40 milhões param na Greve Geral contra as reformas do Governo

Convocada por centrais, sindicatos e movimentos sociais, a greve geral contra as reformas de Temer e dos banqueiros contou com a participação de 40 milhões de trabalhadores em todo país. Ruas, avenidas e estações praticamente vazias ao longo do dia nas principais cidades brasileiras demonstraram que a população aderiu em massa ao movimento.

Em São Paulo, metrô, ônibus e trens não circularam, e as principais avenidas e vias de acesso à cidade foram trancadas por manifestantes. Mais de mil integrantes da Frente Povo Sem Medo interromperam o acesso ao aeroporto de Guarulhos, e categorias como bancários, metalúrgicos, químicos, petroleiros, professores e servidores públicos também paralisaram suas atividades. Mais tarde, aproximadamente 70 mil pessoas se reuniram no Largo da Batata, zona oeste da capital paulista, e caminharam em direção à casa de Michel Temer.

No Rio de Janeiro, as primeiras horas do dia foram marcadas por trancamentos na Ponte Rio-Niterói, Avenida Brasil, Radial Oeste e Linha Vermelha, interditada por quase duas horas por manifestantes ligados ao Movimento Luta de Classes e à União da Juventude Rebelião. Professores, bancários e estivadores cruzaram os braços. Vários voos saindo do aeroporto Santos Dumont foram cancelados. Em Duque de Caxias, petroleiros e terceirizados fecharam a Refinaria da Petrobras. Em Campos dos Goytacazes, norte fluminense, as atividades da greve duraram o dia todo e cerca de 1.500 pessoas participaram do ato no centro da cidade. Ao longo da semana, brigadistas de A Verdade ocuparam os trens da Central do Brasil convocando a população para a greve.

Em Belo Horizonte, o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas trancou a saída do Terminal Rodoviário Diamante, na região do Barreiro. A BR-040, que liga a capital mineira ao Rio de Janeiro, e a BR-116, em Governador Valadares, foram interditadas. Metroviários, rodoviários, metalúrgicos, professores das redes pública e privada, bancários, servidores da UFMG, urbanitários, comerciários, funcionários dos Correios, policiais civis, agentes penitenciários e trabalhadores da MGS aderiram em peso à greve. Uma grande marcha saiu da Praça da Estação rumo à Praça da Assembleia, reunindo mais de 100 mil pessoas.

Em Brasília, rodoviários, metroviários, bancários, professores da rede pública e privada, servidores do governo do DF, além de técnicos e professores da Universidade de Brasília (UnB), se somaram à paralisação.

Em Goiás, ocorreram paralisações, trancaços e marchas em 25 cidades, totalizando mais de 100 mil manifestantes. Em Goiânia, empresas de ônibus foram fechadas pelo sindicato dos rodoviários. Cerca de 70 mil pessoas participaram do ato na Praça dos Bandeirantes, no centro da cidade.

Em Porto Alegre, a Avenida Mauá, principal acesso à cidade, foi interditada pelo MLB, Movimento de Mulheres Olga Benario e pelas ocupações Lanceiros Negros e Mulheres Mirabal. Em Guaíba, na região metropolitana, e Passo Fundo, no interior do estado, também houve atividades da greve. O Centro Administrativo, as sedes da Procuradoria Geral do Estado e do Ministério Público, a Secretaria de Saúde e os Correios foram fechados pelos sindicatos e movimentos. À tarde, mais de 30 mil pessoas saíram em passeata pelo centro da capital gaúcha contra as reformas da previdência e trabalhista.

Em Pernambuco, foram realizados trancaços nas BR-101 e 232. A Avenida Caxangá, no Recife, foi interditada pelo MLB. Operadores de telemarketing, trabalhadores do Hospital da Restauração e garis organizados pelo Movimento Luta de Classes aderiram à greve. Também participaram da greve rodoviários, metroviários, bancários, servidores da UFRPE, UFPE, UPE e algumas universidades particulares, além de professores da rede pública e privada. À tarde, 100 mil pessoas se concentraram na Praça do Derby e saíram em caminhada até a Praça da Independência. Em Caruaru, trabalhadores da limpeza urbana cruzaram os braços e participaram da manifestação no centro da cidade. Em Petrolina, foi realizado um grande ato na ponte Juazeiro-Petrolina, divisa de Pernambuco com a Bahia. Os militantes do jornal A Verdade venderam em todo o Estado 165 exemplares.

No Ceará, petroleiros organizados pelo Sindipetro CE/PI e pelo MLC fecharam a refinaria Lubnor. Já o sindicato dos rodoviários e o MLB impediram a saída dos ônibus das garagens ainda de madrugada. As redações dos dois principais jornais do estado foram fechadas pelo Sindicato dos Jornalistas. Em seguida, bancários, professores, servidores públicos federais de diversos órgãos da União, petroleiros, comerciários, trabalhadores da construção civil e dos Correios, rodoviários e estudantes promoveram uma grande marcha que percorreu as ruas do centro de Fortaleza, reunindo mais de 100 mil pessoas. No Crato, cidade do interior do Ceará, militantes da UJR fortaleceram a manifestação organizada por sindicatos locais. Na Capital, foram 66 jornais A Verdade vendidos na brigada.

Na Paraíba, cerca de 10 mil pessoas foram às ruas de João Pessoa contra as reformas de Temer e dos banqueiros. Logo cedo, o Sindlimp-PB e o MLC garantiram 100% de adesão à greve dos trabalhadores da limpeza urbana, que ainda saíram em passeata para apoiar o trancamento de duas avenidas da cidade. Foram vendidos 56 exemplares de A Verdade na brigada feita pelos militantes da UJR.

Em Salvador, rodoviários, bancários, professores das redes estadual e municipal, petroleiros, além de servidores municipais, da Justiça e do Ministério Público Estadual, pararam suas atividades. Os brigadistas de A Verdade venderam 191 jornais.

Em Natal, rodoviários, ferroviários, portuários, policiais civis e trabalhadores dos Correios, Saúde, Educação, UFRN, IFRN e limpeza urbana paralisaram suas atividades durante o dia. À tarde, cerca de 70 mil pessoas participaram da marcha rumo à Praça Cívica, no centro.

Em Teresina, 38 categorias aderiram à greve geral, entre elas comerciários, rodoviários, professores, bancários e Correios. Em seguida, 5 mil pessoas saíram em passeata pelo centro da cidade aos gritos de “Fora Temer”. A militância da Unidade Popular esteve presente com bandeiras e faixas e vendeu 79 jornais A Verdade na brigada.

