Nota do PCOF sobre os atentados em Paris

PCOFContinuaremos a viver! Continuaremos a lutar! Contra a política de miséria e de guerra!

Condenamos sem reservas os atentados terroristas que levaram à morte de mais de cem pessoas e deixou muitos outros feridos. Levantamos nossa solidariedade para com as vítimas, seus familiares e amigos.

Está claro que estes atentados têm como objetivo atingir o maior número de vítimas possível, sejam mulheres, homens ou jovens, moradores de bairros populares.

Está claro que estes atentados estão relacionados com as guerras na Síria, no Iraque e no Sarahui, guerras nas quais a França está envolvida. Ninguém pode negar este fato. Mas que lição podemos tirar disto?

Devemos aprofundar o envolvimento militar, bombardear mais, aumentar nossa presença nessas guerras? Essa é a via dos dirigentes dos Estados Unidos, é a via da Rússia… é este caminho que os governantes franceses querem continuar. Mas esta claro que essa via não traz outro resultado que não seja a destruição de vidas humanas e bens materiais, o caos generalizado provocado por essas guerras alimentam o fenômeno do terrorismo.

A situação é grave e cheia de ameaças.

Sim, temos que  unir nosso povo, mas recusar e combater as tentativas de divisão ou a formação de frentes sem princípios, notadamente as que se tentaram formar após os últimos atentados de janeiro.

Falamos da unidade dos trabalhadores, das massas populares, da juventude… para luta contra a política  de austeridade e de guerra, pelo progresso social e a solidariedade entre os povos. É exatamente este tipo de unidade que os terroristas querem impedir.

Dentro deste contexto, as respostas dadas pelo governo são inquietantes e graves: proclamar a todos os ventos que ‘estamos em guerra’ e iniciar a militarização dos espaçõs públicos decretando estado de urgência, impedindo a realização de assembleias, manifestações e fazendo um apelo pela ‘união sagrada’. A direita e a extrema direita se lançaram a uma perigosa escalada policialesca.

O clima de suspeição geral é perigoso. Este clima alimenta a estigmatização da comunidade mulçumana.

Reafirmamos a necessidade combater a política de guerra e miséria,  o que passa por garantir o direito à manifestação, assembleia e reivindicação.

Paris, 16 novembro 2015

Parti Communiste des Ouvriers de France

www.pcof.net/ pcof@pcof.net

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Povo impede golpe militar em Burkina Faso

burkinaNos últimos dias, Burkina Faso (Alto Volta), país situado no oeste africano, tem sido protagonista de grandes lutas dos povos pela sua libertação do jugo do imperialismo capitalista. Burkina Faso vive um período revolucionário desde outubro de 2014, quando os movimentos populares depuseram Blaise Compaoré, ex-ditador que assumiu o país por 27 anos.

As eleições já estavam marcadas para o dia 11 de outubro, organizadas pelo Conselho Nacional de Transição (CNT), estabelecido pós-queda do ex-ditador e que não foi respeitada por uma fração do exército fascista e neocolonial, que, no dia 17 de setembro deste ano, sequestrou o presidente provisório, Michel Kafando, e seu primeiro-ministro, Isaac Zida.

O líder que dirigiu este golpe, Gilbert Diendéré, foi chefe do Estado Maior da Guarda Presidencial de Compaoré, acusado de assassinar o revolucionário Thomas Sankara em 1987, e atualmente faz parte do Regimento de Segurança Presidencial (RSP), uma espécie de guarda pretoriana de Compaoré, exilado na Costa do Marfim. Com o golpe, Diendéré criou o Conselho Nacional da Democracia (CND) e indicou seus membros. Estrategicamente, o RSP organiza redes militares e econômicas na Costa do Marfim, utilizadas como uma base de retaguarda para desestabilizar a transição conduzida pelo CNT.

O Comitê Central do Partido Comunista Revolucionário Voltaico (PCRV) proclamou: “As pessoas devem denunciar e combater o golpismo e todos os instigadores reacionários da guerra civil dentro e fora e se opor a qualquer intervenção militar estrangeira em nosso país”, e ainda conclamou as “Forças de Defesa e Segurança, especialmente os oficiais, sargentos e praças, patriotas, democratas e revolucionários a não usarem as armas do povo contra ele”.

Em nota divulgada em 19 de setembro, a Unidade de Ação Sindical, coalizão de diversos sindicatos e movimentos de Burkina Faso, repudiou o golpe militar e convocou os trabalhadores para uma greve geral nos dias 30 e 31 de outubro, além de exigir a libertação do presidente provisório e do primeiro-ministro. Outro grande protagonista destas lutas foi a combativa União Geral Estudantil de Burkina Fasso (Ugeb), que deu direção e organizou os estudantes em todos os cantos do país, em auxílio à classe trabalhadora burquinense.

Em inúmeras cidades do país e na capital Ugadugu, o povo foi às ruas, organizou barricadas e se preparou para um enfrentamento aberto com as forças da repressão.

Não durou muito tempo. O povo, mais uma vez, mostrou que, com sua organização, derrotará qualquer besta fascista que se intrometer no caminho de suas vidas. Gilbert Diendéré e a Guarda de Elite do Exército saíram humilhados. Renderam-se no dia 29 de setembro. Tiveram de entregar a base de Naaba Koom II e “ceder os postos de segurança”, além de entregar as armas.

Um exemplo vivo da determinação dos burquinenses são as inúmeras barricadas feitas em todos os cantos, becos, vielas, na cidade e no campo, que ainda persistem. Não bastou a liberação dos presos políticos e a devolução do cargo de presidente em transição a Michel Kafando: os movimentos sociais seguem organizados no país e em luta.

