Josef Stálin – O Pai dos Povos

Jossif Vissarionóvich Dzugasvili  Stálin  nasceu em 21 de dezembro de 1879 em Gori, província de Tífilis, Geórgia, região da Transcaucásia. Seu pai, Vissarion Ivanovich era filho de camponês pobre, tornou-se sapateiro autônomo e, depois, operário de uma fábrica de calçados. Sua mãe, Catarina Gueorguievna, filha de servo (camponês pobre).
A Rússia era o país mais atrasado da Europa, tinha como base a agricultura caracterizada pelo latifúndio e regime de servidão. Mas nas últimas décadas, o capitalismo avançava, lutas operárias vinham acontecendo, formando-se um campo fértil às idéias revolucionárias. Círculos clandestinos para estudo e divulgação do marxismo foram formados por intelectuais. O desafio era como fundir a teoria marxista com o movimento operário, o que foi conseguido por Lênin (V. A Verdade, nº  49), com a União de Luta pela Emancipação da classe operária de São Petersburgo.  Em 1898 fundou-se o Partido Operário Social-Democrata da Rússia ( POSDR).

No seminário de Tífilis, Stálin conheceu a literatura marxista, entrou em contato com grupos ilegais, organizou um círculo de estudos e ingressou no POSDR no ano de sua fundação, sendo expulso do seminário no ano seguinte, em razão de suas atividades.

A partir de então, dedicou-se inteiramente à atividade revolucionária, editando publicações clandestinas, redigindo textos e artigos e fazendo a propaganda do marxismo entre os operários.

O lutador e o dirigente

No levante operário de 1905, as divergências dentro do PSODR se clarificaram: de um lado, os mencheviques, defendendo meios pacíficos de luta e, de outro, os bolcheviques que propunham transformar a greve operária em insurreição armada. Stálin defendeu esta posição firmemente na Primeira Conferência Bolchevista de toda a Rússia, ocasião em que se encontrou com Lênin pela primeira vez e, juntos, redigiram as resoluções do Encontro.  A insurreição aconteceu em dezembro de 1905 e foi derrotada.

Stálin redobrou o trabalho de base, concentrando suas atividades na região petrolífera de Baku: “Dois anos de atividade revolucionária entre os operários da indústria petrolífera temperaram-me como lutador e como dirigente. Conheci pela primeira vez o que significava dirigir grandes massas operárias”.

Em 1912, na Conferência de Praga (Checoslováquia), dada a impossibilidade de realizá-la na Rússia, os bolcheviques decidem organizar-se em partido independente, afastando completamente os mencheviques e adotando o nome POSDR (b), isto é, bolcheviques. Stálin estava na prisão, de onde fugiu pouco depois, participando com Lênin da criação do PRAVDA (A Verdade). Indicado para dirigir o grupo bolchevique na Duma (parlamento russo), foi detido mais uma vez e enviado para longínqua cidade da Sibéria, de onde só sairia com a revolução (burguesa) de fevereiro de 1917.

A jornada de luta dos operários, que acontecia desde o início do ano de 1917, se amplia e obtém a adesão de um grande número de soldados sublevados em razão das precárias condições em que enfrentavam os alemães (1ª guerra mundial). A insurreição culmina com a derrubada do czarismo e constituição de um governo burguês, provisório. Livre,  Stálin se desloca para Petrogrado e no dia 16 de abril está à frente de uma delegação operária, recebendo Lênin (retornava do exílio) na estação Finlândia. Uma semana depois, realizou-se a sétima Conferência e ele foi eleito para o birô político do Partido Bolchevique.

Organizam-se os soviets (conselhos) de operários, camponeses e soldados, que em pouco tempo instauram uma situação de dualidade de poder. Lênin propõe a passagem da revolução democrático-burguesa para a revolução socialista e em julho/agosto realiza-se o II Congresso do Partido. Al-guns delegados defenderam que não era o momento para esse salto, por falta de apoio dos camponeses ou mesmo porque só era possível construir o socialismo com a vitória da revolução nos países euro-    peus. Stálin pronunciou: “ …É necessário desprezar essa idéia caduca de que só a Europa pode nos indicar o caminho. Há um marxismo dogmático e um marxismo criador. Eu me situo no terreno do segundo”. Esta era também a visão de Lênin e da esmagadora maioria dos bolcheviques, o que tornou possível a revolução socialista de outubro.

Stalin esteve à frente de todos os preparativos para a insurreição e integrou o grupo que conduziu o Comitê Militar Revolucionário. O levante começou no dia 6 de novembro, à noite.  No dia 7,  rapidamente, as tropas revolucionárias tomaram os principais pontos de Petrogrado e o Palácio de Inverno, onde se tinha refugiado o governo provisório. Quando o II Congresso dos Soviets se instalou naquele mesmo dia, proclamou: “… apoiando-se na vontade da imensa maioria dos operários, soldados e camponeses e na insurreição triunfante levada a cabo pelos operários e a guarnição de Petrogrado, o Congresso toma em  suas mãos o poder”.

No período de 1917 a 1924, Stálin atua ao lado de Lênin na condução do Partido e dos negócios do Estado. Durante a guerra contra-revolucionária desencadeada pela burguesia e pelos latifundiários russos, e pelos exércitos de uma dezena de potências estrangeiras, destacou-se como estrategista militar, principalmente nas frentes onde havia insegurança ou indisciplina. Sempre envolvendo a massa popular da região, Stálin conseguia debelar o foco do problema e devolver a confiança e o ânimo às tropas vermelhas que voltavam a obter êxitos.

Transformando o sonho em realidade

Em  (1922), no XI Congresso, Stálin, que sempre esteve ao lado de Lênin, foi eleito para o cargo de secretário-geral e assumiu a tarefa de organizar a união livre e voluntária dos povos, vindo a constituir a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Com o agravamento da saúde de Lênin, Stálin assumiu a direção do XII Congresso, propugnando o combate à tendência de retorno ao capitalismo, por má interpretação da Nova Política Econômica ( NEP) em alguns setores da economia e propôs um programa que acabasse com a desigualdade econômica e cultural entre os povos da URSS.

Lênin faleceu no dia 21 de janeiro de 1924. No XIV Congresso (1925), definiu-se como caminho para fortalecer o socialismo na URSS: “Transformar nosso país, de um país agrário num país industrial, capaz de produzir com seus próprios meios, as máquinas e ferramentas necessárias”. Não havia unanimidade quanto a essa estratégia, à qual se opunham os dirigentes Kamenev e Zinoviev, que propunham maior fortalecimento da agricultura e um ritmo de crescimento industrial mais lento.   Trostki também se opunha, argumentando que Stalin estava desviando energias para o desenvolvimento econômico interno, em vez de canalizá-la para a revolução proletária mundial. Na concepção de Stálin,  a melhor forma de contribuir com a revolução mundial, de fortalecer o internacionalismo proletário, seria fortalecendo o socialismo na URSS.

Para implementar a industrialização, a URSS só podia contar com as próprias forças. Havia de contar com o entusiasmo da classe trabalhadora e eliminar ideológica e organicamente os setores que se opunham à aplicação das resoluções do Congresso. “Não se podia alcançar a industrialização sem a destruição ideológica e orgânica do bloco trotskista-zinovievista” ( Stálin, Instituto Mel).

A luta contra os kulaks e os restauradores do capitalismo

O XV Congresso realizado em 1927 constatou os êxitos da industrialização. Stálin ressaltou que era necessário avançar, superando o único obstáculo existente ainda, o atraso na agricultura e indicou a solução: “passagem das explorações camponesas dispersas para grandes explorações unificadas sobre a base do cultivo comum da terra com técnica nova e mais elevada”. Destacou que essa agrupação deveria se dar pelo exemplo e pelo convencimento, não pela coerção dos pequenos e médios agricultores.

A Revolução de 1917 havia eliminado o latifúndio, transformando-o em sovkozes (fazendas estatais) e incentivava os pequenos camponeses a se organizarem em cooperativas, os kolkhozes. Agora, tratava-se de intensificar essa campanha e de neutralizar os camponeses ricos (kulaks), setor que se fortalecera durante a Nova Política Econômica (NEP).

Dentro do Partido, um grupo liderado por Bukharin, Rikov e Tomski se opôs à repressão aos kulaks, defendendo um processo gradual e pacífico de coletivização da terra. Stálin avaliava que o grupo pretendia na verdade restaurar o capitalismo e agia como agentes dos camponeses ricos e promoveu “o esmagamento dos capitulacionistas”. Em 1927, em comemoração ao XII aniversário da Revolução, escreveu: “O ano transcorrido foi o ano da grande virada em todas as frentes de edificação socialista”. Com a liquidação dos kulaks, procedeu-se à coletivização total do campo.  Stálin criticou excessos praticados em alguns lugares onde se impuseram medidas para as quais os camponeses não estavam preparados e ensinou aos militantes: “…não se pode ficar à retaguarda do movimento, já que retardar-se significa afastar-se das massas, mas tampouco deve-se adiantar, já que isto significa perder os laços com as massas” (J. Stálin, Problemas do Leninismo).

