A imprensa como organizador coletivo

No seu artigo Até a raiz (v. o nº 98 da Pravda), Ingúlov tratou da importante questão do significado da imprensa para o Estado e o Partido. Parece que, para reforçar a sua tese, valeu-se do Informe de Organização do Comitê Central, onde se afirma que a imprensa “estabelece vínculos de importância incalculável entre o Partido e a classe operária, veículos que pela sua força equivalem a qualquer aparelho de transmissão que possua caráter de massas, que a imprensa é o instrumento mais poderoso pelo qual o Partido, cotidianamente, de hora em hora, fala com a classe operária”.

Mas, na sua tentativa para resolver a questão, Ingúlov cometeu dois erros: em primeiro lugar, tergiversou o sentido do trecho citado do Informe do Comitê Central; em segundo lugar, perdeu de vista o papel importantíssimo de organizador da imprensa. Creio que, dada a importância da questão, conviria dizer algumas palavras sobre estes erros.

  1. Do informe não se deduz o fato de que a função do Partido se deveria limitar a tarefa de falar com a classe operária, mas, ao contrário, o Partido deveria conversar e não apenas falar com a classe operária. A contraposição da fórmula “falar” à fórmula “conversar” não passa de equilibrismo insensato. Na prática, uma ou outra coisa constituem um todo indivisível, que se exprime na constante ação recíproca entre o leitor e o escritor, entre o Partido e a classe operária, entre o Estado e as massas trabalhadoras. Esse fenômeno se tem verificado desde o começo da existência do Partido proletário de massas, desde os tempos da velha Iskra. Ingúlov errou ao pensar que essa influência recíproca só teve início alguns anos depois da tomada do Poder pela classe operária na Rússia. O sentido da passagem citada, extraída do Informe do Comitê Central, não se encerra na palavra “falar”, mas no fato de que a imprensa “estabelece vínculos entre o Partido e a classe operária”, vínculos “que, pela sua força, equivalem aos de qualquer aparelho de transmissão que tenha caráter de massas”. O sentido da citação reside na importância da imprensa no terreno da organização. Justamente por isso a imprensa foi incluída no Informe de organização do comitê central como uma das correias de transmissão entre o Partido e a classe operária. Ingúlov não compreendeu a citação e involuntariamente lhe tergiversou o sentido.
  2. Ingúlov sublinha o papel da imprensa como instrumento de agitação e denúncia, acreditando que aí termina a tarefa da imprensa periódica. Alude a uma série de absurdos cometidos no nosso país, afirmando que o trabalho de denúncia da imprensa, a agitação através da imprensa, constituem a “raiz” do problema. Ora, é claro que, não obstante toda a importância do papel de agitação da imprensa, o aspecto mais imediato do nosso trabalho de edificação consiste, hoje, na função organizadora da imprensa. Não basta que os jornais agitem e denunciem mas é preciso que tenha uma ampla rede de ativistas, de agentes e de correspondentes em todo país, em todos os centros industriais e agrícolas, em todos os distritos e subdistritos, para que o fio passe do Partido, através do jornal, a todas as zonas operárias e camponesas, sem exceção; para que a ação recíproca entre o Partido e o Estado, por um lado, e as zonas industriais e camponesas, por outro, seja completa. Se um jornal tão popular como, por exemplo, o Biednotá*, convocasse de quando em quando uma conferência dos seus principais agentes, em diversos centros do país, para uma troca de ideias e um balanço das experiências, e cada um desses agentes convocasse por sua vez uma reunião dos seus correspondentes nas próprias zonas, nos vários centros e distritos, com o mesmo fim, dar-se-ia desse modo o primeiro passo, não somente para estabelecer vínculos orgânicos entre o Partido e a classe operária, entre o estado e os mais distantes rincões do nosso país, mas também para melhorar e reanimar a própria imprensa, para melhorar e reanimar todos os colaboradores da nossa imprensa periódica. Essas conferências e reuniões tem, a meu ver, uma importância muito mais concreta do que os congressos de jornalistas “de toda a Rússia” e de outro gênero. O jornal, como organizador coletivo nas mãos do Partido e do Poder Soviético, o jornal como meio para estabelecer a ligação com as massas trabalhadoras do nosso país e para reagrupá-las em torno do Partido e do Poder Soviético: esta é, agora, a tarefa imediata da imprensa.

Não será supérfluo recordar ao leitor algumas linhas do artigo do camarada Lenin Por Onde Começar “escrito em 1901”, a propósito da função organizadora da imprensa periódica na vida do nosso Partido:

“A função do jornal não se limita, todavia, a difundir ideias, e educar politicamente e a conquistar aliados políticos. O jornal não é apenas um propagandista e um agitador coletivo, mas também um organizador coletivo. Desse ponto de vista, pode-se compará-lo aos andaimes que se erguem em torno de um edifício em construção, aos quais definem os seus contornos, facilitam as comunicações entre os construtores, ajudam-nos a subdividir o trabalho e a observar os resultados gerais alcançados pelo trabalho organizado. Por intermédio do jornal e graças a própria existência do jornal, se formará de modo espontâneo uma organização permanente, que se ocupará não só do trabalho local, mas também do trabalho sistemático geral, que habituará os seus componentes ao estudo atento dos acontecimentos políticos, a avaliar-lhes a importância e a influência sobre as diferentes camadas da população, a elaborar os métodos oportunos para exercer sobre estes acontecimentos a influência do Partido revolucionário. Por si mesma a tarefa técnica de assegurar ao jornal um fornecimento regular de matérias e uma distribuição normal obriga também a criar uma rede de agentes locais que pertençam a um único Partido e mantenham contato imediato entre si, conheçam o quadro geral dos acontecimentos, habituem-se a cumprir regularmente a parte que lhes cabe do trabalho a realizar em toda Rússia e experimentem as suas forças na organização de determinadas ações revolucionárias. Esta rede de funcionários constituirá também o esqueleto da organização de que precisamos: suficientemente grande para abarcar todo país; suficientemente vasta e multíplice para estabelecer uma rigorosa e pormenorizada divisão do trabalho; suficientemente firme para saber desenvolver ininterruptamente o seu trabalho em todas as circunstâncias em face de todas as “reviravoltas” e situações inesperadas; suficientemente flexível para saber, por um lado, evitar a batalha em campo aberto contra um inimigo de forças superiores, que tenha concentrado as suas forças num só ponto, e, por outro lado, aproveitar a incapacidade de manobra do inimigo para precipitar-se sobre ele no lugar e no momento em que menos o espere”.

O camarada Lenin falava então do jornal como de um instrumento que servia para edificar o nosso Partido. Mas não há razão para duvidar de que tudo o que disse o camarada Lenin seja inteiramente aplicável a situação em que, hoje, edificamos o Partido e o Estado.

Ingúlov deixou de levar em consideração, no seu artigo, essa importante função organizadora da imprensa periódica. Este é o seu erro principal.

Como pode ocorrer que um dos quadros principais da nossa imprensa tenha perdido de vista esta importante tarefa? Ontem, dizia-me um camarada que provavelmente Ingúlov, além da tarefa de resolver o problema da imprensa, também se propôs outra, secundária: a de “censurar uns e lisonjear outros”. Não posso afirmar isso e estou longe de negar a quem quer que seja o direito de se atribuir tarefas secundárias, além das principais. Mas não é admissível que as tarefas secundárias possam ofuscar mesmo que por um instante a tarefa principal, que é a de esclarecer o papel de organização na imprensa na nossa edificação do Partido e do Estado.

 

*Biednotá (“Os Pobres”), diário, órgão do C. C. do P. C. (b) da U.R.S.S., editado de março de 1918 a janeiro de 1931. (pág. 239).

“Pravda” (“A Verdade”), nº 99.

06 de maio de 1923Assinado: J. Stálin

 

J.V. STÁLIN – OBRAS 5 (1921-1923)Editorial Vitória Ltda. 1954-

 

 Traduzido da edição italiana – G. V.  Stálin –“ Opere Complete”

 vol. 5 EdizioniRinascita – Roma – 1952.

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Escola Nacional Manoel Lisboa

conferência 04Reunida no mês de junho, a Comissão Política do Comitê Central do Partido Comunista Revolucionário (PCR) decidiu pela realização, no fim deste ano, da primeira turma da Escola Nacional de Formação Política e Ideológica Manoel Lisboa. A escola reunirá durante 14 dias dois grupos de militantes, oriundos de diferentes regiões do país, para cumprir o conteúdo programático aprovado.

O programa de estudos da escola inclui a análise aprofundada do método filosófico marxista-leninista, do materialismo-dialético; dos fundamentos da economia política marxista; das características da sociedade capitalista em sua fase imperialista; das leis econômicas e das experiências do modo de produção socialista; da teoria da revolução proletária; dos traços fundamentais da história e da revolução brasileira; da história militar das revoluções; e das tarefas dos comunistas revolucionários frente à atual crise do capitalismo.

A construção da Escola Nacional Manoel Lisboa, como ação sistemática e permanente, é uma iniciativa de grande importância para a história dos comunistas brasileiros por permitir aprofundar e agilizar a formação política e ideológica de novos quadros revolucionários.