Da Redação

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Unamos por uma grande frente de luta contra o imperialismo e a reação

america-latinaAcaba de se realizar em Quito, Equador, mais uma reunião regional da América Latina e Caribe promovida pela Conferência Internacional de Partidos e Organizações Marxista-Leninistas (CIPOML). A Declaração Política aprovada é uma prova clara da unidade e do crescimento da luta revolucionária que se desenvolve em nosso continente.

Os esforços em expandir a unificação das organizações marxista-leninistas empreendidos pela CIPOML ultrapassam as fronteiras da América Latina e do Caribe e chegam aos Estados Unidos com da presença do Partido dos Comunistas dos EUA na reunião. Ao mesmo tempo, agregam-se a essa luta os companheiros da Organização Revolucionária 28 de Fevereiro do Uruguai, fortalecendo os laços de amizade e solidariedade que nunca deixaram de existir entre os revolucionários, os trabalhadores e os povos da região.

Todos os partidos e organizações signatários da Declaração têm claro que os caminhos que levam ao socialismo em nosso continente são constituídos de imensas barreiras impostas pela política da maior potência econômica e militar do planeta, os EUA. No entanto, todos têm consciência que qualquer obstáculo que se coloque à frente dos desejos e da necessidade de liberdade diversas vezes expressos ao longo da história pelos povos latinos e caribenhos será vencido, de uma forma ou de outra, querendo ou não as forças retrógradas do imperialismo americano e de seus fantoches em nossos países.

Diante disso, a afirmação dos partidos é firme, corajosa e direta: “Nossos partidos e organizações, ao reafirmar sua adesão aos princípios revolucionários do marxismo-leninismo, proclamam sua convicção de continuar a batalha para organizar e fazer a revolução, pela implantação do poder popular e a construção do socialismo”.

 

 

DECLARAÇÃO POLÍTICA

 

I

 

Apesar da crise econômica internacional de 2007 estar dando lugar à recuperação da economia das grandes potências, principalmente dos EUA, ainda se sentem suas chicotadas, com o desemprego de milhões de trabalhadores em todos os países; os cortes nos orçamentos de educação, saúde e previdência social, a diminuição das pensões e o aumento da idade de aposentadoria; os atentados aos direitos sindicais e sociais, a flexibilização trabalhista, a terceirização; o crescimento da dívida pública da grande maioria dos países. Tudo isso confirma que os monopólios internacionais, o sistema financeiro mundial, as potências imperialistas, as classes dominantes de todos os países jogaram a carga da crise sobre os trabalhadores, os povos.

A desaceleração da economia da China, Índia, Turquia e demais economias dos chamados países emergentes, a recessão em vários dos países da União Europeia, o crescimento desmesurado da dívida pública, o desenvolvimento incontrolável da carreira armamentista, os conflitos políticos e militares desatados pelos países imperialistas colocam no limiar o advento de uma nova crise econômica.

Os últimos acontecimentos da Grécia expressam claramente a avidez e desplantes dos países imperialistas da União Europeia para obrigar a novas medidas restritivas da economia e aos direitos dos trabalhadores, novas dívidas para pagar as dívidas anteriores. Dessa maneira, asseguram os superlucros dos bancos e afirmam, de maneira prepotente e descarada, o domínio do capital e a subordinação dos países dependentes. A luta da classe operária, da juventude e do povo da Grécia, apesar de sua magnitude maciça e de sua persistência, por falta de uma justa condução revolucionária, não conseguiu, até agora, impedir o saque dos imperialistas e menos ainda a satisfação de suas grandes necessidades e desejos. A eleição de um governo que se colocou como defensor dos interesses dos trabalhadores e do povo, da soberania nacional, do referendo que proclamou a não submissão aos intuitos da Troika, não foram suficientes para alcançar uma saída para a crise em benefício das massas; demonstram, uma vez mais, que o caminho das reformas, apesar das intenções e decisão de combate das massas, não conduz nem sequer à superação da crise, que só os trabalhadores serão capazes de conquistar sua própria libertação, que, para isso, é indispensável a existência e a fortaleza do  partido revolucionário do proletariado.

 

II

 

Na América Latina acabaram os anos de bonança iniciados em 2003-2004, os recursos provenientes dos elevados preços das matérias primas, do petróleo e dos minerais, que marcaram um crescimento econômico de todos os países, não beneficiaram as massas trabalhadoras e o desenvolvimento das economias nacionais; utilizaram-se para impulsionar um processo de modernização do capitalismo, para reafirmar a dependência, para afirmar a dominação e a exploração capitalistas. A corrupção fez sua colheita nestas circunstâncias, convertendo-se em expressão generalizada na administração pública. Boa parte desses recursos foram gastos de luxo.

O volumoso crescimento da dívida pública, a valorização do dólar, as desvalorizações monetárias, a diminuição dos preços do petróleo e demais recursos naturais, das matérias primas e dos produtos agropecuários estão provocando uma desaceleração marcada do PIB, a diminuição dos investimentos sociais. No Brasil e Argentina chegou a crise de novo e golpeia as massas trabalhadoras que vão ao desemprego, que suportam o crescimento do custo da vida, a juventude que não pode encontrar emprego.

Todos os países da América Latina estão ameaçados com a explosão de uma crise econômica que golpeará as massas trabalhadoras, os povos, mas que encontrará novos níveis de resistência da classe operária.

A América Latina é, na atualidade, cenário de uma intensa disputa interimperialista. Enquanto os EUA procuram manter seu domínio e hegemonia sobre a região, países imperialistas da União Europeia, e outras potências imperialistas como China e Rússia, incrementam seus empréstimos e investimentos, instalam empresas e bancos e concretizam acordos multilaterais com os diferentes governos.

