Escola Nacional Manoel Lisboa

conferência 04Reunida no mês de junho, a Comissão Política do Comitê Central do Partido Comunista Revolucionário (PCR) decidiu pela realização, no fim deste ano, da primeira turma da Escola Nacional de Formação Política e Ideológica Manoel Lisboa. A escola reunirá durante 14 dias dois grupos de militantes, oriundos de diferentes regiões do país, para cumprir o conteúdo programático aprovado.

O programa de estudos da escola inclui a análise aprofundada do método filosófico marxista-leninista, do materialismo-dialético; dos fundamentos da economia política marxista; das características da sociedade capitalista em sua fase imperialista; das leis econômicas e das experiências do modo de produção socialista; da teoria da revolução proletária; dos traços fundamentais da história e da revolução brasileira; da história militar das revoluções; e das tarefas dos comunistas revolucionários frente à atual crise do capitalismo.

A construção da Escola Nacional Manoel Lisboa, como ação sistemática e permanente, é uma iniciativa de grande importância para a história dos comunistas brasileiros por permitir aprofundar e agilizar a formação política e ideológica de novos quadros revolucionários.

Com a consciência de que, como afirmou Lênin, “sem teoria revolucionária não há movimento revolucionário”, a Comissão Política registrou que, ao longo de sua história, o PCR sempre se esforçou para levar à prática este princípio de organização.

Manoel Lisboa, em seu artigo Vencer as torturas é dever revolucionário, afirmou que uma das causas da conduta vacilante dos militantes de outras organizações revolucionárias diante da repressão – vacilações que chegavam ao ponto da delação – era a débil formação política e ideológica.

Mesmo diante das duras condições impostas pela ditadura militar, o PCR foi coerente com a necessidade da formação e editou a revista Luta Ideológica, números 1 e 2, e o jornal A Luta. Além disso, todo organismo partidário era obrigado a ter um plano de estudos, e cada militante tinha tarefas individuais de leitura.

Desde a reconstrução do PCR, o Comitê Central sempre recomendou que cada coletivo se esforçasse para realizar o estudo do marxismo-leninismo de maneira prioritária em suas reuniões. Além disso, o CC realizou quatro cursos nacionais de formação marxista-leninista nos últimos anos.  Também ocorreu um importante número de iniciativas de formação em âmbito regional, bem como por parte da União da Juventude Rebelião (UJR).

A Comissão Política considera importante que a escola dedique seu tempo ao estudo dos princípios leninistas de organização. Que se dedique ao debate sobre como desenvolver o trabalho político entre a classe trabalhadora e o povo, como realizar a agitação e a propaganda, sobre a melhor forma de atuar nos sindicatos, sobre como assistir um coletivo e sobre como realizar um curso de formação marxista em seu local de atuação. Neste sentido, a primeira turma da escola será direcionada aos quadros de direção, ou seja, aos militantes que já possuem certo conhecimento da teoria marxista-leninista e desenvolvem tarefas de direção em nível nacional ou regional.

Para a Comissão Política, o êxito da Escola Nacional depende da disciplina, dedicação, entusiasmo e trabalho em colaboração – contra a competição e o egoísmo – por parte de seus instrutores e estudantes. Os participantes da escola devem ter vontade de aprender e aprofundar os conhecimentos, levantando dúvidas e participando ativamente do debate de ideias.

Para o PCR, a formação da Escola Nacional busca atingir o objetivo de formar verdadeiros quadros revolucionários para o Partido, fazendo assim triunfar a revolução socialista no Brasil. Desta maneira, a Comissão Política convoca todas as direções estaduais e demais organismos partidários a se envolverem com afinco no cumprimento das tarefas que permitam efetivar a escola, em especial aquelas que dizem respeito à construção material e financeira.

Redação A Verdade

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Comunicado do Emep sobre a tentativa de golpe militar na Turquia

 

Alternativa do povo não pode ser nem o golpe militar nem a ditadura de um só partido

 

A man covered with blood points at the Bosphorus bridge as Turkish military clashes with people at the entrance to the bridge in Istanbul on July 16, 2016.  Turkish military forces on July 16 opened fire on crowds gathered in Istanbul following a coup attempt, causing casualties, an AFP photographer said. The soldiers opened fire on grounds around the first bridge across the Bosphorus dividing Europe and Asia, said the photographer, who saw wounded people being taken to ambulances.  / AFP PHOTO / Bulent KILIC

A man covered with blood points at the Bosphorus bridge as Turkish military clashes with people at the entrance to the bridge in Istanbul on July 16, 2016.
Turkish military forces on July 16 opened fire on crowds gathered in Istanbul following a coup attempt, causing casualties, an AFP photographer said. The soldiers opened fire on grounds around the first bridge across the Bosphorus dividing Europe and Asia, said the photographer, who saw wounded people being taken to ambulances.
/ AFP PHOTO / Bulent KILIC

A alternativa é defender os direitos democráticos e as liberdades políticas. A alternativa é lutar pela democracia popular.

No curso da vida política na Turquia produziram-se muitos golpes e tentativas de golpes de Estado. Os resultados de cada período de golpe foram incalculáveis assassinatos, torturas, perseguições, restrição de direitos e liberdades. As demandas e anseios de liberdade, igualdade e democracia levantadas pelos povos oprimidos e as massas populares foram sufocadas pelos golpes militares e com as políticas que se seguiram.

Medidas contra as políticas voltadas ao estabelecimento da ditadura unipessoal dos governos do AKP e do presidente Tayyip Erdogan não são nem podem ser golpes militares. Pelo contrário, essas tentativas de golpe servem como uma desculpa para uma implantação mais rápida e violenta desta política.

Erdogan e seu governo, que pediram aos seus eleitores que fossem às ruas para rejeitar o golpe, buscam aproveitar a situação para recuperar seu prestígio perdido dentro e fora do país devido à sua política oportunista e inconsistente, que procura atingir os seus objectivos reaccionários e fascistas. As cenas de pessoas armadas com machados, espadas e todos os tipos de facas e de provocações recordam os métodos do Estado Islâmico, são sinais do que foi dito.

Está claro que o povo da Turquia, composto por diferentes nações e crenças, não é obrigado a escolher entre o golpe e a ditadura personalitsa de um partido. A alternativa popular é o estabelecimento de uma Turquia verdadeiramente laica e democrática. A via para sair do assédio antidemocrático é a defesa dos direitos democráticos e das liberdades políticas. A alternativa é lutar pela democracia popular.