Com a consciência de que, como afirmou Lênin, “sem teoria revolucionária não há movimento revolucionário”, a Comissão Política registrou que, ao longo de sua história, o PCR sempre se esforçou para levar à prática este princípio de organização.

Manoel Lisboa, em seu artigo Vencer as torturas é dever revolucionário, afirmou que uma das causas da conduta vacilante dos militantes de outras organizações revolucionárias diante da repressão – vacilações que chegavam ao ponto da delação – era a débil formação política e ideológica.

Mesmo diante das duras condições impostas pela ditadura militar, o PCR foi coerente com a necessidade da formação e editou a revista Luta Ideológica, números 1 e 2, e o jornal A Luta. Além disso, todo organismo partidário era obrigado a ter um plano de estudos, e cada militante tinha tarefas individuais de leitura.

Desde a reconstrução do PCR, o Comitê Central sempre recomendou que cada coletivo se esforçasse para realizar o estudo do marxismo-leninismo de maneira prioritária em suas reuniões. Além disso, o CC realizou quatro cursos nacionais de formação marxista-leninista nos últimos anos.  Também ocorreu um importante número de iniciativas de formação em âmbito regional, bem como por parte da União da Juventude Rebelião (UJR).

A Comissão Política considera importante que a escola dedique seu tempo ao estudo dos princípios leninistas de organização. Que se dedique ao debate sobre como desenvolver o trabalho político entre a classe trabalhadora e o povo, como realizar a agitação e a propaganda, sobre a melhor forma de atuar nos sindicatos, sobre como assistir um coletivo e sobre como realizar um curso de formação marxista em seu local de atuação. Neste sentido, a primeira turma da escola será direcionada aos quadros de direção, ou seja, aos militantes que já possuem certo conhecimento da teoria marxista-leninista e desenvolvem tarefas de direção em nível nacional ou regional.

Para a Comissão Política, o êxito da Escola Nacional depende da disciplina, dedicação, entusiasmo e trabalho em colaboração – contra a competição e o egoísmo – por parte de seus instrutores e estudantes. Os participantes da escola devem ter vontade de aprender e aprofundar os conhecimentos, levantando dúvidas e participando ativamente do debate de ideias.

Para o PCR, a formação da Escola Nacional busca atingir o objetivo de formar verdadeiros quadros revolucionários para o Partido, fazendo assim triunfar a revolução socialista no Brasil. Desta maneira, a Comissão Política convoca todas as direções estaduais e demais organismos partidários a se envolverem com afinco no cumprimento das tarefas que permitam efetivar a escola, em especial aquelas que dizem respeito à construção material e financeira.

Redação A Verdade

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O exército burguês deve e pode ser destruído

Trabalhadores em PinheirinhoExiste, em muitos companheiros e também no seio do povo, medo do exército burguês.

Muitos acham impossível vencê-lo e veem o exército exatamente como a ditadura quer: como uma coisa que está acima de nós.

Companheiros, antes de tudo, devemos pensar direitinho no que é o exército burguês. Esse exército (da burguesia) defende os interesses dos capitalistas, defende a propriedade privada (dos capitalistas) e oprime o povo contra qualquer revolta, pois nada temos para ser defendido pelo exército (da burguesia); apesar de a gente sempre ouvir dizer que o exército é o defensor da nação, O QUE VEMOS DE VERDADE É O EXÉRCITO DEFENDER OS INTERESSES DOS RICOS PARASITAS CONTRA O POVO TRABALHADOR.

Os capitalistas usam os órgãos de propaganda (rádio, jornal, televisão) e empregam a educação (o ensino) para fazer o povo acreditar que o exército defende os interesses da nação e não dos capitalistas. Querem convencer o povo de que o exército é honesto e defensor da nação, e fazer todos respeitá-lo, senão quem iria morrer nas guerras pela burguesia? Por isto, desde criança aprendemos a respeitar o exército, a propriedade dos ricos, o presidente da República e demais autoridades burguesas.

O exército da burguesia está realmente forte no momento, mas isto não significa que ele nunca será derrubado. Pensar assim é não conhecer a força da nossa própria classe; é não entender que a nossa união é uma grande força para destruir a força repressiva da burguesia. Com a nossa união e organização, podemos colocar no lugar deste exército burguês, antipopular, antinacionalista e lacaio dos interesses estrangeiros, isto é, devemos colocar no lugar desta corja um exército formado pelos melhores companheiros das classes trabalhadoras. Este, sim, será um exército realmente popular porque formado por pessoas do povo, por pedreiros, carpinteiros, torneiros, soldadores, serventes, tecelões, estudantes, sapateiros, camponeses, comer-ciários, etc. Será um exército popular e revolucionário porque defenderá os verdadeiros interesses do povo e lutará por uma sociedade melhor, uma sociedade mais perfeita e mais justa, luta por uma sociedade socialista.

O mais importante para um exército vencer e dominar é contar com o apoio do povo. A propaganda não pode ocultar a verdade nua e crua das desigualdades sociais, o desemprego, os salários baixos, a injustiça e todos os males do capitalismo. Eis a principal questão: eles têm armas, dinheiro, soldados, MAS NÃO TÊM O POVO. E como este exército da burguesia não é amado pelo povo brasileiro, nós devemos formar nosso exército. Para destruirmos este exército, que é da burguesia, temos que formar o nosso próprio exército, o exército do proletariado.

E como formar o nosso exército?

Ora, já vimos que quando estamos fracos temos que usar formas de luta mais simples para nos fortalecer. É justamente isto que falta cada companheiro compreender para colocar em prática estas questões. Já temos os exemplos do povo russo, do povo chinês, do povo cubano e exemplos de muitos outros povos, que organizados derrubaram os exércitos burgueses que ós oprimiam. No Vietnã está o mais belo exemplo de como um povo atrasado (economicamente) derrotou o exército francês e está derrotando o exército mais poderoso do mundo capitalista, as forças armadas america-nas. E o que fizeram os vietnamitas?  Lutaram, se organizaram e incenti-varam os outros a se organizar como nós, do Conselho de Luta, estamos fazendo. Saíram, de boca em boca, ensinando a verdade sob uma ditadura pior e mais sangrenta do que a nossa. Com grandes dificuldades (para aprender mais), publicavam jornais debaixo do pano, explicando, incentivando e ensinando o povo a se organizar.

O que devemos fazer?

Para formar nosso exército, dependemos unicamente do nosso esforço. Do esforço de cada um que já tem consciência, em ir organizando as massas (o povo desorganizado) e ir dando consciência aos que quase nada sabem a respeito da luta de classes, da nossa luta, e ir aumentando o número de pessoas para nossa organização, e assim iremos formando nosso Partido e daí iremos criando o nosso exército, com as pessoas conscientes de todos os setores da população, desde os companheiros operários, que serão os dirigentes da nossa luta, até os camponeses, os estudantes, funcionários públicos, pessoas politicamente boas que existam dentro das próprias forças armadas do inimigo, enfim de todas as camadas exploradas da população e que apoiam de verdade as nossas ideias e nossos métodos de luta. Temos que conscientizar as pessoas e trazê-las para nós; assim teremos condições de criar nosso exército.

Bom, companheiros, existem muitas formas de luta; o que estamos precisando é a decisão e firmeza dos companheiros para continuar os trabalhos de panfletagem que temos feito dentro das fábricas e nos bairros, desenvolver o trabalho político com outros companheiros e participar do trabalho teórico, que é escrever para os nosso jornais. Todas estas formas de luta têm a finalidade de esclarecer e organizar o povo para que ele pegue em armas de maneira consciente.

Só na luta aprendemos a confiar em nós mesmos, em nossa força, porque defendemos os verdadeiros interesses do povo e lutamos pela justiça. É isto que nos dá certeza da vitória da LUTA OPERÁRIA por meio do exército revolucionário do povo, contra o exército mercenário (vendido) da burguesia.

Todo esforço no trabalho de conscientizar o povo, todo esforço no trabalho de educar para a luta os melhores elementos das classes traba-lhadoras e trazê-los para o Conselho de Luta Operária. Todo esforço nos trabalhos que levam a formar um Partido Operário, pois o exercito revolucionário do povo, só obedecerá a um único comando que será o Partido Operário.

Só com coragem, decisão e firmeza é que se luta.

Só na luta é que se forma o Partido Comunista Revolucionário.

Só na luta se constrói o exército revolucionário do povo.

* Escrito por Manoel Lisboa em agosto de 1973, um mês antes de ser assassinado pela Ditadura Militar, e publicado na revista do PCR Luta Operária, nº 10

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O QUADRO: COLUNA VERTEBRAL DA REVOLUÇÃO

Che em discursoSeria desnecessário insistir nas características de nossa Revolução, na forma original, com alguns lances de espontaneidade, com que se produziu a passagem de uma revolução nacional de libertação para uma revolução socialista e na acumulação das etapas vividas a toda pressa no decorrer deste desenvolvimento, que foi dirigido pelos mesmos personagens da epopéia inicial de Moncada, passando pelo Granma e terminando na declaração do caráter socialista da Revolução cubana. Novos simpatizantes, quadros, organizações foram se somando à débil estrutura orgânica do movimento inicial, até se constituir no aluvião do povo que caracteriza nossa Revolução.