Em Alagoas, também foi grande a adesão à greve geral. Cerca de dez rodovias foram bloqueadas em todo o estado e atos realizados em Arapiraca, Capani e Maceió. Na capital, ônibus e trens pararam. Bancos, universidades, IFAL, Receita Federal, Eletrobrás e TRT não funcionaram. À tarde, 30 mil pessoas tomaram as ruas de Maceió até a Praça dos Martírios, no centro.

Em Belém, portuários ocuparam a Companhia Docas do Pará e trancaram as ruas de acesso ao mercado Ver-o-Peso, no centro da cidade. Bancários, professores, trabalhadores dos Correios e operários da construção civil paralisaram suas atividades e se concentraram na Praça da República, onde uma marcha reuniu mais de 10 mil pessoas.

Repressão

Em várias cidades, a polícia reprimiu as manifestações com violência. Em São Paulo, manifestantes foram agredidos por policiais que tentavam desbloquear as avenidas interditadas. Três integrantes do MTST foram presos acusados por associação criminosa, explosão e incêndio. No começo da noite, grevistas que seguiam para a rua da casa de Temer foram dispersados pela PM com bombas de gás lacrimogêneo.

Segundo o advogado Ramon Koelle, que prestava assistência aos manifestantes presos, a ação da polícia visou a criminalizar os protestos contra as reformas. “É a criminalização de uma luta política, de uma pauta que defende o direito de todos os trabalhadores e do povo do nosso país. Parece que, para o delegado, se unir para reivindicar contra a retirada de direitos virou associação criminosa”. Pelo menos outras 14 pessoas foram detidas na capital paulista durante a greve.

No Rio de Janeiro, o Batalhão de Choque da PM agiu com truculência e covardia contra a manifestação que seguia pacífica pelo centro da cidade. Mais de 50 mil pessoas caminhavam até a Cinelândia quando foram surpreendidas por bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo atiradas pela polícia. Em seguida, uma grande confusão tomou conta do centro. Inúmeras pessoas ficaram feridas. “Nada justifica a investida, com bombas e cassetetes, contra uma multidão que protestava de modo pacífico. O ataque com métodos de tocaia e a posterior perseguição por vários bairros a pessoas que exerciam seu direito à manifestação representa grave atentado à Constituição e ao Estado democrático de Direito”, afirmou o presidente da OAB/RJ, Felipe Santa Cruz.

Mobilização histórica

Apesar disso, centenas de categorias cruzaram os braços nos 26 estados e no Distrito Federal contra as reformas previdenciária, trabalhista e a terceirização. Por todo o país, sindicatos e movimentos sociais promoveram a maior greve geral de nossa história desde 1917, quando ocorreu a primeira greve geral do Brasil.

Para o presidente nacional da Unidade Popular (UP), Leonardo Péricles, a grande adesão à greve ajudará a mudar a correlação de forças na luta contra as reformas. “Se esse governo golpista, juntamente com os deputados e senadores, não voltar atrás nessas medidas que destroem a Previdência e os direitos trabalhistas, precisamos organizar uma grande mobilização rumo a Brasília e cercar o Congresso Nacional para exigir que revoguem a Lei da Terceirização e a Reforma Trabalhista e enterrem a Reforma da Previdência. A força que a classe trabalhadora demonstrou no dia 28 de abril indica que temos condições de derrotar as reformas e de derrubar o próprio governo golpista de Temer e dos banqueiros”.

Heron Barroso, Rio de Janeiro

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É hora de ocupar Brasília contra as reformas do governo dos banqueiros

Agrava-se a situação mundial e é evidente a aceleração das principais contradições do capitalismo. A contradição entre capital e trabalho, por exemplo, aprofunda-se em todo o mundo com a burguesia impondo o prolongamento da jornada laboral, como vemos na França, na Alemanha, na União Europeia, nos Estados Unidos, na Ásia e América Latina. Outros dados são a redução dos salários dos trabalhadores, o crescimento da precarização das condições de trabalho e o aumento do desemprego. No Brasil, a retirada de direitos com a reforma trabalhista em discussão no Congresso Nacional – em parte já aprovada com a lei de terceirização –, o desemprego de 13,5 milhões de pessoas (segundo números oficiais) e o arrocho salarial cada vez maior, comprovam o acirramento da contradição entre capital e trabalho.

Também se agrava a contradição entre os países imperialistas e as nações, como provam as privatizações em diversos países, o controle dos monopólios internacionais de riquezas, o controle sobre governos, etc. No Brasil, o governo golpista dos banqueiros adota uma política de privatização acelerada da Petrobras, entrega do pré-sal, ameaças de privatizar os Correios, a Caixa, a Aviação e a permissão para o avanço do capital, retirando qualquer limite para os estrangeiros possuírem terras em nosso país.

As contradições interimperialistas se aprofundam e os conflitos se tornam cada dia mais intensos e de consequências imprevisíveis. Diversos acontecimentos provam que essas contradições deixaram de ser resolvidas em reuniões do G7, da OMC ou do FMI. Veja-se a anexação da Crimeia pela Rússia, a instalação de armas nucleares dos EUA na Polônia, a criminosa guerra contra os povos da Síria, Iraque, a explosão pelos EUA da chamada “mãe de todas as bombas” no Afeganistão, as ameaças de uma guerra contra a Coreia do Norte, a instalação de uma base militar da China na Argentina e seu avanço na África, etc. Não bastasse, vários partidos e políticos reacionários assumiram os governos nos EUA, na Turquia, na Argentina, no Brasil; a Venezuela se encontra num momento de grave crise. Toda essa situação impõe aos comunistas revolucionários a necessidade de desenvolverem um trabalho ainda maior de agitação, de organização e de conscientização das massas.

Por outro lado, em diversos países da América Latina assistimos ao esgotamento da política de conciliação de classes apresentada pela social-democracia e o enfraquecimento ou derrota dos governos ditos de esquerda, que consideraram a doutrina da luta de classes como ultrapassada e até mesmo a burguesia como classe aliada, e não como a principal inimiga da classe operária e da democracia.

Em nosso país, os governos do PT (2002-2016), na medida em que adotaram um modelo econômico baseado no fortalecimento do grande capital nacional e internacional e dos bancos sobre a economia em troca de gerar empregos e aumento do salário mínimo, esbarrou na crise geral do capitalismo e nos limites deste sistema, contribuíram para retroceder a consciência de classe nos trabalhadores, nutrindo uma ilusão de que era possível acabar com a pobreza, a miséria, o desemprego numa economia burguesa, sem destruir o Estado burguês e em total submissão com a classe capitalista. Tal política se mostrou completamente errada e criou as bases para o retrocesso.