 

Selma Gurkan

Presidente do Partido do Trabalho (Turquia)

Emek Partisi (EMEP)

Membro da Conferência Internacional de Partidos e Organizações Marxista-Leninistas (CIPOML)

 

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Governo Temer: a favor dos banqueiros e contra os trabalhadores

Fora Temer RioOs ministros e as primeiras medidas econômicas do Governo interino de Michel Temer – imposto por meio de um golpe parlamentar organizado por um conluio dos partidos PMDB, PSDB, DEM, SD, PP, PSD, PTB, PSB, entre outros – não deixa dúvidas de que esse governo é um retrocesso para o nosso País e que seu objetivo é transformar o Brasil numa república de banqueiros.

Para tomar conta do cofre e da chave do cofre, isto é, de todo o dinheiro que o governo arrecada do povo brasileiro, dois ilustres banqueiros: o Ministério da Fazenda ficou com o mega-agiota Henrique Meirelles,  ex-presidente do BankBoston, do Global Banking do FleetBoston Financial, e  presidente do Banco Central durante o Governo Lula. Já a presidência do Banco Central foi entregue a Ilan Goldfajn, um dos donos do banco Itaú. Assim, dois grandes banqueiros estarão controlando o dinheiro do Estado brasileiro para servir aos interesses do mercado financeiro.

Os donos dos grandes bancos privados não mediram palavras para elogiar os novos responsáveis pelo Tesouro Nacional. Roberto Setubal, presidente da Itaú Unibanco Holding declarou sobre a escolha de seu  sócio para o BC: “Suas qualidades e sua formação o credenciam a uma bem-sucedida gestão”. Luiz Carlos Trabuco, presidente do Bradesco, disse que “Goldfajn será chave para o sucesso da equipe estruturada por Henrique Meirelles, no desafio de alcançar a condição de relançar a economia brasileira a um novo tempo de crescimento”.

A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) afirmou que “Ilan tem conhecimento profundo sobre a missão e os instrumentos do BC”.

Mas que missão é essa?

Palavras de Henrique Meirelles: “A situação chegou a tal ponto que corremos risco de descumprimento da regra de ouro: a emissão de dívida para quitar despesas correntes. Isso de fato é uma regra de ouro que precisamos restabelecer na economia brasileira e nas finanças”.

A regra de ouro é, portanto, fazer tudo o que é necessário para garantir que a aristocracia financeira, os donos dos títulos da dívida pública, continuem recebendo em dia os seus sagrados rendimentos, os juros que o Governo paga aos banqueiros.

Tudo para os banqueiros

Com efeito, o plano econômico do governo Temer evidencia que seu princípio maior de tudo para os banqueiros será cumprido à risca. Vejamos. No dia 24 de maio, o Governo anunciou quatro medidas que disse serem necessárias para a retomada do crescimento da economia.

A primeira foi fixar um teto para as despesas públicas; estas só poderão crescer na proporção da inflação. Assim, espera o Governo, sobrará mais recursos para pagar os juros da dívida pública.

A segunda: suspender diversos investimentos sociais; o governo bloqueou ou suspendeu os repasses para os programas como Agricultura Familiar, Minha Casa, Minha Vida, entre outros. Objetivo: garantir os recursos para pagar os juros.

A terceira: fim do Fundo Soberano. Trata-se do dinheiro resultado da exploração do pré-sal, no momento R$ 2 bilhões, que irão imediatamente não para à educação ou para a Saúde pública, mas para os bolsos dos banqueiros.

E a quarta: exigir que o BNDES pague ao governo R$ 100 bilhões em dois anos.  Para onde irão os R$ 100 bilhões? Para os donos de bancos, para a oligarquia financeira.

Também o ministro Moreira Franco (PMDB), responsável pelo Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), prepara novas privatizações e as chamadas concessões na área de infraestrutura. Na mira: rodovias, aeroportos, Correios, Caixa, Banco do Brasil, Petrobras e Eletrobras.

Dessa maneira, com o Governo Temer, a aristocracia financeira e a grande burguesia nacional consolidam sua dominação sobre a economia nacional, dominação essa que, a bem da verdade, nunca esteve efetivamente abalada por nenhum governo desde a redemocratização do País em 1985.

Mais: o governo aprovou no Congresso Nacional sua proposta de meta fiscal com um déficit de R$ 170,5 bilhões.

De onde vem esse déficit e o que o causa?

 “O déficit está localizado nos gastos financeiros, nos juros abusivos pagos sobre títulos da dívida. Os sucessivos cortes nas verbas destinadas à saúde e à educação decorrem exatamente da necessidade de recursos para alimentar a ciranda financeira gerada pela suicida política monetária do Banco Central”, explicou Maria Lúcia Fattorelli em entrevista a A Verdade, nº 183.

Calcula o professor Amir Khair, mestre em Finanças Públicas pela Fundação Getúlio Vargas, que o Governo gasta, por ano, mais de R$ 500 bilhões com juros da dívida (o equivalente a 18 vezes o que se investe no Bolsa Família). Porém, se a taxa Selic, a taxa oficial de juros, fosse reduzida de 14,25% para 8,4%, essas despesas com juros cairiam para R$ 250 bilhões e o governo não teria o déficit de R$ 170 bilhões, mas um superávit para investir em saneamento, moradia popular e gerar emprego.

Vale lembrar que, apesar desses escandalosos pagamentos de juros que ocorrem religiosamente todos os meses, segundo dados oficiais do Tesouro, a dívida pública dobrou de tamanho nos últimos 10 anos: era R$ 1,15 trilhão em 2005, e passou para R$ 2,79 trilhões, em 2015. Porém, de acordo com a Auditoria Cidadã da Dívida, esta é ainda maior: R$ 3 trilhões e 936 bilhões, e, somente no ano passado,  o montante gasto com juros e amortizações da dívida foi de R$ 962 bilhões (www.auditoriacidada.org.br).

Além dessas medidas, declarações dos novos ministros revelam outros crimes que o Governo Temer pretende cometer contra o povo: aumento da idade para o trabalhador se aposentar, como defendeu Henrique Meirelles; redução do Sistema Único de Saúde(SUS) , proposta do novo ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP): diminuição de, no mínimo, 10% dos gastos com o Bolsa Família, defendido pelo ministro de Desenvolvimento Social, Osmar Terra (PMDB); corte dos investimentos em moradia popular (o novo ministro das Cidades, Bruno Araújo (PSDB), numa só canetada cancelou 11 mil novos contratos para a construção de moradia popular); por sua vez, o ministro da Educação, Mendonça Filho, defendeu a cobrança de mensalidades nas universidades públicas para cursos de extensão e de pós-graduação, e o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira (PTB) defendeu a revisão das leis e direitos trabalhistas.