Quando se tornou patente que em Cuba uma nova classe social tomava definitivamente o poder, surgiram também as grandes limitações que se teria no exercício do poder estatal, devido às condições em que se encontrava o Estado, sem quadros para desenvolver o estado, sem quadros para desenvolver as tarefas que deviam se desempenhadas no aparelho estatal, na organização política e em toda a frente econômica.

No momento seguinte à tomada do poder, os cargos burocráticos foram designados “a dedo”; não houve maiores problemas, não os houve porque ainda não estava rompida a velha estrutura. O aparelho funcionava no seu ritmo lento e cansado de coisa velha e quase sem vida, mas tinha uma organização e nela a condição suficiente para se manter por inércia, não se importando com as mudanças políticas que ocorriam como prelúdios de mudança na estrutura econômica.

A 16 de abril de 1961, durante os funerais das vítimas do bombardeio do dia anterior dos aeroportos de Santiago de Cuba, San Antonio de los Banos e Ciudad Libertad, efetuado como preparação da invasão mercenária da Baía dos Porcos, Fidel Castro pronunciou a primeira confirmação oficial do caráter socialista que fora adquirindo nos fatos a Revolução Cubana: “… o que não podem perdoar-nos é que estejamos aqui, sob seu nariz, e que tenhamos feito uma Revolução Socialista sob o nariz dos Estados Unidos!”.

Em meados de 1960 se produzia entre Washington e Havana uma verdadeira escalada que radicalizava cada vez mais profunda e irreversivelmente a Revolução. As principais consequências desta situação foram as seguintes: rejeição da parte das empresas Esso, Texaco, e Shell de refinar o petróleo bruto soviético que Cuba tinha começado a importar (6 de junho); desapropriação destas companhias da parte do governo revolucionário (29 de junho de 1º de julho); redução da parte de Washington da quota de açúcar cubano no mercado norte-americano (6 de julho); suspensão total da quota; nacionalização das grandes companhias norte-americanas que operavam em Cuba (6 de agosto); mobilização da OEA contra Cuba (29 de agosto); desapropriação dos bancos norte-americanos (17 de setembro); nacionalização do resto dos interesses norte-americanos em Cuba (13 de outubro); aplicação da parte dos Estados Unidos um embargo sobre numerosos produtos de exportação para Cuba (19 de outubro).

O Movimento 26 de Julho, profundamente abalado pelas lutas internas entre suas alas esquerda e direita, não podia se dedicar a tarefas construtivas; e o Partido Socialista Popular*, pelo fato de suportar duros golpes e a ilegalidade durante anos, não pode desenvolver quadros intermediários para enfrentar as novas necessidades que se avizinhavam.

Quando ocorreram as primeiras intervenções estatais na economia, a tarefa de formar quadros não era muito complicada e podia-se escolher entre muita gente que tinha alguma base mínima para desempenhar o cargo de direção. Mas, com o aceleramento do processo, ocorrido a partir da nacionalização das empresas norte-americanas e, posteriormente, das grandes empresas cubanas, aconteceu uma verdadeira fome de técnicos administrativos. Sente-se, por outro lado, uma necessidade de técnicos na produção, devido ao êxodo de muitos deles, atraídos por melhores posições, oferecidas pelas companhias imperialistas em outros lugares da América ou mesmo nos Estados Unidos, de modo que o aparelho político deve se submeter a um intenso esforço, em meio às tarefas de estruturação, para dar atenção ideológica, a uma massa que entra em contato com a Revolução, cheia de vontade de aprender.

Todos cumprimos o papel da melhor maneira que podemos, mas não foi sem penas nem apuros. Muitos erros foram cometidos na parte administrativa do executivo, enormes falhas foram cometidas por parte dos novos administradores de empresas, que tinham responsabilidades demasiadamente grandes em suas mãos, e grandes e caros erros cometemos também no aparelho político, que, pouco a pouco, foi caindo numa tranquila e prazerosa burocracia, identificado quase como um trampolim para promoções e para cargos burocráticos de maior ou menor envergadura, desligado totalmente das massas.

O ponto central de nossos erros está em nossa falta de sentimento de realidade num dado momento. Mas a ferramenta que nos faltou, o que foi embotando nossa capacidade de percepção e convertendo o Partido numa entidade burocrática, pondo em perigo a administração e a produção, foi a falta de quadros desenvolvidos a nível médio. A política de quadros se tornava evidente como sinônimo de política de massas; estabelecer novamente o contato com as massas, contato estreitamente mantido pela Revolução na primeira fase de sua vida e que era sua palavra de ordem. Mas estabelecê-lo através de algum tipo de aparelho que permitisse tirar-lhe o maior proveito, tanto na percepção de todas as palpitações das massas como na transmissão das orientações políticas que, em muitos casos, somente foram dados por intervenções pessoais do Primeiro Ministro Fidel Castro ou de alguns outros líderes da Revolução.

A esta altura podemos nos perguntar: o que é um quadro? Devemos dizer que um quadro é um indivíduo que alcança o suficiente desenvolvimento político para poder interpretar as grandes diretrizes emanadas do poder central, torná-las suas e transmiti-las como orientação à massa, percebendo, além disso, as manifestações dessa massa com aos seus desejos e motivações. É um indivíduo de disciplina ideológica e administrativa que conhece e pratica o centralismo democrático e sabe avaliar as contradições existentes no método para aproveitar ao máximo suas múltiplas facetas; quem sabe praticar, na produção, o princípio da discussão coletiva e responsabilidade única; cuja finalidade está provada e cujo valor físico e moral se desenvolveram no compasso de seu desenvolvimento ideológico, de tal maneira que está sempre disposto a enfrentar qualquer debate e responder até com sua vida pela boa marcha da Revolução. É, além disso, um indivíduo com capacidade de análise própria, o que lhe permite tomar decisões necessárias e praticar a iniciativa criadora de modo que não se choque com a disciplina.

O quadro, pois, é um criador, um dirigente de alta estatura, um técnico de bom nível político, que pode, raciocinando dialeticamente, levar adiante seu setor de produção ou desenvolver a massa desde o seu posto político de direção.

Este exemplar humano, aparentemente rodeado de virtudes difíceis de alcançar, está, no entanto, presente no povo de Cuba, e nós o encontramos todo dia. O essencial é aproveitar todas as oportunidades que há para desenvolvê-lo ao máximo, para educá-lo, para tirar de cada personalidade o maior proveito e convertê-la no valor mais útil possível à nação.

Consegue-se o desenvolvimento de um quadro na labuta diária. Mas deve-se empreender a tarefa, além disso, de um modo sistemático, em escolas especiais, onde professores competentes sejam exemplos aos alunos, favorecendo a mais rápida ascensão ideológica.

Num regime que inicia a construção do socialismo, não se pode supor um quadro que não tenha um alto desenvolvimento político, mas por desenvolvimento político não se deve entender só o aprendizado da teoria marxista; deve-se também exigir a responsabilidade do indivíduo pelos seus atos, a disciplina que restringe qualquer debilidade transitória e que não esteja em conflito com uma alta dose de iniciativa, a preocupação constante por todos os problemas da Revolução. Para desenvolvê-lo é necessário começar por estabelecer o princípio seletivo na massa, é ali onde é necessário buscar as personalidades nascentes provadas no sacrifício ou que começam agora a mostrar suas inquietudes, e levá-las a escolas especiais, ou, na falta delas, para cargos de maior responsabilidade que ponha à prova no trabalho prático.

Assim fomos encontrando uma multidão de novos quadros, que se desenvolveram nestes anos; mas seu desenvolvimento não foi uniforme, posto que os jovens companheiros se viram frente à realidade da criação revolucionária sem uma adequada orientação de partido. Alguns triunfaram plenamente, mas há muitos que não puderam fazê-lo completamente e ficaram na metade do caminho, ou simplesmente se perderam no labirinto burocrático ou nas tentações que dá o poder.

Para assegurar o triunfo e a consolidação total da Revolução, necessitamos desenvolver quadros de diferentes tipos; o quadro político, que seja a base de nossas organizações de massa, e que as oriente através do Partido Unido da Revolução Socialista* (já se está começando a estabelecer as bases com as escolas nacionais e provinciais de Instrução Revolucionária e com os estudos e círculos de estudo de todos os níveis); também necessita-se de quadros militares para os quais se pode utilizar a seleção que a guerra fez a nossos jovens combatentes, já que ficou com vida uma boa quantidade, sem grandes conhecimentos teóricos, mas provados no fogo, provados nas condições mais duras da luta e de uma fidelidade a toda a prova como regime revolucionário, a cujo nascimento e desenvolvimento estão intimamente ligados desde as primeiras guerrilhas da Sierra. Devemos promover também quadros econômicos que se dediquem especificamente às tarefas difíceis da planificação e às tarefas da organização do Estado Socialista nestes momentos de criação.