Por sua vez, o governo golpista, sem apoio popular (Temer tem apenas 5% de aprovação) e com o objetivo de adotar uma política de ajuste fiscal ainda mais radical que a encaminhada por Joaquim Levy, ministro de Dilma, está totalmente voltado para jogar a crise nas costas dos trabalhadores de forma a garantir dinheiro para manter os pagamentos bilionários da dívida pública aos banqueiros, para aumentar a mais-valia, ou seja, os lucros dos patrões, para reduzir salários e cortar os investimentos sociais (PEC dos Gastos), o que tem levado o país à beira do abismo e à maior recessão da história. São milhões e milhões de trabalhadores sem emprego, crianças fora da escola para pedir esmolas, hospitais e escolas sucateadas, servidores públicos sem receber salários e um crescimento vertiginoso de crimes, de violência e do tráfico de drogas.

Frente a essa situação, forças políticas pequeno-burguesas pregam como solução as eleições de 2018. Subestimam o avanço das forças fascistas, o caráter reacionário das Forças Armadas, a profundidade da crise do capitalismo no mundo e no Brasil e que em todas as eleições que ocorreram em nosso país sempre prevaleceu a vitória de candidatos que tiveram apoio, senão de toda, pelo menos de parte considerável da grande burguesia nacional, como deixam claras as chamadas delações premiadas. Além disso, a única forma de barrar o fascismo é travar uma luta incessante hoje e não deixá-la para o ano que vem.

Sendo assim, o Comitê Central do Partido Comunista Revolucionário (PCR) considera que a Greve Geral do dia 28 de abril cumpriu um papel fundamental de ter sido a primeira greve de um conjunto de lutas mais efetivas para barrar a Reforma da Previdência, a Reforma Trabalhista, acabar com os estupros das mulheres, os assassinatos dos jovens, e ter como perspectiva a derrubada do governo dos banqueiros para construirmos um poder dos trabalhadores e dos camponeses em nosso país: o poder popular.

Enquanto a Reforma da Previdência e as outras reformas não forem retiradas, a luta não pode sair das ruas. Neste sentido, devemos mobilizar nossa militância e conclamar os trabalhadores e suas organizações a ocupar Brasília neste mês de maio para reunirmos milhares de pessoas contra essas reformas e pela suspensão dos pagamentos da dívida pública.

Por outro lado, todos os maiores e menores partidos políticos legais do Brasil receberam propina da Odebrecht. Com a aprovação de várias medidas antipovo pelo Congresso Nacional, acelerou-se a desmoralização e o descrédito desses partidos frente aos trabalhadores e eleitores.

Tal situação e a necessidade de as massas populares terem um partido político combativo colocam na ordem do dia a construção da Unidade Popular (UP), partido comprometido com seus interesses e disposto a realizar transformações radicais e profundas na sociedade, como a nacionalização dos bancos; o cancelamento da dívida; a reforma agrária popular; a defesa da saúde e da educação públicas; o fim do desemprego; e que lute contra a exploração da classe operária pela burguesia e pelo socialismo.

A conjuntura exige de nós que a UP se torne uma realidade, obtenha seu registro no TSE, o que nos coloca a meta de atingirmos, até o final do ano, 600 mil fichas de apoio coletadas. Portanto, construir a Unidade Popular é a tarefa principal para os comunistas revolucionários no Brasil agora. Ao mesmo tempo, a UP deve trabalhar para ampliar e radicalizar as lutas em defesa dos interesses dos pobres. Para assegurar este objetivo, é indispensável que o centro da atividade de todos os nossos militantes e da nossa juventude seja ocupar os bairros para a coleta de assinaturas.

Só assim, alcançaremos nossos objetivos em relação às demandas deste momento histórico e seguiremos firmes na luta pelo poder popular e pelo socialismo.

Comitê Central do PCR
Maio de 2017

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Nem Otan nem defesa europeia

A data da próxima cúpula da Otan agora é conhecida: será em 24 e 25 de maio, em Bruxelas. D. Trump fará a viagem? Ainda não é certo, mas é possível. Isso provocará sem dúvida uma forte mobilização “anti-Trump”, na qual será importante integrar a denúncia de suas orientações militaristas e da Otan.

Nós estamos muito contentes de poder dar a conhecer aos nossos leitores o chamado do coletivo “Não à Otan, não à guerra”, que recolheu um bom número de assinaturas de organizações. Nós publicamos vários trechos desse texto que está em nosso site.

Esse coletivo participa da preparação da contracúpula que acontecerá em Bruxelas e das diferentes iniciativas que acontecerão ao longo da semana.

As declarações de Trump sobre o caráter obsoleto da Otan e a favor de melhores relações com Putin foram frequentemente interpretadas como um descompromisso dos EUA em relação à Europa, de alguma maneira “entregue” a Putin…

Os dirigentes da UE tiraram proveito disso para se lançar em uma corrida à alta dos orçamentos militares, retomando como papagaios a necessidade de colocá-los em 2% do PIB.

Paralelamente, eles se lançaram sobre o terreno da aplicação “de uma verdadeira política de defesa europeia”.

A Otan foi criada pelo imperialismo americano e ela se tornou uma imensa organização militar em serviço da defesa dos interesses estadunidenses e das potências imperialistas membros da Otan. Longe de se enfraquecer, ela só reforça seu poderio militar. O imperialismo americano precisa mais do que nunca da Otan.

Os dirigentes franceses sempre defenderam a visão de uma defesa europeia complementar à Otan. O imperialismo alemão está em uma posição idêntica. O problema é que Trump, assim como Obama, quer obrigá-los a consagrar a isso mais recursos militares e, portanto financeiros.

Donde a importância de realizar um trabalho de informação e de mobilização em torno dessas questões. É um dos objetivos do coletivo que nós divulgamos amplamente.

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Comunicado da CIPOML em memória do Comandante Fidel Castro

fidel-03Em 1º de janeiro de 1959 triunfou a revolução cubana. Vários anos de luta guerrilheira liberada nas montanhas da Ilha, de valorosos combates da classe operária, da juventude e do povo desenvolvidos nas cidades culminaram com a vitória. A noventa milhas do imperialismo ianque, rompendo esquemas, os revolucionários cubanos jogaram no lixo a tese de “fatalismo geográfico” segundo a qual, pela proximidade dos EUA não era possível fazer a revolução na América Latina.