Com base nos resultados alcançados, o informe dado por Stálin no XVI Congresso (1930) afirmou: “nosso país entrou no período do socialismo”. O congresso aprovou o primeiro plano qüinqüenal, cuja meta era a reconstrução de todos os ramos da economia com base na técnica moderna. Eis o balanço apresentado por Stálin no XVII Congresso (1934): “…Triunfou a política de industrialização, da coletivização total da agricultura, da liquidação dos Kulaks, triunfou a possibilidade de construção do socialismo num só país”. É lançado o segundo plano qüinqüenal, que prevê realizações em todos os ramos da economia e nos campos da cultura, das ciências, da educação pública e da luta ideológica.
Em quatro anos e três meses, o plano estava cumprido. Afigurava-se agora a necessidade de uma revolução cultural no sentido de capacitar quadros oriundos do proletariado para que dominassem a técnica e assumissem funções de direção no governo soviético. A partir do apelo de Stálin, surge o movimento stakanovista “ iniciado na bacia do Donets, na indústria do carvão, se espalhou por todo o país. Dezenas e centenas de milhares de heróis do trabalho deram exemplo de como se devia assimilar a técnica e conseguir aumentar a produtividade socialista do trabalho na indústria, na agricultura e no transporte”. (Stalin, Instituto Mel).

Em 1936, o XVIII Congresso dos sovietes aprovou a nova constituição da URSS, a constituição do socialismo, garantindo não apenas liberdades formais como as constituições burguesas, mas “amplíssimos direitos e liberdades aos trabalhadores, material e economicamente, assegurados por todo o sistema da economia socialista que não conhece as crises, a anarquia nem o desemprego”.

O XVIII Congresso ocorreu em 1939. Enquanto os soviéticos comemoravam êxitos, os países capitalistas viviam profunda crise e Hitler já ocupava as nações vizinhas da Alemanha. Em relação à política externa, o congresso aprovou a orientação de Stálin no sentido de se continuar aplicando a política de paz e de fortalecimento das relações com todos os países, não permitindo que a URSS seja arrastada a conflitos por provocadores.

Em nível interno, a tarefa lançada foi a de ultrapassar nos 10 ou 15 anos seguintes os países capitalistas no terreno econômico. No seu informe ao XVIII Congresso, Stálin concluía que “É possível construir o comunismo em nosso país, mesmo no caso de se manter o cerco capitalista”.

Comandando a guerra contra Hitler e o nazifascismo

O ano de 1940 registrou um aumento sem precedentes da produção na URSS e em 1941, quando o povo soviético se preparava para comemorar novas vitórias, Hitler rompeu o pacto e invadiu o território socialista. Para centralizar a defesa e coordenar a luta de libertação nacional, o Conselho de Comissários do Povo criou o Comitê de Defesa do Estado, nomeando Stálin seu presidente. O povo respondeu com toda disposição e os invasores, que acreditavam dominar a URSS em dois meses, fracassaram.  Em 1944, se retiravam humilhados.

“Para Berlim!”, bradou Stálin, e o Exército Comunista foi libertando do jugo capitalista os países da Europa Oriental, até erguer a Bandeira Vermelha na capital alemã no dia 9 de maio de 1945.

A URSS foi o país que mais sofreu com a agressão nazista, tanto em perdas econômicas quanto em humanas, mas, poucos anos depois, já se recuperava e alcançava os níveis anteriores de produção na indústria e na agricultura, apesar da guerra fria (corrida armamentista, boicote econômico) lançada pelas potências capitalistas, especialmente os EUA, rompendo o acordo assinado na conferência de Ialta que resultara na criação da ONU.

No dia 5 de março de 1953, morreu Stálin, deixando uma lacuna jamais preenchida na URSS e enlutando também o movimento comunista em todo o mundo. Em toda a União Soviética, os operários fizeram cinco minutos de silêncio e  em Moscou, 4 milhões e meio de pessoas acompanharam o enterro do seu herói e líder. Também, em vários países os operários pararam para se despedir de Stálin.

Sobre uma infinidade de acusações lançadas sobre Stálin pela burguesia mundial e pelos dirigentes russos após o XX Congresso do PCUS, fala o genial arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer: “Foi tudo invenção capitalista”.

Retirado do Jornal A Verdade, nº 51

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Lênin – O gênio do proletariado

“Simples como a verdade, no rosto brilhavam e flamejavam aqueles olhos agudos de combatente infatigável contra as mentiras e os males da vida”
(Maximo Gorki)

1870 – 10 de abril no calendário antigo, 22 no atual: nasce Vladimir Ilich Ulianov na pequena cidade de Simbirsk (Ulianovsk) situada a 1.500 Km de S. Petersburgo, então capital do vasto império russo. Sob a tirania dos Romanov, a Rússia era, autocraticamente, governada pelo czar (imperador) Alexandre II.

1879 – Freqüentando o Liceu de Simbirsk (1879-1887), Vladimir Ilich conheceu cedo as obras dos grandes escritores russos: Pushkin, Gogol, Turgueniev, Tolstoi, Dostoievski, Bielinski, Herzen, Tchernichévski… Os dois últimos organizaram a primeira sociedade secreta de oposição ao czarismo: Vontade do Povo.

1887 – Alexandre Ulianov (Sacha), ir-mão de Vladimir, é enforcado, em março, aos 21 anos, por ter preparado as bombas que não chegaram a matar o czar. Em agosto, Ilich inicia o curso de Direito na Universidade de Kazã, sendo expulso, em dezembro, por participar de discussões sobre aspectos retrógrados do regimento da Universidade. Com sua prisão, dá-se o seu batismo revolucionário.

1891 – Permitido somente prestar exames, sem direito a freqüentar a Universidade de S. Petersburgo, Vladimir Ilich Ulianov estudou sozinho todas as matérias do curso de direito, bacharelando-se com as melhores notas entre 134 estudantes regulares do curso.

Primeiras ações na clandestinidade

1894 – Clandestinamente, foi impresso seu primeiro livro, Quem são os “Amigos do Povo” e como lutam contra eles os Social -Democratas, no qual V. I. Ulianov desenvolveu a tese da aliança do operariado com o campesinato.

1895 – Ilich consegue aglutinar os diversos círculos marxistas de S. Petersburgo numa única organização política – União de Luta pela Libertação da classe operária -, que invadida, foi destruída pela Okhrana (polícia política secreta czarista). Vladimir é preso juntamente com outros membros da organização.

1897 – sem julgamento, IIich é condenado a três anos de desterro na aldeia siberiana de Chuchenskoe, onde, além de se dedicar ao estudo de várias línguas, escreveu mais de trinta trabalhos importantes, terminando, inclusive, o Desenvolvimento do Capitalismo na Rússia. Em Chuchenskoe, Vladimir se casa com Nadejda Krupskaia (Nádia), professora que conhecera num círculo de S. Petersburgo, também condenada ao desterro.

1900 – em janeiro, findo o desterro, Ulianov dirige-se para Ufá. O POSDR (Partido Operário Social-Democrata Russo), fundado em Minsk, em 1898, por insistência de Ilich na realização de seu I Congresso, aprova a publicação de um jornal que seria o seu órgão oficial. Vladimir decide publicá-lo no exterior, devido à truculenta repressão da Okhrana na Rússia.

Em dezembro, quase inteiramente elaborado por Ulianov, é lançado em Munique, sul da Alemanha, o primeiro número do Iskra (A Centelha), que trazia, no cabeçalho, a epígrafe: Da centelha saltará a chama.

1901- A revista Zariá (Aurora), editada pela redação do Iskra, publica parte do artigo A Questão Agrária e os Críticos de Marx, assinado por Lênin, pseudônimo derivado de Lena, o grande rio navegável da Sibéria. Daí em diante, embora ele tenha usado outros pseudônimos, o mundo passou a conhecer Vladimir Ilich Ulianov como Lênin.

1902/16 – Nos quinze anos que precederam a revolução socialista de 1917, Lênin viveu praticamente fora da Rússia, com exceção de pequeno período durante a primeira Revolução russa (1905-1907). “Líder puramente por virtude do intelecto”, como se referiu a ele John Reed, Lênin causou a todos que o conheceram a indelével impressão de ser portador de um cérebro muito privilegiado.

1902 –  foi publicado, em Stuttgart, o seu livro Que Fazer?

O bolchevismo se organiza em Partido de novo tipo

Em 1903, na cisão do POSDR, durante seu II congresso, concluído em Londres, surge o “partido de novo tipo”, bolchevique, revolucionário, liderado por Lênin. “O bolchevismo existe como corrente de pensamento político e como partido político desde 1903”, ele escreveu, mais tarde, em Esquerdismo, doença Infantil do Comunismo.

Em agosto de 1914, o imperialismo (especialmente o alemão) deflagrou a Primeira Guerra Mundial, que causou milhões de mortos e incontáveis desgraças às massas populares. Conclamando os povos a declararem guerra à guerra, Lênin redigiu um grande manifesto, propondo a conversão da guerra imperialista em guerra civil: as armas deveriam voltar-se não irmão contra irmão, trabalhadores assalariados de um país contra outro, mas contra os governos burgueses, reacionários e opressores. “O fim das guerras, a paz entre os povos, o fim das pilhagens e violência – tal é o nosso ideal”, deixou o líder bolchevique consignado em A Questão da Paz. ” O desarmamento é o ideal do socialismo”, escreveu em Sobre a Palavra de Ordem do Desarmamento.

Sem interromper suas atividades político-partidárias, Lênin ministrou numerosas conferências em várias cidades européias, e escreveu, em 1915/16, uma série de livros e trabalhos: Cadernos Filosóficos, continuação de Materialismo e Empiriocriticismo  de 1908, O Socialismo e a Guerra, A Revolução Socialista e o Direito das Nações à Autodeterminação, Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo, terminado no verão de 1916, em Zurique, sua última cidade fora da Rússia.