É necessário trabalhar com profissionais, estimulando os jovens a seguir algumas das carreiras técnicas mais importantes para tentar dar à ciência o tom de entusiasmo ideológico que garanta um desenvolvimento acelerado. E é imperativo criar a equipe administrativa que saiba aproveitar e harmonizar os conhecimentos técnicos específicos com os demais e orientar as empresas e outras organizações do Estado para integrá-las ao forte ritmo da Revolução. Para todos eles, o denominador comum é a clareza política. Esta não consiste no apoio incondicional aos postulados da Revolução, mas sim num apoio racional, numa grande capacidade de sacrifícios e numa grande capacidade dialética de análise, que permite fazer contínuas contribuições, em todos os níveis, à rica teoria e a prática da Revolução. Estes companheiros devem ser selecionados na massa, aplicando-se o princípio único de que o melhor sobressaia e que ao melhor sejam dados as maiores oportunidades de desenvolvimento.

Em todos estes lugares, a função do quadro, apesar de ocupar frentes distintas, é a mesma. O quadro é a peça mestra do motor ideológico que é o Partido Unido da Revolução. É o que poderíamos chamar de parafuso dinâmico deste motor: parafuso enquanto peça funcional que assegura seu correto funcionamento, dinâmico enquanto não é um simples transmissor para cima ou para baixo de lemas e demandas, mas um criador que ajudará o desenvolvimento das massas e a informação dos dirigentes, servindo de ponto de contato com aqueles. Tem uma importante missão de vigilância para que não se liquide o grande espírito da Revolução, para que esta não durma, não diminua seu ritmo. É um lugar sensível; transmite o que vem da massa e lhe infunde o que orienta o Partido.

Desenvolver os quadros é, pois, uma tarefa inadiável no momento. O desenvolvimento dos quadros tem sido tomado com grande empenho pelo Governo revolucionário; com seus programas de bolsa de acordo com princípios seletivos, com os programas de estudo para os operários, dando diferentes oportunidades de desenvolvimento tecnológico, com o desenvolvimento das escolas secundárias e as universidades abrindo novas carreiras, com o desenvolvimento, enfim, do estudo, do trabalho e da vigilância revolucionária como lemas de toda a nossa pátria, baseados fundamentalmente na União de Jovens Comunistas, de onde devem sair os quadros de todo o tipo e ainda os quadros dirigentes da Revolução no futuro.

Intimamente ligado ao conceito de quadro está o da capacidade de sacrifício, de demonstrar com o próprio exemplo as verdades e as palavras de ordem da revolução. O quadro, como dirigente político, deve ganhar o respeito dos trabalhadores com sua ação. É imprescindível que conte com a consideração e o carinho dos companheiros a que devem guiar nos caminhos da vanguarda. Por tudo isso, não há melhor quadro do que aquele cuja massa realiza eleição nas assembleias que designam os operários exemplares, os que serão integrados ao PURS (Partido Unido da Revolução Socialista) junto com os antigos membros do ORI (Organizações Revolucionárias Integradas), que passem por todas as provas de seleção exigidas. A princípio, constituirão um partido pequeno, mas sua influência entre os trabalhadores será imensa; e logo este crescerá, quando o avanço da consciência socialista for se convertendo em necessidade o trabalho e a entrega total à causa do povo. Com dirigentes médios dessa categoria, as difíceis tarefas que temos pela frente serão cumpridas com menos contratempos. Depois de um período de desordem e de maus métodos, chegou-se a uma política justa, que não será jamais abandonada. Com o estímulo sempre renovado da classe operária, nutrindo com suas fontes inesgotáveis as filas do futuro Partido Unido da Revolução Socialista, e com a direção de nosso partido, entramos com tudo na tarefa de formação de quadros que garantam o desenvolvimento impetuoso de nossa Revolução. Haveremos de triunfar nesta empreitada.

Cuba Socialista, Setembro, 1962.

Comandante Ernesto Guevara de La Serna

____________________________________________________________

(*) O Partido Socialista Popular era um partido socialista anterior à Revolução e análogo a outros partidos de outros países.

(*) O primeiro esforço das organizações revolucionárias cubanas pela constituição de um partido marxista-leninista unificado na fase posterior à Revolução, foi a criação das ORI (Organizações Revolucionárias Integradas), agrupando num único organismo político o Movimento 26 de Julho, o Partido Socialista Popular e o Diretório Estudantil Revolucionário. Em função de sérios desvios de caráter sectário, as ORI foram extintas e se passou à formação do Partido Unido da Revolução Socialista, que posteriormente deu origem ao Partido Comunista de Cuba.

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ENVER HODJA: Ardor Revolucionário em Defesa do Marxismo-Leninismo

Enver Hodja nasceu na cidade de Arguirokastro, em 16 de Outubro de 1908. Filho de uma família mulçumana, freqüentou a escola primária da cidade natal, que foi um dos  mais antigos centros das aspirações nacionais albanesas, e aí aprendeu, além das primeiras letras, um sentimento patriótico muito elevado, de total identificação com os interesses populares.

No período da revolta democrática de 1924, conduzida pelo bispo ortodoxo e poeta Fan Noli, revolta inconseqüente que iria levar ao regime tirânico de Ahmet Pacha, apoiado por sérvios e italianos, Enver Hodja, então estudante em Kortcha, organizou a primeira manifestação de estudantes contra a opressão. Conhece, nesta altura, pela primeira e última vez na sua vida, o cárcere, aos 16 anos de idade, com muitos colegas do liceu.

Definição como comunista

Como brilhante aluno do liceu francês de Kortcha, Enver Hodja recebe, em 1930, uma bolsa do governo albanês a fim de fazer os estudos superiores na França, para onde parte no fim desse mesmo ano.

Na França, inscreve-se na faculdade de ciências Montpellier, no final de 1931, com 23 anos, e, dentro em breve, entra nas fileiras do Partido Comunista Francês (PCF).

O regime de Zogu segue a sua evolução ideológica, e faz com que lhe seja suprimida a bolsa de estudos, em feve-reiro de 1934. Enver Hodja é então obrigado a ir para Paris à procura de trabalho, e, na capital, começa a escrever, como colaborador, para o jornal do PCF  L´Humanité onde denuncia a ditadura de Zogu, que conduz a Albânia para o fascismo mais descarado, para a entrega total à Itália de Mussolini. Em seus artigos contra o fascismo, Enver Hodja chega mesmo a prever a ocupação da Albânia pelas tropas italianas, o que veio a suceder em 07 de abril de 1939.

Em Paris, Enver Hodja esteve em ligação direta com os imigrantes albane-ses, sobretudo com o grupo de comunistas que tenta criar uma “frente democrática” contra o regime Zogu, na linha das frentes populares proposta pelo Komintern como única forma de luta eficaz contra o fascismo.

Enquanto muitos outros jovens, individualmente ou aconselhados pelo grupo de Paris, partem para as brigadas internacionais, que se vão bater na guerra-civil da Espanha, Enver Hodja regressa à Albânia

Depois de um período de vários meses sem trabalho, Enver Hodja ensina, durante quatro meses, no liceu de Tirana. Em seguida, por causa do domínio da língua francesa, foi enviado para o liceu de Kortcha, onde utiliza as aulas para difundir as idéias marxistas, sob a capa democrática e antimonárquica, para assim passar mais despercebido à repressão, que o conhece bem.

Ao mesmo tempo, dedica-se à atividade política clandestina, como membro do grupo comunista de Kortcha, do qual é um dos militantes mais ativos, sobretudo no movimento sindical, ajudando os operários das oficinas artesanais e das pequenas fábricas, da cidade e dos arredores, a organizarem-se no seio das associações profissionais.

Destituído do seu posto do liceu, em 1939, sob o pretexto de não ter querido filiar-se no partido fascista, mas de fato, por ter sido um dos organizadores da grande manifestação antifascista de Kortcha, do mesmo ano, Enver Hodja passa a só poder atuar na clandestinidade.

A esta altura, ainda reina grande confusão nos grupos comunistas albaneses, separados por profundas divergências internas. Só o grupo comunista de Kortcha defendia, na prática, a criação de um verdadeiro partido comunista e o lançamento da frente anti-fascista. Foi como representante do grupo de Kortcha e com a missão de impor, pelo debate e persuasão, estas posições de princípio, que Enver Hodja foi enviado a Tirana, nos princípios de 1940.

Frente a esta situação política bastante complexa e confusa, que oscilava entre o mais descarado oportunismo de direita e o sectarismo cego, o trabalho de Enver Hodja foi prolongado e difícil, até à afirmação prática, mobilizadora, de uma linha com o completo apoio das massas populares, de luta declarada contra o fascismo.

Partido do Trabalho nasce no fogo da luta

O início da guerrilha popular, no fim de 1940, com o total apoio do grupo de Kortcha, e o deslocamento de Enver Hodja para a montanha, em contato direto com a guerrilha, em junho de 1941, deu uma contribuição decisiva  para a unidade política de princípios com os outros grupos, proporcionando o reconhecimento prático da vanguarda proletária na sua atuação concreta.

Enver Hodja consegue convocar, em 3 de novembro de 1941, uma reunião de todos os grupos comunistas, na qual luta para convencer todos os oportunistas de direita e os esquerdistas de que é possível a construção do Partido num país de classe operária reduzida. Mostra na ocasião que o partido unificado será a condição básica da vitória, a única forma de a Albânia não cair sob a hegemonia de vizinhos poderosos.