As realizações da Revolução, a reforma agrária, a nacionalização de todas as empresas norte-americanas, a erradicação do analfabetismo, a saúde e a educação envolveram as massas trabalhadoras e a juventude; despertaram a solidariedade dos trabalhadores e dos povos do mundo, principalmente da América Latina; assinalaram o caminho da luta armada revolucionária; mas, também, desataram o ódio da reação internacional, das ações guerreiristas dos EUA, a invasão da Praia Girón e centenas de ações terroristas, o embargo comercial que chocaram-se, ao longo de quase sessenta anos, com a heroica resistência do povo e dos revolucionários cubanos.

A façanha dos operários e camponeses, da juventude cubana pôde desenvolver-se e culminar vitoriosamente com a derrota da tirania e a implantação do poder popular, soube impulsionar realizações, transformações sociais e econômicas e, resistir e vencer toda sorte de atentados do imperialismo e da reação. Tudo isto foi possível pela constituição e forja de um partido revolucionário, o Movimento 26 de Julho, que soube traçar orientações justas e oportunas, que teve a capacidade de conduzir as forças sociais e políticas à luta e à vitória. Entre os integrantes do comando revolucionário se destacaram muitos chefes políticos e militares, Camilo Cienfuegos, o Che, Frank Pais, Raúl Castro. Dentre todos eles se destacou como líder e condutor o Comandante Fidel Castro que participou ativa e diretamente desde os primeiros combates jogando o papel de organizador, de estrategista, de dirigente popular e chefe de Estado.

As revoluções sociais são obra das massas mas não podem ser possíveis sem a condução dos chefes revolucionários que surgem no fragor do combate, mas que alcançam dimensões que determinam o curso e o desenvolvimento dos processos.

Os operários e camponeses, a juventude, os revolucionários, o Movimento “26 de Julho”, os mandos revolucionários e o Comandante Fidel Castro protagonizam uma revolução popular que se desenvolve em um pequeno país, que se enfrenta à maior potência do planeta e é capaz de resistir.

Fidel Castro morreu no cumprimento de seus deveres e responsabilidades. Suas palavras e os fatos de sua longa vida de combatente perduram, constituem o testemunho do valor e da tenacidade de um povo, expressam as convicções e a consequência de um revolucionário.

Os Partidos e Organizações Marxista-Leninistas integrados na CIPOML expressam os sentimentos comunistas à classe operária, ao povo e aos revolucionários cubanos.

Novembro de 2016

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Homenagem às Brigadas Internacionais na Espanha

espanha-01-1024x768No último sábado, dia 29 de outubro, em Móstoles/Madrid, realizou-se um emocionante ato em homenagem às Brigadas Internacionais; atos que também se comemoraram em outras cidades, como Guadalajara, onde as tropas de Mussolini foram derrotadas pelo Exército Republicano, com a participação dos brigadistas internacionais (incluindo numerosos italianos antifascistas).

Há 80 anos, em outubro de 1936, milhares de homens e mulheres antifascistas, de diferentes países do mundo, jovens em sua grande maioria, vieram em ajuda dos combatentes espanhóis que fizeram frente ao levante de Franco contra o governo legítimo da República.

Franco se voltou contra a República depois do triunfo da Frente Popular, em fevereiro de 1936. As mudanças estavam se aprofundando na Espanha a partir da queda da monarquia e com a instauração da República Espanhola, em 1931.

A sublevação foi rechaçada pelo Exército leal à República e pela valente luta dos povos da Espanha que resistiram durante três anos ao exército sublevado de Franco, que contava com a ajuda da Alemanha nazista e da Itália fascista.

Iniciara-se na Espanha o combate ao fascismo em nível internacional; esta era a essência que compreenderam muito bem os jovens internacionalistas que vieram ajudar a República espanhola. Foi a primeira batalha da Segunda Guerra Mundial.

Como escreveu Antonio Machado, em homenagem às Brigadas Internacionais:

“Amigos muito queridos, companheiros, irmãos: a verdadeira Espanha, que é a fiel ao Governo de sua República, nunca poderá esquecer-lhes. Em sua alma leva escritos seus nomes. Ela sabe muito bem que merecia seu apoio, sua ajuda generosa e desinteressada. É um dos mais altos anéis de glória que se possa ostentar.”

O evento foi organizado pelo Agrupamento Republicano de Móstoles, ao qual se juntaram muitas organizações políticas e sociais, associações de resgate da memória histórica, organizações de jovens antifascistas, incluindo o Partido Comunista da Espanha (marxista-leninista).

A cerimônia transcorreu com emotivas intervenções pela memória dos combatentes internacionalistas, de reivindicação da Verdade, da Justiça e da Reparação a todas as vítimas do franquismo (na Espanha há mais de cem mil mortos pela repressão do regime de Franco, uma vez terminada a guerra, que ainda estão enterrados em valas comuns, sem identificação).

Tivemos a sorte de contar com a presença do companheiro Edival Nunes Cajá, do Centro Cultural Manoel Lisboa, do Brasil, que tomou a palavra.

Cajá, em sua intervenção, fez uma apresentação da situação do Brasil, do trabalho desenvolvido pelo Centro que ele preside, para a recuperação da memória das vítimas da ditadura fascista e seu interesse para estender a memória aos combatentes brasileiros que participaram das Brigadas Internacionais na Espanha. Segundo ele, “recuperar a memória dos lutadores antifascistas não é um feito nostálgico, mas sim uma necessidade para ajudar a impulsionar a luta contra o avanço do fascismo no mundo hoje e para alertar dos perigos reais de uma Terceira Guerra Mundial”.

Ao final, o cantor e compositor Juanjo Anaya dedicou suas canções revolucionárias aos combatentes pela liberdade e, todos juntos, entoaram A Internacional.

Porque fizestes renascer com seu sacrifício
A fé perdida, a alma ausente, a confiança na terra,
E por sua abundância, para sua nobreza, por seus mortos,
Como por um vale de duras rochas de sangue
Passa um imenso rio enorme com pombas de esperança e de aço.
PABLO NERUDA

Lola Val, Partido Comunista da Espanha (m-l)

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PCR realiza 5ª Conferência Nacional de Quadros

realismo-socialista-01Continuando o trabalho de formação política e de coesão partidária, o Comitê Central do Partido Comunista Revolucionário (PCR) promoveu em agosto sua 5ª Conferência Nacional de Quadros. A atividade ocorre exatamente um ano após a 4ª Conferência, dado o avanço da luta de classes no mundo e o rápido desenvolvimento da crise política no Brasil.