Como está claro, trata-se de um governo que pretende cortar investimentos sociais e eliminar direitos de forma a garantir que o grande empresariado nacional tenha seus interesses satisfeitos.

Revelador ainda do caráter desse Governo é que até agora não tomou nenhuma providência para diminuir o desemprego que se alastra pelo país.  Dados da Pnad Contínua, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registram que 11,2% dos trabalhadores estão desempregados, um total de 11,4 milhões de pessoas.

Nem mesmo assegurar o pagamento do seguro-desemprego, o governo dos banqueiros se preocupou. Desde o início do ano, mais de três milhões de desempregados não têm mais direito ao seguro-desemprego e nem encontram vaga para trabalhar. Irão viver como? No abandono, pois o governo Temer tudo o que faz é para garantir a regra de ouro, os pagamentos da dívida pública.

Um governo de bandidos corruptos

Mas além de não ter nenhuma legitimidade, pois é expressão de um dos congressos mais corruptos da história do Brasil, só perdendo para os parlamentos fantoches da ditadura militar, de entregar o Tesouro Nacional nas mãos de dois conhecidos agiotas, o governo Temer se notabiliza pela quantidade de corruptos que ocupa ministérios e cargos de confiança. Sem dúvida, mesmo após a saída do Ministério do Planejamento do senador Romero Jucá, pego com a boca na botija, o governo tem 10 de seus mais graduados membros envolvidos na operação Lava Jato ou em outros escândalos.

Para aplicar essa política, o Sr.  Temer deixou claro que será tão reacionário na economia quanto na política. Durante coletiva de imprensa no dia 24 de maio, disse que saberá governar o País porque já precisou “tratar com bandidos” quando ocupou, por duas vezes, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo: “Tenho ouvido: ‘Temer está muito frágil, coitadinho, não sabe governar’. Conversa!”, disse, dando um tapa na mesa. “Fui secretário de Segurança duas vezes em São Paulo e tratava com bandidos”, afirmou. “Então eu sei o que fazer no Governo”.

É de se perguntar desde quando o Sr. Temer considera o povo brasileiro bandido.

Para reprimir o povo, o governo interino contará com a famigerada Lei AntiTerrorismo, que considera terrorista qualquer pessoa que esteja participando de manifestação política de rua, bastando, para isso, a interpretação subjetiva da Polícia e da Justiça. Uma lei que, num ato de grande incoerência, foi sancionada pela presidenta Dilma Rousseff.

Porém, para toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade, afirma conhecida lei da física, lembrada recentemente por um ex-ministro da Justiça. Logo, as medidas e este governo golpista receberão de todos os trabalhadores e de todo o povo o mais duro combate, já que não há nenhum outro caminho para barrar esses crimes contra o povo, senão a luta popular, as greves, as manifestações e as ocupações. Como bem mostrou, a vitoriosa luta contra a extinção do Ministério da Cultura.

Entretanto, embora estejamos vivendo um retrocesso político e econômico no País, não se trata de nenhuma contrarrevolução. Afinal, também nos governos do PT, os interesses do capital financeiro e da grande burguesia não foram em nenhum momento ameaçados. No Governo Lula, entre 2003 e 2010, o lucro líquido de nove bancos (entre eles, Itaú, Bradesco e Banco do Brasil) somou R$ 174,075 bilhões, e no primeiro Governo Dilma, o lucro dos bancos privados superou R$ 175 bilhões.

Também, o chamado agronegócio seguiu dominando amplamente a agricultura nacional ao ponto da presidenta Dilma ter nomeado para o Ministério da Agricultura a senadora Katia Abreu, presidente da conservadora Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA).

Por sua vez, a grande burguesia internacional teve seus interesses contemplados com os benefícios dados às multinacionais fabricantes de automóveis; as desonerações fiscais e os bilhões em financiamento ofertados a juros baixos pelo BNDES, isso sem contar os imensos favorecimentos da Petrobras às corruptas empreiteiras. Lembremos ainda que, embora em menor grau, o governo de Dilma Rousseff também implementou um ajuste fiscal que tinha como o objetivo garantir o pagamento dos juros da dívida.

Ademais, uma revolução ou uma contrarrevolução para ser caracterizada é necessário, como ensina Lênin, que haja uma deslocação de classes. E o que vemos hoje no Brasil, é que a mesma classe que foi privilegiada nos governos do PT segue mandando e mamando nos cofres públicos, isto é, a grande burguesia, em particular, a oligarquia financeira.

Terão, agora, mais força e mais controle do governo, pois, como vive repetindo o novo ministro da Fazenda, Henrique  Meirelles (aliás, indicado por Lula para assumir essa mesmo Ministério no governo Dilma): “devagar que eu tenho pressa”. Em outras palavras, em meio à crise do capitalismo, os vampiros sanguessugas do capital financeiro têm pressa para se apoderarem das riquezas nacionais e do dinheiro do povo.

Logo, o que houve no Governo do PT foi um “populismo econômico” para as classes ricas, para a grande burguesia nacional e internacional. Ao povo restaram pequenas melhorias que a atual crise econômica vai esvaindo dia a dia.

Aí está toda a ironia do golpe: após realizar um governo que aumentou as fortunas das classes ricas e ter financiado seus partidos, o PT foi descartado pelas classes dominantes.

“A direita continua no poder”

Com efeito, o objetivo dos 13 anos de Governo do PT e de sua política de conciliação de classe, chamada de “presidencialismo de coalizão” para esconder seu real conteúdo, nunca foi o de estabelecer qualquer entrave ao desenvolvimento do capitalismo e ao domínio da classe burguesa sobre a economia e a política do país, mas sim proteger os patrões e garantir a exploração que realizam dos trabalhadores. É fato que o povo teve vários direitos respeitados, principalmente o direito de manifestação, e efetivamente contou com programas sociais que melhoraram as condições de vida da população mais pobre, a elevação real do salário mínimo, mas também não se realizou nenhuma transformação estrutural ou profunda na economia e na política.