“Espero, herr Ulianov, que na Rússia o senhor não tenha de trabalhar quanto aqui” – disse seu locador, despedindo-se; ao que Lênin redargüiu: – “Creio, herr Kammerer, que em Petrogrado irei ter muito mais trabalho!”

O Poder para o Proletariado: “Paz, Terra e Pão”!

1917 – Às 23 horas de 3 de abril, Lênin chega à estação Finlândia da capital pátria. Milhares de trabalhadores agitam bandeiras vermelhas, saudando-o com entusiásticas aclamações. O Líder discursa: “Camaradas! . O povo precisa de paz, o  povo precisa de pão, o povo precisa de terra. Eles lhes dão guerra, fome e nada de pão – deixam os proprietários continuarem controlando a terra… Precisamos lutar pela revolução … Viva a revolução socialista mundial!” .

“Foi extraordinário”, afirma o escritor N. Sukhanov, que não era bolchevique. Rodeado pelo povo, Lênin é conduzido à sede do Partido, e, daí, com Krupskaia, dirige-se à casa da irmã Ana, onde depara, sobre a cama do quarto que lhes fora preparado, um cartaz: “Proletários de todo o mundo, uni-vos!”.

Entre a queda do czar (fevereiro/1917) e a tomada do poder pelos bolcheviques em outubro, a Rússia viveu uma revolução social de baixo para cima sem precedente na história da humanidade.

Na fria noite de 24 de outubro, saindo de vez da clandestinidade, Lênin vestiu o velho sobretudo e, enrolando um cachecol no pescoço, encaminhou-se para o Instituto Smolny, Estado-Maior da revolução, onde pôs-se a dirigi-la pessoalmente: ordenou à Guarda Vermelha que ocupasse todas as posições estratégicas da capital. Afinal chegara o momento para o qual criara o mais eficiente partido revolucionário do mundo.

Na manhã de 25 de outubro de 1917, com exceção do Palácio de Inverno, sede do governo provisório, as principais instituições de Petrogrado (S. Petersburgo) estavam sob o controle da Guarda Vermelha. À noite, o Palácio de Inverno foi tomado de assalto, vencendo, assim, sem morticínio, num país que contava cerca de 150 milhões de habitantes, a Revolução Socialista de outubro, primeira revolução proletária do planeta.

À tarde de 26 de outubro, ante o II Congresso dos Soviets, reunido no Smolny, Lênin vê aprovados, por unanimidade, os seus dois primeiros decretos soviéticos: Sobre a Paz e Sobre a Terra. Este abolia a propriedade latifundiária da terra sem qualquer indenização, constituindo-se no ponto de partida de uma nova era para a Rússia. O Decreto Sobre a Paz estigmatizou a guerra como o maior crime contra a humanidade.

Elegendo o Conselho de Comissários do Povo, com Lênin a presidi-lo, o II Congresso dos Soviets de toda a Rússia escolheu, entre outros, para o Comissariado (Ministério) das Nacionalidades, Stálin; Trostky para o das Relações Exteriores, encerrando-se seus trabalhos ao som de A Internacional.

O povo soviético derrotou 14 países capitalistas

1918/23 – no dia 4 de janeiro de 1918, o Pravda publicou um dos documentos mais notáveis da História Universal, a Declaração dos Direitos do Povo Trabalhador e Explorado, redigida por Lênin, que destacava a principal tarefa do poder Soviético: a eliminação da exploração do homem pelo homem.

Em março, por questões estratégicas, o governo transfere-se para Moscou, que se torna a capital da nova República, passando Lênin a residir e trabalhar no Kremilin (cidadela).

Dizendo ser necessário “estrangular a criança bolchevique no berço”, Winston Churchill anuncia uma “campanha de 14 estados” contra a Rússia soviética, desencadeando-se, então, de meados de 1918 a meados de 1921, uma guerra de intervencionistas estrangeiros e contra-revolucionários (guardas brancos), custando à recém-fundada República milhões de vidas e incalculável devastação econômica.

O desempenho de Lênin, durante a guerra civil e intervenção militar estrangeira, foi excepcional. Sob sua direção, traçavam-se operações militares, forjando-se nos combates o Exército Vermelho. Possuindo uma profunda compreensão da psicologia das massas, o líder soviético a todos cativava: “Tudo para a frente, tudo para a vitória!” era sua palavra de ordem.

Apesar do enorme trabalho de organização e defesa do Estado, ele inaugurou a III Internacional (Comintern), em março de 1919. No verão desse ano, falando a estudantes, finalizou sua conferência “Sobre o Estado” com as palavras: “E quando no mundo já não houver possibilidade de explorar… já não acontecer que uns se fartam enquanto outros passam fome… atiraremos essa máquina para o monte de sucata. Então, não haverá Estado e não haverá exploração.”
Derrotadas pelo Exército Vermelho todas as forças estrangeiras e contra-revolucionárias que tentaram sufocar o nascente socialismo na Rússia, Lênin encheu-se de legítimo orgulho: “Resistimos contra todos.” E, implantada, em 1921, a NEP (Nova Política econômica), elaborada por ele, reforçou-se a aliança do operariado com o campesinato, consolidando-se o Poder Soviético, premissa indispensável de todo o desenvolvimento posterior da Rússia socialista.
Mas em conseqüência do imenso esforço e trabalho que até então realizara, passados trinta anos sem descanso, Lênin entrou em profunda estafa, adoecendo no inverno de 1921. Escreveu a Máximo Gorki: “Terrivelmente cansado. Insônia. Vou tratar-me.”

Submetendo-se a rigoroso tratamento médico, o líder soviético melhorou no decorrer de 1922, ditando seus últimos trabalhos no início de 1923. Suas obras completas estão reunidas em 55 alentados volumes.

Para sempre na luta dos oprimidos

1924 – No dia 21 de janeiro de 1924, após o jantar, Lênin recolheu-se em seu quarto, na casa de repouso em Gorki, aldeia próxima a Moscou, onde convalescia. De repente, sua temperatura subiu bruscamente, a respiração tornou-se difícil, ficou inconsciente, sucumbindo a um derrame cerebral – eram 18 horas e 50 minutos.

A notícia propagou-se rapidamente pelo mundo. Sun-Yan-Sen finalizou emocionado discurso fúnebre, ao receber a notícia de sua morte: “Na memória dos povos oprimidos, tu viverás durante séculos, grande homem!”  O médico e empresário norte-americano, Armand Hammer, que assistiu aos funerais do líder da primeira revolução socialista vitoriosa da Terra, escreveu: “Nenhum rei, imperador ou papa recebeu uma derradeira homenagem como aquela.”  Embalsamado, Vladimir Ilich Ulianov encontra-se na Praça vermelha, centro de Moscou.

Marco da História Universal, o mundo jamais será o mesmo após Lênin, símbolo do passado, do presente e do futuro na luta pela libertação.

Elio Bolsanello, autor do livro  LÊNIN – Biografia Ilustrada.

Retirado do Jornal A Verdade, nº 49

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Karl Marx

Homem de Ciência e Lutador Socialista

“ …Assim como Darwin descobriu a lei do desenvolvimento da natureza orgânica, Marx descobriu a lei do desenvolvimento da natureza humana. … Marx descobriu também  a lei específica que move o atual modo de produção capitalista e a sociedade burguesa criada por ele”. Mas ele não se contentava com os estudos, com as brilhantes conclusões a que chegava como resultado de suas investigações. O que considerava a verdadeira missão de sua vida?  “ …Marx era, acima de tudo, um revolucionário. Cooperar para a derrubada da sociedade capitalista, contribuir para a emancipação do proletariado. A luta era seu elemento.” (Engels, discurso no túmulo de Marx em 17/3/1883).

O interesse pelo estudo, pela pesquisa, para entender os fenômenos em sua essência e não apenas em sua aparência, acompanhou desde a mais tenra idade Karl Einrich Marx, que nasceu em Treves (Prússia, Alemanha) no dia 5 de maio de 1818. O pai, Einrich Marx e a mãe, Henriqueta Pressburg eram de origem judaica.

Os primeiros estudos foram no Liceu de Treves, mas ele não se limitava aos ensinamentos da escola. Freqüentava a casa de Ludwig de Westafalen, funcionário do governo prussiano e homem de vasta cultura. Outro fator também atraía o garoto: uma bela menina, Jenny, filha do sábio amigo e também muito interessada em beber na fonte do conhecimento. Com ela, Marx casar-se-ia aos 26 anos e viveria a vida inteira.

Em 1835, foi para a Universidade de Bonn mas logo se transferiu para a de Berlim, “centro de toda cultura e de toda a verdade”, assim a classificava o filósofo Hegel… Foi nela que depois de muito estudo, muita reflexão, se tornou um jovem hegeliano. Marx dedicou-se ao estudo da filosofia, do direito, da história, da geografia e expressava essa ânsia de saber nas cartas ao pai e em poesias.

Abandonou cedo os estudos de Di-reito para aprofundar os conhecimentos filosóficos e obteve o título de doutor em 1841. Tentou uma vaga de livre docente, mas as universidades prussianas não simpatizavam com livres pensadores.

A oportunidade de trabalho surgiu quando um grupo de liberais da Renânia fundou um jornal, a Gazeta Renana e convidou os jovens hegelianos para a redação. Constatou então que para escrever sobre questões da atualidade, como as teorias do socialismo francês e as questões agrárias da Renânia, não bastava o saber filosófico, tornando-se necessário estudar a fundo a Economia Política e o Socialismo.