Inicialmente, foi estudado o documento Nossas Tarefas, do 5º Congresso do PCR, dezembro de 2013, que faz uma avaliação interna da organização e coloca os desafios para o próximo período. No balanço realizado, verificaram-se grandes êxitos nas lutas travadas pelos militantes do PCR e da UJR, como lutas estudantis, participação em greves, ocupações de sem-teto, fortalecimento da presença e participação das companheiras dentro e fora da organização, etc. Porém, o crescimento da influência do Partido em setores cada vez amplos não se reverteu ainda, como esperado, no crescimento do número de militantes. Novos estados foram atingidos, outros fortalecidos, mas observa-se um desenvolvimento desigual entre estados e regiões. Uma das autocríticas necessárias para corrigir estes defeitos é com o trabalho de agitação e propaganda, com a venda do jornal A Verdade, com a formação de tribunos populares que levem a linha do Partido e as palavras de ordem do momento para a classe operária.

Em seguida, o informe do comitê central  política apontou que o sistema capitalista vive sua crise mais profunda desde a Segunda Guerra Mundial, crise que eclodiu em 2008 e que tem provocado o aumento das contradições interimperialistas, seja na base das disputas econômicas, como a saída da Grã-Bretanha da União Europeia, a criação do Tratado do Transpacífico (TPP), a crescente presença da China na América Latina; seja com um maior dissenso entre as potências na ONU, a anexação da Crimeia pela Rússia, a guerra civil na Síria (que já matou mais de 500 mil pessoas), o drama dos refugiados, os atentados terroristas em diversos países. Assim, é possível afirmar que uma Terceira Guerra Mundial está sendo gestada e que os revolucionários precisam fortalecer sua articulação internacional e seu compromisso para barrar as guerras imperialistas e deflagrar a Revolução Socialista.

Crise política no Brasil

O informe também adentrou nas questões relativas à crise política no Brasil e, ao final do debate, foi aprovada uma resolução que expressa claramente o que pensa o Partido neste momento. Segue abaixo um trecho:

“Em nosso país, desde o término das eleições de 2014, advertimos que o caminho seguido pelo governo do PT e pela presidenta Dilma (buscar apoio na direita para governar, abandonar suas propostas da campanha eleitoral e adotar o plano da grande burguesia de jogar a crise econômica nas costas dos trabalhadores, o chamado “ajuste fiscal”) causaria, além do aprofundamento da crise econômica, o isolamento político do governo da maioria do povo.

Porém, como sabemos, o processo de direitização do PT e a degeneração desse partido começou antes da primeira eleição de Lula para a Presidência da República, quando fez aliança com a burguesia nacional, sendo José Alencar seu vice, um dos mais ricos capitalistas do país, e lançou a Carta aos Brasileiros, jurando fidelidade à economia de mercado, ao capital financeiro e à burguesia mundial. Na realidade, o PT e o PCdoB abandonaram seus programas e ideias e passaram a defender o nacionalismo burguês, a aliança com os partidos de direita, em nome de uma governabilidade que paga a dívida pública, mas não faz reforma agrária. Passaram a defender também que a solução para o Brasil é a harmonia entre os interesses da burguesia e da classe operária. Em síntese, não representam nem são uma alternativa popular, nem mesmo progressista, para o nosso povo. As massas trabalhadoras e os pobres de nosso país estão órfãos.

Tampouco a direita é uma solução. Basta lembrarmos o que fizeram durante os 21 anos de ditadura militar, as privatizações e a corrupção dos governos Sarney, Collor, FHC, PSDB, etc.

Em dois meses, o Governo Temer mostrou que representa o que tem de mais corrupto, mais reacionário e antinacional na sociedade brasileira. Seu programa se resume a aumentar as riquezas de uma minoria de privilegiados, das classes ricas, e massacrar os pobres, os trabalhadores.

Temos, portanto, que convocar os trabalhadores e o povo para lutar pela derrubada desse governo e colocar em seu lugar um governo popular e revolucionário, um governo verdadeiramente dos trabalhadores, sem exploradores e patrões, um governo que ponha fim ao sofrimento do nosso povo e à exploração que sofre há séculos.”

Construir a Unidade Popular

Ao colocar que “as massas trabalhadoras e os pobres de nosso país estão órfãos” quanto à representação política, a direção do PCR e seus quadros se colocam inteiramente no sentido de dar uma resposta concreta a este cenário.

Após anos de acúmulo do debate, foi lançada, há dois anos, a campanha pela legalização de um novo partido político para representar os interesses das classes trabalhadoras nos espaços institucionais, na disputa política imediata, nas tribunas dos parlamentos: a Unidade Popular pelo Socialismo (UP).

A UP recolheu mais de 115 mil assinaturas de apoio, que foram canceladas por uma decisão arbitrária do ministro-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o reacionário Gilmar Mendes, após mais restrições na lei que rege o funcionamento dos partidos no Brasil, sempre no sentido de dificultar que o povo pobre e a classe trabalhadora se organizem livremente.

Sendo assim, a UP retoma, ainda neste mês de setembro, a coleta de assinaturas em todo o país, agora com mais experiência, mais energia da militância e com um nome já consolidado em importantes espaços de atuação política, como nas manifestações contra o golpe da direita e contra a retirada de direitos.

São necessárias quase 500 mil assinaturas válidas dentro do prazo máximo de dois anos para legalizar o partido. Para tanto, todos os sábados serão dedicados à coleta intensiva, com a participação do conjunto da militância, além de coletas diárias realizadas por equipes fixas e do trabalho de cada coletivo militante, dos filiados e apoiadores.

Construir a Unidade Popular se tornou uma tarefa urgente e inevitável para arregimentar as massas trabalhadoras, as mulheres e a juventude para a luta contra o oportunismo político, para desgastar ainda mais o Estado burguês e o sistema capitalista e para acumular forças na luta pelo socialismo no Brasil e na América Latina.

Da Redação

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Resolução da 5ª Conferência Nacional de Quadros do PCR

Realizada no último mês de agosto, a 5ª Conferência Nacional de Quadros do PCR aprovou a seguinte resolução política sobre a conjuntura internacional e nacional.

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Apesar das tentativas diárias dos grandes meios de comunicação da burguesia de esconder o agravamento da crise mundial do capitalismo e das contradições entre as potências imperialistas, os fatos se impõem e revelam que a crise econômica, iniciada em 2008, não só continua como se aprofunda. A grande maioria dos países tem crescimento negativo ou abaixo dos 2%. O Japão, por exemplo, crescerá apenas 0,1%; o Reino Unido 1,7%; os EUA 2,2%; o Brasil menos 3,8%; e a China, que crescia antes a 11%, não passará de 6,2%.

O resultado é um enorme desemprego e crescimento da pobreza. Somente nos EUA, maior economia capitalista do mundo, 50 milhões de pessoas vivem na pobreza, número que no mundo chega a 3 bilhões.