Para não restar dúvidas, vejamos o que o religioso e escritor Frei Betto, amigo do ex-presidente Lula, declarou sobre os Governos do PT (e a história do Brasil), ao jornal Valor, em 18 de maio de 2016: “No Brasil, a esquerda jamais esteve no governo. E a direita nunca abandonou o poder. Os governos do PT foram os melhores de nossa história republicana. Tiraram 45 milhões de pessoas da miséria, criaram uma vasta rede de proteção social aos mais pobres, deselitizaram a universidade, cada ano deram aumento de salário mínimo acima da inflação, etc. (…) Porém, o governo se equivocou ao pretender ser o pai dos pobres e a mãe dos ricos … Em 13 anos de presidência, o PT não promoveu nenhum reforma estrutural! Investiu mais em facilitar à população o acesso aos bens pessoais (celular, computador, carro, linha branca, quando se deveria priorizar o acesso aos bens sociais (educação, saúde, moradia, segurança, saneamento etc.). (…)

“Poderia ter feito diferente desde o início do Governo Lula, como valorizar os movimentos sociais e suas lideranças, de modo a cacifá-los politicamente e, assim, renovar o Congresso, como fez Evo Morales na Bolívia. Foi um erro priorizar a governabilidade no arco de alianças com partidos e políticos viciados em fisiologismo e corrupção. Agora o feitiço se volta contra o feiticeiro…”.

Em resumo, os governos do PT realizaram pequenas reformas, mas nenhuma delas colocavam em xeque os interesses da burguesia ou a propriedade privada dos meios de produção, nem mesmo uma reforma nos meios de comunicação o PT teve coragem de realizar e a reforma agrária continuou na gaveta.

Ora, isso está muito longe do que os trabalhadores merecem, afinal esta classe é a única que efetivamente trabalha no País e produz as riquezas. Os patrões, graças a exploração da força de trabalho, transformam os operários em escravos assalariados e se apropriam de tudo que é produzido, alegam que investiram capital, mas esse dinheiro, em grande parte, vem dos financiamentos públicos do Estado.

Patrões jogam a crise nas costas dos trabalhadores

Na realidade, quando ocorrem as crises econômicas, os patrões, os donos dos meios de produção, sob o comando dos capitalistas mais poderosos, isto é, do capital financeiro, os donos dos bancos, desenvolvem uma série de manobras e ações para forçar os governos a adotarem todas os tipos de medidas visando a salvaguardar seus interesses particulares e salvar suas riquezas. A primeira das medidas que exigem são os socorros financeiros, os escandalosos empréstimos a juros negativos, verdadeiras doações milionárias. Um exemplo: em apenas um ano, de 2008 a 2009, os pacotes de salvamento de bancos e investimentos em programas econômicos planejados ou implementados em 37 países somaram 9,682 trilhões de dólares. Levantamento do jornal suíço NZZ am Sonntag mostra que isso significou que cada habitante do planeta contribuiu com US$ 1.422 para salvar monopólios e bancos privados. (http://www.swissinfo.ch/)

Para garantir esses recursos financeiros e manter seus privilégios, a burguesia se une no mundo inteiro para passar por cima da soberania dos povos, eliminar direitos dos trabalhadores, aumentar a jornada de trabalho, promover um imenso desemprego e aumentar a repressão.

É o que faz na França o Governo do socialista de araque François Hollande ao mudar as leis trabalhista do país.  A reforma conhecida pelo nome de “Lei El Khomri”, devido ao nome da ministra do Trabalho, retira vários direitos dos trabalhadores, entre eles, acaba com um valor mínimo de indenização em caso de demissão sem justa causa; exige que os trabalhadores trabalhem de 10 a 12 horas por dia; os acordos coletivos de trabalho com negociação anual passam a ser negociados a cada três anos e sem garantia de retenção dos direitos adquiridos.

Os trabalhadores responderam a esses ataques com duas grandes greves gerais e mais de 250 passeatas e tudo indica que o governo francês sofrerá outra vez uma grande derrota.

Outro exemplo: dados do Cadastro Geral de Empregados (Caged), do Ministério do Trabalho, revelam que nos seus primeiros quatro anos, o governo Dilma gerou cinco milhões de empregos formais. Porém, nos dois últimos anos, 11 milhões de trabalhadores ficaram desempregados.  No capitalismo é assim, dá-se com uma mão e tira-se com outra.

Portanto, nas crises, as melhorias obtidas pela classe operária e pelo povo são roubadas pelos governos dos patrões e desaparecem como fumaça.

Nada será como antes

Desse modo, a única maneira de pôr fim, em definitivo, a essa situação é transformar a sociedade, é acabar de vez com o atual sistema econômico que gera toda essa situação: o regime capitalista. Para tanto, é necessário a conquista do poder político pela maioria da sociedade, pelos trabalhadores. Tal transformação não pode ocorrer numa democracia burguesa, pois ela não é uma verdadeira democracia; é democracia apenas para a burguesia, para os ricos, para os que possuem dinheiro para promover ricas campanhas eleitorais, para pagar marqueteiros, grandes agências de publicidade, e comprar votos ou pessoas que tenham alguma influência social. Alguns ricos chegam mesmo a comprar igrejas para o apoiarem.

Não basta, portanto, uma reforma política; é preciso mudar o regime econômico, pois, enquanto uma minoria de pessoas, a classe dos ricos, for proprietária dos meios de produção, detendo, assim, o poder econômico na sociedade, não existirá verdadeira democracia. De fato, se o poder econômico é da burguesia, também o será o poder político. Assim, mesmo o povo tendo o direito de voto, a maioria dos parlamentares eleitos será aqueles que tiverem mais dinheiro para suas campanhas, e os governos acabam se curvando aos poderosos e adotando medidas para beneficiar essa minoria rica. Por isso é que apenas uma revolução, resultado da aliança de todos os trabalhadores e pobres do Brasil, poderá mudar esse quadro e construir uma nova sociedade, um novo amanhã; e a revolução não é outra coisa senão a resolução dos problemas do povo por meio da luta de classes.

Pretender transformar essa realidade com reformas é desconhecer a própria história do Brasil, pois a burguesia nacional que financiou e promoveu o golpe militar de 1964, foi a mesma que, apesar de beneficiada nos 13 anos de Governo do PT, agora financiou as manifestações pró-impeachment e os partidos que promoveram o golpe parlamentar contra a presidenta Dilma Rousseff.

Logo, não há outro caminho para pôr fim aos golpes em nosso País, a não ser o apontado por Karl Marx e F. Engels, em 1848, no Manifesto do Partido Comunista: “a primeira fase da revolução operária é o advento do proletariado como classe dominante, a conquista da democracia. O proletariado utilizará sua supremacia política para arrancar pouco a pouco todo capital à burguesia, para centralizar todos os instrumentos de produção nas mãos do Estado, isto é, do proletariado organizado em classe dominante, e para aumentar, o mais rapidamente possível, o total das forças produtivas”.