Os estudos da economia política e do socialismo levaram Marx a romper com a visão hegeliana e aderir ao comunismo. Em outubro de 1843, morando em Paris com Jenny, com quem se casara em setembro desse ano, escreveu em Anais Franco-alemães, publicação que dirigiu: “… O sistema de lucro e do comércio, da propriedade privada e da exploração do homem, acarreta no seio da sociedade atual, um dilaceramento que o antigo sistema é incapaz de curar porque ele não cria nem cura, mas apenas existe e goza”.

Anais Franco-alemães publicou um trabalho intitulado Esboço de uma Crítica da Economia Política, que Max classificou de genial. Era de autoria de Friedrich Engels, que por sua vez acompanhava com admiração os escritos de Marx. Os dois se encontraram em Paris em setembro de 1844, ocasião em que nasceu uma amizade e uma parceria ímpares e fundamentais para a elaboração da teoria do socialismo científico (Sobre Engels, V. A Verdade nº 47).

Até ser expulso da França em 1845, a pedido do governo prussiano, Marx conviveu com os operários, conheceu seus movimentos, os socialistas utópicos e teóricos como Proudhon, com quem estabeleceu uma polêmica.

Proudhon escreveu A Filosofia da Miséria, obra em que criticava os utópicos, que pretendiam construir uma nova ordem social “sobre os sentimentos paradisíacos de fraternidade, de amor, de abnegação”. Propunha ação concreta, mediante a criação de grupos de produção autônomos, que trocariam entre si os produtos criados por eles, prescindindo da moeda e estabelecendo relações de cooperação e solidariedade. As atividades seriam organizadas de acordo com as necessidades da Comunidade.

Marx respondeu em A Miséria da Filosofia que Proudhon não compreen-deu que as relações sociais entre os homens estão estreitamente ligadas às forças produtivas. No capitalismo, à medida que a burguesia se desenvolve, surge um novo proletariado; uma luta é travada entre a classe proletária e a burguesia, dado o caráter contraditório do sistema, pois as mesmas condições nas quais se produz a riqueza se produz a miséria. A única solução justa, diz Marx, porque provém da situação real, é organizar a classe oprimida para tornar a luta consciente. No decorrer dessas lutas é que nascerá a nova sociedade; aliás, ressalta, isso só poderá se suceder quan-do as forças produtivas tiverem atingido elevado grau de desenvolvimento.

O Manifesto Comunista e a organização do proletariado

Expulso de Paris, Marx foi para Bruxelas, onde ingressou na Liga dos Comunistas, organização dos operários alemães imigrados, à qual já pertencia Engels. A Liga definiu seus princípios e atribuiu a Marx e Engels a tarefa de dar-lhes forma e fundamentação teórica. Nasceu o Manifesto Comunista publicado em 1848, que se tornou a bíblia do movimento operário revolucionário. O Manifesto trata de três temas essenciais:

  1. a história do desenvolvimento da burguesia. Sua obra positiva e negativa;
  2. a luta de classe e o papel do proleta-riado;
  3. a ação revolucionária dos comunistas.

Mal é editado o Manifesto Comunista, eclode a revolução de 1848, que destrona a monarquia reinstalada na França pela burguesia, e se espalha por toda a Europa. Marx foi imediatamente preso e expulso de Bruxelas. Engels conseguiu se engajar no movimento revolucionários e participou de várias batalhas. Com a derrota, deixou o país. Ambos foram viver na Inglaterra, Marx em Londres e Engels em Manchester, mas comunicavam-se diariamente e voltaram a ser vizinhos 20 anos depois. Nesse período, Marx se dedicou à elaboração de O Capital, sua principal obra, e aos contatos com o movimento operário.

A idéia surgiu da correspondência entre militantes operários da Inglaterra e da França e em setembro de 1864 se fundou a Associação Internacional de Trabalhadores. A mensagem inaugural, redigida por Marx, destaca a necessidade de uma ação econômica e política da classe operária em favor da transformação da sociedade. Marx dedicou-se á Internacional de 1865 a 1871, ano em que ela foi dissolvida, graças à ação dos anarquistas seguidores de Michael Bakunine (ativista russo).

Pai doce, terno e indulgente

Foi a Internacional que levou o jo-vem militante Paul Lafargue a conhe-cer Marx, de quem se tornou discípulo, amigo, admirador e genro, pois se casou com Laura, uma de suas três filhas (O casal Marx/Jenny teve seis filhos – quatro meninas e dois meninos-, dos quais só três meninas sobreviveram (Jenny, Laura e Eleanor).

É Lafargue quem detalha aspectos da vida pessoal de Marx, destacando sua energia incansável para os estudos e para a ação. Seu cérebro não parava e durante as caminhadas que faziam no final da tarde, discorria sobre questões relativas ao capital, obra que estava elaborando na época e da qual só redigiu o I Volume, tendo Engels escrito os dois seguintes, a partir das anotações que o amigo deixou.

Quando cansava do trabalho científico, lia romances, dramaturgia  conhecia de cor as obras de Shakespeare  ou álgebra (chegou a escrever um trabalho sobre cálculo infinitesimal). Os domingos eram reservados para as filhas, uma exigência delas. “Pai doce, terno e indulgente, não dava ordens, pedia as coisas por obséquio, persuadia-as a não fazer aquilo que contrariasse seus desejos. E como era obedecido! As filhas não o chamavam de pai e sim de “mouro”, apelido que lhe deram por causa de sua cor mate, de sua barba e dos cabelos negros”.

O proletariado tomou o céu de assalto

Em fins de 1870, o proletariado francês voltava a efervescer e uma insurreição se anunciava. O Conselho Geral da Associação Internacional dos Trabalhadores avaliou que não havia amadurecimento das condições objetivas para assegurar o poder da classe operária e implantar o socialismo e emitiu resolução redigida por Marx, apelando para que “… utilizem, tranqüilamente e com energia, os meios que lhe oferecerem as liberdades republicanas a fim de poderem efetivar a organização de sua própria classe. Isso lhes proporcionará forças novas e gigantescas para a renascença da França e a realização da tarefa comum: a libertação do proletariado”.

Mas os operários parisienses não deram ouvidos; cansados da política antidemocrática, humilhados, no dia 18 de março de 1871 tomaram o poder e instalaram a Comuna de Paris, anunciando as primeiras medidas de construção de uma sociedade socialista. A duração foi efêmera, mas rica de experiências que Marx consolidaria na sua obra Guerra Civil na França.

A Internacional deu todo o apoio possível ao proletariado francês em luta, tanto durante a guerra, como depois, protegendo os exilados e denunciando ao mundo a cruel repressão que a burguesia desencadeou sobre os operários parisienses e suas famílias.

Os últimos anos

Foram de sofrimento, com as doenças que lhe atingiram e à mulher, Jenny, que faleceu no dia 2 de dezembro de 1881. Ao tomar conhecimento do fato, Engels comentou “O mouro morreu também”. E não se enganava. Já debilitado, com problemas pulmonares , no dia 14 de março de 1883, o genial pensador faleceu repentinamente enquanto repousava nu-ma cadeira em seu aposento de trabalho.

No sepultamento, sem cerimonial, como era seu desejo, junto à esposa, colaboradora e companheira de toda a vida, Engels discursou: “ …É praticamente impossível calcular o que o proletariado militante da Europa e da América e a ciência histórica perderam com a morte deste homem….”

Legado e atualidade do marxismo

“Os filósofos buscam interpretar o mundo, enquanto nós queremos transforma-lo”, assim diferenciava Marx o materialismo histórico e dialético da filosofia clássica e mesmo da hegeliana. E o marxismo tem sido, de fato, guia para ação dos movimentos revolucionários dos trabalhadores em todo o mundo.

Apressada, a burguesia comemorou a derrocada dos regimes ditos socialistas da URSS e do leste europeu no final dos anos 80 e início da década de 90 e chegou a propalar o “fim da história”, deixando de observar que a tragédia se deu exatamente porque os dirigentes, atraídos pelo canto de sereia burguês, se desviaram do marxismo que norteou a Revolução Bolchevique de 1917, dirigida por Lênin, um genial discípulo de Marx.

Mas não demorou  e o champanhe foi substituído por lágrimas, em decorrência dos conflitos que se sucederam nos quatro cantos do mundo e atingiram o centro do imperialismo.

Ao contrário, a evolução do capitalismo só tem comprovado as teses marxistas e seu caráter científico.

Globalização! Por que a surpresa?

Nas suas jogadas de marketing, os teóricos da burguesia e seus meios de comunicação apresentaram a chamada “globalização” como algo novo, avassalador que suplantaria qualquer resistência e bloquearia qualquer tentativa de transformação social. Ora, o capitalismo tem caráter mundial desde o seu surgimento, O que foram as grandes navegações? A colonização?  É de sua essência, como afirmou o Manifesto Comunista, no ano de 1848: “ …Pela exploração do mercado mundial, a burguesia imprime um caráter cosmopolita à produção e ao consumo em todos os países.”

Os fatos recentes comprovam também que enquanto mais se desenvolve, mais o capitalismo “forja as armas que o levarão à morte”. A produtividade é cada vez maior, mas o avanço tecnológico que a possibilita, produz um exército permanente de desempregados e comprime os salários dos que permanecem na ativa, reduzindo assustadoramente o número de consumidores. Por isso, as crises se repetem em ciclos cada vez menores e atingem tanto a periferia como os países centrais. Seu declínio e a vitória do proletariado são, portanto, inevitáveis.

