido e criam um jornal diário, dirigido por Josef Stálin,chamadoPravda (A Verdade), com tiragem de 40 mil exemplares, que se torna instrumento de informação e orientação dos operários de todo o país.

1ª Guerra Mundial

No dia 1º de agosto de 1914, a Alemanha declara guerra à Rússia e o governo de Nicolau II decreta a mobilização geral. Trava-se uma guerra entre blocos de potências imperialistas pela divisão do mundo, cada uma querendo uma fatia maior. De um lado, Alemanha e Áustria; do outro, Inglaterra, França e Rússia. O partido da burguesia liberal (os kadetes), os socialistas-revolucionários (partido camponês) e os mencheviques, de pronto, uniram-se ao czarismo para “defender a pátria”.

O Partido Bolchevique, desde o início posicionou-se firmemente no sentido de que os operários e os camponeses deveriam lutar contra essa guerra, pois não se tratava de patriotismo, e sim de imperialismo, de dominação dos povos mais fracos. A palavra de ordem bolchevique foi a de transformar a guerra imperialista em guerra civil, isto é, os soldados operários e camponeses deveriam voltar as armas contra as burguesias de seus países, derrubando-as do poder.

A perseguição policial aos bolcheviques foi intensa. Todos os deputados bolcheviques que votaram na Duma contra os créditos de guerra foram presos.A guerra foi um desastre para a Rússia. Não poderia ser diferente, pois na frente de batalha havia um exército de operários e camponeses famintos, nus, descalços e sem motivação, pois estava claro que aquela guerra não era do seu interesse. A economia estava em crise profunda. Fábricas paradas, produção agrícola em decadência. Diminuíam as riquezas da burguesia e os trabalhadores estavam a cada dia mais imersos na fome, na miséria, no sofrimento.

O ódio e a indignação tomam conta dos operários, camponeses pobres e soldados, que se conscientizaram de que para viver precisavam de pão, terra e paz.  O czar Nicolau II está isolado porque a burguesia se descontenta e prepara um golpe palaciano para derrubá-lo.

Os operários também querem derrubar o imperador, mas seus métodos são outros.O ano de 1917 começa com a retomada de grandes greves e manifestações de massa que ganham a cada dia novos adeptos.

Jornadas de Fevereiro na Rússia

O período de 22 a 27 de fevereiro(07 a 12 de março no calendário atual) é de convulsão em todo o país. No dia 26 (11 de março), os operários de Petrogrado recebem o apoio de um batalhão do exército, que abre fogo contra a guarda imperial quando ela vai dissolver uma manifestação. No dia seguinte, os operários se armam e mais soldados se sublevam. O czarismo está morto. A Revolução de Fevereiro teve, de fato, como base os sovietes de operários e soldados. Eles eram os órgãos do poder popular.

O proletariado fez a revolução, mas a burguesia (kadetes), os latifundiários aburguesados e a pequena-burguesia (socialistas-revolucionários e mencheviques) é que assumiram o poder, instalando um Governo Provisório sem levar em consideração os sovietes. Estes, entretanto, constituíram um governo paralelo, estabelecendo-se uma dualidade de poderes.

Cinco dias depois da Revolução de Fevereiro, o Pravda volta a circular abertamente, buscando esclarecer os operários e os camponeses de que o governo provisório burguês representa a continuidade da guerra imperialista e da mesma política de exploração e fome adotada pelo czarismo.

Não foi um trabalho difícil. O Governo Provisório permanecia surdo às reivindicações do povo e definiu a continuidade da Rússia na guerra. Foi neste clima que Lênin desembarcou em Petrogrado.

No dia 16 de junho, reuniu-se o I Congresso dos Sovietes de Toda a Rússia, no qual os bolcheviques ainda eram minoria. Mas em Petrogrado, o maior centro industrial do país, a predominância das ideias bolcheviques entre o povo já era evidente. Prova disso é que, no dia 18, 400 mil manifestantes desfilaram pelas ruas centrais da cidade, proclamando: “Abaixo a guerra! Abaixo os ministros capitalistas! Todo o Poder aos Sovietes!”.

Nos dias seguintes, o Governo Provisório determinou a repressão às massas e a prisão dos líderes bolcheviques. Lênin, mais uma vez, ingressou na clandestinidade.

O VI Congresso do Partido Bolchevique, realizado clandestinamente de 26 de julho (8 de agosto) a 3 de agosto (16 de agosto), avaliou que não havia mais condições de continuar a luta pacífica e já se tinha acumulado forças suficientes para a insurreição armada.

As forças burguesas ameaçaram esmagar a sangue e fogo qualquer tentativa de movimento revolucionário. A seguir, Kerenski (ministro social-revolucionário) incentivou um golpe planejado pelo general Kornilov, mas retirou seu apoio quando soube que não haveria espaço para ele e seria instaurada uma ditadura militar.

A derrota do golpe foi, entretanto, mérito exclusivo dos operários, soldados e marinheiros rebeldes. O episódio fortaleceu a influência bolchevique nas massas dos grandes centros e logo os sovietes de Petrogrado e Moscou contavam com maioria revolucionária.

Outubro: dez dias que abalaram o mundo

Entre a decisão do Comitê Central do Partido Bolchevique e a tomada do poder, foram dez dias de muita movimentação, definição de estratégia e tática militares, mobilizações, divisão de tarefas. Em meados de outubro, Lênin havia chegado a Petrogrado clandestinamente e comandava pessoalmente todos os preparativos.

O levante armado começou no dia 24 de outubro (6 de novembro) com a ocupação dos órgãos de imprensa da capital. A 25 de outubro (7 de novembro), as tropas revolucionárias ocuparam tranquilamente os correios e telégrafos, os ministérios, o Banco do Estado e cercaram o Palácio do Inverno. Aí, ainda se esboçou alguma resistência, resolvida rapidamente com a chegada do Cruzador Aurora, comandado pelos marinheiros de Kronstadt.

Uma nova era começava. Na mesma noite, instalou-se o II Congresso dos Sovietes de Toda a Rússia com maioria bolchevique. Lunachárski, dirigente bolchevique, leu uma proposta redigida por Lênin e aprovada pelo Pleno do Congresso: “Apoiando-se na vontade da enorme maioria dos operários, soldados e camponeses,o congresso toma o poder nas suas mãos”.

Enquanto isso, reunido com o Centro do Partido, órgão que dirigiu a insurreição vitoriosa, Lênin declarava: “Comecemos imediatamente a edificação do socialismo!”.

Luiz Alvesadvogado

 

¹ Alexandra Kollontai, ministra do governo bolchevique e escritora. Autora de A Nova Mulher e a Moral Sexual.

²O calendário russo era diferente do ocidental. De acordo com ele, a Revolução Socialista ocorreu no dia 25 de outubro. Em janeiro de 1918, foi aprovado o uso do calendário ocidental. Assim, continuou a denominação Revolução de Outubro, mas sua comemoração ocorre em 7 de novembro, de acordo com o novo calendário.

³Fundada pelo czar Pedro, o Grande, em 1703, São Petersburgo teve o nome alterado para Petrogrado. A partir de 1924, o nome mudou novamente para Leningrado, em homenagem ao grande líder da Revolução Bolchevique. Com a retomada do poder pela burguesia imperialista, a cidade voltou, em 1991, a se chamar São Petersburgo.

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