Claro que, como também ensina Marx e Engels, enquanto não conseguirmos conscientizar e organizar a classe operária para compreender a necessidade de realizar essa tarefa revolucionária, trabalharemos e desenvolveremos ações e lutas comuns com todos os movimentos democráticos e populares, mas sem descuidar  “de despertar nos operários uma consciência clara do violento antagonismo que existe entre a burguesia e o proletariado, para que, na hora precisa, os operários saibam converter as condições sociais e políticas, criadas pelo regime burguês, em outras tantas armas contra a burguesia”.

Há quem diga que o capitalismo é um sistema eterno, que é uma ilusão querer destruí-lo. Mas, como disse certa vez Manoel Lisboa, na época dos faraós também se dizia que o regime escravista iria durar para sempre, e ele acabou. Depois, os reis e as rainhas afirmavam que o feudalismo era fruto da vontade de Deus e nunca acabaria, mas terminou com revoluções em dezenas de países. Hoje, as classes dominantes dizem o mesmo sobre o capitalismo, mas subestimam a luta de classes, a força e a união da classe operária, dos pobres esfomeados, dos desempregados, dos camponeses sem terra, o compromisso da juventude com o novo, a coragem das mulheres, e, acima de tudo, a determinação de um povo de ser dono de seu próprio destino.

Outros dizem que esse caminho é difícil e duro, é verdade, mas é o único que nos levará aonde queremos chegar: o socialismo!

Em resumo, ao mesmo tempo que lutamos  contra o golpe, que denunciamos cada crime do governo impostor do Sr. Temer de implantar uma república dos banqueiros, roubar direitos dos trabalhadores  e do povo e de promover uma corrupção nunca vista antes na história de nosso país, devemos desenvolver uma ampla propaganda e agitação de que a classe operária precisa se unir para acabar com a escravidão assalariada e conquistar o poder político por meio de uma luta de classes consequente, de uma revolução popular, e combater todas as tentativas de iludirem as massas populares de que é possível resolver seus problemas mantendo a propriedade privada dos meios de produção, isto é, mantendo a classe dos patrões, a burguesia, como proprietária das fábricas, dos bancos, do comércio, das terras, pois, enquanto persistir a dominação do capital é inevitável a escravidão assalariada dos trabalhadores e os golpes. Como disse o poeta, “Sei que nada será como antes amanhã/ Sei que nada será como está/Amanhã ou depois de amanhã” (Milton Nascimento, Ronaldo Bastos)  

(Lula Falcão, diretor de redação de A Verdade e membro do Comitê Central do PCR)

(Publicado em A Verdade, nº 184, junho de 2016)

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O povo colombiano conquistará a paz com o triunfo da revolução e do socialismo

Pobreza na Colômbia

No último dia 23 de junho, o Governo da Colômbia e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc-EP) firmaram o “Cessar fogo e de hostilidades bilateral e definitivo e de deposição de armas”, que constitui o passo prévio da assinatura de um acordo de paz de se faria neste mês de julho. No País e em nível internacional celebrou-se este fato como um acontecimento histórico que “devolverá a paz e a tranquilidade” aos colombianos, desconhecendo que o agudo conflito político-social existente nesse país tem origem em causas que não foram superadas.

A ação das forças insurgentes colombianas vem desde pouco mais de meio século e as razões que motivaram a luta armada ainda estão presentes: a exploração e a opressão a que se encontram submetidos os trabalhadores e povos pela ação do sistema imperante; a dependência estrangeira, que não permitiu nem permite um desenvolvimento soberano do País; e a necessidade de conquistar uma sociedade que liberte os povos e o País dessas ataduras e lhes outorgue liberdade, democracia e bem-estar.

As distintas organizações guerrilheiras da Colômbia, como as Farc-EP, o Exército Popular de Libertação (EPL), o Exército de Libertação Nacional (ELN), reivindicam e lutam pelas aspirações do povo colombiano com a mira posta em derrotar política e militarmente a burguesia colombiana, que conta com um dos maiores exércitos regulares da América, que, por sua vez, recebe assessoramento e financiamento do imperialismo norte-americano. Durante todos esses anos de luta armada, as forças insurgentes tiveram vitórias de distintos calibres, momentos de desenvolvimento e crescimento de suas forças, de incremento da simpatia e apoio popular a suas ações. Também enfrentaram episódios nos quais foram golpeados e tiveram afetadas suas forças e influências. Apesar dos esforços de todos os governos que, nestes últimos anos, revezaram-se no Palácio de Nariño e na Casa Branca, nenhuma das organizações foi derrotada militarmente, mas tampouco desenvolveram a capacidade necessária para conquistar o poder.

Ainda que as causas estruturais que motivaram e justificaram a luta das organizações guerrilheiras se mantenham, não Podemos deixar de levar em consideração que o cenário político colombiano mudou notavelmente. Durante 50 anos, a sociedade colombiana foi testemunha da luta guerrilheira revolucionária, mas também da resposta militar do exército burguês desde o início e, mais adiante, de grupos paramilitares organizados e financiados pelos setores belicistas mais reacionários da burguesia desse país, que atuaram também contra a população civil não participante do conflito armado. Desta maneira, a classe dominante colombiana e o imperialismo foram capazes de criar um cenário de violência permanente e sistemática, no qual, para a maioria da população resulta muito difícil de diferenciar entre violência revolucionária necessária de ser utilizada para libertar o povo, da violência reacionária para manter o domínio do sistema. Para o povo colombiano, o país está sendo consumido pela violência e isso esgotou a sociedade, que levanta massivamente as bandeiras da paz, ainda que existam muitos temas e aspectos nos quais a divisão e a polarização social são evidentes.

Essa circunstância implica que o cenário ou as condições políticas para a ação das forças insurgentes são adversos. A luta armada como via para conquistar o poder não fracassou; as circunstâncias político-sociais obrigam priorizar outras formas de luta das massas que permitam uma maior e mais rápida acumulação de forças para tomar o poder. A luta armada, como toda forma de luta, não pode ser aplicada de maneira voluntarista, mecânica, quer dizer, com seu uso determinado só pelo desejo dos atores políticos, sem levar em consideração as condições político-sociais existentes em uma sociedade determinada: correlação de forças, grau de consciência política das massas, níveis e formas organizativas do movimento popular, limitações extremas para a utilização de outras formas de luta das massas, etc. Na luta política, e na luta armada como expressão da luta política por outros meios, há ocasiões em que é necessário fazer concessões, retiradas estratégicas, e nem por isso podem ser qualificadas como traição à luta.