Destacamos nesse contexto como os grandes investimentos chineses e a dívida com este país aumentam no Brasil, Argentina, Venezuela, Nicarágua, Peru e Equador, assim como as ações e medidas promovidas pela OCDE, os Brics e a Otan que tornam mais complexo o panorama econômico e político da região.

 

III

 

Os fatos econômicos, sociais e políticos revelam por estes dias na América Latina um panorama complexo de ampla aprofundamento das contradições sociais.

Do Rio Bravo até a Patagônia as classes trabalhadoras, os povos originários e a juventude expressam sua inconformidade no protesto e nas ações contra o capital e o imperialismo, em oposição aos cortes dos direitos sociais e sindicais, à criminalização da luta social e à repressão; grandes mobilizações e greves se desenvolvem em todos os países evidenciando a decisão das massas trabalhadoras de inscrever suas lutas em amplos processos unitários, assim como dar um rumo ao processo libertador.

A luta de classes se expressa também nas vísceras dos países imperialistas. Nos EUA e Canadá os trabalhadores, os afro-americanos e imigrantes batalham por seus direitos civis e sociais, enfrentam as políticas antipopulares e xenófobas da administração Obama.

A resposta à crise capitalista, ao fracasso e à incapacidade que reiteradamente seguem mostrando o imperialismo e os governos da América Latina continuam marcando a aguda confrontação política que hoje se vive em nossos países. São insuportáveis para a classe operária, os trabalhadores em geral e os povos as políticas que hoje aplicam os governos da América Latina, seguindo as ordens do imperialismo norte-americano e entidades como o FMI e o Banco Mundial.

A inconformidade cresce e as ações de luta se generalizam rechaçando a pesada carga que reveste o desemprego, a terceirização e a informalidade crescentes, os altos impostos, a dívida externa, o elevado déficit fiscal e o desconhecimento permanente dos direitos sociais e políticos das massas trabalhadoras.

Nessa perspectiva, a ascensão da luta social expressa hoje em diferentes formas, nas greves, protestos e mobilizações seguirá desenvolvendo-se como resposta ao aprofundamento da dependência de nossos países em relação ao imperialismo, à dominação e exploração dos capitalistas, ao crescimento da pobreza e da desigualdade social, assim como ao corte dos direitos sociais e das liberdades públicas.

 

IV

 

Os acontecimentos demonstram que os governos abertamente direitistas, como os do México, Colômbia e Peru, e os chamados governos alternativos ou do “socialismo do século 21” estão interessados em preservar a propriedade privada sobre os meios de produção, o poder dos monopólios, assim como a defesa dos atuais sistemas políticos antidemocráticos que promovam a dependência, afirmem as iniquidades sociais e restrinjam os direitos políticos dos trabalhadores e dos povos.

O fracasso dos chamados governos progressistas ou alternativos, convertidos hoje em administradores da crise, em sustento e representação de setores burgueses em ascensão, dos monopólios internacionais e dos diversos países imperialistas evidencia claramente que a libertação dos trabalhadores e a verdadeira independência não pode partir de uma facção das classes dominantes, não será resultado de “novas” teorias e propostas apresentadas pelos renegados do socialismo; pelo contrário, afirmamos que a libertação dos trabalhadores e dos povos será obra deles mesmos e responsabilidade inevitável dos partidos revolucionários do proletariado que persistirem no marxismo-leninismo.

 

V

 

Importantes ações se desenvolvem em nossos países que exigem expressar e manter nosso mais decidido apoio.

No México o impulso da Greve Política Geral e a consolidação da Frente Única para desenvolver a luta da classe operária e dos povos do México, contra a política pró-imperialista de Enrique Peña Nieto e por um Governo Provisório Revolucionário que torne possível a convocatória de uma Assembleia Nacional Constituinte e, com ela, uma Nova Constituição Política, segue adiante.

No Peru avançam as ações que se realizam contra o governo de Ollanta Humala, que insiste em criminalizar a luta popular, reprimindo e limitando ao máximo os direitos de organização da classe operária, dos camponeses e estudantes. Expressam a ascensão da luta das massas. Apoiamos as ações contra o saque imperialista, as concessões mineiras e a superexploração dos trabalhadores da cidade e do campo, a construção da Frente Popular proposta pelos revolucionários proletários como resposta à entrega voraz dos recursos naturais e da soberania, à fascistização e à deterioração das condições de vida do povo peruano.

No Uruguai vive-se uma importante reanimação do movimento popular em resposta às medidas antipopulares tomadas pelo terceiro governo da Frente Ampla, encabeçado por Tabaré Vázquez. O impulso de pautas salariais que tendem à redução do salário real, as negativas a cumprir as reclamações históricas de 6% do PIB para a educação pública, a política de impunidade com os crimes de lesa humanidade ocorridos durante a ditadura fascista, a saída à luz das negociações para ingressar no TISA (Acordo Internacional de Comércio em Serviços) pondo em perigo a soberania sobre os serviços públicos, e os projetos de reformas no sistema educativo e de saúde, que principalmente favorecem às empresas privadas, são algumas das políticas enfrentadas pelo povo na rua e que merece nosso respaldo.

Na República Dominicana a esquerda e setores democráticos e progressistas, imersos na luta social pelos direitos sindicais e políticos preparam uma campanha política em que procuram afiançar sua unidade em um projeto de convergência que se imponha como alternativa política frente à reeleição e o continuísmo do governo neoliberal de Danilo Medina.