Essa vitória não é automática, entretanto. Ela carece da ação do proletariado consciente e organizado enquanto classe “para si”, tendo à frente os comunistas, “parcela mais decidida e avançada dos partidos operários de cada país” e que têm uma visão internacionalista, capaz de fomentar a união mundial dos oprimidos, realizando a conclamação com que Marx e Engels concluíram o Manifesto: “Proletários de todos os países, uni-vos”.

Através dos séculos

Para finalizar essa tarefa hercúlea, falar sobre Marx em uma página,  queda a minha pena, incapaz de expressar algo diferente ou que se aproxime, pelo menos, do que proferiu Engels ante o túmulo em que foi depositado o corpo do grande pensador e herói do proletariado: “ …o homem mais odiado e caluniado pela burguesia morreu venerado e querido, chorado por milhões de trabalhadores da causa revolucionária. Seu nome viverá através dos séculos e, com ele, sua obra”.

Fontes:

  • Carlos Marx, Sua Vida e Sua Obra, Editorial Calvino, Rio de Janeiro, 1944
  • Karl Marx, Vida e Obra, Editorial Presença, Lisboa, 1974
  • O Capital  Karl Marx  Extratos por Paul Lafargue, Conrad Livros, São Paulo, 2004

Retirado de A Verdade, nº 48

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Friedrich Engels

“Eu sempre fui o segundo violino”, disse Engels em carta a um amigo (J. Becker), referindo-se à sua importância quanto à elaboração da teoria do socialismo científico. Assim era ele: modesto, simples, sempre disposto a reconhecer o mérito das outras pessoas e a fugir das homenagens.

Com o mesmo nome do pai, Friedrich Engels (a mãe, Elizabeth Franziska), nasceu no dia 28/11/1820, em Barmem, reino da Prússia, que depois comporia a Alemanha unificada. Dedicou-se aos estudos, sempre aluno brilhante, queria cursar Direito e Economia, mas o pai, empresário próspero, tinha outro plano – queria que ele lhe sucedesse nos negócios e, para isso, obrigou-o a deixar a escola.

Acusação terrível, descrição brilhante

Friedrich Engels

Encaminhado para uma fábrica da família em Manchester, Inglaterra, Engels, que já se posicionava a favor da liberdade, contrário à tirania e à opressão, passou a conviver com a realidade dos operários. “Abandonei a sociedade, os banquetes e a champanha da burguesia e dediquei minhas horas livres ao contato com verdadeiros operários, tratando da vida real”. Essa convivência produziu A Situação da Classe Operária na Inglaterra, que “ constitui uma terrível acusação contra o capitalismo e a burguesia; é a obra que melhor representa a situação do proletariado contemporâneo. …Nem antes de 1845 nem de-pois, se fez uma descrição tão brilhante e verdadeira dos sofrimentos da classe operária”. (Lênin)

Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico

Na Inglaterra, Engels conheceu o movimento autogestionário, participou de reuniões com Robert Owen, seu maior expoente, e escreveu nos  seus jornais, procurando mostrar sempre o posicionamento dos socialistas utópicos franceses, como Saint Simon e Charles Fourier, entre outros. Lia muito e simpatizava com os artigos de um jovem alemão, Karl Marx. Este também se entusiasmou ao conhecer um trabalho de Engels, escrito aos 20 anos, intitulado Esboço de Uma Crítica da Economia Política.

Em setembro de 1844, os dois se encontraram em Paris, nascendo uma parceria de importância inigualável para o proletariado de todo o planeta. “…o proletariado europeu tem o direito de afirmar que a sua teoria foi criada por dois cientistas e combatentes cujas relações mútuas superam todas as comoventes lendas antigas acerca da amizade entre os homens”.

O primeiro trabalho conjunto foi A Sagrada Família, denominação irônica que deram a dois filósofos alemães, os irmãos Bauer e seus discípulos. Eles consideravam o proletariado como massa desprovida de espírito crítico. Engels e Marx responderam que o proletariado é que conduz em si o futuro e será o artífice da própria libertação e da libertação de toda a humanidade.

De 1845 a 1847, Engels viveu em Bruxelas e Paris, dedicando-se ao estudo e à militância. Ele e Marx entraram em contato com uma associação secreta denominada Liga dos Comunistas. Os componentes da Liga pediram para que os dois companheiros dessem uma concatenação às idéias esboçadas. Surgiu o célebre Manifesto Comunista, publicado em 1848.

Nas Barricadas

Em 1848, estoura uma revolução popular na França, que se espalhou por toda a Europa Ocidental. Marx e Engels voltaram para a Alemanha, dispostos a pegar em armas. Marx foi logo preso e expulso e Engels se engajou, combatendo em quatro batalhas. “Todos que o viram sob o fogo, falam de seu excepcional sangue frio e absoluto desprezo pelo perigo” (Eleanor Marx).

Com a derrota da insurreição, Engels voltou a trabalhar na fábrica do pai em Manchester, para ajudar os exilados, inclusive a família de Marx. “Foi o seu cativeiro egípcio”, dizia Marx, referindo-se à escravização do povo hebreu no Egito relatada pela Bíblia. No tempo livre, dedicava-se ao estudo das ciências da natureza e da sociedade, ao acompanhamento e análise da conjuntura internacional e escrevia para jornais democráticos e de esquerda de vários países.

Engels foi o primeiro teórico socialista a especializar-se em assuntos militares, convencido que era de que o domínio da estratégia e da tática militares seria de vital importância para o sucesso da revolução proletária. Trata do assunto em A Guerra dos Camponeses na Alemanha, O Pó e o Reno (sobre a luta pela unificação da Itália), A Questão Militar na Prússia e O Partido Operário Alemão, e Notas sobre a Guerra, em que analisa a experiência da Comuna de Paris.

Depurando a Internacional

Engels libertou-se do “cativeiro egípcio” no 2º semestre de 1870, quando se mudou para Londres e pouco após sua chegada, 4 de setembro, foi eleito para o Conselho Geral da Associação Internacional de Trabalhadores ( I Internacional).

A década seguinte foi de intensa luta ideológica. Primeiro, no combate ao anarquismo no interior da Internacional, que culminou com a expulsão dos bakuninistas; a seguir, contra o reformismo liderado por Lassalle no Partido Proletário alemão. No campo do reformismo, E.K. Duhring, professor da Universidade de Berlim lançou a proposta de “um novo comunismo”, que se construiria sem luta de classes. O  Anti-Duhring, escrito com a colaboração de Marx, não se limita a responder ao professor. É uma exposição sistemática do materialismo histórico e dialético e apresenta um balanço da evolução das ciências da natureza. Mostra o funcionamento das leis da dialética na natureza e na sociedade.

Todo apoio à Comuna

Março de 1871. O proletariado parisiense toma o poder e convoca a população para construir a nova sociedade, anunciando as primeiras medidas nesse caminho. Algumas províncias se levantam no interior, mas são logo sufocadas. O exército burguês se reorganiza e se alia com seu arquiinimigo até então, os invasores alemães, para retomar o domínio econômico e político. Em maio, depois de heróicos e sangrentos combates, a Comuna é derrotada. Desde o início da luta, Engels interveio no Conselho Geral da Internacional, no sentido de dar todo o apoio aos comuneiros dos quais, muitos, inclusive, eram filiados à organização. O apoio efetivamente aconteceu, tanto no período da luta como depois, com ajuda aos exilados e denúncia em todo o mundo da repressão feroz e do genocídio praticado contra os operários de Paris e suas famílias.

Contribuição Original

Engels deu uma contribuição própria à teoria do socialismo científico, que foi a de estender à natureza a concepção materialista da dialética, uma vez que Marx se dedicou ao ser social. A contribuição engelsiana conferiu ao marxismo o caráter de filosofia, dada a generalização metodológica e teórica, contendo uma concepção de mundo, não apenas da sociedade.

Os seus últimos 12 anos de vida, Engels dedicou-os à edição do segundo e terceiro volumes de O Capital. Ao morrer, dia 14 de março de 1883, Karl Marx tinha concluído apenas o I volume. Deixou anotações sem ordem, e Engels, o único capaz de empreendimento tão arrojado, dedicou-se a decifrar a letra do companheiro, apreender a essência do seu pensamento, concatenar as idéias e dar uma estrutura lógica, o mais próxima possível do modo de Marx expressá-las.

Mas não foi a única tarefa que o velho amigo deixou. Engels passou a orientar o movimento operário europeu, respondendo a consultas sobre método, problemas localizados, criticando e estimulando camaradas.

E nunca abandonou a condição de cientista social. A partir das pesquisas antropológicas de H. Morgan, lidas e anotadas por Marx, formulou a teoria marxista do Estado, na obra A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado, cujos pressupostos já estavam em sua obra anterior e na de Marx, mas não de forma sistêmica e embasada na história e na antropologia.

Seu último trabalho (1895) foi o prefácio à reedição de As Lutas de Classe na França, de Karl Marx. Nele, Engels faz considerações sobre o desenvolvimento da luta de classes e situa, pela primeira vez na teoria marxista, a distinção entre guerra de movimento e guerra de posições.

Na amplidão dos mares

No dia 5 de agosto de 1895, vitimado por um câncer no esôfago, falece Engels. Nos seus funerais, Wilhelm Liebknecht, líder operário, discursou: “Nele, teoria e prática se fundiram num todo único”. Presentes, atendendo ao seu pedido, apenas alguns parentes e amigos. Um grupo menor ainda, no qual estava Eleanor, filha caçula de Marx, atendeu a outro desejo, lançando as cinzas do seu cadáver no mar de Eastbourne, a duas milhas da costa.