A 8 de Novembro de 1941, nasce o Partido do Trabalho da Albânia. Enver Hodja é nomeado, no ato da fundação, primeiro secretário do comitê central e passa a viver nas zonas montanhosas libertadas, onde as nove guerrilhas populares albanesas passam a formar o corpo central de combate do Exército Popular de Libertação. O jornal Zeri i populit (Voz do Povo), criado em agosto de 1942, sob a direção do primeiro secretário do PTA, surge como o elemento unificador de todo o partido, como transmissor a todos os seus membros, da teoria marxista-leninista, da linha única política, ideológica, organizativa e de ação do proletariado revolucionário.

Construindo o socialismo

Em 28 de Novembro de 1944, depois de três anos de luta vitoriosa à Frente do PTA, condutor do Exército Popular de Libertação e da Frente Popular de Libertação, Enver Hodja entra em Tirana e é eleito chefe do governo democrático da Albânia, que se estrutura sob a forma política de ditadura do proletariado vitorioso. É o início da construção do socialismo na Albânia, mas é igualmente o alvorecer de novas lutas.

É também nesta altura que Enver Hodja casa com uma professora e militante do PTA, Nedjmie Djolini, filha de uma família mulçumana da cidade de Dibra, integrante do Partido desde a fundação e responsável pela Juventude Comunista, que sempre teve uma intensa atividade política, com um papel muito ativo no movimento de emancipação da mulher albanesa.

Em 14 de Julho de 1947, Enver Hodja faz uma viagem a Moscou, a convite do secretário-geral do PCUS  Stálin. Desse encontro, derivam os primeiros acordos comerciais e culturais entre os dois países socialistas, bem como o auxílio técnico soviético, num momento em que a Albânia está no auge do esforço da industrialização e de preparação dos terrenos pantanosos do litoral para a agricultura.

Desde 1947, o presidente da Iugoslávia, Josip Broz Tito, deixa claro o desejo de anexar a Albânia, o que não passa de uma política burguesa mascarada de marxismo, que procura transformar a Albânia na sétima república da Federação Iugoslava. Mas, se encontra adeptos dentro do próprio PTA, a idéia suscita, no geral, uma oposição firme na maior parte do Comitê Central e uma total repugnância nas massas populares.

Além da independência política, da afirmação do direito de “cada povo dispor de si próprio”, segundo os princípios básicos de Lênin e de Stálin, a luta contra a tentativa de ingerência iugoslava é, também, a luta entre duas linhas: a linha proletária, o caminhar sobre as suas próprias forças, e a linha capitalista de dar predominância à técnica afastada das massas populares, seus meros executantes. É caminhando com as forças do povo que o PTA realiza a reforma agrária, pratica a diversificação da indústria e da agricultura, precavendo o abastecimento interno, para evitar qualquer gênero de dependência, qualquer tipo de chantagem econômica, como a URSS tentou fazer em 1960, ao cortar o fornecimento de trigo e de carvão, na sua tentativa infrutífera de dominar os albaneses.

O 20.º Congresso do PUCS, em 1956, no qual se juntam os representantes dos interesses da nova burguesia soviética, instalada no aparelho do PUCS e do Estado, nos seus ataques a Stálin abre o combate declarado contra a ditadura do proletariado, mas levanta uma onda de protestos na Albânia contra a defesa de posições burguesas reacionárias.

Seis meses depois do 20.º Congresso do PUCS, Enver Hodja vai a Pequim, à frente da delegação do PTA convidada a assistir ao 8.º Congresso do Partido Comunista da China (PCC), de setembro de 1956. As relações com a República Popular da China, que se tinham incrementado a partir de 1956, com grandes fornecimentos de arroz à Albânia, estreitam-se ainda mais.

Em 1960, em Bucareste, no Congresso dos 81 Partidos Comunistas e Operários, Enver Hodja é o primeiro dirigente a fazer a denúncia pública do revisionismo moderno da própria tribuna do Congresso. Em 1961, o PTA, com Enver Hodja, abandona o Pacto de Varsóvia, denunciando-o como força agressiva contra os povos do mundo, como tentativa de domínio, por parte da URSS, dos países da Europa Oriental e das massas populares

Sob o controle das massas

Em 1967, inicia-se, com toda força e prestígio do PTA, a Revolução Cultural, conduzida pessoalmente por Enver Hodja, processo de extinção das classes e de crescimento ideológico, levado a efeito sob a ditadura do proletariado. A Revolução Cultural incidiu em todos os setores da produção e da vida social. Enver Hodja, que dirige e participa ativamente de todo o processo da Revolução Cultural, apresenta, citando Stálin, a forma correta da sua condução: “ Organizar o controle pela base, organizar a crítica de milhões de homens da classe operária contra o espírito burocrático das nossas instituições, contra os seus defeitos, contra os  seus erros… Só deslocando o centro de gravidade para a crítica da base podemos esperar o sucesso na nossa luta e o burocratismo será extirpado”.

O informe político de Enver Hoda ao 6.º Congresso do PTA contém a essência política e ideológica de todo o movimento da Revolução Cultural, da luta contra o revisionismo, das bases para a continuação da construção do socialismo e  é também o reconhecimento de que é um caminho longo e difícil, um caminho de constante apuramento político e ideológico, perante o cerco do imperialismo e do social-imperialismo soviético, de continuação da luta da classe operária, de participação dos comunistas em todos os trabalhos de vanguarda, sobretudo nos mais perigosos, que exigem maior esforço e dedicação, do seu exemplo no seio do povo, do seu trabalho ao serviço do povo – como afirma Enver Hodja no Discurso histórico de 2 de Fevereiro de 1973 – de total abdicação de si próprio, sem vantagens econômicas ou regalias particulares, mas pela obrigação do seu elevado grau de consciência política, de construtores do mundo novo.

(Manuel Quirós (1939-1975), professor português, ficou preso durante quatro anos (1965-1969) nos porões da PIDE, a temida polícia política da ditadura salazarista.
Foi solto em decorrência do seu estado de saúde, debilitado em razão das torturas sofridas no cárcere. Mas a doença não o acomodou.
Dedicou-se à reconstrução do Partido Comunista Marxista-Leninista de Portugal até o último instante de sua vida.)

Nota da redação O artigo de Manuel Quirós sobre Enver Hodja foi escrito em 1974. Em 1978, a Albânia rompe com a China por discordar de sua aproximação com os EUA, com quem restabeleceu relações diplomáticas e comerciais. Sob a direção de Hodja, o PTA permanece fiel ao marxismo-leninismo, recusando-se a fazer concessões aos países capitalistas. Mas, com a morte de Enver Hodja, em abril de 1985, seu sucessor Ramiz Alia inicia um processo de reformas capitalistas que levam à destruição das conquistas da revolução. As aves de rapina do imperialismo passam a saquear a Albânia, que, hoje se encontra com seu parque industrial aniquilado, o mesmo ocorrendo na agricultura; 70% da alimentação consumida chegam de outros países; o povo vive na miséria, a corrupção e o crime organizado imperam.

Retirado do Jornal A Verdade, nº 93

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Mentiras relativas à história da União Soviética

A mentirosa história dos milhões de pessoas que, supostamente, foram encarceradas e morreram nos campos de trabalhos forçados da União Soviética e como resultado da fome durante os tempos de Stálin.

Neste mundo em que vivemos, quem não ouve as terríveis histórias de possíveis mortes e assassinatos nos campos de trabalhos forçados do “gulag” da União Soviética?  Quem não ouve histórias dos milhões que morreram de fome e dos milhões de oposicionistas executados na União Soviética na época de Stálin?  No mundo capitalista, essas histórias são repetidas inúmeras vezes nos livros, jornais, no rádio e na televisão, e nos filmes, e os números míticos dos milhões de vítimas do socialismo aumentaram, aos saltos, nos últimos 50 anos.

Mas, na realidade, de onde vêm essas histórias e essas cifras?  Quem está por trás de tudo isso?

Uma outra pergunta:  o que há de verdade nessas histórias?  E que informações se encontram nos arquivos da União Soviética, anteriormente secretos, mas abertos à pesquisa histórica por Gorbachov em 1989?  Os autores dos mitos sempre disseram que todas as suas histórias dos milhões que morreram na União Soviética de Stálin seriam confirmadas no dia em que os arquivos fossem abertos.  E foi isso que aconteceu?  Elas foram confirmadas de fato?

O seguinte artigo nos mostra de onde se originaram essas histórias de milhões de mortes pela fome e nos campos de trabalhos forçados e quem está por trás delas.

O presente autor, após ter estudado os relatórios da pesquisa feita nos arquivos da União Soviética, pode dar informações, na forma de dados concretos, sobre o número real de prisioneiros, os anos que passaram na prisão e o número verdadeiro daqueles que morreram e daqueles que foram condenados à morte na União Soviética de Stálin.  A verdade é bem diferente do mito.