No Equador crescem a inconformidade e os gritos contra Correa, o movimento popular se aglutina em uma ampla frente social e política e assume o protagonismo na luta contra o autoritarismo e a prepotência do correísmo, ao mesmo tempo em que demarca posições com a oposição burguesa, que busca empossar-se como alternativa ao pós-correísmo. O desenvolvimento da luta social se generaliza e se expressará, nos próximos dias, numa grande paralisação nacional em rechaço às políticas antipopulares do governo, afirmando o caminho independente do povo por seus direitos e a conquista de um novo amanhã.

Os ataques aos direitos dos trabalhadores também acontecem no Brasil, devido à política de alianças com o grande capital e os monopólios. O governo de Dilma Rousseff promove um gigantesco ajuste fiscal e seus resultados são a retirada dos direitos históricos dos trabalhadores e os cortes em investimento nas áreas sociais.

Aproveitando-se da perda de popularidade do governo, a oposição representada pela extrema-direita tenta ganhar força e apresentar-se como o novo, mas, na verdade, representa um projeto ainda mais agressivo de retirada de direitos dos trabalhadores que foi implementado na década de 1990 no país, e está igualmente envolta em casos de corrupção.

Frente a esta situação, a esquerda consequente e revolucionária cresce e busca alianças com outros setores populares, na linha de acumular forças por meio da criação de uma grande frente popular que permita aos trabalhadores e o povo enfrentar a grande burguesia e os latifundiários e conquistar o poder político no país.

Rechaçamos frontalmente a política intervencionista do imperialismo norte-americano em conluio com a oligarquia e a direita venezuelanas para desestabilizar o governo de Nicolás Maduro e aproveitar a crise econômica em seu benefício para retornar ao passado.

A ingerência imperialista atiça os conflitos territoriais com a Guiana e a Colômbia no propósito de cercar a Venezuela e levantar à reação.

Chamamos os revolucionários e democratas da Venezuela, Colômbia e Guiana a não deixar-se manipular, a unir forças para lutar contra os exploradores em cada país, aplainando o caminho da unidade dos povos em luta contra o inimigo comum de toda a humanidade.

É clara a existência nestes momentos de um amplo e agudo cenário de confrontação social e política, na qual apoiamos as iniciativas de unidade popular como base para levar adiante a luta pelo aprofundamento das reformas democráticas, pela derrota da reação e do reformismo, avançando pelas trilhas da revolução e do socialismo como única opção para superar as dificuldades criadas pela ofensiva imperialista, a sabotagem burguesa e os erros das concepções socialdemocratas.

Apoiamos na Colômbia a luta do povo e dos trabalhadores pela paz com justiça social, rechaçamos a paz como eliminação do contrário, a Paz Romana promovida pelo governo de Juan Manuel Santos e, em geral, toda a política que busca a rendição do movimento popular. Unimo-nos ao clamor popular que reclama uma verdadeira abertura democrática e com ela as reformas democráticas que fechem as comportas à fascistização, ao neoliberalismo e à entrega do país aos grandes investidores e monopólios estrangeiros.  Unimo-nos à proposta de diálogo nacional sem condições e com plenas garantias, em que os partidos políticos, as organizações guerrilheiras, as organizações sociais e comunitárias e, em geral, o conjunto dos colombianos discutam as verdadeiras causas, dimensões e alternativas de solução ao conflito econômico, social, político e armado que vive o país há várias décadas. Apoiamos a proposta de uma Assembleia Nacional Constituinte de caráter democrático e popular, assim como a luta que em geral desenvolvem os trabalhadores e o povo colombiano pela conquista de um governo democrático e popular.

 

Nos EUA, a classe operária está lutando para melhorar suas condições de vida e os direitos sindicais, incluindo o direito de organização e greve, em oposição às privatizações dos correios, da educação, da saúde e do corte dos gastos sociais. Destacamos os combates contra a brutalidade e a repressão que afeta particularmente aos jovens afro-americanos e latinos, e aos americanos pobres.

Os trabalhadores e os povos dos EUA desenvolvem importantes mobilizações contra a guerra imperialista e seus efeitos.

 

VI

 

Nossos Partidos e organizações, ao reafirmar sua adesão aos princípios revolucionários do marxismo-leninismo, proclamam sua convicção de continuar a batalha para organizar e fazer a revolução, pela implantação do poder popular e a construção do socialismo.

Unimo-nos às diferentes lutas que se registram no continente, expressamos nosso abraço solidário a todas as organizações comprometidas com a mudança, chamando-as a firmar os laços unitários, avançando na conformação de uma grande frente de luta contra o imperialismo e a reação em nossos países e em escala internacional.

 

VIVA A LUTA DA CLASSE OPERÁRIA E NOSSOS POVOS!

 

 

PARTIDO COMUNISTA REVOLUCIONÁRIO – BRASIL

PARTIDO COMUNISTA DA COLÔMBIA (MARXISTA-LENINISTA)

PARTIDO COMUNISTA MARXISTA-LENINISTA DO EQUADOR

PARTIDO DOS COMUNISTAS DOS EUA

PARTIDO COMUNISTA DO MEXICO (MARXISTA-LENINISTA)

PARTIDO COMUNISTA PERUANO (MARXISTA-LENINISTA)

PARTIDO COMUNISTA DO TRABALHO – REPÚBLICA DOMINICANA

ORGANIZAÇÃO REVOLUCIONÁRIA 28 DE FEVEREIRO – URUGUAI

PARTIDO COMUNISTA MARXISTA-LENINISTA DA VENEZUELA

 

Quito, julho de 2015

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As lutas interimperialistas e as tarefas dos povos

£¨¹ú¼Ê£©£¨1£©¶ò¹Ï¶à¶û½Ìʦ¾ÙÐп¹ÒéÓÎÐГSegue firme a luta pelas mudanças na América Latina”

 

Com a presença de organizações da Europa, Ásia, Canadá e Estados Unidos, além de dezenas de organizações da América Latina e Caribe, aconteceu de 27 a 31 de julho, em Quito, Equador, o 19º Seminário Internacional Problemas da Revolução na América Latina, sob o tema das “Lutas interimperialistas e as tarefas dos povos”.