Como sabemos, as crises econômicas capitalistas são resultado da profunda contradição entre as relações de produção capitalista – a propriedade privada dos meios de produção – e as forças produtivas e o caráter social da produção.

De fato, como revelou a OXFAN, apenas 85 pessoas mais ricas do mundo têm um patrimônio maior que o patrimônio de 3,5 bilhões de pessoas.

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Ao mesmo tempo, como consequência da crise, aumentam as contradições interimperialistas, as disputas por mercados e matérias-primas, as guerras imperialistas, a matança dos povos, a destruição das nações, os gastos militares, a anexação de países e uma disputa feroz pela dominação da economia mundial. Exemplos disso não faltam: o avanço do imperialismo chinês na África e América Latina e Central; a guerra na Líbia, Síria, Iraque e Afeganistão; mísseis da OTAN e EUA na Polônia; disputa entre Japão e China, etc. Além disso, planos e medidas para aprofundar a exploração da classe operária, como fica claro no aumento da jornada na França, na queda dos salários em todos os países e nos seguidos ataques aos direitos dos trabalhadores.

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Na realidade, como inclusive resumiu o Papa Francisco, vivemos uma situação muito semelhante a que antecedeu a 2ª Guerra Mundial. Nesse contexto, os revolucionários em todo o mundo têm o dever de se unir para barrar a guerra imperialista mundial, a fascistização dos governos e a continuidade e crescimento da escravidão assalariada das massas trabalhadoras.

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Em nosso país, desde o término das eleições de 2014, advertimos que o caminho seguido pelo governo do PT e pela presidenta Dilma (buscar apoio na direita para governar, abandonar suas propostas da campanha eleitoral e adotar o plano da grande burguesia de jogar a crise econômica nas costas dos trabalhadores, o chamado “ajuste fiscal”) causaria, além do aprofundamento da crise econômica, o isolamento político do governo da maioria do povo.

Em março de 2015, o Comitê Central, divulgou nota oficial onde afirmou: “Para barrar o crescimento da direita e reconquistar o apoio popular, o governo precisa mudar, governar para as massas trabalhadoras e não para as classes ricas; fazer os ricos pagarem pela crise e não os trabalhadores”.

Entretanto, em vez disso, Dilma, aconselhada por Lula, nomeou Michel Temer para a Casa Civil para articular apoio do Congresso Nacional ao governo.

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Porém, como sabemos, o processo de direitização do PT e a degeneração desse partido começou antes da primeira eleição de Lula para a presidência da República, quando fez aliança com a burguesia nacional, colocando José Alencar, um dos mais ricos capitalistas do país, e lançou a Carta aos Brasileiros, jurando fidelidade à economia de mercado, ao capital financeiro e à burguesia mundial.

Na realidade, o PT e o PCdoB são hoje partidos corrompidos pela burguesia, abandonaram seus programas e ideias e passaram a defender o nacionalismo burguês, a aliança com os partidos de direita, em nome de uma governabilidade que paga a dívida pública, mas não faz reforma agrária. Passaram a defender também que a solução para o Brasil é a harmonia entre os interesses da burguesia e da classe operária.

Em síntese, não representam, nem são uma alternativa popular, nem mesmo progressista, para o nosso povo. As massas trabalhadoras, os pobres de nosso país, estão órfãs.

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Tampouco a direita é uma solução. Basta lembrarmos o que a direita fez durante os 21 anos de ditadura militar, as privatizações e a corrupção dos governos Sarney, Collor, FHC, PSDB, etc.

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Vivemos, portanto, um fracasso dos partidos de direita e da socialdemocracia em nosso país. Daí o descrédito das massas populares com esses partidos políticos. Por isso, nunca vivemos um período tão favorável para o crescimento do PCR, para duplicar o número de nossos militantes, como provou o estado da Bahia neste 1º semestre.

Mas um revolucionário para recrutar outro revolucionário precisa agir como revolucionário não um dia por semana, mas todos os dias. Precisa defender e praticar o centralismo democrático, superar o individualismo e a arrogância, confiar no Partido, na sua direção e pôr em prática nosso Programa e as decisões adotadas nos coletivos. Nunca adotamos uma resolução política sem antes realizar um profundo debate e luta de opiniões e ideias, mas, como disse Stálin, “uma vez terminada a luta de opiniões, esgotada a crítica, tomada a decisão, a unidade de vontade e a unidade de ação de todos os membros do Partido são uma condição indispensável, sem a qual não se podem conceber nem um partido unido, nem uma disciplina férrea no Partido”.

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Em dois meses, o Governo Temer mostrou que representa o que tem de mais corrupto, mais reacionário e antinacional na sociedade brasileira.

Seu programa se resume a aumentar as riquezas de uma minoria de privilegiados, das classes ricas, e massacrar os pobres, os trabalhadores.

As medidas que pretende adotar vão desde o completo desmantelamento do Sistema Único de Saúde e privatização da saúde; cobrar mensalidades nas universidades públicas; ampliar o controle das empresas estrangeiras sobre a economia nacional; aumentar os gastos com as Forças Armadas; cortar verbas para a moradia popular; aumentar a jornada de trabalho e retirar vários direitos dos trabalhadores; criminalizar o aborto; reprimir greves e transformar em heróis os torturadores e assassinos de Manoel Lisboa, Emmanuel Bezerra, Marighella, Lamarca, Sônia Angel, Margarida Maria Alves, entre outros revolucionários brasileiros.

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Temos, portanto, de convocar os trabalhadores e o povo para lutar pela derrubada desse governo e colocar em seu lugar um governo popular e revolucionário, um governo verdadeiramente dos trabalhadores, sem exploradores e patrões, um governo que ponha fim ao sofrimento do nosso povo e à exploração que sofre há séculos.

Agosto de 2016

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O surgimento do Partido Comunista Revolucionário

Amaro-Luiz-de-Carvalho  1Por ocasião das celebrações dos 50 anos do PCR (1966-2016), faz-se necessária a publicação de artigos e documentos, no decorrer deste ano, para as justas homenagens e comemorações desta data histórica para os trabalhadores conscientes do Brasil, e, especialmente, para aqueles que militam no Partido fundado por Manoel Lisboa, Amaro Luiz de Carvalho, Selma Bandeira, Valmir Costa, Ricardo Zarattini, entre outros, em maio de 1966, na cidade do Recife, no fragor da resistência clandestina contra a ditadura.