A decisão adotada pelos representantes das Farc-EP de subescrever o “Cessar fogo e de hostilidades bilateral e definitivo e de deposição de armas” leva em consideração esse desejo de paz dos colombianos, mas: deixa de lado que existem graves problemas econômicos, políticos e sociais sobre os quais o Governo não faz nada para resolvê-los e, pelo contrário, sua gestão os agudiza; outorga muitas concessões para alcançar sua reinserção, incluindo a aceitação de que alguns de seus integrantes sejam julgados como criminosos de guerra; permite que o Governo descumpra compromissos acordados durante as negociações, como a execução de uma reforma agrária que ajude a resolver a grave situação em que vive o campesinato colombiano. A “deposição de armas”, na realidade, constitui uma entrega das mesmas, pois a Organização das Nações Unidas as receberá para construir com elas três monumentos: em Cuba, na ONU e na Colômbia. Confiar que o Estado burguês aplique as reformas sociais e políticas que constam nos acordos alcançados durante as conversações e que respeite a vida e a segurança dos combatentes é uma perigosa ilusão.

É justa a busca das Farc-EP em dar uma saída política ao conflito existente nesse País, mas não abandonar as propostas e o programa que motivaram seu surgimento, senão buscando mecanismos que permitam continuar essa luta em melhores condições. Uma negociação com esse tipo de concessões aceitas por quem subescreve o acordo implica uma derrota política para essa força insurgente e não uma vitória, e pode alimentar o discurso promovido pelo imperialismo e pela burguesia internacional de que 50 anos de luta não serviram para nada, que foi uma luta em vão.

A assinatura deste acordo não traz por si mesma a paz na Colômbia, pois o Estado colombiano foi tomado pelo narcotráfico que atua junto a bandos criminosos, a grupos paramilitares que operam amparados por altos chefes militares e, ademais, porque existe uma sistemática violência estatal aplicada contra o movimento popular e social que luta por seus direitos e reivindicações. O movimento social não baixa suas bandeiras de luta; não permitirá que se estabeleça uma paz de cemitérios, sua voz se manterá firme e sonora. Junto a eles, mantêm sua luta organizações como o Exército Popular de Libertação, braço armado do Partido Comunista da Colômbia (marxista-leninista), a quem expressamos nossa solidariedade pela valorosa luta que mantêm.

A luta armada revolucionária tem vigência na Colômbia e em todo o mundo onde o capitalismo não foi derrotado. Esta, com a participação do povo e em condições históricas concretas, levará à conquista do poder aos trabalhadores e ao povo para a construção do socialismo e do comunismo.

 

junho de 2016

Partido Comunista Marxista-Leninista do Equador (PCMLE)

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O Brasil e a transfiguração do PT

Edgar Isch López

Lula-e-temerA crise política que o Brasil vive apresenta aspectos de interesse para todos os países da região, buscando não só compreender a realidade do que acontece no país irmão, mas também de relacioná-la com o debilitamento dos chamados governos progressistas.

Seguramente, o ponto esclarecedor está em compreender o papel histórico do PT no governo, o qual previamente foi um avanço na luta contra o neoliberalismo e a geração de propostas alternativas em conjunção com os maiores movimentos de massas do Brasil. Mas, com uma necessidade de caráter eleitoral, em 2002, Lula da Silva lançou a “Carta ao Povo Brasileiro”, anunciando que seu governo respeitaria a regra do jogo dos governos anteriores (ou seja, neoliberais) e, desde então, passou a defender que as mudanças “possíveis” eram um assunto da administração do Estado, conduzindo a uma paulatina desmobilização de amplos setores populares.

Em seguida, vem um direcionamento de políticas que não podem ser definidas como de esquerda. É freada qualquer possibilidade de reforma agrária integral, inclusive é entregue aos sem-terra menos hectares que em governos anteriores, para dar espaço à política extrativista baseada no agronegócio, principalmente da soja, afetando os ecossistemas amazônicos; são contidas as demandas operárias, abrindo as portas do Estado às grandes empresas; é aplicada uma Lei Antiterrorista; realiza-se um financiamento da educação superior que, cada vez mais, beneficia entidades privadas. Ao mesmo tempo, programas de bônus como o Bolsa-Família possibilitam que milhões saiam da pobreza sem que haja sustentação de sua nova condição, pois se este e os outros bônus caírem, retornarão à situação anterior. Esta foi, a exemplo do ocorrido que em casos similares, uma transferência de renda apoiada nos altos preços das matérias-primas e que fracassa quando essa época de bonança termina.

O PT se adaptou ao sistema corrupto, que confiava menos na ação dos setores populares e mais na negociação com os representantes políticos da direita. Em dois anos do primeiro governo Lula, em 2005, já estourou o escândalo do Mensalão, com a prisão do presidente do PT, José Dirceu. Logo viriam outros escândalos nos quais figuras-chaves do PT estão comprometidas.

Mas talvez a pior corrupção seja o fato de que o mesmo simbólico dirigente operário Lula da Silva passa a ser representante de empresas transnacionais, delas recebendo pagamentos que podem até ser legais, mas não éticos, deixando sua linha de pensamento para assumir a que sempre identificou como sendo a de seus inimigos de classe. Basta recordar como pessoalmente defendeu a Odebrecht, transnacional cujos principais representantes estão presos ou sob investigação, quando esta empresa foi expulsa do Equador por ineficiência e denúncias em torno da construção da represa São Francisco. A defesa que alguns fazem dos Brics não se pode esquecer, que se trata de expressões da concorrência monopólica em nível internacional, correspondendo aos Brics uma falsa imagem libertadora.

Complementarmente, cada mais vez se atua em favor dos grandes e contra os trabalhadores e os pobres. Embora hoje os petistas denunciem, desde 2003 nada fizeram para mudar a corrupção que enlameia mais de 50% dos deputados; tampouco mudaram as antidemocráticas regras eleitorais (assim como a aliança do país no Equador) para favorecer os maiores partidos; não deram nenhum passo em direção a uma democracia participativa; entraram no jogo de cortes de Justiça corruptas e aparelhadas politicamente. Ideologicamente, não enfrentaram a presença de seitas que atuam com uma política ultraconservadora. Economicamente, basearam-se no extrativismo, apoiando grandes empresas multinacionais que exportam matérias-primas e sem nenhuma mudança de “matriz produtiva”, para usar uma expressão conhecida e igualmente falsa. Chancelaram acordos que se realizavam com os partidos neoliberais, que hoje traem os pactos. Isso, ao mesmo tempo em que Dilma nomeava como ministro da Fazenda o economista Joaquim Levy, um destacado neoliberal que aplicou um programa de ajuste que em muito pouco se diferencia de governos neoliberais.