A Declaração Final denuncia o nível de exploração e submissão que vivem os países da região, a disputa dos governos imperialistas e suas multinacionais pela partilha das nossas riquezas, pela exploração da força de trabalho e do conhecimento aqui acumulados e como tudo isso leva a lutas intestinas entre esses países.

Ao mesmo tempo, a Declaração afirma o crescimento da resistência e luta dos trabalhadores e dos povos latino-americanos na busca de uma alternativa de mudança popular e revolucionária, longe das tentativas oportunistas dos variados setores do capital financeiro de envolvê-los em seus “contos da carochinha”.

 

 

Declaração Final

19º Seminário Internacional Problemas da Revolução na América Latina

As lutas interimperialistas e as tarefas dos povos

 

O mundo de hoje continua sua marcha consumido em meio de agudas e insolúveis contradições, localizadas em posições distintas e opostas, de quem aspira manter o status quo devido aos enormes benefícios que este lhes outorga, e de quem luta para que as coisas mudem – de maneira total e definitiva – em benefício dos trabalhadores e dos povos.

A riqueza que o planeta encerra e as incalculáveis utilidades que seu aproveitamento e exploração produzem com o trabalho e o conhecimento desenvolvido pela humanidade, provocam que aqueles que se apropriam delas mantenham permanentes disputas e conflitos para ser os principais beneficiários em sua partilha. Assim se explicam as lutas, os conflitos políticos e até bélicos que enfrentam os Estados imperialistas, por trás dos quais tentam alinhar todos os países e povos do mundo. As guerras no Oriente Médio (Síria, Irã, Iraque, Palestina), Europa Oriental (Ucrânia), Ásia (Iêmen, Paquistão, Afeganistão), África (Sudão do Sul, Nigéria, República Democrática do Congo) são manifestações das contradições interimperialistas ou agressões imperialistas.

Ao mesmo tempo, e contra o domínio imperialista e sua partilha de zonas de influência, desenvolve-se a luta dos trabalhadores e dos povos que resistem a continuar na condição de vítimas do sistema capitalista-imperialista que os explora e os oprime através dos mais diversos mecanismos. Assim vemos também um mundo no qual as contradições entre os donos do capital e os que unicamente possuem a força de trabalho se aguçam, tomando forma nos transcendentes combates que desenvolvem os trabalhadores da cidade e do campo, os camponeses, a juventude, os povos originários, os povos negros, as mulheres em cada um de nossos países.

Nosso continente expressa de maneira viva e clara estes fenômenos. Nele se trava uma guerra surda entre os donos do capital financeiro, que tecem suas redes sobre nossos países para crescer seus dividendos. Capitais americanos, chineses, alemães, japoneses, russos, ingleses, franceses, canadenses e de outras potências percorrem a geografia americana para se valer de nossas riquezas naturais e explorar a força de trabalho de seus homens, mulheres, jovens e até crianças.

A hegemonia que durante as últimas décadas detêm os capitais ianques na região sente o peso do acelerado crescimento dos investimentos chineses, que tiveram e têm como principais aliados para sua presença os governos denominados progressistas; os monopólios agrupados na União Europeia participam desta lide promovendo, principalmente, a assinatura de Tratados de Livre Comércio.

Aqueles que enaltecem esses investimentos chineses o fazem em nome de uma suposta política soberana e antiestadunidense, mas em realidade estão provocando um processo de renegociação da dependência, mas de nenhuma maneira rompem as redes do controle externo. O capital financeiro por sua natureza é espoliador: não existe capital financeiro que chegue para garantir o desenvolvimento, o bem-estar, e menos ainda para libertar os povos.

O sistema capitalista-imperialista é um só e seu domínio cobre todo o planeta, o que não impede que uma ou outra potência adote políticas específicas em função de seus interesses: estabelecem acordos, alianças, constituem blocos; em uns lados se coligam e em outros, entre eles mesmos, se confrontam; fenômenos que as organizações políticas revolucionárias devem ter presente e entendê-los para o impulso de nossa atividade e luta.

Anos, décadas de história, confirmam que o domínio total do capital traz consigo exploração, opressão, discriminação, destruição da natureza. A libertação dos povos exige necessariamente acabar com a dominação imperialista, liquidar o poder dos donos do capital. Combater o imperialismo, seja da cor que for, os representantes e lacaios de seus interesses econômicos e políticos em cada um dos países, as classes dominantes nativas, são tarefas simultâneas que andam de mãos dadas, indispensáveis para o triunfo da revolução e da luta pelo socialismo.

Entendemos a necessidade inevitável de desenvolver a consciência anti-imperialista dos trabalhadores, da juventude e dos povos em geral, de maneira que essas bandeiras estejam presentes em todos e cada um de seus combates.  Assim, nas ações, irá se forjando uma frente anti-imperialista de caráter internacional, indispensável para o triunfo da revolução social em cada um dos países e em nível mundial.

Os desafios que os revolucionários da América Latina e do mundo enfrentam no caminho para conquistar uma sociedade de liberdade, em que os trabalhadores da cidade e do campo sejam os donos e protagonistas de seu próprio destino, expõe-nos também a necessidade de trabalhar pela unidade local e internacional dos povos e pela unidade das organizações políticas e sociais que lutam pelos mesmos objetivos.

Expressamos nossa solidariedade com os trabalhadores, os camponeses, a juventude, as mulheres, enfim… com quem luta por seus direitos, pelo pão, por justiça, por liberdade. Particularmente, expressamos nossa solidariedade com a luta anti-imperialista do povo curdo contra o Estado Islâmico fascista; e assim como também com a resistência do povo palestino.