 Consideramos importante a publicação do artigo O surgimento do Partido Comunista Revolucionário porque, mesmo sendo um curto texto (abaixo), traz uma valiosa contribuição à história do nosso Partido, do movimento operário e comunista do nosso país. Apesar de não ter sido escrito com a finalidade de escrever a história do PCR, trata-se, tão somente, da parte introdutória de um informe, redigido pelo camarada Amaro Luiz de Carvalho, fundador do nosso Partido, para a histórica reunião da Direção Nacional realizada em fevereiro de 1968, na qual, depois de um amplo e longo debate, foram aprovados o Programa, os Estatutos e uma Introdução para a apresentação em forma de Cartilha dos Documentos Básicos do PCR, nesta ordem: Introdução, Carta de 12 Pontos, Programa e Estatutos.

Este documento foi escrito em um dos momentos mais intensos da história do movimento comunista do nosso país e, de modo especial, do nosso Partido. Elaborado por um guerrilheiro nos intervalos do fogo da luta de classes, e não por um intelectual do mundo acadêmico. Sente-se, por isso mesmo, na sua essência, uma inabalável fé na força libertária do proletariado urbano e rural e ainda um forte cheiro de chumbo daqueles encarniçados combates nos subterrâneos da luta revolucionária dos anos 1960 e 1970. E o mais importante: seu autor é um operário com origem na agroindústria canavieira, tendo sido também operário da indústria têxtil e motorista da Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos de São Paulo (CMTC), com o pseudônimo de Antônio Nunes de Carvalho, dada a sua condição de procurado pelos órgãos da repressão. Um operário inteligente, um militante culto, disciplinado, um dirigente e organizador comunista exemplar. Para cumprir missões internacionalistas, aprendeu a falar espanhol e inglês sozinho, em seu “aparelho”, apenas com apostilas, lápis e cadernos. Desde seu recrutamento nos canaviais da Mata Sul de Pernambuco, consagrou toda a sua vida, sem hesitação, à luta pela revolução popular e socialista.

Destacava-se sempre no trabalho de recrutamento de novos militantes e na organização de novas células e comitês do seu Partido, sem se descuidar do seu estudo individual e da sua formação teórica e militar. Fossem quais fossem os obstáculos, nem mesmo a sua primeira prisão e torturas, em 1956, foi capaz de fazê-lo vacilar na defesa do seu Partido e de seus camaradas. Foi assim também quando da sua última prisão em Palmares (PE), em novembro de 1969, sob o governo do general ditador mais sanguinário, Emilio Garrastazu Médici, torturado e interrogado em Recife, no Departamento de Ordem Política e Social (Dops) e levado algemado a outro preso político – Luiz Momesso, hoje professor na UFPE – para São Paulo, onde passou pelos maiores suplícios na “Operação Bandeirantes”, no Dops-SP, nas mãos do delegado Sérgio Paranhos Fleury e do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, facínoras loucos por informações que lhes permitissem a destruição do PCR.

Condenado pela Justiça Militar a cumprir pena na “Casa de Detenção” do Recife, hoje Casa da Cultura, foi barbaramente assassinado pela guarda do presídio, sob a cumplicidade do seu diretor, o coronel da PM Olinto Ferraz, por determinação do governo militar fascista, quando faltavam apenas dois meses para sua libertação. A responsabilidade da ditadura na morte de Amaro fica evidente já no momento em que o então secretário de Segurança de Pernambuco, general Adeodato Mont’ Alverne, anuncia pela imprensa a prisão de Amaro: “Acabou a subversão em Pernambuco”.

Essa espécie de jactância e comemoração antecipada deixa transparecer claramente as macabras intenções do general encarregado da repressão: cumprir a determinação de exterminar o PCR, pois acabara de sequestrar o homem que detinha as informações sobre o trabalho do Partido nos engenhos, nas usinas e nos sindicatos dos trabalhadores da zona canavieira e urbana de Pernambuco, um dos mais importantes fundadores do PCR. Assim, cheio de arrogância, deduziu: certamente ele não suportará às sofisticadas técnicas de martírios, delirou o general. Nenhuma baixa tivemos em decorrência das torturas e interrogatórios do companheiro Amaro.

 Numa demonstração inquestionável de seu compromisso e amor à revolução brasileira, Amaro assinou de próprio punho sua renúncia à inclusão do seu nome na lista de prisioneiros políticos que foram libertados em troca do embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher, aprisionado pela VPR, em 7 de dezembro de 1970 e liberado em 16 de janeiro de 1971. Ele agradeceu a lembrança do seu nome pelos companheiros guerrilheiros, mas tinha a determinação de, após sua saída da prisão, continuar a luta no país, sob o comando do seu Partido, para derrubar a ditadura, o capitalismo e ajudar a construir a sociedade comunista.

Até o último instante de sua vida, foi coerente consigo mesmo e com seu Partido. Passou nas mais duras provas de fidelidade pelas quais teve de passar na sua luta para pôr fim à ditadura e erguer a bandeira da revolução socialista, convertendo-se em um dos mais dignos heróis dos trabalhadores e da causa do socialismo no Brasil

 Edival Nunes Cajá é ex-preso político e membro do Comitê Central do PCR

 

O surgimento do Partido Comunista Revolucionário

 

Amaro Luiz de Carvalho*

“Uma classe só pode conseguir um Partido Revolucionário quando seu desenvolvimento e amadurecimento chegam ao ponto de possuir dirigentes com experiência, dotados da qualidade de criar e elaborar uma teoria condizente com a realidade e capaz de conduzi-lo até seus objetivos serem alcançados.

Seu aparecimento no cenário político depende das condições econômico-sociais que geram a superestrutura propícia ao seu surgimento como organização partidária consequente.

Assim, a classe operária, desde muito tempo, tem sua vanguarda, mas, como não poderia deixar de ser, em nosso país seus valores integrantes e seus programas foram até o presente constituídos de princípios estratégicos e táticos errôneos e que, na prática, se tornaram contrários aos ideais do proletariado. Isso era fruto de sua falta de experiência e de seu peso numérico diminuto em relação às demais classes. Toda estrutura econômica do Brasil não permitia à pequena classe operária criar um Partido realmente seu. À medida que a penetração do imperialismo ia crescendo através do desenvolvimento capitalista, os operários ganharam maior experiência e seu movimento foi dotado de criar elementos capazes de se constituírem em elite defensora dos seus reais interesses.

A partir daí, ocorreu que, após vários anos de capengarem na defesa de programas reformistas, a classe operária engendraria sua vanguarda revolucionária capacitada para elaborar e definir, com justeza e clareza, seus verdadeiros objetivos.