Um só violino

Segundo Lênin, Engels foi “Depois de Marx, o mais notável sábio e mestre do proletariado contemporâneo”. Ele próprio se dizia o “segundo violino”. Na verdade, ambos foram fundadores, construtores do socialismo científico e mestres do proletariado. O seu maior mérito foi demonstrar que o socialismo não é uma invenção de sonhadores, mas “resultado inevitável do desenvolvimento das forças produtivas da so-ciedade atual”. Mas esse resultado não brota espontaneamente, advindo da luta das classes sociais – burguesia e proletariado – que estão em lados contrários ante as forças produtivas. Uma obra comum.  Um só violino a enlevar a orquestra revolucionária do proletariado na senda da emancipação.

Fontes:

  • Friedrich Engels  Política, Coletânea. Organizador- José Paulo Netto. Coordenador  Florestan Fernandes. Sãol Paulo, Ática, 1981.
  • Federico Engels, Vida y actividad, Editorial Progresso, Moscou, 1987
  • Lênin, Obras Escolhidas, Volume I, Editora Alfa- Ômega, São Paulo, 1979

Retirado do Jornal A Verdade, nº 47

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Liberdade e Igualdade para as Mulheres!

“A mulher e o trabalhador têm algo em comum: são ambos oprimidos. Essa opressão sofreu modificações na forma, segundo o tempo e o país, mas subsistiu..” (Auguste Bebel). Desde que a humanidade passou a viver num sistema de exploração do homem pelo homem, com a dissolução das comunas primitivas, é assim. Na escravidão e no feudalismo, ela era  mera propriedade do seu marido. Podia até ser vendida, morta, enfim…

No capitalismo, o Estado burguês proclamou a liberdade das mulheres, mas apenas para liberar mão-de-obra barata para o sistema fabril. Mas manteve pais e maridos como proprietários dos seus sentimentos, de sua virgindade, fidelidade e assim por diante.

Os socialistas utópicos lançaram um brado de guerra contra a opressão da mulher. Charles Fourier, diz Engels, faz uma crítica magistral da moral sexual burguesa e anuncia que “a evolução de uma época histórica é determinada pela relação entre o progresso da mulher e o da liberdade, pois o grau de emancipação feminina determina naturalmente a emancipação geral”.

Certo, diz Marx, só que esta emancipação não surge por milagre ou por um simples ato de boa-vontade. A opressão da mulher é fruto da divisão da sociedade em classes sociais antagônicas, da dominação de uma classe sobre as outras. Sendo assim, só terminará com o fim da exploração do homem pelo homem, ou seja, no socialismo.

A burguesia reprimiu duramente a luta dos operários pelo reconhecimento dos seus direitos, mas quando as mulheres trabalhadoras estiveram à frente dessa luta, suprema ofensa, a repressão foi mais intensa, cruel.  Símbolo dessa perseguição foi o massacre das operárias têxteis em Nova Iorque no ano de 1857, tragédia que deu origem ao Dia Internacional da Mulher, o 8 de março. A criação desse dia, por sinal, foi proposta por uma militante comunista, Clara Zetkin, no II Congresso Internacional das Mulheres Socialistas realizado em 1910 na Dinamarca.

Sob o capitalismo, as mulheres têm se engajado nas lutas gerais e específicas e com isso, uma série de conquistas foi alcançada: direito a votar e ser votada, divórcio, igualdade perante a lei. Na prática, entretanto, permanece a discriminação no mercado de trabalho e na vida social, a escravidão doméstica, o salário inferior ao do homem, embora exercendo a mesma função, a dupla jornada, etc.  Na maior parte, dos casos, diz Lênin, “o divórcio não se realiza porque o sexo oprimido é economicamente esmagado, a mulher permanece escrava da casa, aprisionada no quarto de dormir, no quarto da criança, na cozinha..”. A análise do grande líder comunista permanece atualíssima porque o capitalismo, em qualquer etapa, se caracteriza por proclamar todas as liberdades e direitos, mas sua realização se dá de forma ínfima. Não poderia ser diferente, porque está provado historicamente, que as relações sociais, as relações humanas resultam das relações de produção e do sistema de propriedade.

O Socialismo realizou a emancipação da mulher?

Desse modo, a Revolução Bolchevique de 1917, na Rússia, tendo eliminado a propriedade privada dos meios de produção e proclamado o seu caráter socialista, teria procedido à libertação integral da mulher? O que aconteceu de fato na Rússia e posteriormente em toda a União Soviética?

Como vimos, as relações sociais e humanas derivam das relações de produção e do sistema de propriedade. Mas é claro que se transformam em costumes, em cultura. Então, mesmo retirada a base que lhes deu origem, não mudam automaticamente. É preciso criar as condições materiais e desenvolver a consciência, mudar as idéias, o que não ocorre do dia para a noite, especialmente num país como a Rússia, onde, no campo o sistema econômico-social ainda era semifeudal.

No campo jurídico, o poder dos sovietes foi ágil. Em 1917 decretou o divórcio, em 1918 o novo Código Civil suprimiu todos os direitos dos homens sobre as mulheres, a exemplo da imposição do nome da família, domicílio e nacionalidade do marido. A primeira Constituição da República Soviética (1918) deu à mulher o direito de votar e ser votada para cargos públicos, o que só veio a acontecer no Brasil, por exemplo, em 1930. Em 1920 foi promulgada lei garantindo o aborto gratuito em todos os hospitais do Estado. Deve-se ressaltar que o aborto não era incentivado e quem cobrasse para fazê-lo era severamente punido.

Mas, mesmo no socialismo, o fato de ser aprovada uma lei não significa que as mudanças ocorram imediatamente.  “Esta será uma luta longa. Exige uma transformação completa da técnica social e dos costumes”, diz Lênin em artigo publicado no Pravda em 1920. Nessa época, o divórcio já era lei, mas só vigorava efetivamente nas cidades. No campo, era letra morta, por conta da influência dos padres, dos preconceitos religiosos.  Nesse ponto, é preciso agir com cuidado, chamava a atenção Lênin, porque não se pode ferir o sentimento das pessoas. Explicava: “Só chegaremos à libertação da mulher camponesa no momento em que passarmos da pequena propriedade individual para a propriedade coletiva da terra. E para isso estamos organizando os comitês de camponeses pobres” (Lenin, 1920).

E nas cidades, afirmava o grande dirigente bolchevique, “para a verdadeira libertação das mulheres, é preciso superarmos a economia doméstica. Ainda não estamos cuidando dos ramos novos da economia comunista: os restaurantes coletivos, as lavanderias coletivas, as creches, os jardins de infância. São ramos simples, não têm nada de pomposo, mas são capazes de promover a libertação da mulher”. Falando na IV Conferência das Operárias sem partido de Moscou, em 23/09/1919, Lênin fez estas afirmações e declarou que nada disso se concretizará “sem o concurso de mulheres de toda a Rússia, não centenas, mas milhões e milhões de mulheres”.

As mulheres bolcheviques, as sem-partido, os operários, os dirigentes ouviram seu dirigente máximo e se lançaram na ação.   Lênin faleceu em 1924, mas apesar de sua perda ter sido lamentada, o processo revolucionário não teve solução de continuidade, graças ao seu sucessor, que se denominava simplesmente um “seguidor de Lenin”: José Stalin.

Em 1927, um balanço de dez anos de revolução demonstrava que em uma dezena de anos, as mulheres russas haviam dado mais passos rumo à sua completa emancipação do que as mulheres de todo o mundo em dois séculos.  Isso foi possível exatamente por se ter realizado o que pedia Lênin: implantação de um programa de obras públicas com a construção de moradias, escolas, hospitais, restaurantes coletivos e lavanderias públicas em todos os bairros.

Na indústria, o salário feminino passou a ser igual ao masculino na mesma função, proibida qualquer discriminação no trabalho e na vida social. Um programa especial de qualificação da mão-de-obra feminina foi realizado

No campo, onde a dificuldade era maior, como exposto por Lênin, mudanças significativas vinham acontecendo, graças ao avanço na formação de cooperativas agrícolas, os kolkhozes, instrumento fundamental na criação de uma consciência coletiva entre os camponeses.

No ano de 1933, falando no congresso dos kolkozianos, Stalin mostrou os avanços ocorridos desde 1917. Diz: “Considerai este congresso e vereis que as mulheres, tão atrasadas, passaram há muito a figurar na vanguarda. Alguns dados: 6 mil mulheres integrando a direção das cooperativas, 28 mil chefes de equipe, 100 mil organizadas em grupos de trabalho, 7 mil dirigindo tratores…” Agora, ressalta Stalin, “Nem o pai nem o marido podem dizer que sustentam a mulher. Hoje,  graças ao trabalho, a mulher é dona dela mesma. Assim é a libertação da mulher”.

Daí para frente, as mulheres foram sempre conquistando novas posições, avanços só interrompidos pela invasão nazista-imperialista. De 1939 a 1945, todo o esforço das mulheres, dos homens, das crianças, dos idosos foi para a guerra de defesa de sua pátria e do socialismo.

Testemunha Stalin:  “As mulheres soviéticas prestaram serviços inapreciáveis  à defesa nacional. Elas trabalham com abnegação para a frente de batalha; suportam corajosamente todas as dificuldades do tempo de guerra; inflamam por ações entusiásticas os combatentes do Exército Vermelho, os libertadores da Pátria..” (Relatório apresentado à sessão dos deputados dos trabalhadores de Moscou no XXIV aniversário da grande Revolução  Socialista).