Existe um elo histórico direto ligando Hitler a Hearst, a Conquest, a Soljenitsin.  Em 1933, ocorreu uma mudança política na Alemanha que iria deixar sua marca na história do mundo por décadas a fora.  Em 30 de janeiro de 1933, Hitler tornou-se primeiro-ministro e uma nova forma de governo, envolvendo violência e desrespeito para com a lei, começou a tomar forma.  A fim de consolidar o seu controle sobre o poder, os nazistas convocaram novas eleições para 5 de março, empregando todos os meios de propaganda ao seu alcance para garantir sua vitória.   Uma semana antes das eleições, em 27 de fevereiro, os nazistas incendiaram o parlamento e acusaram os comunistas de serem os responsáveis.  Nas eleições que se seguiram, os nazistas obtiveram 17,3 milhões de votos e 288 deputados, cerca de 48% do eleitorado (em novembro, eles haviam recebido 11,7 milhões de votos e 196 deputados).  Banido o Partido Comunista, os nazistas começaram a perseguir os social-democratas e o movimento sindicalista, e os primeiros campos de concentração começaram a se encher com todos os homens e mulheres esquerdistas.   Entrementes, o poder de Hitler no parlamento continuou a crescer, com a ajuda da ala de direita.  Em 24 de março, Hitler conseguiu que o parlamento aprovasse uma lei que lhe concedia poder absoluto para governar o país por quatro anos sem consultar o parlamento.  A partir de então, começou a perseguição aberta aos judeus, os primeiros dos quais começaram a ser enviados para os campos de concentração,  onde os comunistas e social-democratas já se encontravam detidos.  Hitler continuou a pressionar no sentido de obter o poder absoluto, denunciando os acordos internacionais de 1918, que haviam imposto restrições ao armamento e militarização da Alemanha.  O rearmamento da Alemanha foi realizado a uma grande velocidade.  Esta era a situação na arena política internacional quando começaram a ser montados os mitos relativos àqueles que morreram na União Soviética.

Leia o texto aqui.

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Josef Stálin – O Pai dos Povos

Jossif Vissarionóvich Dzugasvili  Stálin  nasceu em 21 de dezembro de 1879 em Gori, província de Tífilis, Geórgia, região da Transcaucásia. Seu pai, Vissarion Ivanovich era filho de camponês pobre, tornou-se sapateiro autônomo e, depois, operário de uma fábrica de calçados. Sua mãe, Catarina Gueorguievna, filha de servo (camponês pobre).
A Rússia era o país mais atrasado da Europa, tinha como base a agricultura caracterizada pelo latifúndio e regime de servidão. Mas nas últimas décadas, o capitalismo avançava, lutas operárias vinham acontecendo, formando-se um campo fértil às idéias revolucionárias. Círculos clandestinos para estudo e divulgação do marxismo foram formados por intelectuais. O desafio era como fundir a teoria marxista com o movimento operário, o que foi conseguido por Lênin (V. A Verdade, nº  49), com a União de Luta pela Emancipação da classe operária de São Petersburgo.  Em 1898 fundou-se o Partido Operário Social-Democrata da Rússia ( POSDR).

No seminário de Tífilis, Stálin conheceu a literatura marxista, entrou em contato com grupos ilegais, organizou um círculo de estudos e ingressou no POSDR no ano de sua fundação, sendo expulso do seminário no ano seguinte, em razão de suas atividades.

A partir de então, dedicou-se inteiramente à atividade revolucionária, editando publicações clandestinas, redigindo textos e artigos e fazendo a propaganda do marxismo entre os operários.

O lutador e o dirigente

No levante operário de 1905, as divergências dentro do PSODR se clarificaram: de um lado, os mencheviques, defendendo meios pacíficos de luta e, de outro, os bolcheviques que propunham transformar a greve operária em insurreição armada. Stálin defendeu esta posição firmemente na Primeira Conferência Bolchevista de toda a Rússia, ocasião em que se encontrou com Lênin pela primeira vez e, juntos, redigiram as resoluções do Encontro.  A insurreição aconteceu em dezembro de 1905 e foi derrotada.

Stálin redobrou o trabalho de base, concentrando suas atividades na região petrolífera de Baku: “Dois anos de atividade revolucionária entre os operários da indústria petrolífera temperaram-me como lutador e como dirigente. Conheci pela primeira vez o que significava dirigir grandes massas operárias”.

Em 1912, na Conferência de Praga (Checoslováquia), dada a impossibilidade de realizá-la na Rússia, os bolcheviques decidem organizar-se em partido independente, afastando completamente os mencheviques e adotando o nome POSDR (b), isto é, bolcheviques. Stálin estava na prisão, de onde fugiu pouco depois, participando com Lênin da criação do PRAVDA (A Verdade). Indicado para dirigir o grupo bolchevique na Duma (parlamento russo), foi detido mais uma vez e enviado para longínqua cidade da Sibéria, de onde só sairia com a revolução (burguesa) de fevereiro de 1917.

A jornada de luta dos operários, que acontecia desde o início do ano de 1917, se amplia e obtém a adesão de um grande número de soldados sublevados em razão das precárias condições em que enfrentavam os alemães (1ª guerra mundial). A insurreição culmina com a derrubada do czarismo e constituição de um governo burguês, provisório. Livre,  Stálin se desloca para Petrogrado e no dia 16 de abril está à frente de uma delegação operária, recebendo Lênin (retornava do exílio) na estação Finlândia. Uma semana depois, realizou-se a sétima Conferência e ele foi eleito para o birô político do Partido Bolchevique.

Organizam-se os soviets (conselhos) de operários, camponeses e soldados, que em pouco tempo instauram uma situação de dualidade de poder. Lênin propõe a passagem da revolução democrático-burguesa para a revolução socialista e em julho/agosto realiza-se o II Congresso do Partido. Al-guns delegados defenderam que não era o momento para esse salto, por falta de apoio dos camponeses ou mesmo porque só era possível construir o socialismo com a vitória da revolução nos países euro-    peus. Stálin pronunciou: “ …É necessário desprezar essa idéia caduca de que só a Europa pode nos indicar o caminho. Há um marxismo dogmático e um marxismo criador. Eu me situo no terreno do segundo”. Esta era também a visão de Lênin e da esmagadora maioria dos bolcheviques, o que tornou possível a revolução socialista de outubro.

Stalin esteve à frente de todos os preparativos para a insurreição e integrou o grupo que conduziu o Comitê Militar Revolucionário. O levante começou no dia 6 de novembro, à noite.  No dia 7,  rapidamente, as tropas revolucionárias tomaram os principais pontos de Petrogrado e o Palácio de Inverno, onde se tinha refugiado o governo provisório. Quando o II Congresso dos Soviets se instalou naquele mesmo dia, proclamou: “… apoiando-se na vontade da imensa maioria dos operários, soldados e camponeses e na insurreição triunfante levada a cabo pelos operários e a guarnição de Petrogrado, o Congresso toma em  suas mãos o poder”.

No período de 1917 a 1924, Stálin atua ao lado de Lênin na condução do Partido e dos negócios do Estado. Durante a guerra contra-revolucionária desencadeada pela burguesia e pelos latifundiários russos, e pelos exércitos de uma dezena de potências estrangeiras, destacou-se como estrategista militar, principalmente nas frentes onde havia insegurança ou indisciplina. Sempre envolvendo a massa popular da região, Stálin conseguia debelar o foco do problema e devolver a confiança e o ânimo às tropas vermelhas que voltavam a obter êxitos.

Transformando o sonho em realidade

Em  (1922), no XI Congresso, Stálin, que sempre esteve ao lado de Lênin, foi eleito para o cargo de secretário-geral e assumiu a tarefa de organizar a união livre e voluntária dos povos, vindo a constituir a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Com o agravamento da saúde de Lênin, Stálin assumiu a direção do XII Congresso, propugnando o combate à tendência de retorno ao capitalismo, por má interpretação da Nova Política Econômica ( NEP) em alguns setores da economia e propôs um programa que acabasse com a desigualdade econômica e cultural entre os povos da URSS.

Lênin faleceu no dia 21 de janeiro de 1924. No XIV Congresso (1925), definiu-se como caminho para fortalecer o socialismo na URSS: “Transformar nosso país, de um país agrário num país industrial, capaz de produzir com seus próprios meios, as máquinas e ferramentas necessárias”. Não havia unanimidade quanto a essa estratégia, à qual se opunham os dirigentes Kamenev e Zinoviev, que propunham maior fortalecimento da agricultura e um ritmo de crescimento industrial mais lento.   Trostki também se opunha, argumentando que Stalin estava desviando energias para o desenvolvimento econômico interno, em vez de canalizá-la para a revolução proletária mundial. Na concepção de Stálin,  a melhor forma de contribuir com a revolução mundial, de fortalecer o internacionalismo proletário, seria fortalecendo o socialismo na URSS.

Para implementar a industrialização, a URSS só podia contar com as próprias forças. Havia de contar com o entusiasmo da classe trabalhadora e eliminar ideológica e organicamente os setores que se opunham à aplicação das resoluções do Congresso. “Não se podia alcançar a industrialização sem a destruição ideológica e orgânica do bloco trotskista-zinovievista” ( Stálin, Instituto Mel).

A luta contra os kulaks e os restauradores do capitalismo

O XV Congresso realizado em 1927 constatou os êxitos da industrialização. Stálin ressaltou que era necessário avançar, superando o único obstáculo existente ainda, o atraso na agricultura e indicou a solução: “passagem das explorações camponesas dispersas para grandes explorações unificadas sobre a base do cultivo comum da terra com técnica nova e mais elevada”. Destacou que essa agrupação deveria se dar pelo exemplo e pelo convencimento, não pela coerção dos pequenos e médios agricultores.