Isso, no conjunto, levou a que Chico Oliveira, um dos mais prestigiosos intelectuais do PT, assinalasse que seria um sinal de que o PT estaria caminhando a passos agigantados a um processo de transfiguração política, em uma aberração política. Ou seja, deixando de ser o que historicamente foi para converter-se em seu contrário.

Como se vê, esperar que as mudanças se deem desde o governo, debilitar a autonomia e ação das organizações populares, esquecer que todo revolucionário deve manter uma ética diferenciadora do passado, assumir o papel de administrador da crise capitalista, crer que a esquerda existe para se acertar com a extrema-direita e esperar ser aceito em seu círculo, são aspectos que explicam o que se sucedeu com o PT.

O povo foi compreendendo e seu respaldo ao governo foi caindo. As grandes manifestações de 2013, que iniciaram uma onda até agora, expressam-se também eleitoralmente. Dilma, na reeleição, conseguiu 54 milhões de votos, mas só três milhões a mais que seu concorrente, caindo continuamente de popularidade a cifras mínimas que explicam por que as importantes mobilizações estão muito abaixo do esperado.

O PT, então, não serve mais para conter as demandas populares e a direita prefere governar diretamente para fortalecer o neoliberalismo e empregar amplamente a repressão. O retrocesso será grave e com efeitos negativos para a região. De maneira ilegal, ardilosa, corrupta, a direita jogou suas cartas. Mas deixa preparado um reformismo que renunciou a suas origens. E isto não se pode que esquecer, porque é também sintoma e realidade de outros governos autodenominados progressistas.

(Edgar Isch López, ex-ministro do Meio Ambiente do Equador e articulista do Opción)

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Concerto para Manoel Lisboa reúne mais de 500 pessoas em Recife

concerto 009Foi um grandioso tributo! O palco, histórico, não poderia ser mais simbólico. De onde Castro Alves lançou brados de poesia pela liberdade, em 1865, a mesma liberdade voltou à cena neste 7 de maio de 2016 sob o nome de Manoel Lisboa de Moura.

O Teatro de Santa Isabel, no Recife, viveu uma noite especial. Os mais de 500 espectadores que o lotaram e as belíssimas apresentações renderam uma grande homenagem (seguramente, a maior já realizada no Nordeste) a um militante revolucionário herói da luta contra a Ditadura Militar no Brasil.

O “Concerto para Manoel Lisboa – Pela Memória, Verdade e Justiça” marcou também o início das comemorações dos 50 anos do Partido Comunista Revolucionário (PCR), fundado em 1966 por iniciativa de Manoel, Amaro Luiz de Carvalho, Valmir Costa, Selma Bandeira e Ricardo Zarattini.

Organizado pelo Centro Cultural Manoel Lisboa e pelo jornal A Verdade, o Concerto contou ainda com a parceria da Secretaria de Cultura do Recife, Superintendência dos Correios e Telégrafos, DCEs da Unicap e da UFRPE, União dos Estudantes Secundaristas de Pernambuco (Uespe), Movimento Tortura Nunca Mais-PE, Comitês Memória, Verdade e Justiça de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte e diversos movimentos sociais (MLC, MLB, Olga Benario).

Coube ao escritor e publicitário José Nivaldo Júnior abrir a noite com um forte e emocionado depoimento de sua convivência com Manoel Lisboa nos tempos de clandestinidade, em que enfatizou a completa entrega de seu camarada à luta para derrubar a Ditadura, fortalecer o Partido e mobilizar o povo para a construção do socialismo, mesmo sofrendo as mais terríveis torturas nas masmorras do regime em Recife, até sua morte física no dia 04 de setembro de 1973.

concerto 004Seguiram-se então vários momentos, intercalados por poesias revolucionárias recitadas por jovens militantes. Foi lançado o selo comemorativo dos Correios em homenagem a Manoel Lisboa, sendo sua família representada por Alfredo Lisboa (sobrinho de Manoel). Neste momento, falou Luiz Falcão, do Comitê Central do PCR e diretor de redação de A Verdade, ressaltando que “o mais importante agora é que cada um de nós busque seguir o exemplo do camarada Manoel para que, de fato, possamos viver num País justo, livre da exploração capitalista”.

concerto 007A programação seguiu com o Coral dos Correios, cantando clássicos do cancioneiro político nacional de Chico Buarque e João Bosco, entre outros; com a Banda Guazapa, cantando músicas latino-americanas, como Te recuerdo Amanda, de Victor Jara, que fala do amor proletário desta com Manuel.

O ápice do evento ficou por conta da apresentação da atriz Hilda Torres, com seu monólogo para Soledad Barret, militante também assassinada pela Ditadura, que ao final, transformou-se num grito pela justiça e pela liberdade, levantando toda a plateia em aplausos e gritos. Apresentaram-se ainda o grupo estudantil da Escola Técnica Professor Agamenon Magalhães (Etepam), que desenvolvem o projeto “Adote uma Memória”, encenando e cantando, inclusive, a música Hasta Siempre Comandante, de Carlos Puebla para Che Guevara.

Para acrescentar neste inesquecível ato político-cultural, Edival Nunes Cajá, do Comitê Central do PCR e presidente do Centro Cultural Manoel Lisboa, subiu ao palco para reafirmar que o último pedido de Manoel Lisboa, para que os militantes do PCR prosseguissem com o trabalho do Partido, está sendo cumprido fielmente nos quatros cantos do Brasil. “Uma das maiores provas disso é que temos aqui neste ato representações do Rio Grande do Sul ao Amazonas, uma grande bancada de companheiros e companheiras do MLB, que organiza o povo pobre deste País para lutar por seus direitos, sindicalistas e jovens, homens e mulheres cujo sonho é viver num mundo novo, socialista”.

Um coral de militantes, regido pelo maestro Geraldo Menucci, autor do Hino das Ligas Camponesas, finalizou a noite com A Internacional, hino do proletariado mundial, acompanhado de pé por toda a plateia. Na saída do teatro, ecoavam a palavra de ordem “Se nota, se sente, Manoel está presente”.

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Rafael Freire, jornalista
Texto e fotos

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Emmanuel Bezerra é homenageado em Natal

EB10O jornal A Verdade realizou no dia 13 de maio um debate em Homenagem a vida e a luta de Emmanuel Bezerra dos Santos. O evento aconteceu na Galeria de Artes do IFRN Campus Cidade Alta no centro de Natal.