Terminada a guerra, com entusiasmo maior ainda, o povo soviético dedicou tempo integral à recuperação da sua economia, da sua vida, com resultados surpreendentes e admirados em todo o mundo.

Em 1953, morre Stalin. Infelizmente a sua sucessão não foi como a de Lênin. Sabemos que a luta de classes continua no socialismo. A burguesia não se conforma em ter perdido poder econômico, político, social. Primeiro se lançou no enfrentamento direto (guerra interna, invasão imperialista). Mas ao mesmo tempo, busca solapar por dentro o poder soviético. E o que os poderosos tanques alemães não conseguiram, a infiltração diária, sorrateira, dissimulada, conseguiu. A direção gestada no XX Congresso do PCUS conduziu a grande pátria socialista pelo caminho de volta ao sistema de exclusão e opressão.  De Nikita Kruschev a Gorbachev, foi só retrocesso, que se completou em 1991, quando um grupo  de gangsters tomou o poder e detonou a União Soviética, implantando um sistema capitalista predador.

Hoje, as mulheres soviéticas retomam a luta por direitos que, bem ensina a sua história, só serão alcançados plenamente no socialismo.

(Extraído de A Verdade, nº 114, março de 2010)

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A importância da organização das mulheres

“De nossas concepções ideológicas se desprendem como conseqüência medidas de organização. Nada de organizações especiais de mulheres comunistas! A comunista é tão militante do Partido como é o comunista, com as mesmas obrigações e direitos. Nisto não pode haver nenhuma divergência. Entretanto não devemos fechar os olhos perante os fatos. O Partido deve contar com os órgãos – grupos de trabalho, comissões, seções, ou como se decida denominá-los – cuja tarefa principal consista em despertar as amplas massas femininas, vinculadas ao Partido, sobre a sua influência. Para isto é necessário, sem dúvida, que desenvolvamos plenamente, um trabalho sistemático entre essas massas femininas. Devemos educar as mulheres que tenhamos conseguido tirar da passividade, devemos recrutá-las e armá-las para a luta de classes proletária sob a direção do Partido Comunista. Não só me refiro às proletárias que trabalham na fábrica ou se afanam no lar, como também às camponesas e às mulheres das distintas camadas da pequena-burguesia. Elas também são vítimas do capitalismo e desde a guerra são mais que nunca. Psicologia apolítica, não social, atrasada dessas massas femininas; estreiteza de seu campo de atividade, todo seu modo de vida: estes são os fatos. Não prestar atenção a isto seria inconcebível, completamente inconcebível. Necessitamos de métodos especiais de agitação e formas especiais de organização. Não se trata de uma defesa burguesa dos “direitos da mulher”, e sim, dos interesses práticos da revolução”. (Lênin)

Disse a Lênin que suas reflexões constituíam para mim um apoio valioso. Muitos camaradas, muitos bons camaradas se opunham de maneira mais decidida a que o Partido criasse órgãos especiais para um trabalho metódico entre as amplas massas femininas. Chamavam a isto retorno às tradições social-democratas, à célebre “emancipação da mulher”. Tratavam de demonstrar que os partidos comunistas, ao reconhecerem por princípio e plenamente a igualdade de direitos da mulher, devem desenvolver seu trabalho entre as massas de trabalhadores sem diferença de qualquer espécie. A maneira de trabalhar entre as mulheres deve ser a mesma que entre os homens. Todo intento de considerar na agitação e na organização as circunstâncias indicadas por Lênin é considerada pelos defensores da opinião oposta: oportunismo, traição e uma renúncia aos princípios.

Clara lutou por uma sociedade sem classes e sem machismo

-“Isto não é novo nem serve de modo algum como prova- replicou Lênin- não se deixe confundir. Por que em nenhuma nação, nem na Rússia Soviética, militam no Partido tantas mulheres quantos são os homens? Por que o número de mulheres operárias organizadas nos sindicatos é tão pequeno? Estes fatos nos obrigam a refletir. Negar a necessidade de órgãos especiais para nosso trabalho entre as extensas massas femininas é uma das manifestações muito de princípio e muito radical de nossos “queridos amigos” do Partido Operário Comunista. Segundo eles, deve existir uma só forma de organização: a união operária. Já sei. Muitas cabeças de mentalidade revolucionaria, porém embaralhadas, se remetem aos princípios e não vêem a realidade, isto é quando a inteligência se nega a apreciar os fatos concretos aos quais se deve prestar atenção. Como fazem frente, estes mantenedores da “pureza de princípios”, às necessidades que nos impõe o desenvolvimento histórico em nossa política revolucionária? Todas essas defesas vêm abaixo ante uma necessidade inexorável: sem  milhões de mulheres não podemos levar a cabo a construção comunista. Devemos encontrar o caminho que nos conduz até elas, devemos estudar muitos métodos para encontrá-lo”.

“Por isto é totalmente justo que apresentemos reivindicações em favor da mulher. Isto não é um programa mínimo, não é um programa de reformas no espírito social-democrata, no espírito da II Internacional. Isto não é o reconhecimento de que acreditamos na eternidade ou ao menos na existência prolongada da burguesia e de seu Estado. Tampouco é nossa intenção apaziguar as massas femininas com reformas e desviá-las da luta revolucionária. Isto nada tem em comum com as superstições reformistas. Nossas reivindicações existem na prática, pela tremenda miséria e pelas vergonhosas humilhações que sofre a mulher, débil e desamparada em um regime burguês. Com isto testemunhamos que conhecemos essas necessidades, que compreendemos a opressão da mulher, que compreendemos a situação privilegiada do homem e odiamos. – Sim, odiamos e queremos eliminar tudo que oprime e atormenta a operária, a mulher do operário, a camponesa, a mulher do homem simples e inclusive, e em muitos aspectos, a mulher acomodada. Os direitos e as medidas sociais que exigimos da sociedade burguesa para a mulher, são uma prova de que compreendemos a situação e os interesses da mulher e de que na ditadura proletária a teremos em conta. Desde logo, não com adormecedoras medidas de tutela; não, claro que não, sim como revolucionários que chamam a mulher a trabalhar em pé de igualdade pela transformação da economia e da superestrutura ideológica.”

Assegurei a Lênin que compartilhava de seu ponto de vista, porém, que este ponto de vista encontraria, indubitavelmente, resistência. Mentes inseguras e medrosas o rechaçariam como “oportunismo perigoso”. Tampouco podemos negar que nossas reivindicações para as mulheres podem compreender-se e interpretar-se equivocadamente.

-“Que vamos fazer! – Lênin exclamou, algo irritado. Este perigo se estende a tudo que digamos e façamos. Se por temor a ele nos abstivermos de atos convenientes e necessários, poderemos converter-os em índios místicos contemplativos. Nada de mover-se, nada de mover-se, senão caímos da altura de nossos princípios! Em nosso caso, não se trata simplesmente de que exijamos isto e sim de como fazemos isto. Eu acredito que sublinhei com bastante clareza, isto. Como é lógico, em nossa propaganda não devemos ficar na posição de rezar um rosário de nossas reivindicações para as mulheres. Não, dependendo das condições existentes, devemos lutar ou por uma das reivindicações ou por outra, lutar de verdade, sempre em relação aos interesses gerais do proletariado”.

“Como é lógico, cada combate nos põe em contradição com a honorável camarilha burguesa e seus não menos honoráveis lacaios reformistas. Isto obriga estes últimos a lutar ao nosso lado, sob nossa direção – coisa que não querem – ou a tirar a máscara. Portanto, a luta faz com que nos destaquemos e mostra claramente nosso perfil comunista. A luta provoca a confiança das amplas massas femininas, que se sentem exploradas, escravizadas, esgotadas pelo domínio do homem, pelo poder dos patrões e por toda sociedade burguesa em seu conjunto. As trabalhadoras, traídas e abandonadas por todos, começam a entender que devem lutar junto conosco. Devemos ainda persuadir-nos uns aos outros que a luta pelos direitos da mulher tem de vincular-se com o objetivo fundamental: com a conquista do Poder e a instauração da ditadura do proletariado. Isto é para nós, nos momentos atuais e nos que se seguirão, o alfa e o ômega. Isto é evidente, completamente evidente. Porém as amplas massas femininas, trabalhadoras, não sentirão desejo irresistível de compartilhar conosco a luta pelo Poder do Estado, se sempre apregoamos somente esta reivindicação, ainda que seja com as trombetas de Jericó! Não, não! Também devemos vincular politicamente, na consciência das massas femininas, no chamamento, com os sofrimentos, as necessidades e os desejos das trabalhadoras. Estas devem saber que a ditadura proletária significa a plena igualdade de direitos com o homem, tanto perante a lei, como na prática, na família, no Estado e na sociedade, assim como também a derrubada do poder da burguesia.”

– A Rússia Soviética está demonstrando isto, exclamei! E nos servirá de grande exemplo!