A Revolução de 1917 havia eliminado o latifúndio, transformando-o em sovkozes (fazendas estatais) e incentivava os pequenos camponeses a se organizarem em cooperativas, os kolkhozes. Agora, tratava-se de intensificar essa campanha e de neutralizar os camponeses ricos (kulaks), setor que se fortalecera durante a Nova Política Econômica (NEP).

Dentro do Partido, um grupo liderado por Bukharin, Rikov e Tomski se opôs à repressão aos kulaks, defendendo um processo gradual e pacífico de coletivização da terra. Stálin avaliava que o grupo pretendia na verdade restaurar o capitalismo e agia como agentes dos camponeses ricos e promoveu “o esmagamento dos capitulacionistas”. Em 1927, em comemoração ao XII aniversário da Revolução, escreveu: “O ano transcorrido foi o ano da grande virada em todas as frentes de edificação socialista”. Com a liquidação dos kulaks, procedeu-se à coletivização total do campo.  Stálin criticou excessos praticados em alguns lugares onde se impuseram medidas para as quais os camponeses não estavam preparados e ensinou aos militantes: “…não se pode ficar à retaguarda do movimento, já que retardar-se significa afastar-se das massas, mas tampouco deve-se adiantar, já que isto significa perder os laços com as massas” (J. Stálin, Problemas do Leninismo).

Com base nos resultados alcançados, o informe dado por Stálin no XVI Congresso (1930) afirmou: “nosso país entrou no período do socialismo”. O congresso aprovou o primeiro plano qüinqüenal, cuja meta era a reconstrução de todos os ramos da economia com base na técnica moderna. Eis o balanço apresentado por Stálin no XVII Congresso (1934): “…Triunfou a política de industrialização, da coletivização total da agricultura, da liquidação dos Kulaks, triunfou a possibilidade de construção do socialismo num só país”. É lançado o segundo plano qüinqüenal, que prevê realizações em todos os ramos da economia e nos campos da cultura, das ciências, da educação pública e da luta ideológica.
Em quatro anos e três meses, o plano estava cumprido. Afigurava-se agora a necessidade de uma revolução cultural no sentido de capacitar quadros oriundos do proletariado para que dominassem a técnica e assumissem funções de direção no governo soviético. A partir do apelo de Stálin, surge o movimento stakanovista “ iniciado na bacia do Donets, na indústria do carvão, se espalhou por todo o país. Dezenas e centenas de milhares de heróis do trabalho deram exemplo de como se devia assimilar a técnica e conseguir aumentar a produtividade socialista do trabalho na indústria, na agricultura e no transporte”. (Stalin, Instituto Mel).

Em 1936, o XVIII Congresso dos sovietes aprovou a nova constituição da URSS, a constituição do socialismo, garantindo não apenas liberdades formais como as constituições burguesas, mas “amplíssimos direitos e liberdades aos trabalhadores, material e economicamente, assegurados por todo o sistema da economia socialista que não conhece as crises, a anarquia nem o desemprego”.

O XVIII Congresso ocorreu em 1939. Enquanto os soviéticos comemoravam êxitos, os países capitalistas viviam profunda crise e Hitler já ocupava as nações vizinhas da Alemanha. Em relação à política externa, o congresso aprovou a orientação de Stálin no sentido de se continuar aplicando a política de paz e de fortalecimento das relações com todos os países, não permitindo que a URSS seja arrastada a conflitos por provocadores.

Em nível interno, a tarefa lançada foi a de ultrapassar nos 10 ou 15 anos seguintes os países capitalistas no terreno econômico. No seu informe ao XVIII Congresso, Stálin concluía que “É possível construir o comunismo em nosso país, mesmo no caso de se manter o cerco capitalista”.

Comandando a guerra contra Hitler e o nazifascismo

O ano de 1940 registrou um aumento sem precedentes da produção na URSS e em 1941, quando o povo soviético se preparava para comemorar novas vitórias, Hitler rompeu o pacto e invadiu o território socialista. Para centralizar a defesa e coordenar a luta de libertação nacional, o Conselho de Comissários do Povo criou o Comitê de Defesa do Estado, nomeando Stálin seu presidente. O povo respondeu com toda disposição e os invasores, que acreditavam dominar a URSS em dois meses, fracassaram.  Em 1944, se retiravam humilhados.

“Para Berlim!”, bradou Stálin, e o Exército Comunista foi libertando do jugo capitalista os países da Europa Oriental, até erguer a Bandeira Vermelha na capital alemã no dia 9 de maio de 1945.

A URSS foi o país que mais sofreu com a agressão nazista, tanto em perdas econômicas quanto em humanas, mas, poucos anos depois, já se recuperava e alcançava os níveis anteriores de produção na indústria e na agricultura, apesar da guerra fria (corrida armamentista, boicote econômico) lançada pelas potências capitalistas, especialmente os EUA, rompendo o acordo assinado na conferência de Ialta que resultara na criação da ONU.

No dia 5 de março de 1953, morreu Stálin, deixando uma lacuna jamais preenchida na URSS e enlutando também o movimento comunista em todo o mundo. Em toda a União Soviética, os operários fizeram cinco minutos de silêncio e  em Moscou, 4 milhões e meio de pessoas acompanharam o enterro do seu herói e líder. Também, em vários países os operários pararam para se despedir de Stálin.

Sobre uma infinidade de acusações lançadas sobre Stálin pela burguesia mundial e pelos dirigentes russos após o XX Congresso do PCUS, fala o genial arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer: “Foi tudo invenção capitalista”.

Retirado do Jornal A Verdade, nº 51

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Lênin – O gênio do proletariado

“Simples como a verdade, no rosto brilhavam e flamejavam aqueles olhos agudos de combatente infatigável contra as mentiras e os males da vida”
(Maximo Gorki)

1870 – 10 de abril no calendário antigo, 22 no atual: nasce Vladimir Ilich Ulianov na pequena cidade de Simbirsk (Ulianovsk) situada a 1.500 Km de S. Petersburgo, então capital do vasto império russo. Sob a tirania dos Romanov, a Rússia era, autocraticamente, governada pelo czar (imperador) Alexandre II.

1879 – Freqüentando o Liceu de Simbirsk (1879-1887), Vladimir Ilich conheceu cedo as obras dos grandes escritores russos: Pushkin, Gogol, Turgueniev, Tolstoi, Dostoievski, Bielinski, Herzen, Tchernichévski… Os dois últimos organizaram a primeira sociedade secreta de oposição ao czarismo: Vontade do Povo.

1887 – Alexandre Ulianov (Sacha), ir-mão de Vladimir, é enforcado, em março, aos 21 anos, por ter preparado as bombas que não chegaram a matar o czar. Em agosto, Ilich inicia o curso de Direito na Universidade de Kazã, sendo expulso, em dezembro, por participar de discussões sobre aspectos retrógrados do regimento da Universidade. Com sua prisão, dá-se o seu batismo revolucionário.

1891 – Permitido somente prestar exames, sem direito a freqüentar a Universidade de S. Petersburgo, Vladimir Ilich Ulianov estudou sozinho todas as matérias do curso de direito, bacharelando-se com as melhores notas entre 134 estudantes regulares do curso.

Primeiras ações na clandestinidade

1894 – Clandestinamente, foi impresso seu primeiro livro, Quem são os “Amigos do Povo” e como lutam contra eles os Social -Democratas, no qual V. I. Ulianov desenvolveu a tese da aliança do operariado com o campesinato.

1895 – Ilich consegue aglutinar os diversos círculos marxistas de S. Petersburgo numa única organização política – União de Luta pela Libertação da classe operária -, que invadida, foi destruída pela Okhrana (polícia política secreta czarista). Vladimir é preso juntamente com outros membros da organização.

1897 – sem julgamento, IIich é condenado a três anos de desterro na aldeia siberiana de Chuchenskoe, onde, além de se dedicar ao estudo de várias línguas, escreveu mais de trinta trabalhos importantes, terminando, inclusive, o Desenvolvimento do Capitalismo na Rússia. Em Chuchenskoe, Vladimir se casa com Nadejda Krupskaia (Nádia), professora que conhecera num círculo de S. Petersburgo, também condenada ao desterro.

1900 – em janeiro, findo o desterro, Ulianov dirige-se para Ufá. O POSDR (Partido Operário Social-Democrata Russo), fundado em Minsk, em 1898, por insistência de Ilich na realização de seu I Congresso, aprova a publicação de um jornal que seria o seu órgão oficial. Vladimir decide publicá-lo no exterior, devido à truculenta repressão da Okhrana na Rússia.

Em dezembro, quase inteiramente elaborado por Ulianov, é lançado em Munique, sul da Alemanha, o primeiro número do Iskra (A Centelha), que trazia, no cabeçalho, a epígrafe: Da centelha saltará a chama.

1901- A revista Zariá (Aurora), editada pela redação do Iskra, publica parte do artigo A Questão Agrária e os Críticos de Marx, assinado por Lênin, pseudônimo derivado de Lena, o grande rio navegável da Sibéria. Daí em diante, embora ele tenha usado outros pseudônimos, o mundo passou a conhecer Vladimir Ilich Ulianov como Lênin.