Somos revolucionários, anti-imperialistas, antifascistas; somos lutadores consequentes contra o domínio dos donos do capital e estamos nas lutas dos povos que se puseram de pé para libertar a humanidade.

 

Quito, 31 de julho 2015

 

 

Partido Marxista Leninista da Alemanha, MLPD

 

Partido Comunista Revolucionário, PCR, Argentina

 

Partido Comunista Revolucionário, PCR, Brasil

 

Unidade Popular pelo Socialismo, UP, Brasil

 

Movimento Luta de Classes, MLC, Brasil

 

União da Juventude Rebelião, UJR, Brasil

 

Reconstrução Comunista, Canadá

 

Partido Comunista da Colômbia (marxista-leninista) PCdeC (ml)

 

Partido dos Comunistas dos Estados Unidos

 

Sindicato de Trabalhadores Independentes de Ofícios Vários, STINOVES, El Salvador

 

Juventude Revolucionária do Equador, JRE

 

Frente Popular, Equador

 

Mulheres pela Mudança, Equador

 

Partido Comunista Marxista-Leninista do Equador, PCMLE

 

Frente Popular Revolucionário, México

 

Partido Comunista do México (marxista-leninista) PCM(ml)

 

Partido Comunista Peruano (marxista-leninista), PCP(ml)

 

Frente Democrático Popular do Peru, FEDEP

 

União da Juventude Estudantil do Peru, UJE

 

Partido Marxista Leninista do Peru

 

Coordenadora Caribenha e Latino-americana de Porto Rico

 

Partido Comunista do Trabalho da República Dominicana, PCT

 

Partido Comunista (bolchevique) da Rússia

 

Partido Comunista (bolchevique) da Ucrânia

 

Frente de Participação Estudantil “Susana Pintos”, Uruguai

 

Movimento Gayones, Venezuela

 

Partido Comunista Marxista-Leninista da Venezuela, PCMLV

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PCRV: “Nosso desafio é avançar o processo revolucionário”

Burquina Fasso 01Com uma população de 17 milhões de habitantes e considerado pela ONU um dos países mais pobres do mundo, Burquina Faso vive sob uma ditadura há 27 anos.

Desde o fim de outubro, o país passou a ocupar as páginas da imprensa internacional depois que a população, após inúmeras manifestações e levantes, que culminaram com o incêndio do prédio do Congresso Nacional, da Câmara Municipal da capital e da sede do partido governista, derrubou o ditador Blaise Compaore.

Apesar disso, e porque as massas não estavam suficientemente organizadas, o chefe das Forças Armadas, general Honoré Traoré, promoveu outro golpe de Estado, dissolveu o Parlamento e anunciou “12 meses de transição para a convocação de eleições”.

Hoje, o país  é presidido pelo ex-ministro de Relações Estrangeiras do governo anterior a Compaore e ex-embaixador na ONU, Michel Kafando, conhecido por suas ligações com os interesses norte-americanos no país, e pelo primeiro-ministro Isaac Zida, um dos chefes militares golpistas.

A Verdade entrevistou com exclusividade um dos principais dirigentes do Partido Comunista Revolucionário Voltaico (PCRV), que por motivos de segurança não pode ter seu nome divulgado. O PCRV é a principal organização de esquerda do país e se mantém na clandestinidade desde sua fundação, em 1978. Confira a entrevista, realizada na Turquia durante as comemorações dos 20 anos da Conferência Internacional de Partidos e Organizações Marxista-Leninistas (CIPOML).

Marcos Villela, Rio de Janeiro.

 

A Verdade – O que levou a população a derrubar a ditadura?

PCRV – O estopim de tudo foi a tentativa do ditador Compaore de ficar mais cinco anos no poder, o que contraria a Constituição, aprovada por ele mesmo em 1991.

 

Mas um novo golpe reacionário foi realizado…

O povo é contra o golpe, contra os militares. O movimento camponês e as organizações sindicais, de mulheres, estudantis e de direitos humanos, que em sua maioria são organizadas pelo Partido, se posicionaram contra o golpe. A burguesia do país e o imperialismo se organizaram para transformar o golpe em uma nova transição, dizendo que é para realizar eleições daqui a um ano.

Depois de idas e vindas dos militares, foi indicado para assumir o governo de transição o ex-ministro das Relações Exteriores e diplomata, Michel Kafando. No entanto, o primeiro-ministro é Isaac Zida, tenente-coronel do Exército, sempre utilizado pelos governos franceses para traficar armas e organizar golpes na Nigéria, Serra Leoa, Mali e Angola, países ricos em minerais como ouro, urânio, petróleo e gás, etc.

O golpe é uma tentativa do imperialismo e da burguesia reacionária do país de impedir a luta popular pelas transformações econômicas, sociais e democráticas, e também impedir o processo revolucionário em curso.

 

Há décadas que o povo burquinense luta por liberdades democráticas. Como o Partido participa dessas lutas?

A luta é especialmente democrática e popular, não armada. O Partido tem uma linha política que explica a necessidade de construir a luta armada, mas depende da condição subjetiva, ou seja, depende de preparar o povo para se incorporar a ela, pois a situação não permite ainda a organização de um braço armado. Apesar disso, o Partido vem discutindo a melhor tática para sua construção.

 

O PCRV e a CIPOML afirmam que Burquina Faso é um dos elos fracos da cadeia de exploração do imperialismo.

Há alguns anos, o Partido analisou que a conjuntura no país poderia mudar e chegar a uma situação revolucionária e que nós deveríamos nos preparar para isso, explicando aos militantes e ao povo que tínhamos de nos organizar para uma insurreição popular e armada pelo poder.