O surgimento do PCR só poderia ser resultado de todo o período de lutas e sacrifícios que o proletariado desenvolveu durante os seus 67 anos de existência, como classe atuante. E a CARTA DE 12 PONTOS AOS COMUNISTAS REVOLUCIONÁRIOS teria necessariamente que ser oriunda do acúmulo de experiências conseguidas através dos anos de movimentação constante, desencadeadas no dia a dia, pela obtenção do mínimo de organização em defesa de seus princípios.

Durante o movimento de massas ocorrido no período de 1950 a 1964, aclarava-se cada vez mais o movimento operário e o monolitismo tradicional do Partido ia se tornando impossível, pois certos elementos egressos das discórdias surgidas diante da política capitulacionista do Partido partiram para a organização das massas assalariadas do campo e obtiveram pleno êxito no trabalho de agitação. Acordando-as do sono em que estavam mergulhadas. A Revolução Cubana vitoriosa no “quintal do imperialismo” veio lançar a última pá de terra sobre a concepção de que só podiam fazer a revolução os Partidos Comunistas tradicionais.

O fracasso desse grupo heterogêneo de organizadores do campo, as Ligas Camponesas, em virtude de não possuírem um programa definido de ação e ficarem simplesmente na agitação pela agitação, proporcionou a diversos elementos verificarem a inconsequência, a propagação de ideias confusas e contraditórias, além da crescente onda de oportunismo existente no movimento comunista e que se confirmou quando do golpe de abril de 1964.

Após este fato, algumas pessoas que ainda se passavam por revolucionárias começaram a mostrar a sua verdadeira face.

Surgia, para a constatação dessas qualidades das direções do Partido Comunista Brasileiro e do Partido Comunista do Brasil e de seus programas, a desagregação por completo do movimento revolucionário; grupos e subgrupos que se digladiavam entre si, apareceram e, todos eles, como “vinhos  da mesma pipa” não afirmavam uma linha política, com tática e estratégia revolucionária, nem retomavam uma posição capaz de construir a coesão da direção, pois suas ideias e seus esquemas estavam poluídos dos mesmos erros do passado e as divergências realmente políticas possuíam caráter secundário.

Deste combate ideológico e orgânico nasceu o PCR, como o que de melhor havia no movimento operário do país.

Foi, então, elaborado um documento, definido e concreto, sobre os problemas capitais para a tomada do poder, a Carta de 12 Pontos aos Comunistas Revolucionários, que não se destinava às discussões acadêmicas, mas, sim, para servir de orientação a um intenso trabalho prático, pois só com o mesmo poderíamos nos afirmar como organização proletária e revolucionária.

Travar a luta ideológica

É necessário que cada membro do Partido tenha em mente, agora, na fase em que estamos nos firmando, que o combate ideológico se reveste da máxima importância a fim de que a organização, no seu nascedouro, não se encha de “vícios passáveis”, falhas essas que futuramente poderão vir à tona com maior virulência. É preciso cortar logo o mal pela raiz, antes que ele se desenvolva e tome conta do belo arbusto nascente.

A burguesia como classe dominante não utiliza somente contra o proletariado e seu Partido os “cantos de sereia” da corrupção econômica e financeira. Do modo como explora a classe operária nas fábricas e nos campos, tenta também corromper através de promessas de um nível de vida ideal, os quadros valorosos do proletariado, dopando com uma propaganda sistemática e minuciosa os comunistas. A batalha contra esta segunda frente, a frente ideológica, tem que ser executada radicalmente, pois estamos envolvidos pelo mundo burguês circundante.

A mais nefasta manifestação de penetração burguesa em nossa organização é a que entrega e desarma o proletariado em sua luta contra a burguesia. Ela é resultado da campanha pseudo-anti-imperialista que se desencadeou no mundo em virtude de a contradição principal da sociedade contemporânea ser aquela cujos componentes contrários são o imperialismo e os povos. A firmeza desta constatação levou os Partidos Comunistas perderem de vista outra contradição, a contradição fundamental de nossa sociedade entre a burguesia e proletariado. Daí a falta de objetividade dos programas “comunistas” no que se refere à tomada do poder e a consequente entrega de sua realização à burguesia, deixando como incumbência aos operários a simples participação secundária na revolução democrático-nacional e sua hegemonia com os burgueses.

Os partidos socialdemocratas são apologistas dessa política e acabam ajudando o inimigo da classe operária, pois levam ilusão aos nossos quadros. Por isso, somos obrigados a conduzir a política revolucionária dos comunistas sempre em alerta contra as influencias capitulacionistas e reformistas, mascaradas com inteligência e sutileza, proveniente dessas organizações e difundidas nas massas por seus militantes. As demais organizações de esquerda e que defendem opiniões estranhas ao proletariado, embora também perigosas, não constituem na atualidade perigo iminente contra nosso Partido. As ideias esquerdistas poucas vezes têm constituído obstáculo à nossa pureza ideológica. Embora não devamos perdê-las de vista, nosso centro de ataque é o reformismo e o revisionismo, porque têm seu suporte ideológico retirado de conceitos históricos “inovados”, firmados pelos traidores do movimento obreiro e são apoiados ostensivamente pela burguesia; constituem-se, os revisionistas, em seus lacaios mais operosos na tarefa de desvirtuar os caminhos dos verdadeiros comunistas e causar confusão no seio das massas. Nosso combate a esses grupos de traidores não pode ser realizado palidamente.

Esta forma de adulteração do pensamento operário através dos partidos revisionistas, embora perigosa, é fácil combatê-la e isolá-la, pois estamos alertados contra ela depois do XX Congresso do PCUS e da desmoralizante situação a que esses partidos levaram o movimento comunista.

Entretanto, difícil é o combate às outras influências a que são submetidos os comunistas pelo meio circundante, a sociedade baseada na propriedade privada dos meios de produção e que cria todo um emaranhado de armadilhas semelhantes aos tentáculos de um polvo para envolver e derrotar a consciência operária. Nosso Partido deve, frente a esse problema, se converter numa escola do pensamento proletário. Devemos batalhar contra todas as formas de vacilações caracterizadas pela ilusão dos militantes em se situarem dentro dessa sociedade sem romperem com os liames que os prendem a ela; é nossa obrigação também criticarmos as opiniões equivocadas sobre as formas e conteúdos que caracterizam as artes burguesas e que, muitas vezes, dominam alguns camaradas; e ainda caracterizar bem os pontos de vista progressistas e os proletários. Desta forma, devemos estudar, discutir e pesquisar a fim de possuirmos coletivamente um pensamento único, coeso em torno dos problemas políticos e ideológicos que afligem o movimento revolucionário durante os últimos 25 anos…”.

*Escrito em fevereiro de 1968 por Amaro Luiz de Carvalho (1931-1971).

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