1902/16 – Nos quinze anos que precederam a revolução socialista de 1917, Lênin viveu praticamente fora da Rússia, com exceção de pequeno período durante a primeira Revolução russa (1905-1907). “Líder puramente por virtude do intelecto”, como se referiu a ele John Reed, Lênin causou a todos que o conheceram a indelével impressão de ser portador de um cérebro muito privilegiado.

1902 –  foi publicado, em Stuttgart, o seu livro Que Fazer?

O bolchevismo se organiza em Partido de novo tipo

Em 1903, na cisão do POSDR, durante seu II congresso, concluído em Londres, surge o “partido de novo tipo”, bolchevique, revolucionário, liderado por Lênin. “O bolchevismo existe como corrente de pensamento político e como partido político desde 1903”, ele escreveu, mais tarde, em Esquerdismo, doença Infantil do Comunismo.

Em agosto de 1914, o imperialismo (especialmente o alemão) deflagrou a Primeira Guerra Mundial, que causou milhões de mortos e incontáveis desgraças às massas populares. Conclamando os povos a declararem guerra à guerra, Lênin redigiu um grande manifesto, propondo a conversão da guerra imperialista em guerra civil: as armas deveriam voltar-se não irmão contra irmão, trabalhadores assalariados de um país contra outro, mas contra os governos burgueses, reacionários e opressores. “O fim das guerras, a paz entre os povos, o fim das pilhagens e violência – tal é o nosso ideal”, deixou o líder bolchevique consignado em A Questão da Paz. ” O desarmamento é o ideal do socialismo”, escreveu em Sobre a Palavra de Ordem do Desarmamento.

Sem interromper suas atividades político-partidárias, Lênin ministrou numerosas conferências em várias cidades européias, e escreveu, em 1915/16, uma série de livros e trabalhos: Cadernos Filosóficos, continuação de Materialismo e Empiriocriticismo  de 1908, O Socialismo e a Guerra, A Revolução Socialista e o Direito das Nações à Autodeterminação, Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo, terminado no verão de 1916, em Zurique, sua última cidade fora da Rússia.

“Espero, herr Ulianov, que na Rússia o senhor não tenha de trabalhar quanto aqui” – disse seu locador, despedindo-se; ao que Lênin redargüiu: – “Creio, herr Kammerer, que em Petrogrado irei ter muito mais trabalho!”

O Poder para o Proletariado: “Paz, Terra e Pão”!

1917 – Às 23 horas de 3 de abril, Lênin chega à estação Finlândia da capital pátria. Milhares de trabalhadores agitam bandeiras vermelhas, saudando-o com entusiásticas aclamações. O Líder discursa: “Camaradas! . O povo precisa de paz, o  povo precisa de pão, o povo precisa de terra. Eles lhes dão guerra, fome e nada de pão – deixam os proprietários continuarem controlando a terra… Precisamos lutar pela revolução … Viva a revolução socialista mundial!” .

“Foi extraordinário”, afirma o escritor N. Sukhanov, que não era bolchevique. Rodeado pelo povo, Lênin é conduzido à sede do Partido, e, daí, com Krupskaia, dirige-se à casa da irmã Ana, onde depara, sobre a cama do quarto que lhes fora preparado, um cartaz: “Proletários de todo o mundo, uni-vos!”.

Entre a queda do czar (fevereiro/1917) e a tomada do poder pelos bolcheviques em outubro, a Rússia viveu uma revolução social de baixo para cima sem precedente na história da humanidade.

Na fria noite de 24 de outubro, saindo de vez da clandestinidade, Lênin vestiu o velho sobretudo e, enrolando um cachecol no pescoço, encaminhou-se para o Instituto Smolny, Estado-Maior da revolução, onde pôs-se a dirigi-la pessoalmente: ordenou à Guarda Vermelha que ocupasse todas as posições estratégicas da capital. Afinal chegara o momento para o qual criara o mais eficiente partido revolucionário do mundo.

Na manhã de 25 de outubro de 1917, com exceção do Palácio de Inverno, sede do governo provisório, as principais instituições de Petrogrado (S. Petersburgo) estavam sob o controle da Guarda Vermelha. À noite, o Palácio de Inverno foi tomado de assalto, vencendo, assim, sem morticínio, num país que contava cerca de 150 milhões de habitantes, a Revolução Socialista de outubro, primeira revolução proletária do planeta.

À tarde de 26 de outubro, ante o II Congresso dos Soviets, reunido no Smolny, Lênin vê aprovados, por unanimidade, os seus dois primeiros decretos soviéticos: Sobre a Paz e Sobre a Terra. Este abolia a propriedade latifundiária da terra sem qualquer indenização, constituindo-se no ponto de partida de uma nova era para a Rússia. O Decreto Sobre a Paz estigmatizou a guerra como o maior crime contra a humanidade.

Elegendo o Conselho de Comissários do Povo, com Lênin a presidi-lo, o II Congresso dos Soviets de toda a Rússia escolheu, entre outros, para o Comissariado (Ministério) das Nacionalidades, Stálin; Trostky para o das Relações Exteriores, encerrando-se seus trabalhos ao som de A Internacional.

O povo soviético derrotou 14 países capitalistas

1918/23 – no dia 4 de janeiro de 1918, o Pravda publicou um dos documentos mais notáveis da História Universal, a Declaração dos Direitos do Povo Trabalhador e Explorado, redigida por Lênin, que destacava a principal tarefa do poder Soviético: a eliminação da exploração do homem pelo homem.

Em março, por questões estratégicas, o governo transfere-se para Moscou, que se torna a capital da nova República, passando Lênin a residir e trabalhar no Kremilin (cidadela).

Dizendo ser necessário “estrangular a criança bolchevique no berço”, Winston Churchill anuncia uma “campanha de 14 estados” contra a Rússia soviética, desencadeando-se, então, de meados de 1918 a meados de 1921, uma guerra de intervencionistas estrangeiros e contra-revolucionários (guardas brancos), custando à recém-fundada República milhões de vidas e incalculável devastação econômica.

O desempenho de Lênin, durante a guerra civil e intervenção militar estrangeira, foi excepcional. Sob sua direção, traçavam-se operações militares, forjando-se nos combates o Exército Vermelho. Possuindo uma profunda compreensão da psicologia das massas, o líder soviético a todos cativava: “Tudo para a frente, tudo para a vitória!” era sua palavra de ordem.

Apesar do enorme trabalho de organização e defesa do Estado, ele inaugurou a III Internacional (Comintern), em março de 1919. No verão desse ano, falando a estudantes, finalizou sua conferência “Sobre o Estado” com as palavras: “E quando no mundo já não houver possibilidade de explorar… já não acontecer que uns se fartam enquanto outros passam fome… atiraremos essa máquina para o monte de sucata. Então, não haverá Estado e não haverá exploração.”
Derrotadas pelo Exército Vermelho todas as forças estrangeiras e contra-revolucionárias que tentaram sufocar o nascente socialismo na Rússia, Lênin encheu-se de legítimo orgulho: “Resistimos contra todos.” E, implantada, em 1921, a NEP (Nova Política econômica), elaborada por ele, reforçou-se a aliança do operariado com o campesinato, consolidando-se o Poder Soviético, premissa indispensável de todo o desenvolvimento posterior da Rússia socialista.
Mas em conseqüência do imenso esforço e trabalho que até então realizara, passados trinta anos sem descanso, Lênin entrou em profunda estafa, adoecendo no inverno de 1921. Escreveu a Máximo Gorki: “Terrivelmente cansado. Insônia. Vou tratar-me.”

Submetendo-se a rigoroso tratamento médico, o líder soviético melhorou no decorrer de 1922, ditando seus últimos trabalhos no início de 1923. Suas obras completas estão reunidas em 55 alentados volumes.

Para sempre na luta dos oprimidos

1924 – No dia 21 de janeiro de 1924, após o jantar, Lênin recolheu-se em seu quarto, na casa de repouso em Gorki, aldeia próxima a Moscou, onde convalescia. De repente, sua temperatura subiu bruscamente, a respiração tornou-se difícil, ficou inconsciente, sucumbindo a um derrame cerebral – eram 18 horas e 50 minutos.

A notícia propagou-se rapidamente pelo mundo. Sun-Yan-Sen finalizou emocionado discurso fúnebre, ao receber a notícia de sua morte: “Na memória dos povos oprimidos, tu viverás durante séculos, grande homem!”  O médico e empresário norte-americano, Armand Hammer, que assistiu aos funerais do líder da primeira revolução socialista vitoriosa da Terra, escreveu: “Nenhum rei, imperador ou papa recebeu uma derradeira homenagem como aquela.”  Embalsamado, Vladimir Ilich Ulianov encontra-se na Praça vermelha, centro de Moscou.

Marco da História Universal, o mundo jamais será o mesmo após Lênin, símbolo do passado, do presente e do futuro na luta pela libertação.

Elio Bolsanello, autor do livro  LÊNIN – Biografia Ilustrada.

Retirado do Jornal A Verdade, nº 49

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