Lênin prosseguiu:

-“A Rússia Soviética levanta nossas reivindicações para as mulheres sob um novo aspecto. Na ditadura do proletariado, estas reivindicações já não são objeto de luta entre o proletariado e a burguesia, e sim, são tijolos para a construção da sociedade comunista. Isto mostra às mulheres estrangeiras a importância decisiva da conquista do Poder pelo proletariado. A diferença entre sua situação aqui e lá, deve ser estabelecida com precisão, para que vocês possam contar com as massas femininas na luta revolucionária de classes do proletariado. Saber mobilizá-las com uma clara compreensão dos princípios e sob uma firme base organizativa, é uma questão da qual dependem a vida e a vitória do Partido Comunista. Porém, não devemos enganar-nos. Em nossas seções nacionais não existe ainda uma compreensão cabal deste problema. Nossas seções nacionais mantêm uma atitude passiva e expectante perante a tarefa de criar, sob a direção comunista, um movimento de massas das trabalhadoras. Não compreendem que liberar esse movimento de massas e dirigi-lo constitui uma parte importante de toda a atividade do partido, inclusive a metade do trabalho geral no Partido. Às vezes, o reconhecimento da necessidade e do valor de um potente movimento feminino comunista, que tenha diante de si um objetivo claro, é um reconhecimento platônico da palavra e não uma preocupação e um dever constante do Partido.”

A agitação e a propaganda entre as mulheres

“Nossas seções nacionais recebem o trabalho de agitação e propaganda entre as massas femininas, seu despertar e sua radicalização revolucionária, como algo secundário como uma tarefa que só afeta as mulheres comunistas. Às comunistas incomoda que este trabalho não avance com a devida rapidez e energia. Isto é injusto, totalmente injusto! É uma verdadeira igualdade de direitos ao avesso, “á la rebours”, como dizem os franceses. Em que se baseia esta posição errada de nossas seções nacionais? Não falo da Rússia Soviética. Definitivamente, isto é somente uma subestimação da mulher e de seu trabalho. Precisamente isto. Desgraçadamente ainda se pode dizer de muitos de nossos camaradas: “Escave um comunista e encontrará um filisteu”. Como é natural devemos escavar em um ponto sensível: em sua psicologia em relação à mulher. Existe prova mais consistente que os homens assistam com calma como a mulher se desgasta no trabalho doméstico, um trabalho miúdo, monótono, esgotante, que lhe absorve o tempo e as energias; como estreitam seus horizontes, se nubla sua inteligência, se debilita o bater de seus corações e decai a vontade? Não estou aludindo, naturalmente às damas burguesas que encomendam todos os seus afazeres domésticos, incluindo o cuidado dos filhos, a pessoas assalariadas. Tudo o que digo se refere à imensa maioria das mulheres, entre elas as mulheres dos operários, ainda que passem todo o dia na fábrica e ganhem seu salário”.

“São muitos poucos os maridos, inclusive entre os proletários que pensam no muito que poderiam aliviar o peso e as preocupações da mulher e até suprimi-los por completo, se quisessem ajudar no “ trabalho da mulher”. Não fazem por considerar isto em contradição com o “direito e a dignidade do marido”. Este exige descanso e comodidade. A vida continua substituindo de maneira encoberta. Sua escrava vinga-se dele objetivamente, por esta situação e também de maneira velada: o atraso da mulher, sua incompreensão dos ideais revolucionários do marido, debilitam o entusiasmo deste e sua decisão de luta. Estes são os pequeninos vermes que corroem e minam as energias de modo imperceptíveis e lento, porém seguro. Conheço a vida dos operários não somente pelos livros. Nosso trabalho comunista entre as massas femininas precisa ser compreendido por uma parte cada vez mais considerável dos homens. Devemos extirpar, até as últimas e mais ínfimas raízes, o velho ponto de vista próprio dos tempos da escravidão. Devemos fazê-lo tanto no Partido como entre as massas. Isto se relaciona tanto com nossas tarefas políticas como à imperiosa necessidade de formar um núcleo de camaradas – homens e mulheres – que conte com uma séria preparação, teórica e prática para realizar e impulsionar o trabalho do Partido entre as trabalhadoras.”, concluiu Lênin.

(Fonte: livro Recordações de Lênin, de Clara Zetzin))

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O Poder soviético e a situação da mulher

O segundo aniversário do poder soviético nos dita o dever de passar em revista tudo o que foi realizado e de refletir sobre o seu significado e as metas da transformação atual.

A burguesia e seus adeptos acusam-nos de ter violado a democracia. Nós declaramos que a revolução soviética deu à democracia um impulso sem precedentes tanto em extensão como em profundidade; este impulso foi dado precisamente à democracia das massas trabalhadoras e exploradas pelo capitalismo, isto é, a democracia para a imensa maioria do povo, a democracia socialista (dos trabalhadores) que é preciso distinguir da democracia  burguesa (dos exploradores, dos capitalistas e dos ricos).

Quem tem razão?

Nadeja Krupskaia, comunista do PCUS

Refletir bem sobre esta questão e aprofundá-la, quer dizer, verificar a experiência destes dois anos é preparar melhor o desenvolvimento ulterior.

A condição da mulher mostra a diferença entre a democracia burguesa e a socialista e dá uma resposta singularmente clara à questão que acabamos de expor.

Em nenhuma República burguesa (ou seja, onde existe a propriedade privada da terra, das fábricas, das usinas, das ações, etc.), por mais democrática, em nenhuma parte do mundo, nem sequer nos países mais adiantados a mulher goza de plena igualdade de direitos em relação ao homem. E isto depois de um século e um quarto haverem decorrido a seguir à grande revolução francesa (burguesa e democrática).

Em palavras, a democracia burguesa promete a igualdade e a liberdade. Em fatos, nenhuma República burguesa, nem as mais progressivas, nenhuma deu à metade feminina do gênero humano a plena igualdade jurídica em face do homem, nem a libertou da tutela da opressão deste último.

A democracia burguesa é uma democracia de frases pomposas, de promessas grandiloquentes, de  sonoras palavras de ordem (liberdade e igualdade), mas na realidade, ela dissimula a escravidão e desigualdade da mulher, a escravidão a desigualdade dos trabalhadores e dos explorados.

A democracia soviética ou socialista rejeita o verbalismo pomposo e messiânico, declara uma guerra sem tréguas à hipocrisia dos “democratas”, dos proprietários da terra, dos capitalistas ou dos camponeses abastados que enriquecem vendendo a preços exorbitantes seus excedentes de trigo aos operários famintos.

Abaixo essa mensagem hedionda! Não pode haver, não há nem haverá “igualdade” entre oprimidos e opressores, explorados e exploradores. Não pode haver, não há, nem haverá “liberdade” verdadeira, enquanto a mulher não for libertada dos privilégios que a lei sanciona em favor do homem, enquanto o operário não for libertado do jugo do Capital, enquanto o camponês trabalhador não for libertado do jugo do capitalista, do proprietário da terra, do comerciante.

Que os mentirosos e os hipócritas, os imbecis e os cegos, os burgueses e os seus adeptos ludibriem o povo tagarelando-lhes sobre liberdade, igualdade e democracia em geral!

Nós dizemos aos operários e aos camponeses: arrancai a máscara desses mentirosos, abri os olhos aos cegos. Perguntai-lhes:

Igualdade de qual sexo para o outro sexo?

De qual nação para outra nação?

De que classe para outra classe?

Livres de que jugo, ou melhor, do jugo de que classe? Liberdade de classe?

Quem falar de política, de democracia, de liberdade, de igualdade, de socialismo,sem pôr estas questões, sem as colocar em primeiro plano, sem lutar contra as tentativas de esconder, de fingir ou sufocar estas questões, é o pior inimigo dos trabalhadores, o lobo revestido de pele de cordeiro, o pior adversário dos operários e dos camponeses, um lacaio dos proprietários da terra, dos tzares, dos capitalistas.

No espaço de dois anos, o poder soviético fez mais pela libertação da mulher, pela sua igualdade com o sexo “forte”, num dos países mais atrasados da Europa, do que todas as Repúblicas adiantadas, esclarecidas, “democráticas” do mundo inteiro no curso de 130 anos.

Luzes, cultura, civilização, liberdade, em todas as Repúblicas capitalistas e burguesas do mundo, todas estas palavras ocas andam a par com leis infinitamente abjetas, de uma vilania amarga, de uma grosseria bestial, consagrando a desigualdade da mulher no casamento e no divórcio, estabelecendo a desigualdade entre os filhos naturais e “legítimos”. Criando privilégios para os homens, enquanto eles humilham e ultrajam as mulheres.

O jugo do Capital, a opressão da “propriedade privada sagrada”, o despotismo da estupidez burguesa, o egoísmo do pequeno proprietário, eis o que impediram as Repúblicas mais democráticas da burguesia de acabar com essas leis vis e abjetas.

A República dos Sovietes, a República dos operários e dos camponeses destruiu essas leis de um só golpe e não deixou nenhum vestígio de tudo o que edificaram a maldade e a hipocrisia burguesas.

Abaixo essa maldade! Abaixo os mentirosos que falam de liberdade e igualdade para todos, enquanto existe um sexo oprimido, existem classes do opressores, existe a propriedade privada do Capital e das ações, existem pessoas com excedentes de trigo que põem sob o seu jugo os famintos. Não a liberdade para todos, não a igualdade para todos, mas a luta contra os opressores e os exploradores, o esmagamento da possibilidade de oprimir e explorar. Eis a nossa palavra de ordem!

Liberdade e igualdade para o sexo oprimido!

Liberdade e igualdade para o operário, para o camponês trabalhador!

Luta contra os opressores, luta contra os capitalistas, luta contra o especulador kulak!

É este o nosso grito de guerra, esta a nossa verdade proletária, verdade da luta contra Capital, verdade que lançamos à face do mundo do Capital com suas frases melífluas, hipócritas, pomposas sobre a liberdade em geral, sobre a liberdade para todos!

(Lênin: “O poder soviético e a situação da mulher”)

(1)  Para designar a Assembléia Constituinte, Lênin empregava o diminutivo pejorativo Utchredilka.

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