Essa foi apenas a primeira experiência insurrecional do povo. Nosso desafio agora é avançar o processo revolucionário para uma nova e mais bem preparada insurreição popular.

 

Mas vocês consideram que o nível de organização do povo já está consolidado?

Sim, está próximo, mas o nível de organização dos camponeses ainda não é bom. Nas cidades, os trabalhadores estão bem organizados, porém a população em Burquina é constituída por 80% de camponeses. Nesta insurreição, as 40 províncias do país participaram, mas os camponeses, por não terem uma organização nacional, atuaram de forma dispersa. Eles têm organizações regionais, pequenas, e nós trabalhamos pela criação de uma organização nacional através da CGTB (Central Geral dos Trabalhadores de Burquina Faso), que dirige a luta dos trabalhadores no país.

 

Houve alguma influência da chamada “Primavera Árabe” sobre Burquina Faso?

Sim, claro! Na Tunísia o povo gritava “Fora Ben Ali”, e aqui “Fora Compaore”. Principalmente a juventude, e isso foi muito bom para acelerar nossa luta.

 

Existe hoje uma frente política no país para congregar todas as forças da revolução, ou o Partido realiza essa luta sozinho?

Existe uma coalizão de mais de 60 organizações democráticas e revolucionárias chamada “Coalizão Contra a Carestia da Vida”, fundada em 2003, e que deve ser preparada para se transformar numa Frente Popular Revolucionária. Essa coalizão atua, inclusive, no campo.

 

Qual é a situação da economia do país?

A economia de Burquina Faso é neocolonial, agrícola e atrasada, pré-capitalista. O maquinário moderno é utilizado em pequena parte do campo, estando a maioria da produção agrícola submetida à tração animal, aos mecanismos mais tradicionais e à força do homem, apesar de ser principalmente para exportação.

 

Qual a situação do povo de Burquina?

Existe uma grande miséria. Sabemos que a miséria é resultado da exploração imperialista, porque existem recursos agrícolas e minerais. Depois de África do Sul, Gana e Mali, Burquina Faso é o maior produtor de ouro do mundo, por exemplo. Essa riqueza é toda exportada para Canadá, França, Austrália e Estados Unidos, ficando apenas 10% do recurso obtido no caixa nacional, que vai para o bolso da burguesia local, suas famílias e amigos, nada restando para o país e o povo.

A consequência disso é que em algumas regiões as pessoas são obrigadas a andar 10 km para buscar água, a mortalidade infantil é de 79 mortes para cada 1.000 nascimentos, o analfabetismo atinge 70% da população e a expectativa de vida é de apenas 46 anos. Não há hospitais na maioria das províncias, a cólera e a malária são epidêmicas e estão fora de controle. Não bastasse, até o dinheiro recebido da ONU para o combate ao HIV é controlado pelo ditador.

 

Como o Partido está se preparando para uma nova onda revolucionária?

O PCRV está na clandestinidade desde sua fundação, em outubro de 1978. No início, começamos pela organização de sindicatos e da juventude. Hoje, dirigimos a principal central sindical do país, a CGTB, e temos importante atuação na saúde, educação, minério, etc.

No movimento estudantil atuamos na União Geral Estudantil de Burquina Faso, que reúne estudantes universitários e secundaristas.

Além disso, o Partido está à frente de uma organização de Direitos Humanos presente em todas as 40 províncias do país, além de também organizar o movimento de mulheres camponesas, operárias e intelectuais.

Graças à luta popular, todas as organizações de massas foram legalizadas, e apenas o Partido continua proibido de atuar livremente.

Em todas as eleições atuamos por meio da agitação e propaganda para esclarecer o povo de qual o caminho para derrotar o governo e organizar manifestações, greves, etc.

Nos últimos anos já havíamos identificado uma situação pré-revolucionária de crise política, econômica e militar. A juventude crescendo suas lutas, exigindo vida digna, o fim da fome e da miséria, água potável para beber, etc.

O Partido, percebendo essa disposição de luta, desenvolveu uma política de unidade popular através da “Coalizão Contra a Carestia da Vida”. A partir daí a luta cresceu e em algumas partes do país a luta se transformava em insurreição contra o poder. Esta situação nos levou a explicar ao povo a necessidade de uma organização revolucionária para liquidar o sistema neocolonial, pois os partidos da burguesia lutam contra o governo, mas não contra o sistema. O resultado disso foi a derrubado da ditadura de Compaore. Agora estamos trabalhando para derrotar o novo golpe e conquistar um país realmente soberano e democrático.

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Assassinado no México um dirigente da Frente Popular Revolucionária

gustavoGustavo Alejandro Salgado Delgado, 32 anos de idade, dirigente da Frente Popular Revolucionária do México (FPR) foi brutalmente assassinado e também decapitado a cerca de dois dias, depois de ter sido declarado desaparecido por seus familiares.

Seu corpo foi encontrado por um grupo de trabalhadores rurais ontem no município de Ayala, estado de Morelos (centro do México). Esta é mais uma violência política que causa comoção popular no país.

Gustavo era uma dos militantes envolvidos na organização de marchas que pediam justiça pelo desaparecimentos dos 43 estudantes de Ayotzinapa, desde o dia 26 de setembro do ano passado no estado de Guerrero (sul do México). De larga trajetória militante, Gustavo também fez parte da União da Juventude Revolucionária do México (UJRM), sendo membro de seu Comitê Central.

Até agora, quatro suspeitos pelo sequestro e assassinato de Gustavo foram detidos.