A Galeria foi lotada por 80 pessoas entre estudantes de diversos campi do IFRN, das escolas estaduais CENEP, Pe. Miguelinho, Francisco Ivo, trabalhadores e companheiros e companheiras das ocupações urbanas do MLB que entoaram palavras de ordem durante todo o debate. Além disso, tivemos a presença do Movimento de População de Rua, UJR, UESP, Movimento de Mulheres Olga Benário, UP e PCR.  A mesa foi composta por Samara Martins diretora da UNE e da UJR, Alex Feitosa do PCR e o professor Marcel Matias representando a Instituição.

O professor Marcel ressaltou a importância de debates como esse em que se estimula a consciência crítica, em particular nos estudantes, e que o IFRN está de portas abertas para os movimentos sociais. Samara Martins destacou o papel da juventude na luta contra a ditadura e afirmou que o atual momento também exige mais uma vez a disposição de luta e rebeldia da juventude brasileira. Alex Feitosa afirmou que a luta de Emmanuel Bezerra ainda é necessária e justa, pois ainda são milhões os que vivem na miséria, desempregados e com seus direitos negados e isso tudo devido a capitalismo. Portanto a saída é lutar pelo socialismo.

A poesia engajada de Bertolt Brecht esteve presente durante todo o evento. Como não poderia deixar de ser o evento foi aberto com a declamação da poesia “Às gerações futuras” de Emmanuel Bezerra. Depois de várias intervenções do plenário reverenciaram o exemplo de Emmanuel foi exibido um vídeo sobre os militantes do PCR que foram assassinados pela ditadura.

Além da homenagem o objetivo do Debate era fortalecer a campanha pela punição de todos os torturadores e assassinos da ditadura militar fascista em nosso país. Por isso, tanto no início como no fim, foram chamados todos os nomes de mortos e desaparecidos políticos do RN momento no qual o plenário respondeu com firmeza: ”presentes, agora e sempre!”.

Redação, Rio Grande do Norte

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1º de Maio: operários e trabalhadores de todos os países!

bandeira PCR e ato“Este mundo em que os poderosos pisam os trabalhadores e nos dizem que esta é a ordem correta das coisas vai desabar e nascerá uma sociedade de liberdade em que cada um cooperará voluntariamente por uma vida melhor”. August Spies, mártir de Chicago, condenado à morte por ser uma das lideranças do 1° de Maio de 1886.

 

Os capitalistas e seus governos seguem sem descanso a ofensiva contra os trabalhadores e os povos.

As demissões e a intensificação forçada da exploração, as reduções de salário e a deterioração das condições de trabalho, a precariedade e a flexibilização das leis trabalhistas, os planos de austeridade, os chamados ajustes fiscais, e as grandes injustiças aumentam os lucros dos monopólios e agravam a situação das massas trabalhadoras.

Hoje, a miséria golpeia amplas camadas dos trabalhadores que produzem toda a riqueza social, e o desemprego na juventude tem consequências dramáticas. Enquanto isso, um punhado de ricos fica ainda mais rico.

As corruptas classes dominantes reforçam os métodos autoritários e prepotentes de seus governos, eliminam direitos e as liberdades democráticas dos trabalhadores e ainda reprimem duramente os protestos populares para perpetuar seus privilégios e poder.

As potências imperialistas e capitalistas estão em pé de guerra contra os interesses da classe operária e dos povos. Se armam e se tornam mais agressivas para impor a exploração e seu domínio.

O resultado das guerras e agressões militares é o terror reacionário e fascista, que é utilizado para refazer mapas de regiões inteiras e manter as massas no obscurantismo.

No Brasil, os ataques aos trabalhadores partem também do Congresso Nacional e do Governo Federal. Exemplos como o Projeto de Lei Complementar (PLC 257), que ataca os direitos dos servidores públicos, propondo uma dura redução de direitos como fim das gratificações, demissões, a não contratação de novos servidores e até o congelamento de salários. Há ainda no Senado, o PLS 300, antigo PL 4330, que amplia a terceirização para os trabalhadores, e, se aprovado, irá reduzir o salário dos trabalhadores em no mínimo 25% e aumentar a precarização nas condições de trabalho. Ao todo existem 63 Projetos de Lei na Câmara Federal e no Senado que reduzem direitos dos trabalhadores e ameaçam conquistas históricas das massas trabalhadoras.

Por isso, neste 1º de Maio, não devemos nos enganar com falsas promessas de centrais sindicais pelegas. Devemos homenagear os mártires de Chicago, condenados à morte nos Estados Unidos por organizarem uma greve pela redução da jornada de trabalho, e todos os trabalhadores que deram suas vidas por um mundo e um Brasil sem exploração do homem pelo homem. Vamos ocupar às ruas e bairros com nossas bandeiras, realizar reuniões e assembleias para organizar nossas lutas e avançarmos nas conquistas de nossos direitos. A libertação de nossa classe só acontecerá com a nossa união e organização.

Nessa situação, que demonstra que o capitalismo é incompatível com os interesses da classe operária e dos povos, convocamos os lutadores e lutadoras a celebrar este 1º de Maio reforçando a unidade e solidariedade de classe, para criar a luta comum na frente única de todos os trabalhadores contra a ofensiva do capital, o retrocesso, a política de guerra imperialista e o terror fascista. Chamamos a classe operária a confiar em sua enorme força e fortalecer a sua unidade e luta em cada país e em todo o mundo.

Estendamos e intensifiquemos a luta contra a exploração capitalista e os ataques dos patrões, favorecidos por seus cúmplices oportunistas, e pela defesa intransigente dos interesses políticos e econômicos da classe operária e suas organizações, e também para que as classes dominantes assumam a responsabilidade pela crise que criaram.

Estendamos e intensifiquemos a luta contra a reação burguesa em todas suas formas, levantemos a bandeira das liberdades e dos direitos da classe operária e das massas populares ameaçadas pela burguesia e as forças reacionárias e fascistas.

Estendamos e intensifiquemos a luta contra a guerra de rapina, as intervenções imperialistas, contra o rearmamento e as medidas de militarização aplicadas pelos governos burgueses.

Unamos e fortaleçamos em cada país as organizações da classe operária contra a burguesia para romper a cadeia capitalista-imperialista e edificar a nova sociedade sem exploração do homem pelo homem, a sociedade socialista.

Viva o 1º de Maio, dia internacional de solidariedade aos trabalhadores!

Abaixo a exploração capitalista! Pelo poder popular e pelo socialismo!

Proletários de todos os países, uni-vos!

Partido Comunista Revolucionário (PCR)

Conferência Internacional de Partidos e Organizações Marxista-Leninistas (CIPOML)

 

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