Logo após o aparecimento do corpo, dirigente da FPR e de outras organizações que exigem o aparecimento com vida dos estudantes de Ayotzinapa responsabilizaram o governo federal pelo crime e denunciaram que essa é uma estratégia para desmobilizar as manifestações populares no país.

Membros da família dos estudantes de Ayotzinapa repudiaram o assassinato de Gustavo e qualificaram de hipócritas os pronunciamentos governamentais em torno da crescente violência que vive o país.

Várias manifestações foram convocadas pelos movimentos sociais para 6 de fevereiro, inclusive no Zócalo, principal praça da capital do país. Em nota oficial, a direção da FPR declarou:

“Nos despedimos do camarada Gustavo Salgado com as bandeiras vermelhas da Frente Popular Revolucionária, da qual ele foi construtor incansável. Perdemos uma parte de nossa existência com a partida do camarada. Este maldito regime necessariamente vai cair junto com seus burgueses, caciques e testas-de-ferro que assassinaram nosso camarada. Só assim poderemos fazer com que descanse em paz. O sangue vermelho semeia o futuro e constrói a revolução proletária”.

Momento do enterro de Gustavo Salgado.

Da Redação, com informações de Telesur e do sítio da FPR

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Mensagem à I Conferência de Quadros do PCM (m-l)

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Aos delegados à I Conferência Nacional de Quadros do PCM (m-l)

 

Camaradas,

Impedido de enviar representante à vossa Conferência de Quadros, o Partido Comunista Revolucionário, do Brasil, deseja êxitos nos trabalhos que se iniciam neste dia 13 de dezembro.

O México, igual aos demais países latino-americanos, convive com contradições profundas, resultado da dominação do imperialismo capitalista em associação com uma reacionária e dependente burguesia nacional.

Retrato fiel dessa situação foi a última chacina de Ayotzinapa praticada contra a juventude mexicana, mostrando o verdadeiro caráter do Estado e da aliança das classes dominantes com o narcotráfico.

No entanto, ao mesmo tempo em que cresceu a violência, a tortura e o fascismo da burguesia e de seu aparato paramilitar contra a população, desenvolve-se um grande movimento de massas que não aceita mais conviver com o extermínio de jovens, com a fome e o desemprego, com a militarização, com a entrega das riquezas minerais e uma dívida pública impagável, a qual retira, ano a ano, mais e mais verbas das áreas sociais para sua manutenção.

Os ventos revolucionários sopram no México e em quase toda a América Latina, os trabalhadores e povos de vosso país já não aguentam mais viver sob o regime do fascismo e da repressão.

Esta Conferência de Quadros é um passo concreto do PCM (m-l) no sentido de dotar, cada vez mais, sua militância com as condições políticas e ideológicas necessárias para dirigir esse caudal popular e revolucionário em sua luta pela derrubada da oligarquia financeira, fascista e narcotraficante que domina o país e para estabelecer o poder popular e o socialismo, como única alternativa para a solução definitiva destas enormes contradições.

Para tanto, o Partido Comunista do México (marxista-leninista) tem a importante missão de todos os revolucionários do país numa grande frente popular e conquistar as amplas massas para a revolução.

Temos certeza que vosso partido sairá dessa Conferência mais consciente, mais preparado e mais decidido a cumprir com suas tarefas revolucionárias, em particular, a de forjar a unidade da classe operária e dos trabalhadores mexicanos contra o imperialismo, a burguesia e as oligarquias.

São muitas pedras nessa estrada, mas o PCM (m-l), junto com a CIPOML, saberá afastá-las até o triunfo da revolução.

 

Viva a Greve Política Geral no México! Viva a Frente Única!

Viva o PCM (m-l)! Viva a Revolução Socialista no México!

Partido Comunista Revolucionário – PCR (Brasil)

Dezembro de 2014

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Mensagem ao III Congresso do PCE (m-l)

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Camaradas delegados ao III Congresso do PCE (m-l),

A celebração do III Congresso do PCE (m-l), em uma conjuntura de aprofundamento da crise internacional do capitalismo na Europa, é um alento para os comunistas da Espanha e do mundo. Forjado na luta contra o fascismo e o que existe de mais reacionário da política burguesa, o PCE (m-l) assume na teoria e na prática o marxismo revolucionário e tem se constituído em vanguarda na CIPOML no resgate das teses de Dimitrov sobre a necessidade da formação em nossos países das Frentes Populares e Revolucionárias contra o perigo fascista que se avizinha.

Apesar dos duros golpes que o povo espanhol tem sofrido por conta da política neoliberal e fundomonetarista de sucessivos governos submetidos à troika, o PCE (m-l) em nenhum momento de sua trajetória abriu mão das suas obrigações internacionalistas, aproximando ainda mais a classe operária e o povo da Espanha de outros povos do mundo.

Prova viva de um partido de novo tipo, o PCE(m-l) segue firme na luta contra o oportunismo e o revisionismo, e assume sem subterfúgios seus erros e aprimora sua linha política visando a melhor cumprir com seu papel de dirigir e unificar a classe operária e o povo da Espanha na luta pela República Popular e pela construção do comunismo no mundo. Também aqui, o PCE (m-l) é exemplo para todos os partidos revolucionários do mundo.

Impossibilitado de fazer-se presente neste congresso, o Partido Comunista Revolucionário, do Brasil, deseja total êxito aos comunistas marxista-leninistas da Espanha para que seu congresso aprofunde seu compromisso com a revolução, com o internacionalismo proletário e seja uma poderosa alavanca para a vitória da classe operária e dos trabalhadores sobre seu inimigo de morte, o imperialismo, e para a construção da sociedade socialista.

Viva o III Congresso do PCE (m-l)!

Viva o Internacionalismo Proletário!

 

Comitê Central do Partido Comunista Revolucionário – PCR (Brasil)

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